quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Afinal (não) Podemos






"Sabemos muito mais do que julgamos, podemos muito mais do que pensamos"
( José Saramago)

Uma sondagem do El País  apresentava o novo partido espanhol PODEMOS como o possível grande vencedor das legislativas espanholas, provocando grande alvoroço, principalmente, entre aqueles que já se esqueceram de Beppe Grillo em Itália e não perceberam a razão de o Syriza, apontado como grande vencedor na Grécia, não ter confirmado as previsões das sondagens.
Li e ouvi testemunhos entusiasmados sobre a possibilidade de em Portugal surgir um movimento de base com características similares ao PODEMOS.
Torci o nariz a essa possibilidade. Em Portugal, os partidos do arco do poder conseguem controlar sem grandes danos quaisquer movimentos de base. Unem-se numa convergência para defender os interesses instalados e contam com o apoio de uma comunicação social quase sempre indigente.
Em Espanha, pelos mesmos motivos, o PODEMOS também não irá longe.  Como aliás parece demonstrar o barómetro de Outubro do Centro de Investigação Sociológica (CIS) de Espanha, o mais prestigiado organismo do país vizinho, nesta matéria.
Na sondagem realizada pelo CIS, o PODEMOS aparece em terceiro lugar, a pouca distância do PSOE, mas muito distanciado do PP que deverá vencer as eleições.
Pode parecer que há discrepância nestes dados mas, na realidade não existe. O próprio CIS esclarece porquê. A sondagem efectuada em Outubro também coloca o PODEMOS em primeiro lugar, mas apenas nas intenções de voto. Ou seja: o PODEMOS venceria destacadíssimo, se as intenções de voto  correspondessem à distribuição de votos depositados em urna.
Não me surpreende esta aparente contradição. Na hora da verdade, muitas pessoas optam pela estabilidade, em detrimento da imprevisibilidade. 
Isso acontece porque, quando apertados, os partidos do arco do poder recorrem ao papão da incerteza quanto ao futuro, se não for nenhum deles a ganhar. Criam cenários rocambolescos que amedrontam as pessoas e as demovem de votar em partidos cuja realidade e protagonistas não conhecem bem. 
Não é apenas uma característica ibérica. É inerente à condição humana, tradicionalmente resistente a "saltos no desconhecido". O caso do Movimento 5 Estrelas em Itália, que revelou um Beppe Grillo muito pouco democrático, ajudou ainda mais a cimentar essa ideia. 
Goste-se ou não, a verdade é que as grandes mudanças políticas raras vezes se fazem nas urnas.A América Latina é uma excepção à regra. 
Se um dia tivermos mudanças abruptas em Portugal, Espanha, ou qualquer país da UE, isso será resultado de uma crise profunda que abalou gravemente a credibilidade dos cidadãos nas instituições e no sistema. E nada nos indica que, nessa altura, a alternativa seja democrática e favorável aos mais desprotegidos. Bem pelo contrário...


5 comentários:

  1. É a malta a querer acreditar em Dons Sebastiões... na intenção! ;)

    Beijocas

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  2. E porque se sabe que o que eles prometem é impossível de concretizar. O sr. Iglésias ganhou um lugar na Europa, mas os espanhóis têm muito mais garra do que nós e um partido que tinha as eleições já ganhas perdeu-as por mentir, só com uma manifestação convocada por telemóvel.

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  3. Não sei, Carlos, se a tua análise está certa. Teremos que esperar para ver, sendo certo que, se as coisas correrem de feição para o "Podemos" em Espanha, estou convencido que também haverá alguma repercussão em Portugal.

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  4. De quando em vez surgem uns fenómenos destes.
    Rapidamente desaparecem

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