terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Não digam que não avisei (4)

Quando chegar o dia em que os juízes apliquem as penas de acordo com o "sentimento popular". O qual, obviamente, será condicionado por fugas de informação para imprensa selecionada, que ilibará ou condenará o réu na praça pública, de acordo com as convições transmitidas pelos juízes.

13 comentários:

  1. Parece que isso já aconteceu com a sentença de Duarte Lima...

    Amigo , bom serão

    ResponderEliminar
  2. Esse dia não está longe... Ou será que já chegou?!!!

    ResponderEliminar
  3. Como sei que o Carlos pensa pela sua cabeça e como muita gente que o visita também pensa, peço desculpa de pôr aqui este postal, que retirei do Jumento, que é para as pessoas pensarem um pouco mais e não serem obcecadas por certas ideias. Eu não tenho nada a ver com isto, nem sou daqueles que dizem que não gostava, etc e tal, mas gosto de observar as coisas por todos os ângulos possíveis. Prenderam-no com medo de interferir no processo. Ele deu-lhes a volta. Agora cortam-lhe a palavra. É que, apesar de tudo, ele também sabe muita coisa, e ninguém quer que ele fale. Como disse hoje o prof. Santos Silva: aqueles pseudo jornalistas deviam ter vergonha de estarem acampados à porta duma prisão, só para verem quem o vai visitar, impedindo até os filhos de irem ver o pai para não estarem sujeitos a certas situações. "Dúvidas que me atormentam

    Todos os dias alguém ligado à justiça tem a tarefa de distribuir por alguns jornais da paróquia as verdades, meias verdades, insinuações e falsidades que servem para manipular a opinião pública. É informação sem contraditório que nunca incomodou nem o juiz de instrução e muito menos o Ministério Público. Porque será que uma entrevista em que alguém que não foi condenado a nada, feita por um jornal como o Expresso foi proibida? O juiz deveria explicar-nos porque razão todos os dias os jornais são inundados de informação sem qualquer critério sobre o processo e apenas o que Sócrates poderia dizer incomoda a justiça portuguesa.

    A verdade é que os nossos destemidos magistrados temem Sócrates mesmo preso e agora percebe-se que o receio de o ver livre nada tinha que ver com quaisquer provas ou questões processuais, eles temem Sócrates não pelos passos que pode dar sem bater numa parede mas sim pelo que possa falar. Numa cadeia não seria suposto poderem silenciá-lo, mas basta invocar um qualquer artigo e um ex-primeiro-ministro pode ser calado por um qualquer magistrado mais medroso.

    à vezes sinto vergonha de ser do mesmo país desta gente."

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. «Porque será que uma entrevista em que alguém que não foi condenado a nada, feita por um jornal como o Expresso foi proibida?»

      Penso que será porque uma pessoa detida não tem necessariamente os mesmos direitos que uma pessoa livre. É um poder discricionário que assiste ao juiz de tomar essa decisão.

      Eliminar
    2. Como sou frequentador assíduo do Jumento, já tinha lido, mas agradeço-lhe à mesma a partilha, para esclarecimento dos leitores, goldenbee.

      Eliminar
  4. Ainda acredito nos juízes, Carlos.
    Atenção que o que chega à comunicação social é muito diferente do que está no processo.
    Os pormenores sórdidos, que vendem bem, interessam pouco ao mérito da causa.

    ResponderEliminar
  5. Carlos, não sei se o interpretei bem, mas acho que quis dizer o seguinte: Os juízes para reforçarem as suas decisões, permitem umas «fugazitas» de informação para moldar a opinião pública de acordo com as suas convicções.
    É uma opinião, não sei é se é necessariamente assim.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não propriamente os juizes, mas o MP, Paulo. Não sei se já chegámos lá, mas palpita-me que não andamos longe. Não acontece só em Portugal, é bom sublinhar isso, mas não é por isso que deixa de ser preocupante. A justiça deve ser feita nos tribunais e as penas aplicadas consoante a Lei e não, como ainda há dias li num acórdão " a opinião pública não compreenderia..."
      Tribunais Populares forma noutro tempo. E nem nessa altura cumpriram o seu dever...

      Eliminar
    2. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    3. O Carlos certamente sabe que uma das funções da penas é a coercibilidade, ou seja, passar uma mensagem à sociedade de grau variável de censura conforme o crime cometido. O que até tem uma função pedagógica de prevenção do crime.

      Outra coisa diferente, são de facto os tribunais populares e desses só quero ouvir falar como fazendo parte da História.

      Eliminar
  6. Alguém no MP, não só permite 'fugazitas' como até as fornecem, à borla. O CM agradece.

    ResponderEliminar