segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Stop over em Lisboa (3)



Fotos minhas

Lisboa, 23 de Fevereiro,  15 horas ( hora local)

De Kiev a Caracas fiz stop over em Lisboa.  Reinava a calmaria na cidade, no mesmo dia em que um bardamerdas qualquer dizia que os portugueses estavam pior, mas o importante era que Portugal estava melhor. Claro que quando o governo diz que Portugal está  melhor quer dizer que já descobriu o pote da corrupção e a forma de o lamber. Quer dizer que a venda do país a retalho  e a desbarato a estados estrangeiros ( este governo chama a isso privatização!!!) está a correr bem para as contas bancárias de alguns. 
Quer dizer que os portugueses podem começar a sentir as melhorias depois de  “eles” terem esvaziado o pote e estarem saciados. Quer dizer, enfim, que os portugueses estão lixados e vão ter cada vez menos segurança social, menos salários, menos educação, menos saúde, menos trabalho mas, em compensação, pagarão mais impostos. O povo português anda feliz e isso é que é importante. Mesmo que este governo dizime metade da população, haverá sempre portugueses a dizer que não havia alternativa.
É isto que faz dos portugueses um povo ímpar. Não é por ser cobarde e analfabeto. É por ter, como primeira opção de vida, ser subserviente perante o poder. O português não luta contra as injustiças, a corrupção, ou as desigualdades sociais. O português luta por ser um bocadinho beneficiado pela  corrupção, ludibriando o Estado quando não pede nem passa facturas, porque não sabe que se está a prejudicar a ele mesmo.
O português luta para nunca ser apanhado pela justiça, mas exige que a justiça seja aplicada aos outros.
O português acredita que a pobreza é uma inevitabilidade que só pode ser atenuada com a caridade.  Por isso admira a Jonet e contribui para os bancos alimentares contra a Fome ( ignorando que está a encher os bolsos aos Belmiros e Alexandres, tornando-os ainda mais ricos). 
O português ouve, num qualquer congresso partidário, o PM dizer que temos de empobrecer ainda mais e fazer mais sacrifícios e, no dia seguinte, vai trabalhar feliz e acusar de malandros os que estão a fazer greves na defesa dos seus direitos. O português é o povo ideal para os glutões europeus. E o português inculto, analfabeto  e subserviente, gosta que os glutões europeus gostem dele.


De Kiev a Caracas... ( 2)

Caracas, também é isto!

Caracas, 24 de Fevereiro, 11 horas locais


Enquanto isto se passava,  na Venezuela aumentava  a contestação  popular a Maduro. O “ditador lunático”  que não consegue fazer esquecer Chavez continua a ter muito apoio popular, porque tomou medidas para combater a especulação e proteger os mais desfavorecidos.
 Claro que os líderes europeus têm muita dificuldade em perceber o que se está a passar na Venezuela. O combate à corrupção  e à especulação não faz parte das prioridades da escumalha dirigente europeia. Pelo contrário, para essa gente, é alimentando a corrupção e favorecendo a especulação que se criam condições para combater o desemprego e se garante o estado social (da caridadezinha e do assistencialismo, claro…). Não espanta, pois, que considerem ditadores aqueles que combatem os corruptos e os especuladores.
Por agora, a Ucrânia está no centro das atenções europeias e americanas mas assim que o assunto estiver resolvido, Obama mandará acionar o processo de destruição da revolução bolivariana.  
Sim, na Venezuela há um genuíno movimento popular que pretende a queda de Maduro. Acontece é que Capriles pretende essa queda através de eleições, no final da legislatura. Ora os EUA acham que isso é muito tempo.  Especialistas em derrubar governos com adesão popular criando  manifestações espontâneas - ou alimentando as já existentes – e, sobretudo, criando mártires, inventaram um Lopez que exige o derrube imediato de Maduro e aceitou ser preso em nome da liberdade do povo venezuelano. ( Alguém já deve ter recebido ordens para começar a fazer a  estátua)
Os americanos  têm experiência em matar líderes de esquerda – que acusam de ser ditadores-  para colocar  no seu lugar ditadores a que chama democratas. Têm uma tendência obsessiva para armar grupos terroristas e um gosto inaudito por  filmes de ficção com armas de destruição maciça ( só visíveis por abortos  mentais esdrúxulos  como Durão Barroso). A Europa vai atrás. Os seus dirigentes acéfalos, apenas preocupados com as contas bancárias, engolem como verdade aquilo que os americanos lhes impinjam. 
Tentando ver o que se passa em Kiev e Caracas com distanciamento,   direi que é muito provável a queda de Maduro até ao Verão se… Putin não decidir dar um murro na mesa e ir a jogo. Teremos, assim, dois governos democraticamente eleitos derrubados pela vontade popular.  O problema é que sem o empurrãozinho da UE e dos EUA, estes movimentos populares  espontâneos que, curiosamente, saem para a rua fortemente armados,teriam sido esmagados. Como aconteceu na Grécia, por exemplo.
A seguir: STOP OVER em LISBOA

De Kiev a Caracas ( com stop over em Lisboa)- 1




Kiev, sábado, 22 de Fevereiro, 10 horas da manhã ( hora local)

Três meses depois de iniciarem a luta, os ucranianos conseguiram o seu objectivo: o derrube de um governo corrupto. Fim da história? Nem por isso...
Os ucranianos conseguiram derrubar Ianukovich mas não é certo que tenham garantido o regresso à democracia.  Na praça Maiden havia manifestantes  fortemente armados ( palpitem lá por quem...) que exibiam símbolos nazis.
A extrema-direita  é hábil a aproveitar os movimentos populares.
Ianukovich é um títere, mas é bom não esquecer  que foi democraticamente eleito pelo que, seguindo a teoria da pandilha dirigente europeia, tinha legitimidade para cumprir o seu mandato até ao fim. Só que, ao contrário das críticas que teceu às manifestações que aconteceram na Grécia, em Itália ou Espanha, a luta popular na Ucrânia  deve ser respeitada. Por isso, a UE deu um jeitinho para derrubar Ianukovich. Claro que , a Merdel, o filho da puta do paraplégico, o capacho Barroso, a cáfila que nos governa, os cãezinhos amestrados que se estão borrifando para os seus países e os seus povos, porque só têm olhos para Bruxelas e os Oli Rehn deste mundo esqueceram, muito convenientemente, que foram os responsáveis pela  situação na Ucrânia ao obrigarem Ianukovich a aproximar-se da Rússia de Putin, depois de a UE ter recusado a ajuda financeira que a Ucrânia precisava para evitar a bancarrota.
Pode ser que dentro de alguns meses esteja aqui a escrever sobre a guerra civil na Ucrânia e a divisão do país em dois. Nessa altura, os lideres europeus lamentarão a guerra, chorarão lágrimas hipócritas e a Alemanha e França aproveitarão para vender armas a uma das facções.
Era há muito perceptível que a crise ucraniana- que não começou há três meses, mas sim há anos!- poderia degenerar e tornar-se incontrolável. Os líderes europeus varreram o problema para debaixo do tapete e foram contar os tostões para Bruxelas, para saber quem é que devia a quem e como punir os devedores. 
De erro em erro, a Europa vai-se desmoronando mas esta direita que decide os seus destinos a partir de Berlim, só vai perceber os erros que cometeu quando, em Maio,  vir os resultados obtidos pela  extrema-direita nas eleições  europeias.
Temo é que, mesmo assim, não aprenda a lição!...
Próxima paragem: Caracas