terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Cuidado Casimiro, cuidado com os brincalhões...




Depois de saber que a Marilú obrigou os trabalhadores do IMTT a devolver cerca de 3 milhões de euros por terem recebido um suplemento remuneratório a que, alegadamente, não tinham direito, Passos Coelho convocou a sua ex-professora para um jantar a dois num dos mais prestigiados restaurantes de Lisboa.
Um repórter do CR soube antecipadamente do repasto e subornou um empregado para lhe arranjar uma mesa próxima do casal. Para não ser reconhecido disfarçou-se de investidor árabe e, nas calmas, ouviu a conversa:
- Parabéns, professora!- começou por dizer Passos Coelho com a voz embargada de emoção. Sinto-me orgulhoso da sua prestação e,só entre nós, confidencio-lhe que ainda estou para perceber como é que aguentei aquele totó do Gaspar durante dois anos. O homem era um panhonhas sem visão de futuro!
- Mas porque é que me estás a tratar tão cerimoniosamente, Pedro? Está à vontade, porque eu telefonei ao meu marido para saber se haveria aqui algum jornalista escondido e ele acabou de me confirmar que podíamos estar descansados, porque além de tudo ter sido tratado com o máximo sigilo, os jornais já não mandam ninguém para nos espiar. O Maduro e o Lomba controlam tudo na comunicação social e dizem aos directores dos jornais onde devem estar.
- Se tu garantes isso, então falemos à vontade. Aquela ideia de obrigar os funcionários do IMTT a devolver seis anos de remunerações foi simplesmente genial mas tu sabes como eu sou maquiavélico e, por isso, vim aqui para te fazer uma proposta. Porque não obrigar todos os funcionários públicos a devolver os aumentos que receberam nos últimos 10 anos?
- Bem, Pedro, isso não é possível...
-Não é possível porquê? Não me venhas com o TC porque essa já não pega.Sei de fonte segura que eles vão aprovar os cortes nos salários dos funcionários públicos que aprovámos ano passado...
- Não é nada disso, Pedro. O problema é que não podemos obrigar os funcionários públicos a devolverem os aumentos dos últimos 10 anos, porque desde 2004 eles só tiveram um aumento em 2009, que o Sócrates lhes cortou com juros um ano depois...
- O quê? Estás-me a dizer que os funcionários públicos não têm aumentos desde 2004?
- É verdade. Estás surpreendido?
- Sinceramente estou. E os gajos nem sequer protestam? Bem, é uma excelente informação que me estás a dar. Se perdermos as eleições em 2015, já tenho uma exigência a fazer ao Seguro. Bem, mas se não têm aumentos desde 2004, podemos optar por outra data. 
- Deixa-me cá ver quando é que eles tiveram o último aumento...
- Não te preocupes com isso. Ora pensa bem. O 25 de Abril foi ilegal, não foi?
- Mais que ilegal! Foi uma revolução de militares armados em esquerdalhos, que destruiu o país...
- Ora bem. Se o 25 de Abril foi ilegal, vamos declarar ilegais todos os aumentos dos funcionários públicos desde 1974!
- Eh pá, boa ideia, Pedro! Já agora, como antes do 25 de Abril não era obrigatório descontar para a segurança social também podemos declarar as reformas inconstitucionais e obrigar os reformados e pensionistas a devolverem o dinheiro que receberam ilegalmente!
- Boa ideia, Marilú! Bem, mas para não termos problemas com o Cavaco, abrimos uma excepção para os detentores de cargos públicos
Marilú levou o guardanapo à boca para abafar uma gargalhada e acrescentou:
- E para os familiares directos, como os nosso pais, porexemplo...
- Excelente ideia, Marilú! Assim ninguém nos pode acusar de andarmos a perseguir os velhinhos.
- E incluímos os FDP*nas isenções?
- Tenho defalar sobre isso com o Marco António Costa. Não quero que nos acusem de estarmos a proteger os nossos interesses...
- Ai, Pedro! Quando me convidaste para o governo, nunca pensei que me ia divertir tanto!
- Devias saber que eu sou um tipo divertido, Marilú. Já te esqueceste como eu era divertido nas aulas?
- Bem, Pedrito. Está na hora de regressar a casa. Vou ter muito trabalho esta noite. Olha quem paga a conta?
Pedro Passos Coelho rindo: O Zé!
- Qual Zé?
- O contribuinte, pá! Se nós estamos aqui a tratar do futuro deles, é justo que eles paguem a conta.
- Tens toda a razão, Pedro. Olha lá e pedimos factura com o NIFpara nos habvilitarmos ao sorteio?
- Isso é melhor não. Ainda pode vir aí o Cerejo descobrir que combinámos tudo num restaurante e eu já não tenho o Relvas para meter os jornalistas do "Público" na ordem...
- Mas temos o Maduro, que não lhe fica nada atrás
- Tens razão, Marilú. Com aquela cara de anjinho leva-os pela certa!

* Aviso: Lembro os leitores mais distraídos que, de acordo com o Dicionário do Rochedo ( pode ser consultado na coluna direita do blog) a sigla FDP significa Fanáticos Da Poupança

O drama é...

Brandos costumes

Em Itália, as sondagens desfavoráveis ao partido democrático, no poder, resultaram num golpe palaciano, com o PM  a ser destituído pelo seu próprio partido.
A entrada a pés juntos de Matteo Renzi sobre Letta, pode não ser um exemplo dignificante em política mas, pelo menos, permitiu clarificar posições.  
Por cá, continuamos situacionistas. Como sempre. No PS toda a gente está farta de Seguro, mas ninguém ousa avançar. Em vez de o enfrentarem, os seus adversários multiplicam-se em ameaças na comunicação social, provocando o desgaste do (fraco) líder, quiçá na esperança de que ele resigne. 
No PSD o panorama não é muito diferente. Os social democratas  que ainda existem no partido tecem severas críticas à governação, dizem que o partido foi assaltado por um grupo de rapazolas mal intencionados que o descaracterizou e eliminou a matriz social democrata, mas ninguém ousa colocar em causa a liderança de Passo Coelho, bem protegido por um bando de cretinos acéfalos, mas que souberam comprar os seus lugares no momento próprio para executar o assalto ao pote.
Em Portugal, é assim. Espera-se que o líder sofra uma derrota clamorosa e se demita, para depois avançar com uma corte de apoiantes fiéis, venerandos e obrigados, dando início a um novo ciclo que não é mais do que a repetição do anterior. Ninguém enfrenta o líder, ou ousa tentar derrubá-lo. 
Em Portugal não faltam apenas políticos. Falta gente com coragem, capaz de arriscar para defender os interesses do país. É tudo planeado ao milímetro, com o rigor de uma calculadora. 
É também  por isso, que a democracia começa a estar desacreditada...