terça-feira, 8 de abril de 2014

Está bem visto, sim senhor!

Ó sr. Aníbal, venha cá! Tenho aqui um recadinho para si...

Alexandra Lucas Coelho recebeu ontem o prémio literário  da APE, pelo romance "E a Noite Roda". Tal como acontecera aquando da entrega dos prémios Gazeta de Jornalismo 2013, Cavaco Silva não esteve presente. Foi a primeira vez, desde 1987, que um PR  se escusou a estar presente na entrega dos prémios gazeta, os mais prestigiados atribuídos em Portugal. Toda a gente percebeu que a recusa se deveu ao facto de o premiado ser António José Cerejo, um dos ódios de estimação de Cavaco.
Ontem, para a entrega do prémio APE a Alexandra Lucas Coelho, o presidente Aníbal mandou um amanuense qualquer representá-lo. 
No momento de discursar, Alexandra Lucas Coelho  foi frontal,  como sempre a conheci  e, sem papas na lingua, disse coisas como estas:

"Este prémio é tradicionalmente entregue pelo Presidente da República, cargo agora ocupado por um político, Cavaco Silva, que há 30 anos representa tudo o que associo mais ao salazarismo do que ao 25 de Abril, a começar por essa vil tristeza dos obedientes que dentro de si recalcam um império perdido.
E fogem ao cara-cara, mantêm-se pela calada. Nada estranho, pois, que este presidente se faça representar na entrega de um prémio literário. Este mundo não é do seu reino. Estamos no mesmo país, mas o meu país não é o seu país. No país que tenho na cabeça não se anda com a cabeça entre as orelhas, “e cá vamos indo, se deus quiser”.
(…)
Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do governo do seu partido. É do arquitecto Álvaro Siza, do cientista Sobrinho Simões, do ensaísta Eugénio Lisboa, de todas as vozes que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do pesadelo que o governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que há a sensação de viver de novo em ditadura, Sobrinho Simões dizendo que este governo rebentou com tudo o que fora construído na investigação, Eugénio Lisboa, aos 82 anos, falando da “total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página”.
Este país é dos bolseiros da FCT que viram tudo interrompido; dos milhões de desempregados ou trabalhadores precários; dos novos emigrantes que vi chegarem ao Brasil, a mais bem formada geração de sempre, para darem tudo a outro país; dos muitos leitores que me foram escrevendo nestes três anos e meio de Brasil a perguntar que conselhos podia eu dar ao filho, à filha, ao amigo, que pensavam emigrar.
(…)
Os actuais governantes podem achar que o trabalho deles não é ouvir isto, mas o trabalho deles não é outro se não ouvir isto. Foi para ouvir isto, o que as pessoas têm a dizer, que foram eleitos, embora não por mim. Cargo público não é prémio, é compromisso.

Texto integral aqui

Este post é para ti, Nuno!




Estamos mesmo muito melhor do que em 2011, não é verdade, Nuno Melo? Olha que até o teu amigo dos "pintelhos" se queixa, homem!  E com toda a razão, diga-se! 35 mil€  mensais não é vencimento que se pague a um homem que iluminou Ali Babá no caminho para o pote.

O(s) preço(s) do silêncio

A polémica à volta da entrevista de Ricardo Costa  a Durão Barroso já fede. O importante para mim, como jornalista, não é saber se Durão Barroso mentiu, se a entrevista foi encomendada a Balsemão a troco de alguma coisa ( sobre isso não restam grandes dúvidas) ou tentar adivinhar o que é que o presidente da CE sabe sobre o BPN.
O importante é saber por que razão Ricardo Costa, quando Durão Barroso lamentou não ter sido questionado  sobre o BPN, tenha acedido a fazer a pergunta mas, perante a resposta ( cujo interesse  qualquer jornalista imediatamente perceberia), não tenha feito a pergunta que se impunha:
- E o que é que o senhor sabia sobre o caso BPN, que o levou a convocar  três vezes Vítor Constâncio  para falar sobre o assunto?
Ricardo Costa é um jornalista competente. Se não fez a pergunta, não foi por estar distraído. Nem por falta de tempo Será que o guião da entrevista foi previamente combinado, e o impedia de a fazer ?  Se assim foi, é mau, mas sempre é melhor do que se a explicação para o silêncio de Ricardo Costa  estiver no facto de andar a dormir bem acompanhado