segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Terra vai de Selfie?

Amanhã, 22 de Abril, assinala-se o Dia da Terra.  Como acontece todos os anos, há milhares de formas úteis que as pessoas podem escolher para assinalar a efeméride. Este ano, a NASA quis ser original e sugeriu aos cidadãos de todo o mundo que tirem uma selfie e partilhem as fotografias nas redes sociais.
Temo que haja por aí muitos ingénuos a participar no joguinho aparentemente inocente. Talvez seja, mas eu sou muito desconfiado! 
Assim, assinalarei o dia de outra forma. Menos original, mas mais pragmática.

Falou o chefe de (es)quina

Paulo Portas veio confirmar a encenação
A Marilú meteu a viola no... saco e quem vai pagar são os suspeitos do costume. Vão aumentar as deslocações a Espanha. Rajoy agradece.  Aceitam-se encomendas. As minhas cigarrilhas custam menos de metade em Espanha.

Revolta na caserna?

O soldado disciplinado rebelou-se? Não! Foi apenas uma encenação. Toda a gente- incluindo a ministra das finanças- sabe que a taxa anunciada sobre produtos nocivos para a saúde nunca será aplicada. Pires de Lima, sabendo disso, recebeu luz verde de Portas para fingir que o CDS discorda do governo e não permitirá a aplicação dessa taxa.
Se, num novo acesso de teimosia, Passos Coelho decidir mostrar que é ele quem manda no quartel e avançar mesma com a taxa sobre as batatas fritas, aperitivos, sumos ou chocolates, Pires de Lima voltará a ser um soldado disciplinado. Como aconteceu com o IRS sobre a restauração, cuja descida exigia até ao dia em que foi ocupar o lugar do Álvaro.

Para mais tarde recordar

Há dias, enquanto "televia" os três ex-Presidentes da República da democracia reunidos  numa conferência sobre os 40 anos do 25 de Abril, antevia as comemorações do cinquentenário. 
Alguém se atreverá a incluir Cavaco Silva num painel com ex-presidentes da República? Como encaixar um eunuco mental entre gente que pensa, tem ideias, sabe discuti-las e defendê-las? Como encaixar gente genuinamente democrata com uma rábula como Cavaco? Como mesclar gente que lutou contra a ditadura 
( Soares e Sampaio) com um  tipo que  confessou estar perfeitamente enquadrado com o espírito do Estado Novo? Como  conciliar gente íntegra que serviu o país com lealdade e espírito de missão (Eanes) com um tipo que se serviu do país, se banqueteou durante duas décadas à mesa do orçamento e ainda levou para casa uns trocos oferecidos por uns banqueiros vigaristas que ele promoveu a membros do governo?
 E se para tornear esta dificuldade, o Expresso de 2024 optar por convidar ex-primeiros ministros? Alguém imagina  Cavaco ( porra, o homem está em toda a parte!)Passos Coelho, Seguro, Santana Lopes ou Barroso a debater ideias? Fica apenas com  pessoas como Guterres, ou mesmo Sócrates?
Enquanto televia a conferência, a ideia que constantemente me assaltava era  que aquele momento é irrepetível. Daqui a 10 anos os ex-lideres políticos que ainda valha a pena ouvir e não tenham  uma memória deturpada do 25 de Abril, serão muito poucos. A tendência é apagar das memórias de Abril aquilo que teve de genuíno e revolucionário. Seguro, Passos Coelho, Santana Lopes, Durão Barroso ou Sócrates, nunca serão memórias fiáveis  do 25 de Abril.
Daí que seja importante- diria mesmo determinante para preservar a História- guardar os testemunhos de gente que lutou pela democracia e por um país mais justo, mais solidário e fraterno.  Confiar em gente que vendeu o país a retalho  como Coelho ou Portas, perverteu os ideias de Abril como Cavaco ou Barroso - quiçá Seguro- ou simplesmente traíram o país entregando-o a interesses estrangeiros, é perverter a História. Por isso, meus caros, esta é a última oportunidade de celebrarmos uma data redonda do 25 de Abril, preservando a memória. A partir daqui, ou o país dá uma grande volta, ou o que nos resta é ouvir as ladainhas mentirosas de um grupo de bandidos que tem como único objectivo perverter a memória e enganar a História.