terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Regresso ao futuro


No rescaldo da reunião de iluminados em Oliveira do Bairro, quero prestar homenagem à juventude centrista, pela sua capacidade em demonstrar que já é possível reclamar abertamente o regresso ao Estado Novo e garantir, no mínimo, o silêncio cúmplice dos parceiros da Laranja Mecânica e, muito provavelmente ( mas isso não posso garantir, porque ando longe das televisões) a bovinidade dos comentadores.
Não consigo esconder a emoção quando ouço os nossos governantes  exigir à geração dos avós solidariedade, abdicando das suas reformas e pensões para garantir o futuro aos jovens. Emociono-me, porque estes jovens merecem toda a minha consideração e respeito, pela defesa das conquistas de Abril.
 A redução da escolaridade obrigatória do 12º para o 9º ano e a alteração profunda da Constituição, de molde a extirpar os maus cheiros de Abril e introduzir o perfume do texto constitucional do Estado Novo, são medidas muito sensatas que garantem o regresso ao passado que centristas e laranjinhas tanto anseiam.
Ou seja... é para apoiar  filhos da puta que cospem nos pais e avós que lhes custearam os estudos e satisfizeram todos os caprichos, sem nunca saberem dizer não, que este governo me rouba quase metade da reforma a que eu teria direito? Vão bardamerda! Vão defender os jovens chulos e sem memória para o C@r#£&%! Se eu tivesse um filho nas juventudes governativas que me fizesse isto, obrigá-lo-ia a restituir-me todas as despesas com a sua educação. Vão trabalhar!

O ano de ouro de Passos Coelho

Este ano promete correr às mil maravilhas a Passos Coelho. A primeira semana foi a de Eusébio. A segunda vai ser a de Cristiano Ronaldo. A terceira continuará a ser do bi-bola de ouro, graças à condecoração com que será agraciado por Cavaco.
Logo a abrir Fevereiro, haverá um Benfica- Sporting e, entrementes, outros derbies escaldantes se antevêem para a Taça da Liga, Taça de Portugal e Campeonato. Com sorte haverá polémica nas arbitragens e, se não as houver, lá estará Gomes da Silva para as inventar, ajudando a distrair os portugueses.
Segue-se pausa para a Páscoa e logo de seguida as emoções com as últimas jornadas do Campeonato, as celebrações dos benfiquistas no Marquês, a final da Taça de Portugal e, quem sabe, a presença de uma equipa portuguesa na final da Liga Europa. Temos Carnaval assegurado até meados de Maio.
Esse será o mês em que o relógio de Portas chegará a Zeros e todos celebrarão a saída da troika, ( será que o governo dá tolerância de ponto para festejar?).
Junho e Julho serão animados pelo Mundial de Futebol e, se as coisa não correrem mal, toda a gente estará durante todo esse período distraída diante do televisor. 
Chegaremos finalmente a Agosto e o pessoal vai todo para férias.
Resumindo: até Setembro o país andará entusiasmado com a bola e uma derrota estrondosa da coligação governativa nas eleições europeias, não fará grande mossa. Se o TC chumbar algumas medidas, o governo também não terá razões para se preocupar. Toma outras mais gravosas e ninguém dará por isso.
Com este panorama, por que raio é que Seguro se há-de preocupar em fazer oposição? Como ninguém o ouve, decidiu entreter o pessoal com uma Convenção qualquer, cujos princípios programáticos são tão inteligíveis e vagos como os discursos de Portas.
É provável que lá para Setembro, os eurocépticos estejam em maioria no Parlamento Europeu mas who cares? A Europa é uma coisa distante e a Marine Le Pen uma camarada de extrema-direita  que não colocará em risco a nossa soberania, porque isso é um problema dos franceses. 
Com um ano tão radioso em perspectiva, Passos Coelho deveria ir a Fátima a pé  agradecer à confidente da D. Maria as boas graças com que brindou o governo. Podia até convidá-la para uma aparição na Cova da Iria, agora que se aproxima o centenário da sua primeira vinda a Portugal. Quem sabe se ela não o aconselharia a antecipar as eleições? É que em 2015  as coisas podem não correr tão de feição ao desgoverno...