sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Exercício para o fim de semana: resolver equações à esquerda

A convenção do BE irá marcar a agenda políticia deste fim de semana. Uma vitória da tendência UDP, liderada por Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares, será a última brecha no BE que conduzirá à sua  definitiva implosão.
Quando foi criado, em 1999, o BE  constituiu um sinal de esperança no eleitorado de esquerda. O crescimento dos anos seguintes cimentou a ideia de que o BE era o partido que a esquerda desejava para evitar alianças do PS com a direita. Em 2009, o BE atingia uma votação histórica e parecia embalado para se transformar no quarto partido português, quiçá com aspirações a ser um partido de charneira que contribuísse para obrigar o PS  a governar à esquerda. 
Só que, a partir daí, começaram a ser mais visíveis as divisões dentro do Bloco, que passou a ser uma amálgama de pequenos grupos onde as diferenças ideológicas se manifestaram.  O apoio do BE a Manuel  Alegre foi considerado um erro pelos  mais radicais que, meses depois, obrigaram o BE a corrigir esse pretenso erro com outro ainda pior: apresentar uma moção de censura ao governo PS e aliar-se à direita para o derrubar. 
Muitos eleitores do PS situados mais à esquerda e que terão mesmo votado no BE em 2009, contribuindo assim para o seu crescimento eleitoral, não perdoaram essa “traição”. Internamente, o BE perdeu ( por razões diversas)  os seus elementos mais carismáticos ( Louça, Miguel Portas e Daniel Oliveira) em grande parte responsáveis pela unidade do Bloco.
A liderança bicéfala (João Semedo/Catarina Martins) também nunca foi bem vista por  algumas tendências, gerando fricções internas difíceis de sanar. O BE começou a perder expressão eleitoral e apoio nas ruas. O movimento Que se Lixe a Troika  conseguiu promover algumas das maiores manifestações das últimas décadas, mas o BE não conseguiu capitalizar o descontentamento popular, parecendo aceitar esse falhanço com o mesmo  conformismo com que a sociedade portuguesa acabou por acatar a austeridade.
A saída de Rui Tavares e Ana Drago foram a mais recente machadada no BE, tendo a tendência UDP encontrado aí a força para afrontar a actual liderança do BE e tomar as rédeas do partido.
O equilíbrio de forças  não permite vaticinar vencedores mas, se  a tendência UDP sair vencedora, começar-se-á a assistir à ultima fase na vida do BE já amanhã. Poderá ser uma boa notícia para o LIVRE de Rui Tavares( agora reforçado com a Renovação Comunista e o Forum Manifesto, onde despontam como figuras de maior destaque Ana Drago e Daniel Oliveira) que irá certamente buscar os votos de alguns descontentes do Bloco. Também poderá ser uma boa notícia para António Costa e todos aqueles que dentro do PS querem um entendimento com a esquerda. 
Não sei é se será uma boa notícia para a esquerda e para o país. É que em 2015, dificilmente o LIVRE conseguirá ter uma expressão eleitoral que lhe dê força para colocar exigências ao PS. Desaparecido o BE e engolido o LIVRE ( ou diluído numa tendência de esquerda dentro do  PS), a esquerda deixará de estar representada por um partido com expressão eleitoral que lhe permita obrigar o PS a fazer as mudanças, claramente de esquerda, de que o país necessita. 
Adenda: Este fds servirá também para aquilatar se os militantes do PS continuam empolgados com a vitória de António Costa, ou começam a esmorecer. A afluência às urnas será um bom indicador.

7 comentários:

  1. Porque razão o ps nunca se abriu ao pcp salvo a fugaz "experiência" no tempo de sampaio e apenas em lxa ? Pk razão os arrimos e aberturas do ps são sempre à direita, irmanado em alterne ao psdcds? Os "notáveis" e as "personalidades" existem e têm na comunicação social dominante o espaço que têm pk razão ? Sem ligação às massas, serão bapenas a "flor na lapela do ps", o cherinho a alecrim ? Se o ps as "empalmar", onde irão buscar força e apoio para se oporem ? Pk razão o ps nas autarquias tem como "inimigo" o pcp, a desalojar aliando-se aberta ou encapotadamente ao psd/cds mas nunca ao pcp para desalojar a direita com quem o ps está de alma, coração e adn ? Que diz o costa do ps sobre os tratados da UE, a cuja referendação "democraticamente" se opôs e opõe, incluindo o orçamental e o memorando da "nossa" desgraça ?

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    Respostas

    1. Sr. Victor Nogueira, porque não põe a pergunta ao contrário? Claro que o PCP não queria perder eleitores, como aconteceu aos outros partidos comunistas em vários países. Todos sabemos o que foi a política de terra queimada de Álvaro Cunhal (até quando esteve nos governos provisórios). O ressentimento ainda se sentiu agora aquando da comemoração da queda do muro de Berlim. Não encham a boca com o povo. Quem se tem enchido são os que dizem representá-lo. Só houve alguém que fez tanto mal: foi o graveto. Seja honesto! Ninguém pode gastar mais do que ganha. Deve é distribuir-se melhor o que se tem.

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    2. As equações têm incógnitas cujo(s) valor(es) são passíveis de serem encontrados. Em matemática, as equações ou sistemas de equações são solúveis ou insolúveis. Eu só perguntei, não tenho que dar as respostas ! A sua é uma de várias respostas a um questionário aberto e contempla apenas algumas das incógnitas. Grato pela resposta.

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  2. Empolgados com a vitória de António Costa? Isso parece que já foi na década passada.
    A avaliar pela que quantidade de disparates que a direcção (ou a falta dela) tem cometido o desânimo e a decepção estão instalados entre os apoiantes e simpatizantes. Como é possível desbaratar o entusiasmo e a dinâmica criada com a vitória nas primárias em poucas semanas?
    A direção do grupo parlamentar tem-se revelado um desastre (Ferro Rodrigues e Vieira da Silva). O colossal erro político da proposta conjunta com o PSD da reposição das pensões vitalícias de ex-políticos é inqualificável. E para compor as coisas, ainda insitem no erro. O PS está à deriva? É que parece.

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  3. Equações à esquerda? Cheiram-me a 'zeros à esquerda'.

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  4. Sr. Victor Nogueira, porque não põe a pergunta ao contrário? Claro que o PCP não queria perder eleitores, como aconteceu aos outros partidos comunistas em vários países. Todos sabemos o que foi a política de terra queimada de Álvaro Cunhal (até quando esteve nos governos provisórios). O ressentimento ainda se sentiu agora aquando da comemoração da queda do muro de Berlim. Não encham a boca com o povo. Quem se tem enchido são os que dizem representá-lo. Só houve alguém que fez tanto mal: foi o graveto. Seja honesto! Ninguém pode gastar mais do que ganha. Deve é distribuir-se melhor o que se tem.

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  5. Andam tão desesperados que até para aqui lá vieram os "spin doctors".
    Infelizmente em Portugal calhou-nos esta esquerdarlha de luxo, que obrigou o partido responsável pela democracia no país, a ter de ir para os governos remendar os erros dos outros.

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