segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

1001 maneiras de martelar números



A razão porque destaco a capa do JN, não é a  manchete com a notícia de que o governo aldrabou as contas.  Não me parece muito chamativa. Já se tornou demasiado notório que notícia será no dia em que se comprovar que, pela primeira vez, um membro do governo disse a verdade.
A notícia que verdadeiramente me chamou a atenção nesta capa do JN vem a amarelo. Porquê? Porque é mais uma prova da forma como o governo martela os números do desemprego

Fait divers? Olhem que não, olhem que não!




Genericamente concordo com o Pedro e a Teresa. Acontece, no entanto, que não se pode reduzir a questão dos  Miró a um fait divers , ou a estratégia para distrair papalvos. Com efeito,  subjaz ao caso da venda dos Miró um caso de ilegalidade grave praticada por um membro do governo, que autorizou ( ou pelo menos fechou os olhos) a saída ilegal dos quadros.  Não se pode escamotear, neste caso, a responsabilidade política ( eventualmente até criminal) de um membro do governo. É certo que, habilmente, a direita  desviou a discussão sobre os Miró para um certo pedantismo cultural, omitindo por completo a vertente da ilegalidade. A direita é useira e vezeira nessa estratégia e- reconheça-se- tem obtido  frutos, como  demonstra o facto de hoje estar instalada no poder em toda a Europa, com os resultados catastróficos que já se conhecem, mas que ainda estão longe de estar esgotados.
Não percamos no entanto de vista o essencial, que Ricardo Araújo Pereira resumiu ( mais ou menos) assim: este governo começou por roubar os portugueses; agora passou ao contrabando. De que estão os portugueses à espera para reagir? Que os nosso governantes comecem a traficar droga?
O mesmo se aplica em relação às praxes. Correram rios de tinta, escreveram-se dislates , promoveram-se debates, fez-se investigação jornalística, levantaram-se suspeitas sobre o desastre do Meco.  Dali a centrar a discussão sobre as praxes e a necessidade (ou não) de as proibir ou regulamentar, foi um instantinho. 
Ora, em minha opinião,  independentemente de saber  se o acidente do Meco ocorreu na sequência de práticas relacionadas com a praxe, o que importa saber é se houve crime ou não. É por aí que a discussão se deve iniciar e só depois  estabelecer uma relação entre a praxe e as práticas criminosas que eventualmente lhe possam estar associadas.
Tal como os Miró, a discussão sobre as praxes também me parece ser bastante útil, porque revela o tipo de jovens que estão a ser formados nas Universidades e até que ponto as práticas praxistas são integradoras e aceites por uma maioria, como nos têm  querido fazer crer. Acontece é que, mais uma vez, a discussão assentou sobre a árvore, perdendo-se a noção da floresta. 
O que é preocupante, quando se discutem temas  que atravessam horizontalmente a sociedade portuguesa, é a superficialidade e o engajamento que domina as discussões. Para já não falar da efemeridade… Assim que outro tema “palpitante” salta para as primeiras páginas, ou abre telejornais, logo o tema precedente deixa de ser discutido. A efemeridade da discussão não é um problema recente. Surgiu com a sociedade de consumo mediática que  começou a coarctar  a nossa liberdade, quando condicionou a agenda dos consumidores e se especializou na padronização dos  seus comportamentos.
Paradoxalmente, a sociedade da hiperescolha (onde a liberdade individual foi erigida a mandante dos mercados, condicionando as leis da oferta e da procura), transformou-se numa sociedade mimetizada, onde o comportamento dos indivíduos  é determinado pelos media, pela publicidade e pelas centrais de comunicação. Estas, por sua vez, resultam de uma interacção entre os media e o poder político.
Tudo isto é sabido e, por isso mesmo, é que não me parece despiciendo discutir temas determinados pela agenda mediática das centrais de intoxicação.  Bem pelo contrário. O importante é que saibamos fazer essa discussão libertando-nos da caixa, pensando livremente. Quando pensamos, ficamos um bocadinho melhores... por isso devíamos exigir aos nossos governantes e partidos da oposição que  fomentassem a reflexão, antes de agirem ou de falarem. Coisa difícil, pois pelo menos no Centrão essa prática de reflectir sobre as coisa, fora da caixa da política,  caiu em desuso!



Com jeito vai, camaradas (2)

Mais uma vitória da extrema - direita na Europa. 
Por mera coincidência, claro, foi nos cantões de língua alemã que o sim à restrição obteve vitórias expressivas.

Regabofe é (15)

Passos contrata empresa por 25 mil euros para atender telefones em S. Bento
Ainda sou do tempo em que este bitrolitus mentosssaurus dizia que ia acabar com o regabofe e com as gorduras do Estado! PQP.