segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Qual é a pressa?

Como alguns leitores fizeram questão de escrever na caixa de comentários de um post anterior, o mais importante é saber se Sócrates sairá desta inquirição acusado, ou ilibado. É à justiça que compete decidir.
Há no entanto, neste momento, uma questão que me parece igualmente importante e não se cinge a este processo. É urgente termos a garantia de que as absolvições, ou condenações, se façam na justiça e não nos media. 
O que se tem passado, nestes dois casos mediáticos é uma mediatização indesejável de situações que envolvem e colocam em causa a dignidade e idoneidade do Estado. Só por isso, deveria ter havido, em ambas as situações, mais tino e mais prudência em todo o processo. Mas vamos aos factos:
Na semana passada, durante a inquirição dos vistos gold, os arguidos estiveram detidos durante quatro dias antes de saberem as medidas de coacção que lhe seriam aplicadas. Para todo os efeitos, estiveram 96 horas em prisão preventiva. Eu sei que é legal, mas não me parece razoável.
Mas se na semana passada, ainda pode ser invocado o facto de terem sido ouvidos 11 arguidos, esta semana só havia quatro detidos dois dos quais, segundo afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, já foram ouvidos na quinta-feira, é mais difícil de compreender que os arguidos continuem detidos ao fim de 48/72 horas.
Haverá, certamente, razões muito fortes para que isso aconteça, mas estas detenções demasiado prolongadas não prestigiam a justiça portuguesa. Algo tem de mudar urgentemente, para evitar que casos destes se repitam e os interrogatórios sejam mais céleres.
No caso de Ricardo Salgado, por exemplo, apesar de a  forma como foi efectuada a detenção ter tido contornos vergonhosos, a decisão foi célere.
No caso dos vistos gold e neste caso envolvendo José Sócrates, estão em causa altas figuras do Estado e um ex-pm. É natural que a opinião pública fique mais expectante e mais dividida, dando azo a que se exacerbem e extremem posições.
Também por isso, seria expectável e desejável que a justiça fosse mais célere. E , por agora, mais não digo, embora haja ainda muito para dizer.

5 comentários:

  1. Também acho estranho esta demora...
    Afinal se o detiveram é porque tinham provas muito consistentes...ou talvez não!

    Rosa dos Ventos

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  2. O trabalho dos meios de comunicação tem sido absolutamente vergonhoso, desde julgamentos com base em suspeitas, até opiniões vasculhadas em facebooks, tudo se tem feito, menos o essencial que lhes compete: informar!

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  3. É vergonhoso o comportamento dos media. Visando Sócrates sem dó nem piedade, usam tudo o que o mais elementar espírito de ética desaconselha.
    Continuo com sérias suspeitas de que existe alguém que fornece notícias (ou não notícias) a alguns órgãos da comunicação dita social, 'pela porta de trás'.
    Opiniões/comentários em forma de julgamento só podem ser percebidos à luz de gente (jornaleiros) sem escrúpulos. E isso é coisa frequente na tugolândia.
    Os detidos, a partir do momento em que ficam à ordem de um juiz, devem esperar de tudo. Há demoras que não se entendem e, no que diz respeito a Sócrates, ou existem dificuldades em interpretar as acusações ou está muito calor no Campus Justiça e têm que ser feitos vários intervalos.
    Aguardemos.

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  4. Perfeitamente de acordo! A espera e as reações exacerbadas e especulativas pressionam a justiça. Se a bota não der com a perdigota ficaremos todos a perder!

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  5. Julgamentos na praça pública, não por favor!!
    Seja de quem for.
    Já chega de bufaria, carago!!

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