sexta-feira, 7 de novembro de 2014

António Costa, o PCP e os proletários do popó


Pequim: parece nevoeiro, mas não é. É poluição.


É sabido que as alterações ao trânsito, na Av. Da Liberdade, contribuíram para a melhoria da qualidade do ar na baixa lisboeta.
Não espanta, pois, que  tenham sido anunciadas novas restrições à circulação automóvel  naquela zona, a partir de Janeiro.
Os lisboetas protestam, escarnecem da medida, mas muitos sabem que é uma questão de tempo até ser proibido o trânsito no centro de Lisboa. As portagens, virão depois. É  uma inevitabilidade a que temos de nos habituar, no nosso próprio interesse.
Fiquei por isso estupefacto quando vi a reacção do vereador do PCP, Carlos Moura, às novas medidas. Disse ele, que restringir a circulação na Av da Liberdade e na Baixa “é condenar quem tem menos recursos a uma situação de impossibilidade da sua mobilidade”.  Mas o vereador do PCP foi mais longe ainda, no seu afã de defender as classes trabalhadoras:
“ Não é exequível pedir aos munícipes ou aos que aqui trabalham que venham em transportes públicos que não lhes oferecem condições”- acrescentou.
Eu pensava que  a maioria dos trabalhadores que exercem a sua actividade na Baixa andavam de transportes públicos por uma questão financeira e também por comodidade, pois a Baixa é bem servida de transportes públicos, mas devo ter-me enganado. Pelo menos os trabalhadores que o PCP defende vão de automóvel para o seu emprego na Baixa Pombalina e têm salários elevados que lhes permitem pagar estacionamento durante o dia inteiro.
Eu pensava que os trabalhadores  que o PCP defende ganhavam, na maioria, o salário mínimo e que só os patrões e altos quadros tinham dinheiro  para se deslocarem de carro ( muitos deles com motorista). Estou sempre a aprender com o PCP!.
De qualquer modo, sugeria ao PCP  que explicasse ao seu vereador uma coisa muito simples: em defesa dos interesses da cidade, os trabalhadores devem  habituar-se a fazer as suas deslocações em transportes públicos, para que seja possível continuar a respirar em Lisboa.
O aumento do turismo não pode ser desbaratado e devem ser tomadas medidas urgentes para evitar que  o ar de Lisboa se torne  irrespirável.
O turismo tem vindo a aumentar de forma exponencial e não é possível manter de forma sustentada esse crescimento, se Lisboa não for uma cidade com uma qualidade de ar minimamente aceitável. Muitos turistas já fogem de cidades com elevados índices de poluição, como Pequim. Como habitante de Lisboa, quero continuar a poder ver o céu azul e a ter aquela luminosidade ímpar de Lisboa, no maior número possível de dias do ano. Não quero viver numa cidade onde o céu esteja escondido por um capacete de monóxido de carbono que me dificulta a respiração, impede o sol de brilhar e alegrar a minha vida.
Nem quero ter de andar de máscara, para me proteger da poluição,como já acontece em muitas cidades asiáticas.
O vereador Carlos Moura- e o PCP em geral- devia preocupar-se com a qualidade de vida nas cidades, porque isso permite uma melhor qualidade de vida dos cidadãos.   Para poluição já chega a dos transportes públicos e a dos  tuc-tucs para satisfazer turistas.
O PCP - em vez de andar a fazer demagogia barata-  deveria exigir, outrossim, que os autocarros de Lisboa utilizassem energias limpas, como já acontece em cidades modernas, como o Porto, por exemplo, que se preocupam com a qualidade de vida dos cidadãos. O resto é conversa de caça ao voto.

5 comentários:

  1. O diferendo entre o projecto de Costa e o vereador comunista podia ser (ter sido) resolvido logo depois de (em 2009) Helena Roseta ter tomado posição quando foram avançadas, por António Costa, as primeiras fases de restrições ao trânsito na Baixa. Dizia ela:

    «...com esta proposta a autarquia está a "pôr a carroça à frente dos bois", defendendo que deveria ser antecedida de um "plano de mobilidade" da cidade.

    "Mexer com o trânsito da Baixa tem implicações no resto da cidade", sublinhou Helena Roseta».

    Não consta que tal planeamento se tenha realizado.

    A ter sido (e sem bem planeado) bem podia ser outra a palavra (e a posição) de Carlos Moura...
    O único trabalho em profundidade sobre mobilidade é "O Plano de Assessibilidade Pedonal de Lisboa"...

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  2. Quais são as classes profissionais a quem sobra ordenado para pagar Quotas ao PCP e aos seus Sindicatos?

    O PCP,nos tempos que vão correndo,defende tanto os Operários das fábricas e dos campos,como eu defendo os "soldados(Bêbados ou Sóbrios)ao serviço do governo"de Portugal!(...)

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  3. Estou cansada de ouvir os parolos. na televisão, a toda a hora a berrar contra Lisboa.
    Ontem foi um parolo que foi Presidente da Liga de futebol e da Camara de Mangualde vir queixar-se do centralismo de Lisboa contra os interiores. Examinando o Governo dos aldrabões não me parece que haja unzinho nativo de Lisboa ou arredores. No Parlamento a mesma coisa. Pergunto porque vêm estas criaturas do Norte e do Centro para os centro de decisão de Lisboa. Porque não exigem, antes de tomar posse que querem Centros de decisão por todo o Pais- É preciso ter muita lata. Se eu mandasse o Governo e seus capangas iriam para o Porto. Que alivio para esta linda cidade, cheia de carros dos parolos que ocupam a cadeira do Poder

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  4. “ Não é exequível pedir aos munícipes ou aos que aqui trabalham que venham em transportes públicos que não lhes oferecem condições”.

    Esta é das maiores tretas e lugares comuns que tenho ouvido sobre este assunto. Provavelmente o Sr. Vereador Carlos Moura nunca saiu de Portugal ou até de Lisboa para dizer uma bacorada destas. Conheço a maior parte das cidades europeias e algumas da América do Norte e da Ásia, por isso falo com conhecimento de causa para dizer o seguinte:

    Os transportes públicos de Lisboa e particularmente o Metropolitanos, não são melhores nem piores do que os transportes públicos que tenho visto no estrangeiro, são até mais ou menos iguais. O que me parece é que ainda não está imbuída essa cultura de usar transportes públicos em Portugal. Ainda é visto como coisa de pobre de miserável etc. Também há pessoas que se possível levavam o carro para o seu lugar de trabalho, como por ex. o escritório. Esta mentalidade cara, poluente e egoísta tem de ser combatida com medidas iguais a estas e outras mais.

    Para concluir, devo dizer que se fosse o automóvel clube de Portugal ou o CDS a tomar uma posição destas, até era capaz de perceber. Agora o PCP!?

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