terça-feira, 25 de novembro de 2014

Muro de Berlim à portuguesa

Para quem ainda não olhou para o calendário, lembro que hoje é 25 de Novembro. Para uns é uma data que assinala o fim do 25 de Abril, para outros o dia que marca o início da democracia.
Não vou aqui relembrar a minha opinião sobre  esse dia.  Lembro, apenas, que o 25 de Novembro continua a dividir profundamente os portugueses. 
Este ano, dois acontecimentos acentuaram essa clivagem: a prisão de Sócrates e a aprovação do OE 2015.
Em relação ao primeiro há os que rejubilam com a decisão do juiz que determinou a prisão preventiva e os que  consideram a decisão infame. Pelo que constaei através das redes sociais, não é a ideologia que divide as opiniões dos portugueses. É a  consciência cidadã. Ninguém gostaria de ver um familiar  ou amigo preso, sem conhecer as razões que o fundamentam. Só que alguns lembram-se disso neste momento e outros, cegos de vingança, esquecem-no. Um padrão comum os une, porém: desconhecendo os fundamentos que sustentam a prisão de José Sócrates, ninguém pode fazer juízos de valor sobre a decisão do juiz, A falta de informação foi, por isso, determinante para extremar posições. Como aconteceu no dia 25 de Novembro de 1975.
Quanto ao OE hoje aprovado na AR, as divergências entre os portugueses são essencialmente de carácter ideológico. Essencialmente, há divergências sobre a receita a adoptar para recuperar a economia, combater o desemprego e diminuir as desigualdades. 
São divergências que nunca se diluirão na sociedade portuguesa e nos separam de forma inequívoca desde 25 de Novembro de 1975. Trinta e nove anos depois, a maioria que nos governa fez questão de o lembrar, com a aprovação deste OE. Inadvertidamente, a Justiça  também deu o seu contributo.
Não tenho dúvidas que se tratou de mera coincidência mas, como sou um bocadinho supersticioso, tenho estado o dia inteiro a pensar que o 25 de Novembro é a data simbólica que assinala a conflitualidade entre portugueses. 

Em tempo: Hoje assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres mas, sobre isso, escreverei mais tarde.

3 comentários:

  1. E, no meio da barulheira em torno do Sócrates, o Orçamento quase passava despercebido...

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  2. Eu também já lembrei isso. Espero que esta data não traga mais surpresas desagradáveis para que alguns comemorem daqui a anos. E o pior é que agora já não resta nada para distribuir.

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  3. Para mim o 25 de Novembro de 1975 é uma data importantíssima na construção da democracia em Portugal, que infelizmente é miseravelmente ignorada. Com esta afirmação se deduz qual a minha posição sobre o assunto. Pego numa frase do Carlos que é pertinente e que espelha bem o que se passou nessa data.

    «Para uns é uma data que assinala o fim do 25 de Abril, para outros o dia que marca o início da democracia».

    Para quem como eu, sempre se bateu por um democracia pluralista e de tipo Ocidental em Portugal, incluo-me obviamente no grupo que pensa que o 25/11/75 foi o início da democracia em Portugal.
    Para mim o que houve entre o 25/4/74 e o 25/11/75, foi a tentativa da instauração de uma ditadura comunista em Portugal e a passagem das colónias ultramarinas para a esfera de influência soviética.
    O 2.º objectivo foi largamente conseguido pelas forças comunistas e da esquerda radical. O 1.º objectivo foi fragorosamente derrotado pelas forças democráticas e pela tropa não marxista e defensora dos ideais democráticos. Destaco aqui os nomes do General Eanes e do falecido General Jaime Neves que à frente dos seus comandos foram decisivos para derrotar as tropas comunistas e da esquerda radical. Portugal e a democracia portuguesa, deve-lhes muito.


    « Lembro, apenas, que o 25 de Novembro continua a dividir profundamente os portugueses».

    Tenha para mim que é o 25/4/74 e o desastroso PREC que se lhe seguiu que continuam a dividir profundamente os portugueses. Agora, bem ou mal, goste-se ou não, temos uma democracia Ocidental, onde há eleições, liberdade de expressão e onde podemos discordar uns dos outros, ou não fosse isso, quase a essência da democracia.
    Nesse período do PREC, o que tínhamos era um Portugal a caminho de uma ditadura comunista, e isso eu e a esmagadora maioria do portugueses, não queríamos de modo nenhum.

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