sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Bibó Porto (23)



Vai um cafezinho no Magestic?

No Dia das Bruxas, as vedetas foram os palhaços



Somos um país muito singular.
 No Dia das Bruxas, quem tomou conta do palco foram os palhaços e, em vez de abóboras, houve nabos  a boiar nas sanitas de S. Bento.
Aqui ficam alguns exemplos:
Que um ministro faça criticas à oposição é normal. Agora quando um indigente , cuja única actividade conhecida é vender notícias  para a comunicação social, vem fazer piadas a despropósito apetece-me logo mandá-lo bardamerda!
Cavaco é perito em descobrir coisas. (Deve ser a reincarnação do Vasco da Gama!).  Não é qualquer um que consegue descobrir  serviços de extraordinária relevância numa bola de sebo  e transformá-la em herói nacional.  Cavaco consegue.  Consta-me que no próximo Dia das Bruxas Luís de Matos vai convidá-lo para sócio honorário  do Clube dos Ilusionistas Mortos.
Mas, neste Dia das Bruxas, os palhaços quiseram manifestar a sua força, fazendo um desfile em S. Bento.
Mais de uma centena de palhaços que há mais de três anos andam a chular os contribuintes portugueses, aprovaram o OE 2015. 
O único governante que levou a sério este Dia das Bruxas e da Poupança, foi Paulo Portas.  Dando provas de  patriotismo e grande responsabilidade institucional,não foi andar de avião.  De manhã foi até S. Bento ver a performance dos palhaços, tendo no final feito um discurso alusivo. Seguiu-se um almoço com aquele célebre benemérito do CDS/PP que dá pelo nome de Jacinto Leite Capelo Rego. 
À tarde foram os dois jogar  ( mini) golfe num hotel de Lisboa. No final, Jacinto oferecerá mais um donativo ao Portas CDS/PP.

Lições do Dia Mundial da Poupança



Em tempos acreditava que o Dia Mundial da Poupança servia para incentivar os consumidores a fazerem economias , evitarem os consumos supérfluos e elucidá-los sobre os cuidados que devem ter na aplicação das suas poupanças.

Agora percebi que estava enganado. O Dia Mundial da Poupança é apenas uma forma de cativar as poupanças dos consumidores e enfiá-las nos bolsos dos agentes dos mercados financeiros, para que eles se possam divertir a jogar à roleta  com o nosso dinheiro.

Queres fiado? Toma!


Se não me estás a entender, Marilú...


... talvez o Portas seja mais explícito

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sim, senhor ministro! Obrigado, senhor ministro!




Nuno Crato foi um dos cinco membros do governo convidados para discursar no aniversário da UGT. ( Nunca tinha visto uma central sindical celebrar um aniversário tendo como convidados de honra  governantes  e um PM que  achincalha os trabalhadores, mas nunca é tarde para aprender a conviver com estas modernices. Bem aventurado sejas, Carlos Silva, por já teres esquecido que Passos Coelho  elegeu como uma das suas prioridades de governo “vergar os sindicatos”. És um herói, pá! Bem mereces que o Cavaco te condecore e o Passos mande erigir uma estátua em S. Bento).
Incentivado pelos aplausos dos sindicalistas ( serão mesmo? Não serão patrões travestidos?)  Nuno Crato fez mais um dos seus números de malabarismo circense. Depois de há dias  ter pedido desculpa aos portugueses pelos atrasos  no início do ano escolar e pelos prejuízos causados a milhares de pais, professores e alunos, Crato aproveitou o momento para dizer, perante os holofotes das câmaras, que o caminho traçado por este governo para a educação é o correcto.
Pouco importa que haja professores por colocar, alunos sem aulas há quase dois meses, professores tratados como lixo, famílias gravemente lesadas ( moral e financeiramente) pela incompetência da equipa ministerial. 
O palco oferecido por esse sindicalista proveniente da escola de virtudes que é o BES, foi o local ideal para Crato se purificar, perante a opinião pública desatenta, ignorante e desinformada. Carlos Silva e a sua trupe aplaudiram, Crato agradeceu, deu uma volta ao palco em ombros e os trabalhadores  ficaram a perguntar para que raio hão-de descontar para um sindicato de  vendidos.

Onze minutos ( ou a promiscuidade entre os coelhos)



Onze minutos é o título de um livro de Paulo Coelho, cuja protagonista é uma miúda que vai viver para Genève , porque acredita que ganhar a vida na horizontal é fixe. 
Onze minutos é o tempo que ela demora a abrir e fechar as pernas em camas de pensões esconsas, a troco de umas centenas de francos suíços.
Esta manhã,  Pedro Passos Coelho resolveu reescrever o livro de Paulo Coelho, substituindo a protagonista pelo papel de um aldrabão treslouicado que ele próprio fez questão deinterpretar.
Durante o debate na AR, o PM anunciou, às 11h 53m que iria propor a reposição de mais 20% dos salários dos funcionários públicos em 2016, o que contraria a decisão do TC que obriga à reposição integral dos salários .
Onze minutos depois, às 12h04m, o PM anuncia que irá repor integralmente os salários dos funcionários públicos em 2016.
Confrontado por Luís Fazenda com a contradição, Passos Coelho acabou por confirmar, uma hora mais tarde, que será coerente e só reporá 20%.  Pelo menos a violar a Constituição e contrariar as decisões od TC. Passos Coelho é coerente. 
Já todos sabíamos que Passos Coelho é um aldrabão compulsivo, mas nunca  tinha visto uma prova tão rápida  da incoerência, falta de palavra e canalhice, como a que hoje protagonizou  Se este homem não está louco, vai rapidamente a caminho. 
Se em Belém estivesse um PR na posse plena das suas faculdades, já teria demitido PPC, por insanidade mental. 
Se tivéssemos um povo que se desse ao respeito, já estaria há muito tempo à porta de Belém  a reclamar a demissão do governo e só de lá sairia quando fosse satisfeita a sua exigência. 
Infelizmente, em Portugal, não temos nem PM, nem PR, nem Povo.

As promessas de Alice


Hoje, assinala-se o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama.  Não deixe para amanhã, o que pode fazer hoje.

Vêm aí os russos?

Putin resolveu divertir-se um bocadinho. Espalhou uns aviões pelo espaço europeu e deixou a NATO e as instâncias europeias em polvorosa.
Quem pensava que Putin  ficava quieto depois   da ofensiva europeia na Ucrânia e das ameaças a Moscovo, desenganou-se.
Não foi uma provocação, nem uma ameaça. Foi apenas uma manobra de diversão. Pelo menos, por agora, mas se os EUA e a UE persistirem na tentativa de isolar a Rússia e a vergar aos seus interesses, podem vir por aí grandes amargos de boca.
É sempre muito insensato provocar um leão ferido. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os homofóbicos da S. Caetano



Lembro a algum leitor mais desmemoriado, que a alimária da foto se chama Hugo Soares, é líder da JSD e afirmou há tempos, na Universidade de Verão dos laranjinhas, que os pais e avós são um estorvo e uma despesa.
Chamo este tema à colação, porque Hugo Soares parece ter evoluído um bocadinho nos últimos tempos. Perante a indignação dos deputados laranja, na sequência da proposta apresentada pelo PS para a criação do Dia Nacional contra a Homofobia, o Hugo foi mais moderado do que lhe é habitual. Considerou que “todos os projectos que tenham como objectivo combater a discriminação são bem vistos por todas as bancadas”. À primeira leitura, até me pareceu uma resposta acertada, mas depois fui ler a notícia em jornal mais credível e verifiquei que o Hugo também disse que “ tem de se avaliar se tem de haver algum critério na criação de dias nacionais”. 
Ora aqui é que a porca torce o rabo! Se bem me lembro, foi o PSD que apresentou a proposta de criação do Dia do Cão! Se esse dia é mais importante, para o PSD, do que o Dia Internacional contra a Homofobia, parece-me legítimo concluir que na S. Caetano os animais são muito mais importantes  do que os homossexuais. 
Compreende-se que um partido liderado por um coelho queira defender os  direitos dos animais, mas considerá-los mais importantes do que os seres humanos parece-me manifestamente exagerado.
Esta confissão homofóbica do líder da JSD foi, aliás, apoiada por outro ex-lider dos laranja sub-35. Duarte Marques, o homem que não teve dúvidas em afirmar que o combate ao desemprego é uma  questão de fé, reagiu à proposta do PS com esta frase lapidar:
“Só um louco é que pode achar que este tema é uma prioridade. Quando se está a discutir o OE,  a prioridade ( de António Costa) é criar um dia contra a Homofobia?”
Não vale a pena perder tempo com a falta de seriedade desta resposta. Misturar alhos com bugalhos sempre foi próprio da JSD. Presumo mesmo que na Universidade de Verão haja uma disciplina  sobre essa temática, tal é a profusão de líderes da agremiação das laranjas que recorrem à técnica do discurso mixordeiro, para confundir a opinião pública.
O que importa agora salientar é a aversão do PSD a discutir, durante meia hora, a criação do Dia Nacional Contra a Homofobia, que coincidiria com o Dia Internacional Contra a Homofobia.
Só encontro duas explicações. Ou estes jotinhas têm medo ( e vergonha) de reavivar aventuras homossexuais vividas na adolescência, para não manchar a sua reputação, ou foram educados nesta Escola de Virtudes dos Macho Man.

Uma questão de (in)coerência



Sinceramente, não considero isto um acto de censura. Trata-se de uma revista científica e os leitores têm a legítima expectativa de aí encontrarem artigos fundamentados.
No entanto, se fosse director do ICS, não retiraria o artigo. Apenas incluiria uma chamada de atenção aos leitores, para o facto de não se tratar de um artigo com fundamentação científica, mas sim um exemplo do descontentamento popular, atrvés de formas de expressão urbana.
O que me causa perplexidade é constatar que,  no tempo de Sócrates, este acto seria veeementemente condenado pelo grupo dos camisinhas brancas, como acto de censura inqualificável. 
Agora, curiosamente, consideram normal (e até aplaudem) a decisão do director do ICS.

Roubo por esticão



Quando, poucas semanas depois de tomar posse, o governo começou a dizer que vivíamos acima das nossas possibilidades e tínhamos de recuperar hábitos de poupança, torci o nariz. Não só manifestei aqui o meu desagrado pela ingerência do governo na gestão das minhas finanças, como alvitrei a hipótese de o apelo à poupança ser uma estratégia do governo para depois se apropriar de parte das economias dos portugueses, aumentando os impostos.
Três anos depois, confirmou-se a minha suspeita: o governo decidiu agravar os impostos sobre os PPR., apropriando-se de mais uam parte substancial das poupanças dos portugueses.
Como adivinhei que isto iria acontecer?- perguntarão alguns leitores.
É simples. No início da minha actividade profissional, na área da psicologia, exerci na cadeia de Paços de Ferreira. Aí contactei com inúmeros criminosos e aprendi a compreender o seu raciocínio e modus operandi. Impressionou-me, particularmente, o modelo comportamental de um recluso especialista em se insinuar junto de velhinhas, para ganhar a sua confiança e depois as roubar. 
Foi só aplicar o que aprendi com eles a esta gente que nos governa e rouba com o despudor de um qualquer assaltante de velhinhos indefesos, para prever o que iria acontecer. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Do Céu caiu uma excêntrica



A missão do Euromilhões é criar excêntricos, essa espécie de milionários de aviário que, graças a umas cruzinhas marcadas nos números certos, entram para o reduzido grupo de eleitos dos beneficiados pela sorte. 
Na última sexta-feira nasceram mais dois excêntricos "made in Portugal". A identidade de um deles  é desconhecida. Sabe-se apenas que arriscou alguns euros e, por ter acertado nos números mágicos, vai receber 152 milhões de euros. O que vai fazer com o dinnheiro? Problema dele...
O outro excêntrico é do sexo feminino. Vai receber 38 milhões de euros, mas não teve sequer de registar o seu palpite. Basta-lhe aproveitar-se da sorte dos outros, para reclamar o seu quinhão. 
Maria Luís Albuquerque bem podia partilhá-lo com os mais desfavorecidos, mas irá usá-lo  para pagar seis meses de ordenados aos boys dos gabinetes.Ou para algumas excentricidades, que a campanha eleitoral reclame.

O Respigador

Um leitor pediu-me, na caixa de comentários, para dar a minha opinião acerca das declarações de Passos Coelho  sobre os jornalistas.
Como andei desligado das notícias durante a minha ausência, não sabia nada sobre o assunto e fui investigar.
Devo dizer que patético é o pm acusar os jornalistas de não assumirem os erros. Não o digo pelo facto de Passos Coelho ser incapaz de admitir um erro- e ele próprio ser um erro da natureza- nem por ignorar que os erros do matemático Crato e da loira Paula  prejudicaram milhares de portugueses. Para Passos Coelho, as pessoas são  um entrave que não o desviam do caminho da loucura alucinada. O que me parece patético é PPC acusar de preguiçosos os jornalistas, quando foi ele o primeiro a explorar essa fraqueza de alguns.
Durante a pré campanha eleitoral  convidava  jornalistas e blogueiros de grande audiência para almoçaradas, onde debitava uma série de mentirolas e fazia promessas que sabia nunca iria cumprir, no caso de ser eleito. Sem qualquer espírito crítico, os referidos jornalistas  publicavam as declarações de PPC  em tons elogiosos, por vezes tão pacóvios, que dava pena.
 O DN foi o viveiro onde o então líder do PSD foi colher o maior número de jornalistas venerandos. Tão descarados no apoio ao grande líder, tornaram o DN numa célula do PSD. A todos Passos recompensou com lugares  em gabinetes, direções gerais,  institutos públicos e, em pelo menos um caso, com um lugar de secretário de estado.
Compreendo ( e até concordo) que PPC chame preguiçosos a esse tipo de jornalistas . Se fossem jornalistas a sério, na altura teriam confrontado PPC  sobre situações do seu passado que já eram conhecidas ( a ligação à Tecnoforma, o escândalo das verbas do FSE e a ONG Lusófona). Optaram por servir de amplificadores  das palavras de PPC, em vez de investigarem e aprofundarem alguns factos  da sua vida, sussurrados baixinho na noite lisboeta frequentada por jornalistas.
Se tivessem sido conhecidos na altura, PPC nunca teria sido  primeiro ministro. Agora, com PPC na mó de baixo, vai ser fácil fazer dele saco de pancada mas, mais uma vez, os preguiçosos e oportunistas vão aproveitar o trabalho de jornalistas laboriosos, que investigaram a fundo as ligações perigosas do então deputado Passos, para cavalgarem a onda do repúdio a um pm inconsciente, incompetente e impertinente..
Por sorte, a imprensa de hoje tem vasta escolha de opiniões sobre o assunto, muito assertivas e certeiras, com as quais me identifico. Não vou, por isso, alongar-me em mais considerações. Está lá  (quase) tudo.
Apenas como exemplo, deixo estas duas:
Patético e preguiçoso me confesso- João Miguel Tavares
Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos- Pedro Tadeu

Sei que estás em festa, pá!..

Não foi uma Revolução.
Não foi mudança.
Foi voto de confiança.
Os mais pobres tiveram voz e Dilma ganhou. À pele, mas ganhou, graças ( em parte) ao grande contributo de Lula na parte final da campanha. Dilma não vai ter tarefa fácil. Como não teria Aécio. Acabar com a corrupção, no actual quadro multipartidário, é tarefa ciclópica.
Agora é a nossa vez de pedir ao Chico que nos mande um cheirinho de alecrim e um sinal de esperança. Daqui a um ano queremos festejar na rua a derrota desta coligação que destruiu o país, perante a passividade e abulia do povo..

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Just arrived

Regressei a Lisboa ao princípio da noite. Como não levei comigo nenhum aparato tecnológico, para além do velhinho telemóvel, quando cheguei a casa, liguei-me à Net.
Agradeço a todos/as amigos/as que me enviaram os parabéns aqui, no On the rocks no FB e no Twitter. Amanhã visitarei cada um de vocês para agradecer individualmente a vossa simpatia e amizade. Bem hajam!

Ajuste de contas




Em 1990, estava eu numa conferência sobre Direitos Humanos em Montreal quando, após ter feito uma intervenção sobre os direitos das minorias autóctenes, fui interpelado por um representante  do Suriname que queria saber a minha opinião sobre a pretensão de alguns países das Caraíbas em receber indemnizações dos países europeus colonizadores , por causa do tráfico de escravos e o genocídio de indígenas naqueles países.
Respondi que se a pretensão dos países caribenhos  tivesse qualquer viabilidade, à luz do direito internacional, então também deveria ser equacionada idêntica reparação para os países africanos, onde os países europeus perpetraram atrocidades similares. Lembrei, também, que haveria que colocar nos pratos da balança o Deve e o Haver resultante dos Descobrimentos. É que, embora reconhecendo os erros e os actos de selvajaria  ( seria mais apropriado falar em barbárie) dos Descobrimentos, os países colonizados também extraíram benefícios  que teriam de ser contabilizados.( Felizmente ninguém me perguntou quais…)
Terminei dizendo que, em qualquer caso, não me parecia que uma reivindicação desse teor tivesse qualquer viabilidade se desencadeada por um ou dois países, devendo antes  ser discutida no seio da  Comunidade  das Caraíbas (CARICOM).
( A CARICOM é uma organização criada em 1973, por ex-colónias de países europeus que se juntaram após a independência, para resolver problemas comuns)
No ano seguinte, em Manila,  tive oportunidade de ouvir uma intervenção inflamada de um representante  da Jamaica que reclamava uma acção concertada dos países do CARICOM no sentido de ser estabelecido, com urgência, um caderno reivindicativo, para que as indemnizações fossem pagas até final de 1999.
Ainda ouvi algumas  intervenções sobre o tema em Port Moresby, Soufriere e Paramaribo( talvez em mais um ou outro lugar que não recordo)  mas, meses depois  da Cimeira do Rio, em 1992, novos desafios exigiram a minha dedicação exclusiva a um programa sobre  desenvolvimento sustentável. 
Reduzi a pegada ecológica e mudei de interlocutores( embora sem perder contacto com o programa dos Direitos Humanos). 
Em 2001, em Durban, durante o jantar de encerramento de uma conferência sobre sustentabilidade, tive oportunidade de conversar durante alguns minutos com o representante da CARICOM e não resisti a perguntar-lhe  qual era o ponto da situação sobre o pedido de indemnizações pretendido por alguns países caribenhos. Evasivo, respondeu-me apenas que  teria de ser uma decisão tomada a nível de governos e não havia sequer consenso para avançar. Ainda tentei sacar mais algumas informações mas, perante as evasivas, senti que se erguera um muro que não quis ultrapassar. Até porque já era conhecido, nessa altura, o pedido de indemnização de quase 700 mil milhões de euros, feito em 1999 por vários países africanos, alegando razões idênticas às invocadas pelos países caribenhos.
Ao longo dos últimos anos fui tendo notícias da realização de  conferências intergovernamentais ( com a presença de instituições da sociedade civil) no intuito de ser alcançado um consenso para a elaboração de um documento  onde sejam definidos os montantes das indemnizações a reclamar aos países colonizadores. Sei, também, que a grande dificuldade de consenso, reside nos termos em que essa reparação deverá ser feita , de molde a não afrontar os países europeus.
Em Junho  houve uma reunião com a UE, onde o assunto foi debatido e há duas semanas, em Antigua, teve lugar mais uma dessas conferências. Em cima da mesa esteve a discussão de uma proposta da CARICOM que poderá conduzir à abertura de negociações com os países colonizadores ( Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra ).
Os 15 países presentes acusaram os países colonizadores de serem responsáveis pela situação sócio-económica  da região, por causa da escravatura. Exigem, por isso, ser recompensados, através de investimentos dos ex- colonizadores na região, nomeadamente construindo infra-estruturas (escolas, centros de saúde, hospitais e estradas) e defendem o não pagamento de dívidas aos antigos colonizadores.

Não vou pronunciar –me sobre a justeza da reivindicação. Pretendo ir bastante mais longe: a possibilidade de reescrever a História.
Se um dia as negociações forem encetadas, é inevitável que se reabra a discussão sobre o papel dos países colonizadores durante os Descobrimentos. Nessa altura, os contos de fadas que nos ensinavam na escola primária deixarão de fazer sentido e Oliveira Martins talvez seja mais lido, do que alguma vez foi, pelos portugueses.  
Durante séculos, esse período da nossa História foi-nos apresentado  como uma epopeia e Os Lusíadas como Bíblia.  Os historiadores davam uma ajuda e a maioria dos professores de História omitiam o lado sangrento desse período, onde foram cometidos crimes ignóbeis por aqueles que endeusamos como heróis. ( Vasco da Gama, por exemplo, era um sanguinário impiedoso que cometeu crimes bárbaros que nos dias de hoje o levariam  ao Tribunal de Haia, onde seria condenado sem remissão, por crimes contra a Humanidade).
Será a oportunidade de nos conhecermos melhor e de tirar algumas teias de aranha das nossas imaculadas cabecinhas. Como, por exemplo, a glória de termos sido pioneiros da globalização. Porque os Descobrimentos, meus caros, é uma página da nossa História que nos enobrece pela ousadia, mas também nos envergonha pela barbárie que lhe esteve associada.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Hoje é o dia




Oh! como se me alonga, de ano em ano,
a peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
este meu breve e vão discurso humano!

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
no meio do caminho me falece,
mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
se os olhos ergo a ver se inda parece,
da vista se me perde e da esperança.

Luís de Camões

Aviso: Hoje é o dia em que passo a ter desconto nos transportes públicos. Para início de conversa, meti-me num avião e vim até Paris. Mostrei o BI, mas não me deram desconto. Dizem que só é válido para comboios. Sovinas!|

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Bibó Porto (22) : By Night










Esta semana sem palavras, porque elas se esgotaram  durante a visita da última sexta-feira.

Merci, Monsieur Barroso

Durão Barroso despediu-se  de Bruxelas. Considera que o seu desempenho foi muito positivo e que os países sujeitos a programas de ajustamento estão hoje em dia muito melhores.
Ainda Barroso saía pela porta pequena, já Juncker   entrava pela porta grande  e dizia aos seus parceiros que não pode impôr-se  mais austeridade aos países que foram espoliados pela troika.
Obrigado, Monsieur Barroso.  Ter um português a presidir a à Comissão, a fazer figura de caniche da Frau Merkel,  foi o pior que nos podia ter acontecido.
O fim do seu mandato é um suspírio de alívio para todos os portugueses, que espezinhou sempre com um sorriso nos lábios. Para fazer a merda que fez, melhor fora que nunca tivesse fugido de Lisboa.
De qualquer modo,deixo-lhe aqui este video de despedida

O Platini da Cruz Quebrada



Pires de Lima insurgiu-se  porque António Costa pretende introduzir a taxa de turismo sobre as dormidas em Lisboa.
À partida, a posição do ministro da economia é popular. As empresas já estão fartas de taxas e impostos.  Só que Pires de Lima enganou-se. A taxa das dormidas- que existe em muitas cidades europeias- não é paga pelas empresas, mas sim pelos turistas.
Insere-se na política de Fiscalidade Verde  subitamente tão acarinhada por este governo, para sacar mais dinheiro aos contribuintes, sem lhes dar nada em troca.
O turismo é uma das actividades económicas mais insustentáveis e predadora.  Daí, que as cidades que introduziram as taxas sobre as dormidas – cobradas aos turistas e não suportadas pelas empresas, repito- canalizem essas verbas para projectos que tornem as cidades mais sustentáveis, de modo a reduzir o impacto do turismo.
Pires de Lima  é ignorante, ou omitiu  deliberadamente este facto, para captar a simpatia dos empresários?
Só ele  saberá responder, mas  seja qual for a resposta, mentiu aos portugueses.
Pires de Lima gosta da Fiscalidade Verde enquanto fonte de rendimento para o governo, mas rejeita-a quando se destina a defender a sustentabilidade de Lisboa.
Tal como Platini não quer que a Bola de Ouro seja atribuída este ano a Ronaldo por não gostar dele ( nem dos portugueses em geral) e propõe que o eleito seja um alemão, também Pires de Lima rejeita a proposta de António Costa, porque não gosta do seu adversário político.  Tão incoerente como Platini, ataca António Costa por não  impedir as cheias em Lisboa, mas rejeita uma proposta que pode ser fundamental para garantir a execução das obras necessárias para evitar que as cheias se tornem um hábito quotidiano.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

É tão giro ter um mini

É tão giro ouvir Passos Coelho dizer que não quer eleições antecipadas porque a Constituição deve ser respeitada!
Ao fim de quatro anos a insistir em violar a Constituição, converteu-se à Lei Fundamental. Na minha geração, a Constituição aprendia-se na véspera do exame. Tínhamos grande cabeças, não mini cérebros de contrafacção. 

Há coincidências felizes

O Boca Doce é bom, é bom é. Para o Coelho e para o xoné


"Antes das últimas eleições legislativas, em janeiro de 2011, Passos Coelho disse dos seus: "O PSD não está cheio de vontade de ir ao pote." Ontem, à espera das próximas eleições, Passos Coelho falou dos outros, "os que olham agora gulosamente para as eleições". Assinale-se a coerência lambareira da análise. Vamos a caminho de quatro anos e o pensamento do primeiro-ministro não sai da papila gustativa. A política externa? "Hummm, crepes Suzette..." E quanto à Defesa? "Brigadeiros, claro." E a dívida pública, senhor primeiro-ministro? "De comer e chorar por mais!" "
(Ferreira Fernandes, DN de hoje)

Ó p'ra mim, tão orgulhoso!

Portugal foi eleito membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Leio e oiço por aí que devemos estar orgulhosos. Acredito. Só gostava era que me explicassem uma coisa: orgulhoso de quê?
De Portugal, um país que  está  constantemente a ser condenado no Tribunal  Europeu dos Direitos do Homem, ter sido eleito para o CDH da ONU?
De termos o governo pós 25 de Abril que mais violou a Cosntituição e desprezou os direitos dos cidadãos, condenando deliberada e conscientemente milhares de portugueses à fome?
De sermos governados por um grupo de traidores que apenas está preocupado em agradar a Bruxelas  e se marimba para o país? 
De igualarmos a proeza de Kadhaffi, que conseguiu ser eleito presidente daquele órgão, apesar de ter sido acusado de crimes contra a Humanidade e acabar com um tiro nos cornos?
Se é por isso tudo, peço imensa desculpa, mas não me orgulho.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Rapidinha ( o título vai em português, porque não sei falar suíço)

Os três canais  de informação estão há horas a discutir  exaustivamente as peripécias da noite europeia. Por isso vou ser rápido.
No Dragão o Porto ganhou sem brilhantismo. Lopetegui lá cedeu aos assobios dos adeptos e meteu Quaresma, que marcou o golo da vitória. Mas isto não vai acabar bem. Com o discurso da avestruz que me faz lembrar o homem de Massamá, o basco pode vir a ser um político, mas treinador de uma equipa com pergaminhos na Europa, não me parece que algum dia seja.
Na Alemanha o Sporting ,com 10 jogadores durante quase uma hora, teria empatado o jogo, não fosse o árbitro russo ser vesgo e marcar um penalty inexistente contra os de Alvalade aos 93 minutos.. Ou talvez não seja problema de visão, se pensarmos que a patrocinadora do Schalke 04 é a Gazprom, uma empresa russa.  Como diria o outro, é só fazer as contas...
Junto-me à homenagem que todos os comentadores fizeram a Marco Silva. Mas não era preciso exagerar como o repórter  da Antena 1 que, para enaltecer os atributos do treinador do Sporting se saiu com esta pérola:
- O homem é poliglota. Fala diversas línguas. Até fala suíço!

O 69 (chegou) à hora do chá

Hoje, às 17 horas, tomou posse o 69º secretário de estado deste governo. Ocupou um cargo na (má) educação.  Fernado Reis, de seu nome, deu um toque nobiliárquico ao número que Mota Amaral um dia apelidou de "curioso".
Talvez por isso a tomada de posse  tenha sido à hora do chá. Very british!

Passos Coelho confessa que (já) não é primeiro ministro

Ontem o pm foi a Esposende.  Fez um discurso de circunstância em que defendeu Crato, mas reconheceu que já não é pm. 
" O senhor ministro da educação pôs o seu lugar à minha disposição, para que o primeiro ministro decidisse". 
Está na hora de Passos Coelho dizer aos portugueses quem é que manda neste país. Pensávamos que era Merkel, mas PPC referiu-se ao pm e não à pm. Será Schaueble? Draghi? O Pateta? Harry Potter?
Ficamos todos na dúvida.
A frase de PPC tem um alcance ainda mais profundo, facilmente descodificável por qualquer estudante do 1º ano de Psicologia. Os comentadres insitem que o problema de Passos Coelho é ser teimoso. Antes fosse... 

Pobretes, mas alegretes!

Imagem da Net ( Global News)


Os sinais de alrme  já começaram a tocar um pouco por todo o lado: é muito provável que em 2015 a Europa entre novamente em recessão e haja  mais uma crise. O aviso é de economistas, políticos e do próprio FMI.
Segundo um estudo  divulgado pela empresa alemã GfK, povos de 27 países europeus já interiorizaram essa possibilidade, ao admitirem  que não estão optimistas quanto ao futuro e  que as perspectivas económicas dos seus países em 2015 são cinzentas. Este pessimismo fez cair drasticamente o índice de confiança dos consumidores, que baixou de 9,1% em Junho, para 4,2% em Setembro. É um dos índices de confiança mais baixo dos últimos anos.
Há, no entanto, um país cujo povo contraria o pessimismo generalizado na Europa. Quem será? 
Se responderam Portugal, acertaram! 
Em Setembro, os portugueses revelaram uma enorme confiança no futuro, perspectivando- como o governo- que 2015 será um ano de recuperação económica. A confiança dos portugueses é tal, que desde o ano 2000 não se mostravam tão optimistas em relação ao futuro.
Os tugas são assim mesmo: pobretes, mas alegretes. Ignorando o que se passa na Europa e continuando a olhar para o país como se fosse o centro do mundo, acreditam que a crise já passou e vamos, finalmente, regressar ao tempo das vacas gordas.  Um optimismo que se deve, obviamente, ao egocentrismo tuga, mas também a uma grande dose de analfabetismo. Os tugas pensam através dos jornais, dos noticiários ( que lêem e vêem pouco) e dos comentadores do regime. Gostam de pensar que a vida é como as telenovelas que consomem em doses industriais, por isso só dão relevo às notícias boas e consideram sempre catastrofistas os que insistem em abrir-lhes os olhos para a realidade.
Somos assim, não há nada a fazer. A não ser lutar para que os tugas sejam mais esclarecidos. Isso só se faz através de uma aposta forte na educação.  Só que, tal como no tempo do Estado Novo, este governo não quer portugueses instruídos e  informados. Quanto mais ignorantes, mais fáceis de enganar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Novo índice de desemprego

Basta passar por uma praia para ver que estes dias de calor são um bom indicador do nível de desemprego em Portugal..
Alguns preferem utilizar este calor fora de época como desbloqueador de conversa. Mas é preciso ter cuidado, para não fazer figuras tristes.

Posso dar uma sugestão, sr ministro Moreira da Silva?



A tradição da Latada em Coimbra tem uma característica muito peculiar. Os jovens estudantes roubam  carrinhos dos supermercados  e depois, ecologicamente, deitam-nos ao Mondego.
Como é tradição e a cretinice se passa em Coimbra, ninguém levava a mal. São jovens estudantes e têm todo o direito a divertir-se.
Custa-me a aceitar que estudantes universitários sejam tão cretinos...mas é o que temos.
Este ano alguém tentou demover os estudantes. Podem continuar a roubar os carrinhos mas, em vez de os atirarem ao rio, estacionem-nos em parques de estacionamento criados para o efeito.
Como não me parece que a tradição seja abandonada e os carrinhos vão continuar a ir para o rio, ou a ser abandonados como lixo, sugiro a Moreira da Silva que aplique um imposto especial para os participantes na Latada. Seria bem mais popular e ecológico, do que outras medidas da Fiscalidade Verde em que tanto se empenhou.

Quem quer ser milionário?




“Portugal cria  10 mil novos  milionários por ano”
( Diário Económico)

A notícia deixou-me boquiaberto e curioso.  Pelo número, mas também pelo facto de serem milionários de criação. Provavelmente criados num viveiro, cuja localização o DE não divulga,para afastar a concorrência. E faz bem, para evitar tumultos. Já imaginaram o que era se 10 milhões de portugueses se postassem à porta do viveiro a reclamar um período de cativeiro, de modo a saírem de lá milionários? Passaríamos a ser conhecidos, no mundo inteiro, pelo país dos excêntricos. Talvez não fosse mau como cartaz turístico, mas eu detesto multidões.
O DE esclarece que, para além dos 10777 milionários criados este ano ( pessoas com uma riqueza superior a 1 milhão de dólares),  Portugal criou mais 10395 em 2013.  Quer isto dizer que, em apenas dois anos, este governo criou 30% do total de milionários portugueses. E pensar que há por aí uns energúmenos a dizer que este governo lançou o país na pobreza!
Sou jornalista e, como tal, curioso, por isso fui tentar perceber como foi possível, num país em crise, criar 21 mil milionários em dois anos. ( Em 2009 havia “apenas” 11 mil milionários, o que significa que em cinco anos o número de milionários  aumentou quase sete vezes- são actualmente cerca de 75 mil. )
Tanto quanto pude apurar, desde a II Guerra Mundial  que não se registava um tão elevado número de milionários feitos à pressa. Mas, nessa altura,  havia uma explicação: o volfrâmio crescia como cogumelos debaixo do chão e alemães e ingleses disputavam-no a peso de ouro. Uma tonelada de volfrâmio valia 6000 libras no mercado aberto e muito mais no mercado negro. Nesses anos loucos a febre era tal, que se alguém encontrasse um calhau de volfrâmio na soleira da porta, logo começava a cavar os alicerces ou planeava mesmo, deitar a casa abaixo.
Não é brincadeira, não! Por causa do volfrâmio, destruíram-se igrejas e mortos foram desalojados de cemitérios- relata a imprensa da época.
Nos anos 80 e 90 do século passado também nasceram bastantes milionários em Portugal, graças às verbas provenientes da UE. Nesses anos, muita gente transformou verbas do FSE ( destinadas à formação)em jeeps e carros de alta cilindrada, e verbas para agricultura fizeram florescer belas mansões com piscina, mas nada comparável ao enriquecimento proporcionado pelo volfrâmio. 
As verbas europeias “secaram” e por estes anos de crise não foi descoberto- que se saiba- nenhum produto capaz de rivalizar com o volfrâmio, pelo que a razão do enriquecimento de tanta gente, em tão pouco tempo, deve ter  alguma explicação pouco perceptível ao comum dos mortais. 
Eu sei que agora  há o Euromilhões, mas o número de milionários portugueses “criados” por essa via é tão ínfimo, que se perde na estatística. Sei,também, que a distribuição é um negócio de milhões, mas apenas acessível a meia dúzia de portugueses.  E quanto aos banqueiros, também não há por aí Salgados, Jardins Gonçalves e Pequepês a dar com um pau. Além disso, ser banqueiro é uma profissão de risco. Que o diga o Oliveira e Costa, coitado, que andou anos a trabalhar num banco e agora está na miséria!
Por outro lado, se o DE escreve “criação” de milionários, isso significa que eles são produzidos em série num qualquer lugar. Não sendo nos supermercados, nos bancos, nem na Santa Casa, há-de ser em algum local mais recatado, não visível a olho nu pelo comum dos mortais.
Disse-me alguém habitualmente bem informado sobre estas coisas, que os principais viveiros se encontram em S. Bento e em Bruxelas.  Não acredito. Esses viveiros poderão ser responsáveis pela criação de algumas centenas de milionários, mas estamos a falar de milhares! 21 mil em apenas dois anos- relembro.
Eu não tenho nada contra os milionários mas,  saber que eles não nascem nas maternidades por desígnio da Natureza,   sendo  criados em viveiros artificiais cuja localização desconheço, chateia-me, pá. Fico com a ideia que também eu podia ser milionário e só não sou, porque me estão a esconder informação!
Se vivemos em democracia todos devíamos ter direito a saber “ como se cria um milionário”. E não me venham lá com essa treta de que é o trabalho que nos torna ricos  e outras histórias da carochinha, como a globalização, porque já sou crescido e não acredito em contos de fadas.
Certo, certo, é que a crise multiplicou exponencialmente o número de milionários em Portugal, pelo que não percebo a razão de todos quererem acabar com ela. Afinal, os números não mentem: a crise é uma oportunidade! Ora, se assim é, o melhor é prolongá-la durante mais uns anos, para  dar a possibilidade a todos os portugueses de se tornarem milionários.  Pelas minhas contas, à media 10 mil por ano, em 2114 todos os portugueses se  terão tornado milionários. Não vos parece uma boa notícia? É só esperarem mais um bocadinho, que a vossa vez vai chegar!
A única coisa que me preocupa é continuar sem saber onde se criam esses milionários. Vou ler o OE 2015 e reler os anteriores, porque tenho quase a certeza que vou lá encontrar algumas pistas preciosas.  
O que tenho a certeza que vou encontrar, é a explicação para o aumento da pobreza, para a fome que afecta muitos milhares de portugueses e a razão de 1 em cada 4 crianças estar em perigo de pobreza extrema.

domingo, 19 de outubro de 2014

É aproveitar enquanto dura

Hoje, o preço da gasolina baixa seis cêntimos. Com a descida acentuada do preço do petróleo é provável que continue a baixar nos próximos tempos. Mas só até Janeiro, porque com a Fiscalidade Verde, vai subir oito cêntimos.
Este governo não gosta mesmo nada de ver automobilistas felizes.

Descoberto o ponto"G" de Maria Luís Albuquerque

O OE 2015 tem pelo menos um mérito. Permitiu  descobrir o ponto G da Marilú:
Gamanço!
Gamar os tugas dá-lhe um inusitado prazer. Principalmente, quando os engana com o anúncio de falsas descidas de impostos.

Assim vai o mundo


Ébola visto por André Carrilho

Le premier bonheur du jour

Alguém está interessado em experimentar?
Tenham um bom domingo

sábado, 18 de outubro de 2014

O voo do Condor


Não o critiquem, ele só anda a coleccionar milhas, antes de ser chutado

( Hoje , no Expresso: Via Câmara Corporativa

Terá aprendido?

O Sporting foi eliminar o Porto ao Dragão. Com justiça.
Agora, Lopetegui já não pode dizer que ainda não perdeu. Não sei é se terá aprendido que não pode estar sempre a mudar meia equipa de jogo para jogo.Duvido.O homem é teimoso.
Se continuar a jogar assim e com adeptos que não apoiam a equipa nos momentos em que ela mais precisa, será outra época para esquecer.
O Porto já está como o Benfica de há uns anos atrás. Para o ano é que é!

O Bimbo

Sabem o que um Bimbo?
A entrada do dicionário do CR  define Bimbo como todo aquele que acredita que em 2015 vai pagar menos impostos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Bibó Porto (21): O difícil caminho das Verdades

Terreiro da Sé


Depois de uma  paragem para fotografias, no terreiro da Sé, conduzi os meus amigos ( Teresa e Luís) para a Rua D. Hugo, o bispo a quem D. Teresa ofereceu a cidade do Porto Antes de entrarmos, chamei-lhes a atenção para um Chafariz.
- Coisa linda! concordaram. E as máquinas voltaram a disparar.
- Chama-se Chafariz do Anjo. Sabem quem o projectou?  Nicolau Nasoni, o mesmo que construiu a Torre dos Clérigos
- Lá estás tu a quereres enfiar-nos barretes, Carlos!- vociferou o meu amigo com um ar de enfado. O Nasoni ia mesmo perder tempo a fazer chafarizes! De lendas já chega a da ponte!
- Bem, se não acreditam em mim, quando chegarmos a casa, pesquisem na Internet. Agora  vamos continuar o passeio.
 Estão a ver aquela capela? É a capela de Nossa Senhora das Verdades. Foi construída por um padre, depois da demolição da Porta das Verdades, uma das aberturas da  primitiva muralha, conhecida como "Cerca Velha". Dava ali para o bairro do Barredo e da Ribeira, mas nessa época a cidade ainda não bordejava o rio. Já viram o que os portuenses perdiam naquele tempo?
- Espera aí. O que é isso da muralha primitiva? Não é esta muralha que estamos a ver?- perguntou a Teresa
- Não! A muralha primitiva é a romana, de que já só restam alguns vestígios. A que estamos a ver é a muralha Fernandina, construída muito depois. Logo ao jantar eu explico-vos. Agora  vamos continuar. Aquelas escadinhas chamam-se ...
- Não me digas que se chamam Escadinhas das Verdades? - perguntou a Teresa na galhofa
Escadas e Arco das Verdades

- Como é que adivinhaste?
- Tás a falar a sério? Já estou a ver que isto aqui  se chama  tudo "das verdades". Tem alguma coisa a ver com o facto de estarem ao pé da Sé onde as pessoas  vinham  certamente confessar-se e tinham de dizer a verdade?
Está bem pensado! Nunca me tinha ocorrido essa hipótese. Talvez tenhas razão. Até porque ali vamos ver também o Arco das Verdades e as Escadas das Verdades
Pois! Lá está! - atalhou o Luís.As pessoas saíam de casa e percorriam o caminho até à Sé a pensar nos pecados ( nas Verdades) que tinham de confessar ao padre
Até pode ser que tenham razão, mas há uma coisa que não bate certo. Esta é a porta que ficava mais longe da Sé e, havendo mais três portas, a lógica é que a Porta das Verdades fosse a que estivesse mais próximo. Ora acontece que a porta de mais fácil acesso se chama Porta de Vandoma
- Ah! Então é ali que se faz a feira de Vandoma? 
- Exactamente! Olhem aqui é a Casa Museu Guerra Junqueiro. Quando vierem cá com mais tempo, venham visitá-la, porque vale a pena. E estas são as escadas das Verdades. Estão a ver esta vista maravilhosa sobre o Douro?
- Lá isso é verdade. É de cortar a respiração! 
- Pronto , já percebi porque é que isto aqui tem tudo nome de Verdades. Deve ter sido um guia daquele tempo que sempre que andava por aqui fazia a mesma pergunta que o Carlos nos acaba de fazer e os turistas respondiam como tu "Lá isso é verdade!"
- Vamos descer as escadas ? perguntou a Teresa

Muralha Fernandina
- É melhor não. Fica para outra vez. Continuamos a descer esta rua  até à Rua Escura e depois vamos explorar um bocado do centro Histórico, que tem muito para ver e muitas histórias para contar. Quando chegarmos ao fim da rua D. Hugo  vão ter oportunidade de tirar muitas fotografias com vistas soberbas sobre o Porto.
- Olha lá, Carlos, isso é Verdade ou Mentira?
- Ainda bem que fazes essa pergunta, Luís. É que as escadas das Verdades,  também já se chamaram das Mentiras.
- Lá estás tu a gozar!
- Não estou, não, mas para vos explicar isso eu tinha de vos contar uma lenda e prometi-vos que não o faria.
- Ora, deixa-te de merdas! Conta lá a lenda. Já que não consegues explicar porque é que isto se chama  tudo das Verdade, ficamos pelo menos a conhecer a lenda.
Já que insitem, então lá vai.  Diz a lenda que as mulheres que viviam nestas casas costumavam sentar-se nas escadas a conversar. O mexerico era sempre um tema muito animado e, como acontece com todos os mexericos, havia alguma dose de verdade, mas acima de tudo, muita má-língua. Daí que alguém lhes tivesse posto o nome de Escadas das Mentirosas, ou Escadas das Mentiras. 
- E quando é que passaram a chamar-se das Verdades?
- Não sei mas, segundo li em qualquer parte, foi o padre que construiu a capela de Nossa Senhora das Verdades que conseguiu que o povo do Porto lhes mudasse o nome. Não consta é que tenha conseguido acabar com os mexericos.
Agora vamos lá, que já se faz tarde.








Não é com vinagre que se apanham moscas




Assinala-se hoje o Dia Internacional  para a Erradicação da Pobreza. 
Sabemos que nunca as desigualdades entre ricos e pobres foram tão gritantes em todo o mundo, mas  temos sobejas razões para nos envergonharmos  do sexto lugar que ocupamos no ranking dos países com maiores desigualdades  de rendimentos entre ricos e pobres, na União Europeia.
Há mais de mil milhões  de pessoas com fome e 200 milhões de desempregados em todo o mundo.
Em Portugal, em 2010, menos de uma em cada cinco crianças ( 18%) estava em risco de pobreza extrema. Este ano, graças às medidas de justiça social tomadas por este governo, a relação de risco aumentou  para mais de uma em cada quatro crianças (29,3%).  Concomitantemente, há mais  21 mil novos milionários  em Portugal nos últimos dois anos. Ou seja: em apenas dois anos o número de portugueses com um património líquido superior a um milhão de dólares, aumentou 30%.
Em Novembro de 2011, o Parlamento Europeu aprovou um documento estratégico de Combate à Pobreza, para o período 2014-2020, cujo principal objectivo é a redução,  em pelo menos um terço, do número de pobres. No primeiro ano deste período a pobreza aumentou em Portugal. Mas não há problema. Desde que cumpramos o défice, a UE aplaude e fecha os olhos  ao aumento das desigualdades sociais.
Portugal não é um caso isolado. Em países como a China ou a Índia, cujo desenvolvimento económico justifica a inclusão no grupo dos que mais têm crescido e vão continuar a crescer na próxima década, têm-se acentuado as desigualdades e cavado o fosso entre ricos e pobres. Esta realidade contraria, na prática, a tese dos que defendem ser o enriquecimento dos países, uma garantia de combate à pobreza e à exclusão. `
Se o enriquecimento dos países não se traduz numa diminuição da pobreza, se a globalização não conseguiu diminuir as desigualdades e se o Estado Social é incapaz de garantir por muito mais tempo o apoio aos cidadãos, chegou a altura de repensar tudo.
A pobreza resultante do modelo de desenvolvimento iníquo das sociedades modernas, quer a pobreza que ameaça afectar um número indiscriminado de velhos, apanhados de surpresa com a falência do Estado Social, incapaz de garantir as pensões de reforma que prometeu durante mais de 30 anos, são problemas que não podem ser ignorados.
Se o debate não se fizer, a Europa (e particularmente Portugal) irá enfrentar um gravíssimo problema.O aumento da expectativa de vida não pode significar diminuição da qualidade de vida. Voltar a olhar para os velhos como um estorvo é um retrocesso inaceitável, mas essa parece ser uma realidade incontornável, no dia  que hoje se assinala.
Dito isto, não posso deixar de manifestar a minha discordância com a proposta avançada por Henrique Pinto ( ex-presidente da Cais) de criminalização da pobreza.  Embora concorde com a necessidade de fiscalizar as verbas ( até ia mais longe, e proporia a fiscalização das receitas permitindo detectar o que fica pelo caminho), criminalizar a pobreza é uma proposta descabida. Não é com vinagre que se apanham moscas. 
Também não é com a exaltação da caridadezinha e do assistencialismo que se resolve o problema da pobreza estrutural. Nem com exemplos como este, apresentado pela TVI. Bem pelo contrário…

A erradicação da pobreza  tem de ser discutida em bases sérias. E isso só será possível com um governo que se preocupe com este problema.  Com o grupo de fariseus da hóstia que nos governa, tal discussão é impossível. 
Só as medidas  que promovam a justiça social podem combater a pobreza e as desigualdades. O resto é folclore de tias que adoram os pobrezinhos , mas preferem vê-los à distância para não lhes sentirem o cheiro.

Somos um país de poetas

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Conto do Vigário

Ainda não escrevi um post sobre a Fiscalidade Verde porque, como já aqui alertei, embora concorde com o princípio, desconfiava que seria apenas mais uma forma de sacar  dinheiro aos contribuintes, sem quaisquer contrapartidas.
Estive a ouvir o ministro Moreira da Silva a explicar os princípios gerais e garantir que é um imposto neutro. Não é! Nem o ministro parecia convencido do que  estava a dizer. É  mais um imposto mascarado de medidas a favor da sustentabilidade. 
Pior ainda: se o ministro contou tudo, a única conclusão que se pode tirar é que a Fiscalidade Verde é uma VIGARICE e revela uma enorme COBARDIA do governo. Logo que me seja possível, explicarei porquê.

Esta medida, aplaudo!

Quem tiver familiares ou amigos a trabalhar nas Finanças, compreende esta medida.
Os tugas não levantam o rabo do sofá da sala para se manifestarem na rua, mas despejam toda a sua ira em cima de gente que trabalha como eles para ganhar a vida e merece ser respeitado.

A paciência tem limites



São tantos os focos de incêndio pelo mundo, que se torna difícil acompanhar e escrever sobre todos.
Hoje, dedico alguns minutos a um dos que tenho seguido com mais atenção. Aquele que, (só aparentemente) em lume brando, continua ateado em Hong- Kong.
Já lá vão 18 dias desde que os manifestantes iniciaram os protestos  e, salvo um ou outro momento de maior tensão, tudo tem decorrido de forma pacífica.  É perceptível que, depois da primeira semana, o número de manifestantes se reduziu substancialmente e a sua expressão já não é muito significativa, se considerarmos que vivem em Hong Kong, 7 milhões de pessoas. 
Os graves prejuízos causados no comércio e turismo de Hong Kong ( ascendem já a 38 mil milhões de € os prejuízos em 18 dias de protestos)  têm contribuído para que a adesão popular seja mais reduzida ou, pelo menos, mais discreta.
Como já aqui escrevi, este é um jogo de paciência no qual o governo aposta fortemente, mas os manifestantes também.  O governo tem a expectativa de que a população, afectada no bolso  e  cansada com os transtornos  provocados pelas reivindicações do movimento pró democracia,  se demarque dos protestos e passe para o seu lado.  Os manifestantes, por seu lado, esperam que a repercussão internacional dos protestos obrigue Pequim a ceder às suas reivindicações.

Ontem, o governo deu algum alento aos manifestantes.  A polícia foi obrigada a intervir com gás pimenta e bastões para dispersar os que se concentravam junto à sede do governo, tendo feito várias detenções. Poucas horas depois, começou a circular nas televisões de todo o mundo e na Internet um vídeo mostrando vários polícias a  espancar um manifestante. Ouro sobre azul para a estratégia dos pró democratas que ainda há dias  obrigaram o governo de HK a cancelar o diálogo, porque  foi confrontado com exigências que não podia aceitar? 
Nem por isso. Os países ocidentais estão, neste momento,  preocupados com problemas muito mais graves que ameaçam a paz mundial e perceberam que neste momento  de aproximação  da China à Rússia, não será boa ideia afrontar Pequim. Acresce que talvez comecem a desconfiar que debaixo dos guarda-chuvas talvez não haja apenas pacifismo.

Talvez para os estudantes e líderes do movimento pró democracia, uma repetição de Tian An Men – ainda que sem atingir as mesmas proporções- fosse a situação ideal para ganharem simpatizantes para a sua causa. Creio que isso nunca acontecerá.
Pequim tentará amenizar os protestos,  dando voz aos pró democratas na escolha dos candidatos a governador no intuito de obter um consenso mínimo, mas nunca abdicará do modelo que apresentou em Agosto. O qual, convenhamos, é um avanço  em direcção à democracia de que os habitantes de HK nunca gozaram.
Uma coisa é certa. A instabilidade em HK não poderá prosseguir durante muito mais tempo. Os mercados começam a ficar nervosos ( a bolsa de HK perdeu 10% em menos de um mês)  e Pequim também.
( Fotos The Independent e Wordpress)

"A Voz dos Ridículos" está de novo nas bancas


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Se ele o diz...

" Este Orçamento não é rigoroso nem credível"
(José Gomes Ferreira na SIC)
Se ele o diz, como é que eu, analfabeto em economia e declarado opositor desta cambada de energúmenos posso discordar?

Stand up comedy




I ACTO
Passos de Coelho passeia-se pelo palco, sem dizer uma palavra. Está nervoso. Começa a contar a sua história. 
"Andei três anos a dizer que o défice era para cumprir escrupulosamente, porque Portugal tinha de honrar os seus compromissos Não hesitei em duplicar a austeridade imposta pela troika, obrigando milhares de portugueses a emigrar e condenando outros milhares ao desemprego e à miséria, porque esse era o meu dever".
Ouve-se a voz do ponto a recordar-lhe o guião. " lembra-te que estamos em ano eleitoral. 
Passos de Coelho recupera o ar fanfarrão de grande estadista e pega na deixa do ponto:
"Em 2015 o défice será de 2,7% , porque insistir nos 2,5%, seria fanatismo eleitoral".
 (Gargalhadas no palco. Uma mulher grávida é socorrida pelo INEM, porque está prestes a dar à luz de tanto rir)

II ACTO

Entram no palco alunos sem aulas e  professores sem saberem se vão ser colocados ou onde vão dar aulas. Num ecrã passam cenas de  dezenas de escolas quase paradas.
Nuno Crato vira-se para o público. Afina a voz e, com pompa e circunstância, anuncia sem sequer esboçar um sorriso:
"Salvo um ou outro caso, o início do ano escolar foi um sucesso".
( um bêbado faz ouvir a sua voz entre gargalhadas e tímidos aplausos: e eu nunca bebi um copo de vinho na vida. Bebo sempre pela garrafa!)

III ACTO
Vítor Bento entra no palco com um cartaz onde se lê:
“Renunciei ao meu lugar no Banco de Portugal e pedi a reforma, para salvar o BES”
( Ouvem-se alguns aplausos na sala)
Sai do palco por uma porta onde se lê “Novo Banco”. Borboletas esvoaçam na sua peugada.
Momentos depois volta a entrar. Senta-se a uma secretária.  Atrás da sua cadeira pode ler-se: “Banco de Portugal”.
Abre a gaveta da secretária. Tira de lá uma folha de papel, onde escreve qualquer coisa. Levanta-se, vem para a boca de cena e exibe-a ao público.
“Estava a gozar convosco! Nunca saí do Banco de Portugal. Eh, eh eh!”
( Pateada)

CENA FINAL  (apoteose)

Entra Paulo Portas rodeado de jornalistas. Apresta-se para fazer uma declaração ao país. “ Sou o defensor dos contribuintes…”

 Antes que comece a fazer revelações sobre o grande sucesso do CDS na descida do IRS, o público atira-lhe com tomates e ovos podres.  O irrevogável sai de cena. O público abandona a sala. O último acto não valeu o preço do bilhete, mas sempre deu para aliviar o stress. Pena só ser exibido em Outubro de 2015...

PSD: Pornografia em sessões contínuas



Este PSD é um manual de pornografia política e um compêndio de maus costumes.
Como se não bastassem as mentiras dos últimos quatro anos, a licenciatura do Relvas, a Tecnoforma, o Gaspar a condenar a política que ele próprio impôs ao país, a paralisia de Paula Teixeira da Cruz, os erros matemáticos de Nuno Crato, ou  a forma atabalhoada como o PSD acabou com a comissão de inquérito ao caso dos submarinos, assim que se vislumbrou uma ténue possibilidade de encontrar o rasto do dinheiro, a bancada laranja ainda teve a lata de nomear, para presidir à comissão de inquérito ao caso BES, um advogado que trabalhou para o escritório de advogados do... BES!
Fernando Negrão diz que se sente " perfeitamente à vontade para presidir à comissão" e "se houvesse alguma situação menos correcta (ele) próprio não aceitaria".
A desfaçatez e a falta de vergonha desta gente mete nojo. Armam-se em sérios, quando tudo indicia o contrário. Como uma menina de boas famílias que se prostitui para comprar droga, mas garante continuar virgem,  a maralha do PSD não vê qualquer problema na promiscuidade entre a política e os negócios. Eles são puros.Os tipos da oposição é que são perversos, só vêem maldade onde há um rol de boas intenções. ...
No meio de tudo isto já nem me espanto quando ouço, num bar de Lisboa, uma azémola da S. Caetano dizer em tom de escárnio, perante a gargalhada geral do círculo que o rodeia, a propósito da  (não) descida do IRS:
" O Portas foi comido pelo Pedro"