quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Trova do vento que passa



Parece que o foco da legionella está numa fábrica de adubos. Uma atitude coerente do vírus, tendo em conta as características do governo.
A fábrica de adubos não é, todavia, a única culpada. O vento também não está isento de culpas, pois deu boleia à legionella, permitindo- lhe actuar a vários quilómetros de distância. Se considerarmos que a direção e intensidade do vento não depende do ar, mas sim da acção de S. Pedro, então também ele se deveria sentar no banco dos réus.
Temos, pois, vários culpados. Só há uma pessoa isenta de quaisquer culpas: o ministro do ambiente, Jorge Moreira da Silva.
É certo que foi ele que suspendeu, em  novembro de 2013, a Lei de 2006 que obrigava à fiscalização da qualidade do ar interior, de dois em dois anos.  Terá considerado que as entidades  fiscalizadoras não eram competentes para fazer o trabalho e, por isso, avocou para o seu ministério essa competência, através da Direção Geral do Ambiente.
Mais: a fiscalização deixou de ser obrigatória. Quem quer faz, quem não quer deixa andar. É à vontade do freguês. 
Tenho em boa conta o ministro Moreira da Silva, pelo que admito que ele tenha sido pressionado a agir de forma tão leviana, numa questão que envolve a saúde pública.
Acontece que um ano depois  os efeitos desta alteração legal estão à vista. Há até ao momento sete mortos( ouvi há pouco um especialista dizer que o número vai aumentar significativamente...) e várias dezenas de pessoas a serem tratadas nos cuidados intensivos, que ficarão com sequelas para toda a vida. 
A culpa é da Fábrica dos Adubos, do sacana do vento e do malandro do S. Pedro.  O ministro está ilibado. Ou talvez não, se uma das vítimas, ou a sua família os tiver no sítio e apresentar uma queixa contra o ministro do ambiente por negligência. 
Como aconteceu em Espanha, recentemente,num caso semelhante.

7 comentários:

  1. Como diz o outro,"Ilibado, uma ova". Não digo só o ministro, mas todo o governo a começar pelo pantomineiro Coelho e pelo vice-pantomineiro Portas, tem que ser chamados a prestar contas. Já chega de sacudir a água do capote.

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  2. Alguém terá que ser responsabilizado e sofrer as consequências. De uma forma dura, exemplar.
    O ministro não pode ser considerado ilibado. Não pode.
    Mais uma situação para se digerida por Passos & Cia.

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  3. O Sr. Ministro obviamente que não é o culpado, seria inédito se o fosse. O máximo que o sr. Ministro poderá fazer é pedir desculpa pela suspensão da lei... E ao pedir desculpa limpa a honra e qualquer suspeita de responsabilidade. Não é assim que se tem feito?

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    1. Só pedir desculpa?! Sabe porventura quantas coimas o hoje pm pagou, por descargas ilegais de produtos tóxicos, quando estava ao serviço do padrinho o sr. eng. Ângelo Correia?

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  4. Os familiares dos doentes podem tê-los no sítio (já que o Carlos entende que só os machos é que têm poder), mas com certeza não têm dinheiro para fazer funcionar a justiça. Hoje quase ninguém tem. Até casos de muito valor passaram a ser arbitrados e o árbitro é quem manda. Sabe muito bem disso como dependente do FCP.

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  5. ~ ~ Um caso muito sério que apenas mereceu do 1º ministro uma reação fria!

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  6. Pelo menos devia assumir aquilo que conhece por responsabilidade política

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