Em 2009, especialistas em economês avisavam que Portugal podia falir em 2014.
Aqui chegados, oportunistas em politiquês lembram incessantemente que Sócrates levou o país à falência em 2011 e foi graças a um Pedro Salvador que Portugal se reergueu. Não só mentem, como esquecem que a tão propalada recuperação deixou pelo caminho mais de dois milhões de portugueses condenados à pobreza e expulsou um número ainda indeterminado ( porque a sangria ainda não acabou) de cidadãos, incitando-os a emigrar.
Convém lembrar, aos desmemoriados, como Paulo Rangel, que Portugal começou a abrir falência muito antes de Sócrates chegar ao poder.
Começou a falir em termos políticos, quando deixou de ter líderes credíveis, faliu definitivamente quando Durão Barroso, depois de prometer salvar o país se pirou para um cargo dourado em Bruxelas, deixando os nossos destinos entregues a Santana Lopes.
Portugal faliu porque falhou nas políticas sociais, na política de saúde e nas questões laborais, varrendo para debaixo da mesa, com desprezível ironia, as conquistas de Abril.
Portugal faliu quando os portugueses se convenceram que viviam num país rico, porque todos lhes esconderam o reverso da medalha do endividamento excessivo.
Portugal faliu quando os portugueses começaram a desconfiar da viabilidade do país, deixaram de acreditar na justiça e nos governos, começaram a torcer o nariz a uma emergente partidocracia e se alhearam do seu dever de cidadania.
Portugal faliu quando a luta pelo poder se transformou num espectáculo escatológico de vaidades, mentiras e jogos subterrâneos onde não faltam as rasteiras maldosas.
Portugal faliu quando decidiu seguir o lema da sociedade de consumo onde vale mais parecê-lo do que sê-lo.
Portugal faliu porque escarneceu da democracia e reduziu os princípios democráticos ao acto eleitoral.
Portugal faliu, porque se deixou arrastar na onda de individualismo da sociedade ocidental do “Eu, Ldª”, onde cada um impõe a sua vontade, a solidariedade é palavra vã e o lema é o “salve-se quem puder”.
Pior do que falir, foi Portugal ter perdido a sua independência. E isso- é sempre bom recordar- aconteceu quando um conjunto de valores inalienáveis em qualquer sociedade foram espezinhados por arrivistas prenhes de ódio a Portugal.
Esgrimindo o cartão de militantes emitidos pela JSD apoderaram-se do poder, fazendo da mentira a sua bandeira e da vingança o seu lema de vida.
Foram esses que assumiram a criação de uma comissão liquidatária que encerrou o país para balanço e lançou uma OPV, na expectativa de algum país emergente comprar isto para transformar em retiro balnear de ricaços famosos.