quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Das cassettes e das rosas


Não tencionava perder nem mais um minuto com a discussão que se trava no seio do PS.  Infelizmente nem sempre aquilo que desejamos  se cumpre e este fds fui chamado a pronunciar-me sobre o assunto.
Não acrescentei muito ao que já aqui escrevi. Na luta que se trava no seio do PS, não me interessa muito a questão dos rostos. Estou mais interessado em conhecer as diferenças políticas entre os dois candidatos. Sei que elas existem, mas nenhum deles parece estar interessado em abrir o jogo, com medo de perder votos.
As primárias do PS não correm o risco de ser uma rixa entre  facções, pela simples razão de já o serem, como é bem visível pela forma como as tropas de ambas as partes esgrimem argumentos. Ataca-se o outro candidato pela cor dos olhos, porque ressona, ou porque tem gostos gastronómicos esquisitos, mas raramente se combate uma ideia, com uma proposta alternativa. Seguro tem sido de uma baixeza a roçar a canalhice. Postura imprópria de um socialista? Mas isso já eu sabia há muito.
O PS deste Verão de 2014 é o espelho do país: desavindo, desgostoso, descrente. Temo que no Outono, após as primárias, o PS seja  um partido profundamente dividido, incapaz de colar os cacos de uma luta interna onde parece valer tudo. É isso que mais me preocupa. O país precisava de um PS forte e coeso que fizesse frente ao governo e fosse uma alternativa, não precisava de um partido em cacos, cujo líder terá como primeira  preocupação recolher os despojos e, só depois,  enfrentar o governo.
Neste fim de semana, um velho amigo comunista, daqueles empedernidos que só vêem  as coisas por um lado e a uma cor, manifestava-me indiferença pela luta no seio do PS mas, com um brilhozinho nos olhos, disse-me que ia ser o fim do PS. Depois meteu a cassette das classes trabalhadoras enganadas , que só o PCP sabe defender e manifestou, mais uma vez, a sua crença numa vitória dos comunistas a breve prazo.
Pobre coitado! Entretido  a sonhar com a grande vitória da classe operária, nem se apercebe de duas questões fundamentais: o PS é fundamental para a nossa democracia e a classe operária que tem emprego aburguesou-se, viciou-se no capitalismo popular e no consumismo desenfreado. Está-se marimbando para a política.E, pior do que tudo, vota PSD!
Irredutível, este meu velho amigo continua a acreditar que a classe operária precisa de ser reeducada para os valores do socialismo.  E que a vitória final será do povo.
Dei-lhe um abraço e despedi-me até à festa do Avante!

2 comentários:

  1. Meu Caro Carlos Barbosa de Oliveira,a ironia das ironias traduz-se no facto de a peça literária "Barranco de Cegos"ter sido escrita por Alves Redol.Quantos militantes do Partido Comunista actual a leram?Quantos saberão quem foi o seu autor e que caminhos e opções percorreu?Como muito bem disse um dia um nosso velho conhecido de outras andanças:"Largos Dias Tem Cem Anos".

    Quanto ao essencial do seu post,permita-me que sublinhe a clareza e a lucidez.

    Abraço.

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  2. O PS, o partido plural, que tem dois candidatos que não debatem ideias mas que trocam acusações.
    Triste panorama, Carlos.
    E admiram-se que o Passos Coelho e o Portas ganhem eleições?
    Fazem-lhes o trabalho sujo, porra!

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