quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Platini da Cruz Quebrada



Pires de Lima insurgiu-se  porque António Costa pretende introduzir a taxa de turismo sobre as dormidas em Lisboa.
À partida, a posição do ministro da economia é popular. As empresas já estão fartas de taxas e impostos.  Só que Pires de Lima enganou-se. A taxa das dormidas- que existe em muitas cidades europeias- não é paga pelas empresas, mas sim pelos turistas.
Insere-se na política de Fiscalidade Verde  subitamente tão acarinhada por este governo, para sacar mais dinheiro aos contribuintes, sem lhes dar nada em troca.
O turismo é uma das actividades económicas mais insustentáveis e predadora.  Daí, que as cidades que introduziram as taxas sobre as dormidas – cobradas aos turistas e não suportadas pelas empresas, repito- canalizem essas verbas para projectos que tornem as cidades mais sustentáveis, de modo a reduzir o impacto do turismo.
Pires de Lima  é ignorante, ou omitiu  deliberadamente este facto, para captar a simpatia dos empresários?
Só ele  saberá responder, mas  seja qual for a resposta, mentiu aos portugueses.
Pires de Lima gosta da Fiscalidade Verde enquanto fonte de rendimento para o governo, mas rejeita-a quando se destina a defender a sustentabilidade de Lisboa.
Tal como Platini não quer que a Bola de Ouro seja atribuída este ano a Ronaldo por não gostar dele ( nem dos portugueses em geral) e propõe que o eleito seja um alemão, também Pires de Lima rejeita a proposta de António Costa, porque não gosta do seu adversário político.  Tão incoerente como Platini, ataca António Costa por não  impedir as cheias em Lisboa, mas rejeita uma proposta que pode ser fundamental para garantir a execução das obras necessárias para evitar que as cheias se tornem um hábito quotidiano.

8 comentários:

  1. Estive há três anos em NY e paguei cerca de 2,5 dólares de taxa municipal por dia. Soube que em Aveiro, onde era igualmente cobrado um euro de taxa municipal, a medida foi suspensa e a justificação foi tonta: afastaria os turistas!
    Sou a favor desta taxa enquanto forma de obter verbas que possam tornar qualquer cidade mais agradável, mais convidativa para toda a gente.

    ( Lia) :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. «a medida foi suspensa e a justificação foi tonta: afastaria os turistas!»

      Permita-me discordar de si. Essa justificação é perfeitamente plausível. Sou viajante e por isso faço turismo com alguma frequência e se soubesse que ia pagar x por uma suposta taxa de turismo, riscava imediatamente do mapa esse local da minha viagem. E assim fazem milhares ou milhões de pessoas.

      Eliminar
  2. Também paguei taxa em Lausanne. O hotel compensou-me fornecendo-me um passe para viajar gratuitamente nos transportes coletivos da cidade.

    ResponderEliminar
  3. Se ele agisse de forma diferente é que seria de admirar!
    Não pode destoar do resto da "companhia"!

    ResponderEliminar
  4. «Pires de Lima insurgiu-se porque António Costa pretende introduzir a taxa de turismo sobre as dormidas em Lisboa».

    Aqui concordo com Pires de Lima.
    Essa taxa faz-me lembrar uma taxa de entrada de estrangeiros em Portugal de mil escudos (5€ embora ao câmbio actual se calhar até era mais) que Mário Soares quis introduzir em 1983. Na altura toda a gente lhe disse que isso seria como se Portugal marcasse um golo na própria baliza em termos de turismo. Foi uma medida tão má, tão má, que Soares viu-se obrigado a recuar e a medida nem chegou a sair do papel.


    «À partida, a posição do ministro da economia é popular. As empresas já estão fartas de taxas e impostos. Só que Pires de Lima enganou-se. A taxa das dormidas- que existe em muitas cidades europeias- não é paga pelas empresas, mas sim pelos turistas».

    Acho que estamos todos fartinhos de impostos e esse é mais um. Duvido que haja muitas cidades com estas taxas, nunca me apercebi disso, mas admitindo que sim fazem mal, eu se souber que pago x de taxa turística, risco logo essa cidade do mapa, ou não vou, ou vou a outra cidade onde não haja essa taxa. E assim pensam milhares ou milhões de pessoas. Se por ex. visitar o Porto ou outra cidade nacional ou estrangeira não estou para pagar essa taxa.


    «O turismo é uma das actividades económicas mais insustentáveis e predadora».

    Se for um turismo «à balda» concordo consigo.
    No entanto como turista nunca me senti um predador ou destruidor dos locais que visito e até senti que com o dinheiro que lá gasto posso ajudar a sustentar esses mesmo locais.


    ResponderEliminar
  5. Este "empresário de sucesso" saiu-me uma boa anedota como ministro. Quererá isto dizer que um qualquer sujeito com umas luzes, pode transformar-se em empresário capaz de dar nas vistas?

    ResponderEliminar
  6. Isto é o que se chama um balázio num pé!

    ResponderEliminar