terça-feira, 18 de novembro de 2014

Padrões de qualidade



Se- como acontece em relação aos produtos- os governos fossem sujeitos a testes de qualidade, o governo Passos/Portas já há muito teria sido atirado para o caixote do lixo, por não cumprir os padrões mínimos nos diversos critérios de avaliação. 
De nada valem os argumentos da dignidade de Miguel Macedo para tentar elevar o nível de confiança dos consumidores num produto putrefacto. Ao demitir-se, o MAI cumpriu os mínimos, coisa a que infelizmente já não estamos habituados. 
A irrevogabilidade revogável de Portas, o apego ao poder de uma ministra cobarde e mentirosa, ou a leviandade de  Nuno Crato quando se recusou a assumir as responsabilidades pelo desastre do ministério da educação, não devem ser considerados comportamentos medianos nem, tampouco, minimamente aceitáveis. 
Num governo com um mínimo de qualidade, os dois ministros ter-se-iam demitido no dia seguinte e o irrevogável nunca venderia a sua (escassa) dignidade por um gabinete com vista para o Jardim Zoológico.
Diga-se, em abono da verdade, que não são eles os principais responsáveis pela péssima qualidade deste governo.  É o product leader  ( PPC) que estabelece o padrão de qualidade de um governo. Estando a bitola do líder  muito abaixo da mediana, é natural que os membros do governo a sigam como exemplo.
Se PPC  pautasse a sua conduta por padrões  éticos e morais apenas medianos, teria despedido Teixeira da Cruz e Nuno Crato, sem sequer esperar que lhe apresentassem o pedido de demissão. É o mínimo que se exige a um pm. Mas que autoridade tem um homem que está mergulhado em suspeitas em relação à aplicação de verbas do FSE, à sua relação com a Tecnoforma e ao seu comportamento enquanto deputado, para demitir ministros? Nenhuma! Por isso deixou-os ficar e ainda lhes teceu rasgados elogios. 
Seria pois de esperar que, não tendo PPC qualidades  mínimas para desempenhar o cargo de líder num governo, nem exigir um comportamento  ético aos seus colaboradores, o PR actuasse em conformidade, demitindo-o. 
Seria essa a atitude normal e expectável em democracia. Mas como pode um PR que se rodeou de gente como Oliveira e Costa, Duarte Lima ou Dias Loureiro, exigir a um PM que se comporte com dignidade, respeitando o país e os portugueses? Não pode, obviamente. Resta-lhe pedir à Maria que, nas suas conversas com o Além. peça a Nossa Senhora de Fátima, que interceda por ele, para que possa acabar o mandato com tranquilidade e  retirar-se para um convento, onde expiará os seus pecados ( se tiver consciência do mal que fez ao país- o que duvido).
A última esperança de um dia virmos a ter um governo e uma democracia de qualidade, seria pois o povo. Só que o povo, incarnado que está no Zé faz um fervoroso manguito e senta-se no sofá da sala a ver a telenovela ou o futebol e marimba-se ( quando não invectiva) para os poucos que ainda lutam pelos seus cada vez mais parcos direitos.
E assim voltamos ao princípio, nesta história onde não há inocentes. Um país em que o povo se agacha e acobarda, não pode  aspirar a ter um governo de qualidade. Era pois, inevitável, chegarmos um dia ao estado de putrefação em que nos encontramos.  Não tarda nada, a Europa varre-nos para o caixote do lixo. E é bem feito!

4 comentários:

  1. Excelente texto! Toca em tudo e em todos! É isso mesmo - temos os que merecemos!

    Que revolta!!!

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  2. Quanto a ser verdade que só temos o que merecemos, como diz a Graça, é a pura verdade, pois ludibriados ou não a verddae é que quer o Coelho, quer o Cavaco, não estão onde estão por pela "Graça de Deus" mas pelo voto dos portugueses.
    Quanto ao resto não podia estar mais de acordo. Isto já cheira mal.

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  3. Gosto das suas 'fúrias literárias'.
    Compartilho e digo o mesmo por aqui também.Bem feito para os brasileiros que continuam 'esticando a corda para se enforcar' ...
    abraços Carlos

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  4. "Mas como pode um PR que se rodeou de gente como Oliveira e Costa, Duarte Lima ou Dias Loureiro, exigir a um PM que se comporte com dignidade, respeitando o país e os portugueses?"
    Está tudo dito, Carlos.
    Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço?
    Só se fosse assim...

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