sábado, 12 de abril de 2014

Poema do cortador



Chamo-me Passos Coelho

Cortador de profissão
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão
Corto subsídios, reformas
Corto na Saúde e na Educação
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição
Corto ao escorreito e ao torto
Fecho Repartições, Tribunais
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais
Corto ao público e ao privado
Aos independentes e liberais
Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais
Corto regalias, corto segurança
Corto direitos conquistados
Corto expectativas, esperança
Dias Santos e feriados
Corto ao polícia, ao bombeiro
Ao professor, ao soldado
Corto ao médico, ao enfermeiro
Corto ao desempregado
No corte sou viciado
A cortar sou campeão
Mas na gordura do Estado
Descansem, não corto, não.
Eu só corto
a Bem da Nação

Futurista? Talvez não...



 “A Nova Era Digital”, de Eric Schmidt e Jared Cohen, Publicações Dom Quixote, 2013, é um trabalho que alguns críticos têm classificado como futurista.  Será. Discordo, porém, dos autores quando restringem o fenómeno  ao mundo digital.
Logo nas primeiras linhas, percebemos que  os autores  conhecem mal a Europa e nunca estiveram em Portugal. Ora leiam:  

“A internet é a maior experiência histórica do âmbito da anarquia. A cada minuto, centenas de milhões de pessoas criam e consomem uma quantidade incalculável de conteúdo digital no mundo online que não conhece, verdadeiramente, os limites das leis humanas. Esta nova capacidade de livre expressão e livre-trânsito de informação deu origem à rica paisagem virtual que hoje conhecemos. Considere o número de websites que alguma vez visitou, os emails todos que já enviou e todos os artigos que já leu online, todos os factos de que soube e todas as ficções que encontrou e descartou. Considere todas as relações estabelecidas, todas as viagens planeadas, todos os trabalhos que encontrou e todos os sonhos nascidos, alimentados e concretizados através desta plataforma. Considere também o que a ausência de controlo hierárquico permite: as vigarices online, as campanhas de intimidação, os websites de grupos de ódio e os chat-rooms de terroristas. É assim a internet: o maior espaço sem lei do mundo”.

Nota pessoal: o maior será, mas dificilmente será tão sofisticado como este espaço à beira mar plantado.


O Herdeiro

Depois do beija mão a Cavaco,  foi  a Bruxelas oscular o cherne. O tipo tem pinta para ser o sucessor de Coelho. A boa imprensa ajuda e  Prosápia   e  uma boa lista de contactos com vigaristas  são meio caminho andado para o sucesso!