quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A degradação do Estado

Os directores do IGFEJ  que enviaram um relatório à ministra, dizendo que havia indícios de crime  e dias depois, em sede de inquérito  disseram ao Ministério Público exactamente o contrário, são meros protagonistas de um caso que espelha de forma eloquente a degradação da Administração Pública.
É verdade que essa degradação começou ainda no tempo de Sócrates mas, com a entrada em funções deste governo. o processo acelerou de forma significativa.
Não foi apenas a redução de salários, o corte nos subsídios e as constantes ameaças de despedimento mascaradas com a Mobilidade Especial que contribuíram para a desmotivação. 
Foi, principalmente, a perseguição aos funcionários públicos, a desvalorização do seu trabalho e a partidarização da AP.
Este governo contratou  para dirigentes de alguns organismos gente sem qualquer conhecimento da AP cujo único objectivo era destruir a máquina do Estado. Muitos deles eram jornalistas que andaram a fazer fretes a Passos Coelho durante a campanha eleitoral e, de um dia para o outro se viram investidos em tarefas para as quais não tinham apetência nem qualidade técnica.  Limitam-se, por isso, a obedecer a ordens que vêm dos gabinetes, não tomando iniciativas ou, quando o fazem, é em sentido contrário ao interesse dos serviços e da população que servem.
Serviços públicos dirigidos a partir dos gabinetes ministeriais, também eles completamente fora da realidade, só pode dar asneira.
Os directores do IGFEJ quiseram proteger a ministra e fizeram borrada. Deviam ser demitidos imediatamente, porque está provado que ou mentiram no relatório, ou no inquérito da PGR. É gravíssimo, mas a ministra  mantém-nos no lugar porque  lhes deve um favor. É assim que estamos. Ninguém se demite neste caso escabroso, porque se estão a proteger uns aos outros, já que sabem que não há inocentes.
Não acredito que este seja caso único. É, apenas, o mais mediático. Este governo destruiu a AP e, admito, nem sequer foi  apenas por incompetência das pessoas que escolheu para determinados cargos.Estamos perante um processo deliberado de destruição da máquina do Estado. No mínimo, irresponsável.
Hoje, ninguém entra para o Estado para defender a camisola. Usa o Estado como encosto ou trampolim político. Os portugueses mereciam um bocadinho mais de respeito. 

Adenda: Tenho uma dúvida. Os directores do IGFEJ mencionaram nomes no relatório? Se alguém me souber esclarecer, agradeço.

3 comentários:

  1. Não o posso esclarecer amigo. Mas que algo não bate certo, não bate...
    Mas nunca sabemos as verdades. Há sempre ocultações e a nossa
    Comunicação Social é pouco democrática...
    Um abraço
    Irene Alves

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  2. Trapalhada à portuguesa, com (quase) todos.

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  3. Se não fosse o pormenor da partidarização diria que se estava a referir a Macau, Carlos

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