segunda-feira, 28 de abril de 2014

Uma lufada de ar fresco

Tudo indica que no dia 25 de Abril, surgiu em Portugal um jornal on line que vale a pena ser lido. Criado por jornalistas independentes, dá-nos as notícias do mundo real, que ultrapassam o crivo censório que se instalou nas redacções. 
Leiam Jornalistas Sem Fronteiras , façam o vosso juízo e dêem a vossa opinião.

Tome uma Alka Seltzer, que isso passa!




Ontem, Jerónimo de Sousa- pessoa por quem nutro grande simpatia - decidiu anunciar a boa nova aos portugueses. Quem  votar no PS pode por em risco a democracia. Esta afirmação mete-me quase tanto asco como ouvir as parvoíces de Paulo Rangel ou Passos Coelho. Mas também me surpreende, porque não compreendo as preocupações do PCP com a democracia. Se não fosse pedir muito, gostava que o camarada Jerónimo me indicasse um país comunista que seja ( ou tivesse sido) uma democracia.
Eu sei que  há, no PCP,  quem veja na Coreia do Norte uma democracia. Ou em Estaline um democrata da mais fina têmpera. Mas, apesar desses exemplos de democracia, não me parece ajuizado desprezar a democracia do PS.
Nós já sabíamos que o verdadeiro inimigo do PCP é o PS. Claro que muitos- entre os quais me incluo- têm sempre uma secreta esperança de ver o PCP  atacar o PSD e não o PS mas, à medida que os anos vão passando, vão perdendo a esperança.
Devia ter medido as suas palavras, camarada Jerónimo. Com esse aviso é capaz de ter dado muitos votos ao PS. Seguro agradece. As pessoas de esquerda, não.
Já agora, meu caro Jerónimo de Sousa,  permita-me um lamento por continuar a fingir que o PCP não é um dos culpados pela situação em que o país está. A História não se branqueia e, fazendo o rewind destes 40 anos de democracia, são muitos os  momentos em que o PCP se aliou ao PSD para atacar e / ou derrubar o PS. Como em 2011, com os resultados que agora se vêem e tanto parecem preocupar o PCP. Seguramente não tanto, como uma repetição da vitória do PSD e do CDS nas europeias ou nas legislativas de 2015.
Sabe por que razão eu admirava tanto Álvaro Cunhal, camarada Jerónimo? Porque apesar de não gostar do PS tinha  lucidez para saber onde estava o inimigo. Como em 1986, quando aconselhou o voto em Soares para impedir a vitória de Freitas e da direita.
Se Cunhal estivesse vivo, ontem ter-lhe-ia dado um  grande puxão de orelhas. Bem merecido. Porque o camarada Jerónimo confundiu democracia com azia. Tome uma Alka Seltzer, que isso passa!

E o idiota sou eu?

Quando a comunicação social andava eufórica com a Primavera Árabe e tecia loas aos movimentos cívicos que derrubavam os ditadores, escrevi que não demoraria muito tempo até o Ocidente perceber que estava a apoiar tiranos ainda piores do que os que no momento detinham o poder.
Um jornalista editor do internacional de um jornal diário, deslumbrado com a Primavera Árabe, chamou-me idiota.
Ao ler esta notícia lembrei-me dele. Não para lhe devolver o epíteto, mas para lamentar que a nossa comunicação social continue a ser tão tosca e seguidista, escolhendo para lugares onde se devia exigir qualidade, discernimento e mundividência, gente que apenas se limita a papaguear  os comunicados das agências noticiosas internacionais.  

Paradoxos da Liberdade

Quando ligamos o telemóvel somos imediatamente localizados;
Quando navegamos na Internet não só somos localizados imediatamente, como fornecemos um precioso número de dados  a quem nos quiser perscrutar a vida;
Nas redes sociais somos um alvo  fácil das entidades oficiais e para oficiais que pretendam escrutinar-nos;
Quando fazemos  pagamentos através de cartões de crédito, não só damos informações sobre a nossa localização, como sobre o padrão de vida;
Quando ligamos o GPS ( seja no automóvel, no iPad, ou no iphone)  permitimos que alguém armazene uma série de dados a nosso respeito, que poderão ser utilizados para diversos fins.
Nunca a nossa vida foi tão vasculhada e escrutinada, como neste século XXI. 
Continuamos, porém, iludidos a pensar que nunca fomos tão livres como agora.