Escolhi Maria Cavaco Silva para mulher do ano. É uma escolha tardia, eu sei, porque sempre que abre a boca,- especialmente lá fora- Maria Cavaca deixa milhões de portugueses envergonhados, feito que não está ao alcance de qualquer um e já devia ter sido devidamente destacado.
Permitam-me que me penitencie pela escolha retardada, invocando outra das características de Maria que fazem dela uma mulher única no panorama feminino nacional. Não, não são as suas escolhas de vestuário, nem o facto de denegrir todo e qualquer estudo que registe um aumento da pobreza em Portugal. Sobre isso, já escrevi aqui.
O que faz de Maria Cavaco uma mulher única é ter conseguido a proeza de andar desde 1986 a correr mundo e a trazer lembranças para os filhos e netinhos, à custa dos contribuintes portugueses. Maria não se pendura no marido - coitado, o homem tem a mania de que é presidente da república e ela já desistiu de o contrariar - mas, em contrapartida, também deixou de lhe pedir dinheiro para viajar.
Maria limita-se a acompanhar um senhor de fato azul em viagens com grandes comitivas e a tirar umas notinhas que, um dia mais tarde, verterá para um livro de sucesso assegurado, graças às críticas extremamente favoráveis de Maria João Avillez e de um séquito de jornalistas contemplativos que, ao contrário dos jornalistas do CM, nunca são sujeitos a controlos de alcoolemia durante as viagens presidencias do senhor Aníbal. Estão isentos porque, em declaração assinada e reconhecida em notário, aquiescem em tratar Aníbal como "senhor presidente". E D. Maria, como primeira dama (cof!cof!cof!)
