sexta-feira, 25 de abril de 2014

Foi bonita a festa, pá?

Estive no Largo do Carmo. Ontem à noite, esta manhã e esta tarde. Foi lá que se viveram os 40 anos de Abril, porque foi lá que estiveram pessoas. Saudosas algumas, nostálgicas outras, vibrantes e esperançosas umas poucas.,
 Do que se passou na AR soube pela TV. Não me pareceu que ali se comemorasse a democracia. Para além do discurso do fulano que se sentia integrado no Estado Novo para quem todos olham com a mesma complacência ou irritação com que invectivam o emplastro, cada um dos oradores mandou uns bitaites, perante o ar grave de um operador de submarinos, uma mulher de vermelho que parecia ter acabado de sair do cabaré da coxa e um coelho de cravo ao peito.
Diz-me alguém que por obrigação profissional lá esteve, que os discursos de Mariana Mortágua e Assunção Esteves foram bons mas, sendo uma mulher a dizer-mo, não sei se estará a ser isenta.
Sei- e também não estarei a ser isento- que ao fazer o balanço do dia constato que a rua não se revê no poder confecionado em corredores de intrigas. Se isso é bom ou mau, o futuro próximo o revelará. Tenha a gaivota ainda asas para voar...
Ah, é verdade, o fogo de artifício no Terreiro do Paço, às duas da manhã, também foi bonito, mas é capaz de me ter reavivado a síndrome gripal, porque estava um frio do caraças e estou a sentir uns arrepios...

Desculpem-me se estou a estragar a festa mas...

... ver Passos Coelho de cravo vermelho fez-me lembrar o gajo que bate na mulher e depois se insurge contra a violência doméstica;
ouvir o pm falar de festejos que cheiram a bafio lembra-me os PIDES  que no dia 26 de Abril andavam pelas ruas a festejar a revolução;
ouvir um imbecil a lançar avisos ao governo, depois de apoiar todas as medidas de destruição por ele tomadas, cheira-me a hipocrisia e mete-me nojo;
ver entre a assistência presidente da CE, um ex maoista que no 25 de Abril apoiava os crimes de Pol Pot, deixa-me vermelho de raiva.

40 anos depois...

... lembrei-me disto.

 "Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas… O tempo passa… e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!"

Bob Marley