quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Fugitivo

O  maoísta que fugiu de Mao; que fugiu Lampedusa  quando lhe chamaram assassino; que fugiu dos jornalistas quando o confrontaram com a mentira sobre a “visão” das armas de destruição maciça no Iraque; que fugiu do país para agarrar um tacho em Bruxelas; que foge sempre que é apanhado em contradição, empreendeu uma nova fuga depois de ter sido apanhado em mais uma mentira

Eles não aceitam coelhos?

Em nome do governo, Portas pediu hoje autorização para exportar pintos e falcões para a Arábia Saudita

Tanto Mar!




Houve uma altura em que Cavaco andava embevecido com o mar. Desde que começou a falar em consenso, nunca mais se lembrou. 
Como a conversa do consenso já chateia - apesar de tudo preferia as historinhas de "Aníbal e o Mar"-   e acaba de ser enviado às escolas o novo mapa de Portugal,  lembrei-me de recuperar este texto de João Quadros:
"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE)demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses. "Por que é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultracongelado. Eu explico.
Por alto,vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia,sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji,abrótea do Haiti.Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós.  
Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso,tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo.Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz.
E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras.Fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia.  
"Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço.  
Não  há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.
Eu, às vezes, penso:O que não poupávamos se Portugal tivesse mar!"

Traumatismo (u)craniano

Em Dezembro, escrevi que percebia as razões da luta dos ucranianos pela adesão à UE, mas tinha a sensação de que estavam a apostar no cavalo errado.
Parece que não me enganei. Ainda a procissão vai no adro e já os ucranianos começam a sentir na pele os efeitos de uma luta que foi habilmente aproveitada pela direita ucraniana mais extremista, para se apropriar do poder.
Moscovo reagiu e aumentou 40% o preço do gás.
A UE e o FMI aceitam conceder um empréstimo de 15 mil milhões de euros a Kiev mas, para começo de conversa, exigem que além de cortes nos salários, o governo corte as pensões em 50%.
Entretanto, na Crimeia, Medvedev anunciou que Moscovo irá aumentar as pensões e os salários dos funcionários públicos e diminuir a carga fiscal.
Obviamente que é demagogia de Moscovo mas, enquanto a vida do povo da Crimeia melhora, os ucranianos vêem os impostos a aumentar, os salários e as pensões a diminuir e a economia em risco de colapsar, provocando o aumento dos números do desemprego. Ora, em termos imediatos, faz toda a diferença e não tardará até que muitos ucranianos comecem a olhar de soslaio para a Europa. 
O Kremlin está a dar baile a Bruxelas. Ouve-se muito ranger de dentes, quando os eurocratas se reúnem para debater as condições de apoio a Kiev.