segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Lei Camelo




Pressionado a corrigir rapidamente os erros que prejudicaram professores, alunos e pais, Nuno Crato tirou um coelho da cartola e anunciou a solução: os alunos prejudicados irão ter aulas de compensação.
Obviamente, não explicou como vai conseguir aplicar a medida. A carga horária de alunos já é excessiva e os alunos não são como os camelos, que armazenam líquidos para matar a sede quando necessitam de água.
O mesmo se aplica aos professores. Estará Nuno Crato a pensar que professores com 35 e 40 horas semanais ainda terão disponibilidade para aumentar a carga horária?  Estará a cogitar reduzir o período de férias lectivas dos alunos, obrigando-os a frequentar as aulas de compensação nesses períodos?Ou, pior ainda, estará a pairar na sua cabeça que as aulas de compensação serão dadas por professores com horários mais reduzidos, que actuarão como pronto-socorro em apoio a turmas que estiveram sem aulas durante mais de um mês ( prazo que se pode prolongar pelo menos até início de novembro, como já avisaram os sindicatos, as associações de pais e algumas escolas).
Teme-se que seja pior a emenda que o soneto. Certo, porém, é que Crato e Coelho seja qual for a medida adoptada, se congratularão com a capacidade em corrigir erros. 
Toda a gente sabe, porém, que nada impedirá a injustiça de, em Junho, os alunos não  se apresentarem a exame  nas mesmas condições. 


7 comentários:

  1. Para qualquer que seja a medida optada, há sempre a possibilidade de um pedido de desculpas.

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  2. Em todos os canais da TV: CRATO! CRATO! CRATO!

    A telenovela de verão do PS tinha mais paixão, intriga, mais sangue. Gostei!

    O que seria de nós se as telenovelas políticas desaparecessem da noite para o dia?
    Morríamos de tédio!

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    1. Tem mais sorte do que eu, minha cara amiga. Ontem, quando liguei a televisão para ver notícias, estavam 7 (sete) canais a dar a conferência de imprensa de Cristiano Ronaldo.

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    2. Vendo bem, a conferência de imprensa de Cristiano Ronaldo era mais interessante, Carlos.

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  3. Apresentam medidas avulsas que interferem grandemente com a vida dos principais lesados, julgando ou pelo menos fazendo crer, para mentes menos esclarecidas ou menos sensíveis, que a ausência de um mês (acredito que este tempo cresça) de atividades letivas são recuperáveis com ligeireza. Tenho muita dificuldade em aceitar que haja tanta incompetência por metro quadrado nos corredores do Ministério da Educação... Acredito que haja muita perversidade por trás de todo este processo kafkiano.

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  4. E tem muita razão, Carlos, só quem desconhece o funcionamento das escolas é que pode atirar levianamente com a panaceia das aulas de compensação como resolução da ---gada que fizeram. Há demasiadas disciplinas para "compensar" e, como muito bem diz, os horários dos alunos não comportam mais aulas e nem haveria espaço
    físico para tantos alunos ao mesmo tempo ( na elaboração dos horários está previsto o "desencontro" de turmas e por vários motivos:ocupação de laboratórios, hora de almoço, ocupação de ginásios, certas disciplinas que, por ordem do ministério, têm de ficar nas "pontas" dos horários...em suma esticar mais o tempo e o espaço não é possível.
    Quanto aos professores titulares, tendo horário completo, é-lhes humanamente impossível dar mais aulas além de que, tal como para os alunos, a lei estipula um limite de aulas por dia.
    Quanto ao recurso a professores com horário incompleto é impossível:1º porque esbarra logo no horário dos alunos; 2º é humanamente impossível andar a perguntar a cada colega onde ficou na planificação da aula por forma a dar continuidade aos conteúdos.Não me parece que ocupem as férias dos alunos.Mesmo que nalgumas escolas, turmas ou disciplinas se consiga encontrar formas de superação, a injustiça está instalada. Política useira e vezeira deste governo .

    Saudações

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  5. Se é verdade que foi PPC que não aceitou o pedido de demissão do ministro já respeito o Crato mais um bocadinho.

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