segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Uma desilusão chamada Marina



Muitas vezes manifestei aqui a minha admiração por Marina Silva.
Pela sua postura, pelo seu passado, pelo seu percurso de vida, pelo seu apego às causas ambientais,sempre considerei Marina Silva como a sucessora ideal de Lula. É certo que torcia o nariz à sua ligação à igreja evangélica mas, apesar de algumas reticências, sempre acreditei que Marina Silva era uma mulher de palavra e, na hora da verdade, faria prevalecer as suas convicções sobre as questões religiosas. Enganei-me!
Na hora da verdade, quando começou a sentir o cheiro afrodisíaco do poder, Marina Silva colocou de lado as suas convicções. Apenas 24 horas depois de apresentar o seu programa do governo, a candidata do PSB ( depois da morte de Eduardo Campos) , cedeu às pressões e reescreveu tudo, de acordo com as imposições dos evangelistas.  UMA VERGONHA!
Devo reconhecer que me custa muito admitir que Marina me desiludiu, mas não me custa aceitar que Marina Silva não perca muitos votos com esta cambalhota. A sociedade brasileira é, na generalidade, conservadora e retrógrada. O respeito pelos direitos humanos, sociais e cívicos é uma preocupação urbana e muito restrita a grandes cidades onde o nível educacional da população é mais elevado. Para a esmagadora maioria dos brasileiros, o respeito pelos direitos dos homossexuais é frescura. Como considerar a homofobia um crime, se a maioria dos brasileiros considera que é doença mesmo?
Que Marina Silva me tenha desiludido, pouco interessa. O importante é saber se desiludiu os brasileiros que nela acreditavam. Porque, ainda mais preocupante, do que Marina ter recuado nesta matériaé perceber-se que a candidata que nas últimas presidenciais empolgou o Brasil cede facilmente a pressões. E isso não é uma boa notícia para o Brasil, principalmente numa altura em que o país se debate com alguns problemas de crescimento e pode ser chamado a desempenhar um papel muito importante na garantia de  equilíbrios geo-estratégicos. Não só na América Latina, mas também no mundo ocidental.
Quem garante que Marina Silva não esquece também as questões ambientais, no dia em que a igreja evangélica vir, na destruição de parte da Amazónia, uma importante fonte de lucro? 

10 comentários:

  1. A situação não está nada fácil para os nossos irmãos brasileiros!
    Desiludidos com Dilma procuravam em Marina a solução...
    Pelos vistos ela está a baralhar os eleitores!

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  2. Ah, meu amigo querido, você conseguiu dizer tudo o que eu ainda não consigo.Tenho aqui um nó na garganta, afinal eu era Marina antes mesmo da Dilma ser eleita presidente.Fiquei sem opção como uma boa parte dos brasileiros e sinto que a coisa toda está indo para o brejo.

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  3. Lá como cá a realidade é mostrada pelas opticas de quem está em disputa...

    a mim não me espanta que se tenha desiludido, o que me espanta é ter-se iludido... e que aceite como verdades os argumentos de quem quer fazer parar as políticas de um "governo patriótico e de esquerda", o regresso do FMI e outras coisas assim...

    http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=4095338&page=-1

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  4. Feliz de si que ainda consegue ter desilusões. Há uns anos atrás ainda acreditei num mestiço, depois de tanta desgraça. Mas antigamente sempre disseram que os arraçados são piores que os puros. Também sempre ouvi dizer que governar é ter: "uma mão na merda outra na consciência". Já não há ídolos salvadores de Pátrias.

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  5. Admirei-lhe o percurso, mas quando soube que já passou por não sei quantos Partidos, que é evangélica , quer o criacionismo ensinado nas escolas ...comecei a achar que o melhor para o Brasil é ganhar Dilma, mesmo com todos os erros.

    Além disso, chocou-me imenso, vê-la no funeral de Eduardo Campos,sorridente e em campanha !

    Bom fim de tarde , Carlos

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  6. Claro que esquece!!! Maldita política (partidária, leia-se)! O "nosso" escuteirinho de Massamá também prometeu mundos e fundos e depois esqueceu-se de tudo!

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  7. Mas o mais assustador é que tenho receio que essas posições religiosas ainda a ajudem a conquistar votos, Carlos.
    Com Dilma já sabemos com o que contar.
    Com esta?
    Nem imagino!

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  8. Da Marina admirei-lhe o percurso de vida. Nasceu e cresceu no paupérrimo estado ocidental brasileiro de Acre, cresceu a colher borracha no seringal e só aprendeu a ler e a escrever aos 16 anos com a ajuda de freiras, no entanto só parou de estudar após licenciar-se em História.
    Tirando isto que é admirável, não acho o que o seu nível político seja nada por aí além, é daquele tipo de pessoas que quer fazer da ecologia uma ideologia, o que só por si, é pobre e redutor. Sinceramente acho que ela não tem calibre para ser política ou governante num país pequeno como Portugal, quanto mais num «país continente» como o Brasil.

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  9. A política é mesmo uma grande merda...

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