terça-feira, 28 de outubro de 2014

O Respigador

Um leitor pediu-me, na caixa de comentários, para dar a minha opinião acerca das declarações de Passos Coelho  sobre os jornalistas.
Como andei desligado das notícias durante a minha ausência, não sabia nada sobre o assunto e fui investigar.
Devo dizer que patético é o pm acusar os jornalistas de não assumirem os erros. Não o digo pelo facto de Passos Coelho ser incapaz de admitir um erro- e ele próprio ser um erro da natureza- nem por ignorar que os erros do matemático Crato e da loira Paula  prejudicaram milhares de portugueses. Para Passos Coelho, as pessoas são  um entrave que não o desviam do caminho da loucura alucinada. O que me parece patético é PPC acusar de preguiçosos os jornalistas, quando foi ele o primeiro a explorar essa fraqueza de alguns.
Durante a pré campanha eleitoral  convidava  jornalistas e blogueiros de grande audiência para almoçaradas, onde debitava uma série de mentirolas e fazia promessas que sabia nunca iria cumprir, no caso de ser eleito. Sem qualquer espírito crítico, os referidos jornalistas  publicavam as declarações de PPC  em tons elogiosos, por vezes tão pacóvios, que dava pena.
 O DN foi o viveiro onde o então líder do PSD foi colher o maior número de jornalistas venerandos. Tão descarados no apoio ao grande líder, tornaram o DN numa célula do PSD. A todos Passos recompensou com lugares  em gabinetes, direções gerais,  institutos públicos e, em pelo menos um caso, com um lugar de secretário de estado.
Compreendo ( e até concordo) que PPC chame preguiçosos a esse tipo de jornalistas . Se fossem jornalistas a sério, na altura teriam confrontado PPC  sobre situações do seu passado que já eram conhecidas ( a ligação à Tecnoforma, o escândalo das verbas do FSE e a ONG Lusófona). Optaram por servir de amplificadores  das palavras de PPC, em vez de investigarem e aprofundarem alguns factos  da sua vida, sussurrados baixinho na noite lisboeta frequentada por jornalistas.
Se tivessem sido conhecidos na altura, PPC nunca teria sido  primeiro ministro. Agora, com PPC na mó de baixo, vai ser fácil fazer dele saco de pancada mas, mais uma vez, os preguiçosos e oportunistas vão aproveitar o trabalho de jornalistas laboriosos, que investigaram a fundo as ligações perigosas do então deputado Passos, para cavalgarem a onda do repúdio a um pm inconsciente, incompetente e impertinente..
Por sorte, a imprensa de hoje tem vasta escolha de opiniões sobre o assunto, muito assertivas e certeiras, com as quais me identifico. Não vou, por isso, alongar-me em mais considerações. Está lá  (quase) tudo.
Apenas como exemplo, deixo estas duas:
Patético e preguiçoso me confesso- João Miguel Tavares
Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos- Pedro Tadeu

6 comentários:

  1. passos é um traste que outro traste vindo de Boliqueime protege !!

    Amigo, dorme bem :)

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  2. Sempre que um primeiro ministro ataca a comunicação social e os jornalistas, vem aí derrota. Se é que me faço entender.

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  3. Marcelo é que tem razão, Carlos - qual o primeiro-ministro que, num momento ou noutro, não se virou contra os jornalistas??
    Mate-se o mensageiro!!

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  4. Estimado Carlos Barbosa de Oliveira
    Fico grato pelo favor da sua atenção e resposta que subscrevo , por inteiro .
    Vivemos tempos bem tristes com " gente" desta a (des)governar-nos ! É demais !
    Melhores Cumprimentos
    Vitor

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  5. Concordo com o seu comentário, mas não foi feliz nos exemplos que escolheu. Agora é-lhes fácil bater no pm porque já era. Mas ST até dava nojo ouvi-lo, há uns tempos atrás no "Governo Sombra" pela defesa abjecta que fazia deste desgoverno. O outro é um vendido à Controlinveste. Até o João Marcelino que fez do Correio da Manhã o pasquim que é hoje, no DN, ao pé dele parecia de esquerda. Agora como os angolanos aumentaram o seu poder, já o substituíram por um senhor do I que está na falência., que já correu com o Baptista Bastos. Só houve uma que sempre manteve a sua lucidez: Fernanda Câncio. Mas essa, que eu saiba, nunca foi directora de nada.

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