quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Stand up comedy




I ACTO
Passos de Coelho passeia-se pelo palco, sem dizer uma palavra. Está nervoso. Começa a contar a sua história. 
"Andei três anos a dizer que o défice era para cumprir escrupulosamente, porque Portugal tinha de honrar os seus compromissos Não hesitei em duplicar a austeridade imposta pela troika, obrigando milhares de portugueses a emigrar e condenando outros milhares ao desemprego e à miséria, porque esse era o meu dever".
Ouve-se a voz do ponto a recordar-lhe o guião. " lembra-te que estamos em ano eleitoral. 
Passos de Coelho recupera o ar fanfarrão de grande estadista e pega na deixa do ponto:
"Em 2015 o défice será de 2,7% , porque insistir nos 2,5%, seria fanatismo eleitoral".
 (Gargalhadas no palco. Uma mulher grávida é socorrida pelo INEM, porque está prestes a dar à luz de tanto rir)

II ACTO

Entram no palco alunos sem aulas e  professores sem saberem se vão ser colocados ou onde vão dar aulas. Num ecrã passam cenas de  dezenas de escolas quase paradas.
Nuno Crato vira-se para o público. Afina a voz e, com pompa e circunstância, anuncia sem sequer esboçar um sorriso:
"Salvo um ou outro caso, o início do ano escolar foi um sucesso".
( um bêbado faz ouvir a sua voz entre gargalhadas e tímidos aplausos: e eu nunca bebi um copo de vinho na vida. Bebo sempre pela garrafa!)

III ACTO
Vítor Bento entra no palco com um cartaz onde se lê:
“Renunciei ao meu lugar no Banco de Portugal e pedi a reforma, para salvar o BES”
( Ouvem-se alguns aplausos na sala)
Sai do palco por uma porta onde se lê “Novo Banco”. Borboletas esvoaçam na sua peugada.
Momentos depois volta a entrar. Senta-se a uma secretária.  Atrás da sua cadeira pode ler-se: “Banco de Portugal”.
Abre a gaveta da secretária. Tira de lá uma folha de papel, onde escreve qualquer coisa. Levanta-se, vem para a boca de cena e exibe-a ao público.
“Estava a gozar convosco! Nunca saí do Banco de Portugal. Eh, eh eh!”
( Pateada)

CENA FINAL  (apoteose)

Entra Paulo Portas rodeado de jornalistas. Apresta-se para fazer uma declaração ao país. “ Sou o defensor dos contribuintes…”

 Antes que comece a fazer revelações sobre o grande sucesso do CDS na descida do IRS, o público atira-lhe com tomates e ovos podres.  O irrevogável sai de cena. O público abandona a sala. O último acto não valeu o preço do bilhete, mas sempre deu para aliviar o stress. Pena só ser exibido em Outubro de 2015...

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