segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Às vezes, gosto de me fazer de parvo!

Igreja del Pilar ( La Recoleta- Buenos Aires)


Quando me chegaram os primeiros ecos da euforia que vai por aí, com o sucesso das políticas deste governo, comecei a fazer as malas disposto a regressar à minha zona de conforto. Sempre gostei de estar presente nos bons momentos do país e decidi que iria para o Marquês de Pombal celebrar a vitória sobre a troika invasora e pedir perdão ao governo por ter duvidado da sua eficácia. Persignei-me e fui à Igreja del Pilar, em La Recoleta, pedir perdão pelas ofensas a este governo que, na minha ignorância, acusei de estar a destruir o país e a dizimar os portugueses. 
Antes de regressar pedi conselho a pessoa amiga que me enviou esta notícia por mail, acompanhada do seguinte texto:
" Como vês, meu caro, as notícias do sucesso são manifestamente exageradas. Antes de decidires regressar à tua zona de conforto, permite-me que ilustre o sucesso deste governo com um exemplo. Imagina que pediste um empréstimo ao banco e, a determinada altura, deixaste de o pode pagar. Um dia recebes uma carta do banco informando-te que, por falta de pagamento, te irão ficar com a casa. Obviamente que irás reagir mal. Não só porque não queres ficar sem a casa, mas também porque não suportas a ideia de passares a ser visto, no teu círculo de amigos( e inimigos) , como um caloteiro. Arquitectas então um plano. Pela calada da noite, com a colaboração de uns amigos, praticas diversos assaltos e dedicas-te à extorsão, até conseguires reunir o dinheiro suficiente para pagar a dívida ao banco. Ao fim de uma semana diriges-te ao gerente do banco com o dinheiro e liquidas parte substancial da dívida. 
O gerente do banco percebe logo que o dinheiro que lhe estás a entregar deve ser proveniente de actividades ilícitas mas como para ele o mais importante é receber o dinheiro, fecha-se em copas e sugere-te  que permitas ao banco utilizar o teu exemplo de bom cumpridor para fazer uma campanha subordinada ao lema: quando o cliente e o banco têm os mesmos objectivos. todas as dificuldades são ultrapassadas.
E é assim que, apesar de seres um ladrão, apareces na campanha publicitária como um cidadão exemplar e no teu círculo de amigos  passas a ser olhado com mais respeito. 
O que este governo está a fazer é exactamente o mesmo. Roubou funcionários públicos, pensionistas e contribuintes para reduzir o défice e agora ufana-se de estar a seguir a política correcta para pagar a dídida de Portugal aos agiotas. Os amigos da UE, como Oli Rehn ou Durão Barroso, mais preocupados com  a vitória da direita nas eleições de Maio, do que com o problema dos portugueses, entraram na campanha, tecendo inúmeros elogios ao governo português, apesar de saberem que o dinheiro angariado pela dupla Passos/Portas resultou de roubos por esticão, assaltos a residências onde vivem casais de reformados  e furtos selectivos nos bairros da classe média. Nunca se aventuraram, obviamente, a assaltar o património das classes abastadas. Não só porque são uma cambada de cobardes, mas também porque sabem que isso não seria bem aceite pelos amigos europeus. 
Como podes constatar se leres a notícia que te envio em anexo, estamos pior do que há um mês, mas importa manter os eleitores europeus na ilusão até Maio, altura em que se realizarão as eleições europeias.Depois, voltarão as notícias sobre os perigos de incumprimento e a austeridade continuará a ser a política seguida obedientemente por este governo, com o apoio dos amigos europeus. 
Espero ter-te ajudado com esta explicação mas, fica a saber, que gostava de te rever na zona de conforto, porque todos aqui sentimos a tua falta. Abraço".
Adenda: Aos meus caros leitores:
 Percebi tudo direitinho mas, se para tal tiver autorização, vou regressar à zona de conforto na próxima semana. Nem que seja apenas por uns dias, para matar saudades.

Uma boa alma

Depois de conquistar o direito a um lugar no Eliseu,  o socialista François Hollande começou a despojar-se das coisas supérfluas.
Começou por deitar fora o socialismo, porque só lhe trazia problemas e depois dispensou uma mulher que tinha a mais. Dizem-me fontes normalmente bem informadas, que o próximo passo será ver-se livre da presidência e oferecê-la a Marine Le Pen.
À guisa de experiência, deu-lhe uma vitória nas europeias de Maio...