terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tens mais sorte que juízo!

O FC do Porto contratou um treinador que é um bocado louco.
Ainda não repetiu uma equipa;
Muda cinco ou seis jogadores de jogo para jogo; 
Tira os jogadores das suas posições e improvisa.
Obviamente a equipa ressente-se da instabilidade emocional do treinador e os jogadores perdem confiança, porque nunca sabem quem vai ser titular.
Obviamente que sou favorável a alterações quando o porto tem um plantel fortíssimo como o desta época, mas  elas devem ser feita com peso, medida e bom senso.
 Lopetegui não tem nenhuma dessas características. Adora correr riscos e é irritantemente teimoso.
Até aqui as coisas têm-lhe corrido razoavelmente. O FC do Porto ainda não perdeu nenhum jogo esta época, mas já esbanjou quatro pontos na Liga, por responsabilidade exclusiva do treinador.
Hoje na Ucrânia estava a perder 2-0 a cinco minutos do fim, porque o treinador basco decidiu inventar, retirando Jackson e colocando um  defesa espanhol de qualidade mediana a jogar no meio campo. Depois emendou a mão, meteu Jackson e o colombiano fez dois golos. O empate acaba por ser saboroso, em função das circunstâncias, mas o Porto tem equipa para ganhar ao Shaktar, como ficou provado.
A sorte não dura sempre, Lopetegui!  Prepare-se, porque quando as coisas começarem a correr mesmo mal vai ver como os adeptos reagem. E não há queixas de arbitragem que lhe valha ( apesar de o FC do Porto estar a ser  prejudicado pelas arbitragens, isso não serve de desculpa)
Está mais que provado que Lopetegui tem mais sorte que juízo, por isso, não abuse da sorte e tenha tino nessa cabecinha.
Adenda :O Sporting perdeu em casa com o Chelsea. Como disse Mourinho, os de Alvalade podiam ter perdido por cinco, ou empatado. Perderam 0-1 e não mereciam, pelo que fizeram na segunda parte.
 

O Presidente insuflável

António Prôa diz que " A continuação de um presidente em part time não é boa para a cidade de Lisboa"
Compreendo a preocupação  sr Prôa, mas não me leve a mal que lhe pergunte:
"Um boneco insuflável a fazer de presidente  é bom para o país?"
Acalme-se, homem! António Costa foi eleito no domingo, está  de boa saúde, ainda não é secretário geral do PS, por isso não vejo qual é a pressa.  

A pegada ecológica de um caixeiro viajante

Os ambientalistas estão satisfeitos porque Portugal reduziu a sua pegada ecológica.
 É óbvio que essa redução se deve, fundamentalmente, à crise e não a quaisquer iniciativas do governo nesse sentido.  Aliás, Paulo Portas, com as suas constantes viagens turísticas tem contribuído para o aumento da pegada ecológica nacional e mundial. 
Urge mesmo perguntar  qual foi a pegada ecológica do marrafico ao longo destes anos de governação e qual a dimensão do seu contributo para a degradação ambiental do planeta. 

Caça ao Tesouro




Paula Teixeira da Cruz , cega perante o "sucesso" da sua reforma, insiste que a justiça está a funcionar. Provavelmente, não vê televisão. Há uma semana, no Prós e Contras, vimos os agentes da justiça quase unânimes a avisar que a justiça estava perto do caos. O professor José Tribolet, especialista em engenharia informática,  avisou que as coisas iriam continuar a degradar-se, porque continuava a insistir-se no erro.
Ontem, na TVI, confirmou-se: as coisas estão cada vez piores. A ministra da justiça continua a recusar o que toda agente que trabalha ou tem contacto com tribunais sabe: a justiça em Portugal está paralisada. E a culpa é de uma loira super vaidosa e incompetente, que desdenhou os avisos.
 Quem trabalha na área da justiça e não fica de rabo alapado na cadeira a perguntar ao espelho: " Espelho meu, houve algum ministro da justiça melhor do que eu?"  sabe que o caos está instaurado na justiça e esta peça mostra-o de forma iniludível (video) A não perder!
Há tribunais onde, encontrar um  processo,  é uma autêntica caça ao tesouro mas Paula, tal Miss Piggy da Justiça, destila vaidade no seu trabalho. Pouco lhe importa que, por causa da sua incúria e incompetência, haja portugueses a viver em situação extremamente difícil. Para ela a única coisa que conta é poder colocar no seu curriculum que foi autora da primeira reforma da Justiça em 200 anos. com o fito de um dia ser premiada  com um lugar de topo na burocracia europeia.
Paula Teixeira da Cruz  não reformou. Destruiu. É por isso que discordo em absoluto de quem exige a sua demissão. Além de não haver ninguém no seu perfeito juízo que aceite pegar no caos, Apesar de a expressão vergonha na cara não entrar no seu vocabulário Paula Teixeira da Cruz, ela tem de passar pela humilhação de ser apupada pelos portugueses e responsabilizada pelo crime que cometeu ao avançar, levianamente,com uma reforma incompetente e desleixada. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Quando a coerência vence a hipocrisia

São muitos os que criticam Costa, por não ter dito qualquer palavra sobre Seguro.
Não percebo a critica. Costa foi coerente com o que sempre afirmou na campanha: o seu adversário é Pedro Passos Coelho e não António José Seguro.E foi claro ao dizer que conta com todos os socialistas para levar a nau a bom porto.
Se bem me lembro, o novo candidato do PS a pm não é muito de dar a outra face. Muito menos, quando os adversários usam uma linguagem trauliteira e o ataque pessoal para o denegrir. 
Portanto, não há surpresa. Há coerência. E isso é de saudar.
Lamento é que, depois de tudo o que se passou durante a campanha, ainda haja quem defenda que António Costa devia ter sido  hipócrita. São, certamente, os mesmos que exigem clareza e verdade na vida política.
E só para terminar. Por acaso não é costume o vencido telefonar ao vencedor a dar-lhe os parabéns? Que me conste, Seguro não telefonou a Costa, mas disso ninguém fala.

O Dia Seguinte


Depois da esmagadora vitória  e da elevada comparência às urnas, ficou provado que António Costa  tinha razão quando desafiou Seguro. A maioria dos socialistas exigia uma mudança na liderança do PS. António Costa interpretou esse desejo, deu a cara e ganhou. Sem espinhas.
Ontem ouvi muitos socialistas e muitos comentadores dizerem que foi uma derrota para a direita. É verdade, mas a esquerda também não gostou da vitória de António Costa e, em certa medida, também saiu a perder. PCP e BE estavam mais confortáveis com Seguro e as reacções de Louçã e Jerónimo de Sousa são bem eloquentes sobre os engulhos que a  vitória de Costa lhes provocou.  Adiante…
Celebrada a vitória, é altura de guardar as bandeiras e conter a euforia . Avizinham-se tempos difíceis. Se é verdade que a dimensão da vitória irá permitir mais facilmente a união entre os socialistas e permitir a Costa centrar-se exclusivamente nos problemas do país, isso não torna a tarefa mais fácil.
1-Dentro de dias vai começar a  discussão do OE 2015 e Passos Coelho será obrigado a amenizar a austeridade, na tentativa de roubar espaço às críticas de Costa. É provável uma ligeira diminuição dos impostos e algumas medidas eleitoralistas, de modo a agradar ao eleitorado e dificultar um voto contra do PS. 
 O PS não poderá votar contra um OE que seja do agrado ( ainda que temporário e ilusório) dos portugueses  mas, se optar pela abstenção, Costa terá de suportar as críticas dos seguristas. O assunto vai ter de ser gerido com pinças e, seja qual for a decisão, deverá ser bem clara para todos os portugueses.
2-O PS vai ser obrigado a definir, em breve, a sua política de alianças. A reacção de Jerónimo de Sousa permite perceber que  o PCP não está interessado em alianças. Aliás, como vem sendo  hábito, se o PS ganhar as próximas legislativas com maioria absoluta ( o que não é  provável), no dia seguinte veremos o PCP  aliar-se ao PSD , para derrubar o governo.
3- Também não será fácil contar com o apoio do que restará do BE. O que Louçã escreveu   ontem no  FB  deixa pouca margem para dúvidas, mas tem a virtude de esclarecer que os valores da democracia para a extrema esquerda  só são aceitáveis fora do círculo  delimitado pelo próprio umbigo.
4- Costa já demonstrou ser hábil a negociar consensos mas, afastada a hipótese de o fazer com os partidos de esquerda com representação parlamentar, o espaço de manobra reduz-se drasticamente. 
 Terá, por isso, que aproveitar a galvanização da sua vitória interna- que se estendeu muito para além dos simpatizantes do PS-   e tentar ampliá-la criando um clima de esperança nos portugueses em relação ao futuro . Para isso tem de assumir compromissos e dizer claramente, sem meias palavras, o que pretende fazer se  vier a ser PM.
5- Aproveitar a fragilidade de PPC, ferido de morte politicamente, com o caso Tecnoforma, não deixará de ser uma tentação para o novo líder do PS.  Terá de o fazer com bom senso e na medida certa. É importante  manter Coelho a cozer em lume brando, mas sem que se chamusque demasiado, dando origem a uma crise interna no PSD e a uma alteração na liderança. Rui Rio seria um adversário temível e criou no país a imagem de que é muito diferente de Passos Coelho. Só quem não sabe como ele geriu  a Câmara do Porto é que acredita nessa história da Carochinha. Com Rui Rio a austeridade será implacável, mas virá com outras roupagens. 
6- Os desafios que se colocam ao país e ao PS obrigam António Costa a abandonar o discurso minimalista e abrir o jogo. Os portugueses compreendem as reservas durante a campanha interna mas, a partir de agora, vão pedir  mais a António Costa: vão exigir que ele mostre, com propostas concretas,  as  diferenças de fazer política e as ideias que tem para o país, que o separam de Seguro e de Passos. 
7- Não é provável que Costa o faça antes de ser eleito  SG do PS. Em minha opinião, não é sequer desejável . Mais uma razão para  acelerar as directas e eleger o novo SG do PS, o mais depressa possível. É a partir desse dia que o tempo começa a contar.
8- A direita já começou a reclamar a saída de António Costa da Câmara. É pouco provável- e nada desejável- que o faça antes de Cavaco marcar a data das legislativas. Seria melhor para todos que as legislativas se realizassem em maio ou Junho, dando tempo para que o novo governo possa elaborar o  orçamento para 2016.  Cavaco- que já pensou de igual forma- está agora ao lado dos seus correligionários e não quer antecipar as eleições. Ele quer é mesmo que o país se afunde- quanto mais melhor- e que o PSD esteja no governo o máximo tempo possível. O interesse do país que se lixe. Primeiro estão os interesses do PSD.
9-  De qualquer modo, seja qual for a obstrução de Cavaco, hoje, começou um novo ciclo no país. Pela primeira vez, nos últimos três anos, temos um líder da oposição credível e um governo completamente descredibilizado, por força  da fragilidade do seu líder, envolto em suspeitas que não consegue iludir. 
10- Passos e Portas estarão a esta hora preocupados com o futuro.  A  estratégia para o OE 2015 irá ser alterada. Portas irá ganhar alguns pontos, nomeadamente no que concerne à carga fiscal mas, em troca, terá de aceitar a coligação com o PSD para as legislativas de 2015, pois é a única forma de  Passos Coelho  minorar as perdas. 

Cravo & Ferradura

O cartoon de José Bandeira, hoje no DN

I'll always love you!

 Feliz cumpleaños, Mafalda

Aos 50 anos continuas muito sexy

domingo, 28 de setembro de 2014

Seguro também ganhou

Nos próximos dias terei oportunidade de escrever sobre a esmagadora vitória de António Costa.
Hoje, fico-me por um "mea culpa".
Sempre manifestei a minha discordância com as primárias, mas sou obrigado a reconhecer que acabaram por ser benéficas. 
Em primeiro lugar, pela mobilização cívica que proporcionou. A larga adesão de simpatizantes foi uma vitória para a democracia. (Cerca de 180 mil votantes)
Em segundo lugar, porque a fractura que sempre receei pudesse dar-se no PS, logo após as eleições,não se vai verificar. A dimensão da vitória de Costa contribui para somar e não para dividir.
Em terceiro lugar, ficou muito claro que a família socialista exigia uma mudança que só os seguristas não conseguiam perceber. O resultado foi uma lufada de ar fresco na vida política portuguesa.
Em quarto lugar, a  mobilização mediática em torno destas eleições primárias foi francamente favorável ao PS. Compreendem-se os engulhos de Jerónimo de Sousa, cujas declarações - para ser simpático- reputo de muito infelizes. Já na S. Caetano à Lapa as garrafas de champagne ficaram por abrir e, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, a partir de agora Passos Coelho terá muito com que se preocupar.
Finalmente (por agora) as primárias  provocaram um élan que permite devolver a esperança a muitos portugueses. Mesmo que o PS não venha a ganhar com maioria absoluta, as pessoas que destruíram o país e o venderam ao desbarato a interesses estrangeiros, serão definitivamente varridos da sociedade portuguesa.
A verdade é que, se Seguro tivesse aceitado ir para Congresso, nunca teria havido esta mobilização na sociedade portuguesa em torno do PS.
Por isso, mesmo sem querer, Seguro acaba por ser um vencedor da noite. Espero é que esta noite, ao chegar a casa, não tenha ido ao baú buscar a faca com que andou a apunhalar Sócrates durante os últimos 10 anos.

O mensageiro

Depois de ter recebido a visita do Espírito Santo, Pedro Passos Coelho foi abordado por um outro mensageiro que o avisou que o governo não irá demorar muito.
O - apesar de tudo-  ainda pm comunicou ao conselho nacional do PSD que isso se deve ao facto de a sua forma de fazer política incomodar muita gente.
Olha a grande novidade! Milhões de portugueses que há três anos estão ser  roubados nos salários e pensões já sabem disso há muito tempo.

Fora o árbitro!

Já é conhecida a azia que alguns árbitros provocam em Pinto da Costa, mas ontem ficou a saber-se  que o presidente do FC do Porto se sente "vigarizado" pelo árbitro supremo da Nação, Aníbal Cavaco Silva.
Só me espanta que Pinto da Costa tenha demorado tanto  tempo a perceber que o árbitro de Belém está comprado pela equipa da casa.

Le premier bonheur du jou



Para que ainda tenha alguma esperança no futuro, hoje é mesmo assim.
Tenham um bom domingo

sábado, 27 de setembro de 2014

Branco é, galinha o põe

A Tecnoforma  diz que PPC só começou a  trabalhar na empresa em 2001. Portanto, quando  estes dois administradores da Tecnoforma disseram ao Expresso que PPC entrara para a Tecnoforma em 1996, como consultor, estavam a mentir. 
É isso? Ou era um consultor à borla?

E por falar em roedores...

Há dias  escrevi sobre os ratos no tribunal de Loures. Vai daí, lembrei-me de outro roedor que deve andar felicíssimo.
Envolto em polémica por causa do erro na colocação dos professores, Nuno (C)rato  rapidamente deixou de ser presa da comunicação social, graças à bronca com o pm.
Os professores continuam por colocar e, pior, sem saber quando serão, mas o ministro está sossegado no seu gabinete a ver se consegue desemborrar a fórmula matemática. Nas calminhas...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Bibó Porto (18): à procura de Harry Potter


Está no Porto , quer fazer um programa onde filho não entra, mas quer que ele se divirta enquanto está  a curtir o seu tempo?
Então, a sugestão que lhe dou é enviá-los à descoberta de Harry Potter.  Não, não estou a gozar consigo.
Foi no Porto, onde viveu e foi professora, que J.K.Rowling criou o Harry Potter. Agora,  uma agência de turismo  (No Tecto do Mundo) criou  um roteiro na cidade que permite seguir o rasto do pequeno feiticeiro, a partir dos percursos seguidos pela autora. Diz quem sabe que é diversão garantida. Porque não tentar?
Se quiser, também pode acompanhar os filhotes, porque adulto também entra neste programa divertido, que permite conhecer melhor o Porto. Livraria Lello incluída, está claro!

Festa rija na S. Caetano à Lapa

Hoje António José Seguro tinha todas as condições para brilhar no debate com PPC. Perante um pm fragilizado por uma suspeita que não conseguiu apagar, Seguro agarrou-se ao pedido de levantamento do sigilo bancário e não conseguiu levar PPC ao tapete.
Jerónimo de Sousa, falando em tom muito mais brando do que Seguro, foi muito mais acutilante e certeiro nos ataques desferidos.
O líder da oposição ficou-se pela voz esganiçada, repetindo o que leu nos jornais e nas redes sociais.  Está provado que está muito mais à vontade a criticar o seu opositor interno, do que o governo. Se vencer as eleições de domingo, haverá festa rija na S. Caetano à Lapa.

Passos Coelho, o Espírito Santo e a sombra de Cavaco ( actualizado)

Confirma-se que o Espírito Santo foi uma destas noites a Massamá para avivar a memória do primeiro-ministro.
Hoje, na AR, afirmou que nunca recebeu nada da Tecnoforma. Ou seja, recordou-se finalmente daquilo que até hoje garantia não ter memória.  
O Espírito Santo foi mais longe quando desceu a Massamá. Lembrou  a Passos Coelho que o dinheiro recebido afinal correspondia a despesas de representação. Ora bolas! Isto até eu era capaz de dizer ao senhor pm, não era preciso vir o Espírito Santo avivar-lhe a memória.
É claro que ficam por esclarecer  as  declarações de responsáveis da Tecnoforma que iam em sentido contrário, mas isso, a Tecnoforma promete explicar ainda hoje.
É óbvio que o facto de alegar ter  apenas recebido despesas de representação em nada contribui para o apuramento da verdade. Entre outrascoisas, continua por explicar:
- quanto recebeu em despesas de representação? É que há um limite para essas despesas...
- porque não declarou essa verbas quando fez o requerimento?
- qual a compatibilidade dos montantes recebidos com o regime de exclusividade?
- como é que não se recordando de nada há uma semana, se conseguiu agora lembrar de tantos pormenores? (Ah, já me esquecia do Espírito Santo!!!)
Como continuam por esclarecer muitos outros aspectos que, deliberadamente, PPC não quer esclarecer.
Do que PPC não se esqueceu foi de mandar uma bicada a Sócrates, com insinuações torpes ao processo "Freeport".
Só faltou a PPC dizer  que era preciso alguém nascer duas vezes para ser tão honesto como ele, mas isso era fazer concorrência a Cavaco.
Até agora continua tudo por esclarecer. Por muitas palmas e urros que a jagunçada da maioria lance nas bancadas, as dúvidas permanecem.

( Em actualização)

Confrontado  por Catarina Martins sobre a evidência de, à época, ser normal atribuir despesas de representação para fugir aos impostos, PPC passou a referir-se a reembolsos, em vez de despesas de representação, para justificar as verbas recebidas da "filial" da Tecnoforma.
As dúvidas ainda se tornaram mais evidentes depois desta alteração terminológica introduzida por PPC, mas uma coisa parece certa: Passos Coelho está apostado em demonstrar que trabalhou à borla durante três anos para "abrir portas".  
Acreditemos na bondade de PPC, mas ele deve ter sido o único porteiro, em todo o mundo, que nunca recebeu uma gorjeta!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Aqui há... RATO!



No Prós & Contras de segunda-feira, a bastonária da Ordem dos Advogados  mostrou uma série de fotografias, onde se via a displicência no armazenamento dos processos em papel no improvisado tribunal de Loures. Espalhadps pelo chão, em contentores, expostos a inundações ou à voracidade de alguns animais. O secretário de estado da justiça e a juíza que o ladeava zombaram das advertências da bastonária e garantiram que os contentores ofereciam toda a segurança.
Hoje o Público  noticia que  as inundações de segunda- feira atingiram parcialmente alguns processos e que os roedores fizeram a sua aparição. A foto  acima tem sido, aliás, um grande sucesso nas redes sociais.
Sempre atenta  e rápida a tomar decisões, Paula Teixeira da Cruz mandou o seu gabinete informar que a situação está sob controlo e que o MJ “está a investigar a origem dos roedores”.
 Podemos todos ficar descansados, portanto.

Se não foi pelo cú...foi pelas calças

Luís Montenegro afirmou há pouco, que amanhã o pm irá esclarecer tudo na AR. É óbvio que não vai esclarecer nada. Como é seu hábito ficar-se-á pelas meias verdades, jogará com as palavras para lançar mais alguma confusão e aproveitará o apoio da maioria parlamentar para fazer umas flores.Teresa Leal Coelho, aliás, já lhe abriu o caminho, ao enfatizar o facto de se tratar de uma denúncia anónima.
Como pode PPC explicar um caso de que não se recorda, como reiteradamente afirmou? Terá o Espírito Santo descido uma noite destas a Massamá, para lhe avivar a memória?
Montenegro adiantou que as respostas do pm serão apenas no plano político. No concernente a eventuais ilegalidades, nem uma palavra. E, por via das dúvidas, Azevedo Soares recusou-se a entregar as declarações de IRS de Passos Coelho, referentes aos anos de 1995 a 1999. Não creio que isso tenha muita importância, porque é provável que o dinehiro até lhe tenha sido entregue em cash e sem recibos, pelo que nada constará dessas declarações. Tudo limpinho e transparente, como PPC gosta.
 Deixemo-nos de tretas. A situação é muito clara: ou o actual pm recebeu dinheiro da Tecnoforma, quando estava em regime de exclusividade, ou  não estava de facto em regime de exclusividade e recebeu o subsídio de reintegração a que não tinha direito. Tudo o que PPC disser amanhã na AR, que fuja a estas questões, não passará de tergiversação e engonhanço, para receber os aplausos da bancada da maioria etentar garantir soundbytes favoráveis da comunicação social que lhe é afecta.

Parafraseando a sabedoria popular:  PPC recebeu dinheiro a que não tinha direito. "Se não foi pelo cú, foi pelas calças".
Aqueles que juram e põem as mãos no fogo pela honestidade de PPC, é melhor começarem a por as barbas de molho, É que PPC safar-se-á sempre, mas muita gente que o apoia com a cegueira de quem segue um guru, ficará apeada quando o líder do PSD for "pregar" a sua honestidade para outra freguesia. Se o homem fosse sério não andava a encanar a perna à rã com pedidos de esclarecimento à PGR e alegados lapsos de memória selectiva.Ou recupera a memória, ou vai continuar a queimar-se em lume brando.
Estar à espera que a PGR se pronuncie sobre um caso que não pode investigar, por já ter prescrito, é o mesmo que acreditar na ressurreição de um morto!
Além disso, independentemente do que a PGR viesse a apurar, é sempre bom lembrar que o ministério das finanças já recebeu um parecer da PGR sobre as 35 horas de trabalho semanais há quatro meses e ainda não o divulgou, estando com isso a prejudicar milhares de trabalhadores das autarquias. Esta gente quer enganar quem?
Já chega de tanta sonsice, porra!

Um novo ponta de lança para o Benfica

Desapareceu a declaração de rendimentos de Passos Coelho referente a 1999. Com este apuradíssimo  sentido de oportunidade, e a sorte sempre necessária a qualquer jogador, Pedro Passos Coelho bem pode vir a ser o ponta de lança que o Benfica procura.
Como alternativa, PPC pode  aproveitar a sorte que tem e ir todos os dias ao casino jogar na roleta.

O percalço

A ministra da justiça declarou, na AR, que a justiça estava a funcionar, o problema do Citius tinha sido apenas um percalço e que até se admirava se não houvesse percalços neste processo de reforma. 
A ministra tem uma lata interminável e não parece estar muito preocupada, mas o comunicado de ontem do Plenário do Conselho Superior de Magistratura- reunido em sessão extraordinária-  não só desmente a ministra, como é bem claro quanto à dimensão do percalço.
Aqui fica um excerto:

"(...)O Conselho Superior da Magistratura está ciente de que é essencialmente devido ao esforço
dos Magistrados e Oficiais de Justiça, com a compreensão dos Senhores Advogados e dos
cidadãos em geral que se tem procurado garantir a realização de diligências e actos processuais
em processos urgentes ou previamente agendados. Também está ciente de que este esforço não
pode prolongar-se indefinidamente e de que as intervenções até agora efectuadas pelo IGFEJ
ainda não permitem o acesso a todas as funcionalidades do CITIUS nem a tramitação normal de
todos os processos ou a correcta distribuição dos processos por Juiz e unidade orgânica.
Com sentido de dever e com espírito de colaboração institucional, o Conselho Superior da
Magistratura irá solicitar uma reunião com Sua Excelência a Senhora Ministra da Justiça para
reiterar as preocupações e posições do Conselho sobre a necessidade de urgente definição de um
plano para a normalização da actividade dos tribunais (...)"

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A contra-análise

Quase apostava que se a PGR concluísse que PPC tinha recebido ilegalmente dinheiro  enquanto deputado ( como é óbvio isso nunca acontecerá de forma conclusiva), o PM remeteria o caso para a Federação Portuguesa de Ciclismo e pedia uma contra análise.

Um porteiro pode ganhar 10 salários mínimos

O salário mínimo aumenta em outubro para 505€. Sensivelmente 10% do que a Tecnoforma pagou mensalmente a Pedro Passos Coelho, durante dois anos e meio, para   exercer a função de porteiro

A biografia

Se PPC relesse a sua biografia, resolvia rapidamente o seu lapso de memória selectiva



Pedro Passos Coelho começou por remeter para a AR esclarecimentos sobre o caso Tecnoforma e a legalidade da sua situação enquanto deputado.
Azevedo Soares, secretário-geral da AR, confirmou imediatamente que PPC não exercera o seu mandato de deputado em regime de exclusividade. Tudo parecia correr bem ao homem de Massamá.
No dia seguinte, porém, o Público revela a existência de documentos que comprovam o pedido de PPC para receber o subsídio de reintegração  a que tinha direito, por ter exercido o cargo de deputado em regime de exclusividade.
PPC voltou a empurrar o problema com a barriga para ganhar tempo. Insiste que não se lembra do que fez há 17, 18 ou 20 anos. E pede à PGR que o ajude a reavivar a memória.
Já aqui manifestei a estranheza por PPC não se lembrar de ter recebido 150 mil euros. Além disso, custa acreditar que PPC nunca tenha feito um curriculum. Terá sempre desempenhado as suas tarefas com base na cunha e no empenho?
Não precisva, porém, PPC de maçar a PGR, pedindo esclarecimentos sobre as suas actividades profissionais.
Bastaria reler a sua biografia, publicada na Revista do "Expresso" em Abril de 2011.
O texto traça o perfil de um candidato a primeiro ministro super rigoroso, de uma honestidade à prova de bala. Ângelo Correia afirma mesmo que não há pessoa mais honesta do que ele.Percebe-se que toda a biografia-  quase iconoclasta tantos são os predicados  que lhe são atribuídpos-   é um embuste e pretende criar nos portugueses a imagem de um homem acima de qualquer suspeita, cujo passado é garantia de rigor, isenção e honestidade, que põe os interesses do país acima dos interesses do partido.
Face a isto, percebe-se que ao remeter a questão para a PGR, Passos está apenas a querer ganhar tempo e a tentar iludir os portugueses com os seus lapsos de memória selectivos. Espera que a PGR lhe devolva a imagem de homem impoluto, ou deixe a questão arrastar-se no tempo até sair das páginas dos jornais. 
PPC pode enganar parvos e criar dúvidas em ingénuos, mas não resiste à prova do algodão. 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Deus nos livre!

Não assisti aos dois primeiros debates entre Costa e Seguro, porque estava de férias fora do país. As notícias que me foram chegando através de leitores davam conta de que não teria perdido nada mas, mesmo assim, hoje não perdi a oportunidade de assistir ao derradeiro debate. Não para ficar esclarecido- como simpatizante do PS há muito percebi que a continuidade de Seguro à frente do PS será um descalabro- mas para ver o que os candidatos tinham a dizer aos portugueses que se inscreveram para estas primárias.
A princípio o debate decorreu com espírito civilizado, parecendo contrariar a opinião de que seria mais um lavar de roupa suja. Por momentos, acreditei que Seguro tinha finalmente percebido que o seu adversário político era PPC e não António Costa.
António José Seguro, porém, fez questão de demonstrar que, tal como Passos Coelho, é sempre capaz de nos surpreender pela negativa. Vai daí, num acto de pura canalhice, resolveu trazer à colação o nome de um dos fundadores do PS (Godinho de Matos) para demonstrar que António Costa representa a promiscuidade entre o poder político e o mundo dos negócios.
Espero que os simpatizantes socialistas não esqueçam, no próximo domingo, que o Tozé está disposto a desonrar o passado do PS, sem o qual Seguro não seria nada na vida.
Mais do que uma canalhice à Passos Coelho, Seguro traiu o PS. É um pulha sem dignidade, sequer, para representar o PS. 
Já diversas vezes acusei Seguro de oportunismo, pela forma como chegou à liderança do PS. Não me surpreende a sua postura canalha. Surpreende-me é que haja militantes do PS que o queiram ver como primeiro ministro. Felizmente, para todos nós, nunca será. Se isso acontecesse, seria razão suficiente para pedir asilo político a um país estrangeiro. Seguro não tem dignidade para representar o país em nenhuma instância internacional. É uma cópia de PPC e, como todas as cópias, é pior do que o original.
Deus nos livre de o vermos um dia em S. Bento.

Toda a incompetência será premiada

Ontem à noite assisti ao enxovalho do SE da Justiça no Prós & Contras. Uma sala cheia ria às gargalhadas com as tiradas de um membro do governo que, insistindo em fazer de avestruz, garantia que a justiça está a funcionar e o alarmismo lançado pela comunicação social é que está a provocar pânico desnecessário  nas pessoas.
Funcionários judiciais, advogados e procuradores desmentiam-no, relatando factos concretos, mas o homem - bem acolitado por uma juíza cujo nome retive  para ver qual o cargo que irá desempenhar em breve- insistia que era tudo exagero. 
Cheguei a ter pena do homem, confesso...
Esta manhã, na AR, vi uma Paula Teixeira da Cruz- irreconhecível- esgrimir argumentos próprios de desesperados. Não é com arrogância, roçando o insulto aos deputados, que uma ministra ganha razão. Principalmente quando a realidade a desmente.  
A incompetência e irresponsabilidade de Paula Teixeira da Cruz são suficientes para ser demitida, caso não saia pelo seu próprio pé. A vaidade não lhe permite renunciar ao cargo, porque ela acredita piamente que vai ficar na História como a grande reformadora da justiça. Para ela pouco importa que milhares de portugueses estejam a ser prejudicados pela sua irresponsabilidade e teimosia ( ela foi avisada - inclusivamente pelo seu chefe de gabinete. que isto iria acontecer). Arrogante, balofa e sedenta de protagonismo, PTC esqueceu o tempo em que, por dá cá aquela palha pedia a demissão de um ministro da justiça.
Entretanto, Nuno Crato garantia que os erros na colocação dos professores serão corrigidos. Só não sabe, é quando!
Estamos nisto.Um governo incompetente cujos ministros  garantem que estão a fazer reformas, cada vez que prejudicam a vida a milhares de cidadãos. Cada vez mais me convenço que, neste governo PSD/CDS, é condição fundamental ser incompetente, irresponsável e desonesto para se ser ministro.

O grau zero da decência (Actualizado)

Quando a secretaria geral da AR ludibria a verdade para defender o Pm é porque se atingiu o grau zero da dignidade, da moral e da ética política.
Não há democracia quando o Parlamento esconde ao país a verdade sobre a actuação de um pm. Ainda por cima, esta actuação  põe em xeque  PPC que se tem defendido da acusação, alegando estar convencido que agiu dentro da legalidade.
Dando de barato que o PM está a dizer a verdade e está mesmo convencido que agiu dentro da legalidade, a actuação do secretário geral da AR fragiliza o argumento de defesa do PM. Porque terá Azevedo Soares deturpado a verdade? Mero servilismo partidário? 
Mas, se assim foi, porque é que depois de confrontado com documentos oficiais e públicos que comprovam ter mentido sobre a situação de PPC enquanto deputado, se remeteu ao silêncio e recusou quaisquer esclarecimentos?  
Albino Azevedo Soares prestou um mau serviço ao país, à democracia e ao PM. Se fosse pessoa de bem, pedia desculpas pelo "lapso" e apresentava a demissão. Mas já percebemos que neste PSD de Passos Coelho, a vigarice, a mentira, a trapaça, a fraude  e a incompetência são sempre premiadas.  Quando se tem um chefe com o estofo moral e ético de PPC, não se pode exigir que os seus lacaios sejam exemplos de virtude.
Actualização: Albino Azevedo Soares volta a contrariar aquilo que o próprio Passos Coelho confirmou.Pensava que AAS era um homem íntegro. Afinal, enganei-me

Acompanhando o optimismo do governo

O temporal que ontem se abateu sobre Lisboa é uma boa notícia para o país e um sinal de que continuamos a acompanhar a tendência europeia em matéria ambiental. As ruas inundadas impediram a circulação de milhares de automóveis, contribuindo para a diminuição do monóxido de carbono e para que fossemos um dos países europeus com maior percentagem de adesão ao Dia Europeu Sem Carros.
O governo congratula-se  com esta manifestação cívica dos portugueses e realça, ainda, o grande incremento para a economia daí resultante. Centenas de carros avariados irão permitir relançar a actividade das oficinas de reparação automóvel.
Já as inundações  verificadas em inúmeros edifícios irão favorecer a recuperação da construção civil, contribuindo para a diminuição da taxa de desemprego.
O governo sublinha, finalmente, o sucesso das preces de Assunção Cristas, em 2011, cujos efeitos estão finalmente a ser sentidos pelos portugueses três anos depois.
Depois do FMI, da UE, do BCE, do Diário Económico e do Jornal de Negócios, chegou o momento de  a corte celestial  manifestar o seu apoio à política seguida por este governo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Da boçalidade dos láparos

Pedro Passos Coelho deu mais uma vez prova da sua boçalidade encapada em maneirismos de gente fina, ao comparar a educação com uma fábrica de salsichas
Já sabíamos que para PPC a educação é um negócio que deve ser tratado como qualquer linha de montagem de uma fábrica, mas  o homúnculo podia ser mais comedido na sua verborreia de bácoro da Mealhada.
Eu, com a boçalidade que me caracteriza, sugiro ao pm que meta as salsichas no seu próprio Citius. Se não conseguir sozinho, peça ajuda à Paula Teixeira da Cruz.
Aviso: se quiserem dar umas boas gargalhadas liguem para a RTP 1 e assistam ao Prós & Contras. Está uma sala inteira a rir-se com as petas do sec estado da justiça, a propósito do outro Citius.

Teste de Memória para Passos Coelho

Parece que anda por aí muita gente indignada porque o pm de Portugal não se lembra se recebeu 5 mil euros mensais durante dois anos  e meio de uma empresa, enquanto era deputado. 
Se eu fosse mauzinho, diria que se ele não se lembra de ter recebido 150 mil euros, é porque recebeu muito mais. Ou que PPC é um mestre na arte de contornar a verdade.
No entanto, como acabo de regressar de férias, ainda estou com pensamento positivo e lembro que é natural que um tipo que no dia seguinte a ser eleito se esqueceu das promessas eleitorais que andou a fazer, não se recorde de ter recebido tanto dinheiro, durante um período tão largo.
No entanto, proponho um teste de memória ao pm, para verificar o grau de amnésia de PPC:

1-Alguma vez bateu na sua ex-mulher?
2-Alguma vez participou num programa de reabilitação de drogas?
3- Alguma vez participou num grupo de cidadãos retornados de Angola cujo lema era "vamos transformar Portugal numa colónia de Angola?"
4- O nome Sampaio Nunes sugere-lhe alguma coisa? 
5- Alguma vez fez um casting para participar num espectáculo do La Feria?
6- Qual o nome do seu padrinho político?

Se PPC souber a resposta a estas perguntas, então podemos concluir que sofre de amnésia selectiva.Só não se recorda de questões relacionadas com dinheiro.
Caso não consiga lembrar-se das respostas, a pelo menos metade destas perguntas, então o caso é mais grave e, provavelmente, não terá condições para continuar a exercer o cargo.

Para mim vens de carrinho!




Era o último fim de semana de Agosto de 2009. Sentado no sofá da sala, Frederico ia folheando o jornal sem entusiasmo, quando deparou com a notícia de que o dia 22 de Setembro seria o Dia Europeu sem Carros. À memória, acorreu-lhe um artigo onde se enumeravam os perigos do monóxido de carbono,- substância libertada pelos automóveis que contribui para o aumento da poluição urbana e é responsável por inúmeras doenças cardiovasculares e respiratórias.
Mas Frederico não é pessoa que se deixe convencer com facilidade, principalmente quando em causa está a sua comodidade. Afinal, de que serve não andar um dia de carro, para além de causar graves transtornos a quem o utiliza como ferramenta de trabalho.?-pensou.
É claro que esse não é o seu caso, pois sai de manhã para o emprego e só deixa o escritório ao fim do dia para regressar a casa. Poderia facilmente fazer o percurso de metropolitano, bastando-lhe para tal andar uma escassa centena de metros a pé, mas Frederico sofre da síndrome de “ carrodependência” e considera os transportes públicos insuportáveis, preferindo gastar mais de uma hora por dia em longas filas de trânsito, a fazer o trajecto entre a casa e o escritório de forma mais rápida e confortável.
Quando à hora do jantar se foi encontrar com Matilde logo puxou para tema de conversa a iniciativa do Dia Europeu sem Carros que, sem delongas, rotulou de demagógica e inútil.Foi com surpresa que constatou ser Matilde uma acérrima defensora da iniciativa, pois embora aquela com quem cada vez mais pensava vir a unir o seu destino sempre se deslocasse para o trabalho em transportes públicos, fora levado a pensar que o fazia por questões económicas e não por pura convicção.
Foi , por isso, com a boca meia aberta que ouviu Matilde defender a ideia de que o acesso automóvel às grandes cidades deveria ser condicionado, alvitrando mesmo a hipótese de que em Lisboa se seguisse o exemplo de outras cidades europeias, como Londres, Roma ou Estocolmo, onde quem quiser entrar de carro é obrigado a pagar portagem.Frederico lembrava-se vagamente de ter lido alguma coisa sobre o assunto e, com ar conhecedor acrescentou:
- Pois, na Noruega também se passa uma coisa semelhante: os carros para entrarem nas cidades pagam uma portagem, que é tanto menor, quanto maior for o número de passageiros, mas isso são países civilizados que nada têm a ver connosco!
Ao ouvir as palavras de Frederico, Matilde quase se engasgava... de raiva!
-Então achas que Portugal, um País que já foi o melhor aluno da União Europeia, que se tem desenvolvido em termos económicos de forma considerável, não deve também progredir em termos civilizacionais? Não te esqueças que durante o Verão a poluição nas nossas cidades passa frequentemente os valores admissíveis e em Lisboa, só no ano passado, foram 261 as vezes em que esse limite foi ultrapassado!
- Está, bem, está bem,! Mas não seria melhor, então, discutirmos a vida nas cidades, em vez de andarmos com este folclore todo? E não me digas que os automóveis são os culpados de todos os males que afectam a vida nas cidades... ou estarei eu, sem saber, a falar com uma fundamentalista?
- Não me venhas com chavões! Claro que não sou fundamentalista, mas também não sou ignorante e preocupo-me com os problemas que afectam o nosso Planeta. Sei perfeitamente que é preciso repensar a vida nas cidades, mas também não ignoro que o automóvel, enquanto erigido a objecto imprescindível se tornou um problema e um obstáculo à melhoria da qualidade de vida urbana. Por isso acho que esta iniciativa do Dia Europeu sem Carros, se não tiver outro mérito, tem pelo menos o de levar as pessoas a pensar a sua relação com o automóvel. E acredito que todos os anos há mais pessoas a deixarem o carro em casa e a optarem pelos transportes públicos, porque pelo menos um dia pararam para pensar. Ou julgas que todos são insensíveis e comodistas como tu, que não dispensas o carro, apesar de teres uma estação de metro a cem metros de casa e outra à porta do escritório?
- Pronto, eu prometo que vou pensar no assunto. Mas agora vamos embora, tomar um copo, que já estou farto de estar sentado...
- Ah estás? Então espero que não te queiras levantar daqui para te meteres no carro até ao sítio onde vamos tomar um copo e depois alapares-te outra vez!...-
-....
- Pois, eu logo vi! Mas olha, hoje eu não vou nessa... Se queres ir beber um copo, vamos a pé!
E foi assim que Matilde e Frederico passaram a dispensar o carro na maioria das suas saídas nocturnas. Agora passeiam os dois de mão dada à beira rio depois do jantar, param para tomar um copo e ao fim da noite apanham um táxi para regressar a casa. E, para surpresa de todos, Frederico tornou-se num dos maiores animadores da empresa para criar programas alternativos no Dia Europeu Sem Carros.
Infelizmente, são cada vez menos os que em Portugal  dão importância ao dia. 

domingo, 21 de setembro de 2014

Igual, igual, não está, mas enfim...

Logo que entro em Lisboa vejo uma manifestação. Cinco ciclistas descem a Av. da Liberdade, com um cartaz: Não à poluição. São escoltados por um carro da polícia. A gasolina.
Os polícias não deviam ir de bicicleta?

Ai pode, pode...

Uma Lei destas era bem vinda em Portugal....

sábado, 20 de setembro de 2014

Perdoa-me!

Qual foi o ministro que veio hoje pedir desculpa aos portugueses?
Esta ideia de recuperar o "Perdoa-me" parece-me original, mas tem pouco futuro. Daqui a dois meses, já todos os ministros e secretários de estado terão pedido desculpas  pelos erros que cometeram e  prejudicaram muitos milhares de portugueses.
Além disso, este "Perdoa-me" governativo está mal ensaiado. Os/as gajos/as pedem desculpa e no dia seguinte continuam a  cometer erros como se nada fosse. Fazem-me lembrar as criancinhas que se vão confessar  mas, assim que o padre lhes dá a absolvição, voltam logo a pecar sem cumprir a penitência.
Pela minha parte, aviso desde já que não perdoo ninguém. Caso contrário, um dia destes ainda tinha de aceitar as desculpas de um ladrão profissional que me assaltasse a casa.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Como ganhar, prdendo?

O Não ganhou na Escócia. A Europa suspirou de alívio, mas os escoceses também, porque ganharam mais autonomia, mantendo-se no Reino Unido. Em breve outras regiões da Europa vão reclamar igualmente mais autonomia. A primeira será a Catalunha e outras se seguirão. Ainda não foi ontem que se abriu a Caixa de Pandora, mas já não deve faltar muito.

Bibó Porto (17): O mercado do Bolhão



As origens do mercado do Bolhão remontam a  meados do século XIX, mas o actual edifício é muito mais recente. Data de 1914, assinalando-se este ano o 100º aniversário. Projectado pelo arquitecto Correia da Silva,  foi desde logo considerada uma obra muito arrojada para a época, devido à utilização do betão armado em conjugação com estruturas metálicas, coberturas em madeira e cantaria de pedra granítica.  Em 2006 foi classificado como imóvel de interesse público.
Desde 1984 que se fala na necessidade de proceder à sua reabilitação.
Em 2007 Rui Rio abriu um concurso para a  privatização. A empresa vencedora  anunciou que iria proceder à demolição do interior e, para rentabilizar o espaço,  propunha-se construir um condomínio de luxo e um centro comercial. Para o mercado ficaria apenas cerca de 5% do espaço, devendo o projecto estar concluído em 2009. O debate na Assembleia Municipal foi aceso, sendo a proposta da empresa aprovada  com 27 votos a favor e 26 contra.
No entanto, a  reacção dos portuenses não se fez esperar. Gerou-se um grande movimento cívico  contra  a destruição do mercado do Bolhão. Multiplicaram-se as manifestações de repúdio ao projecto  e a situação chegou a um impasse, que ainda se mantém.
Há outros mercados emblemáticos no Porto, como Ferreira Borges e do Bom Sucesso, entretanto requalificados, mas nenhum deles tem a magia do mercado do Bolhão.Mais do que um mercado, o Bolhão é um ex-libris da cidade, que  faz parte  dessa condição única de ser tripeiro

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Uma sugestão ao Novo Banco

Que tal seguir a estratégia deste Banco?
Hoje fui levantar dinheiro a uma caixa multibanco, mas não tive sorte nenhuma!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Bentos com rajadas fortes

Regressado à Ibéria, faço uma pausa para visitar amigos em Marbella, desfrutar este sol maravilhoso e as águas cálidas destas paragens. Ao final do dia pedi emprestado um computador e naveguei durante uma hora na Internet.
Surpreendo-me com a demissão de Vítor Bento do BES ( ele não tinha aceite o lugar por dever patriótico?) mas rapidamente percebo que o patriotismo tem limites, ao ler as explicações sobre as razões que levaram à sua demissão. Vítor Bento cansou-se de ser moço de recados de Carlos Costa e Passos Coelho que estão com pressa em vender o Novo Banco. A propósito, apetece-me perguntar como Seguro: qual é a pressa? 
Igualmente surpreendente, foi a notícia do despedimento de Paulo Bento. Portugal conseguiu a proeza de perder com a Albânia e despedem o homem? Não me parece justo. O homem vai ficar na História e, já que não o despediram no fim do Mundial, deviam obrigá-lo a ir até ao final da fase de apuramento e depois exigir-lhe responsabilidades.
 Depois de nos fazer passar  tantas vergonhas, Paulo Bento ainda recebe um milhão de indemnização?Felizmente para ele, em Portugal a incompetência continua a ser premiada.
Fico também a saber, pelos comentários de alguns leitores, que o debates entre Seguro e Costa têm sido combates de wrestling e fico aliviado por não estar aí para ver.
As férias estão a chegar ao fim e desconfio que, quando regressar, ainda me vou surpreender com muitas mais coisas mas, nos próximos dias, prefiro voltar a ignorar o que se passa em Portugal. 
Confesso, no entanto, que há uma notícia que desperta a minha curiosidade: as medidas anunciadas sobre a fiscalidade verde. Por agora, abstenho-me de me pronunciar porque não tenho dados suficientes mas, logo que chegue a Lisboa,vou documentar-me para escrever sobre um assunto a que sou particularmente sensível.
 Assim que souber o resultado do referendo na Escócia, volto a passar por aqui. Até já!

A brincar, a brincar...

Estamos quase a chegar lá...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Viegas e Marilú: a mesma luta



As férias levam-nos por vezes ao baú das recordações, repescando memórias que pensávamos esquecidas.
Hoje , voltei a lembrar-me do sr Viegas, merceeiro da rua de Costa Cabral, no Porto,  onde a minha mãe fazia uma boa parte das compras mensais.
O sr. Viegas – pensava eu - era uma pessoa pouco simpática, mas generosa. Todas as semanas passava por lá com mais quatro amigos, para comprar os “cromos da bola”. Às vezes, quando saía da escola sozinho, passava pela mercearia que distava escassos metros. Entrava, perguntava se a minha mãe estava lá e o sr Viegas, fingindo não perceber o meu estratagema, metia a mão numa daquelas caixas de vidro onde guardava os rebuçados e oferecia-me uma mão cheia deles. Melhor: no princípio era assim, mas quando eu passei a fazer a visita semanalmente, o sr. Viegas começou gradualmente a diminuir a oferta, até chegar o dia em que pegou em dois rebuçados, estendeu-mos e disse:
- Não voltes cá tão depressa, porque a vida está má. Se quiseres rebuçados, pede à mãezinha que os compre.
Determinado, recusei os rebuçados. Sem uma palavra saí da mercearia encanitado com a prédica e cheguei a casa cabisbaixo e carrancudo, originando de imediato um bombardeamento de perguntas sobre as causas da má disposição que, perante a minha recusa em responder, a minha mãe entendeu atribuir a mau comportamento na escola, ou briga com algum colega. 
Devia ter-me calado e deixá-la convencida de que acertara no vaticínio, mas acabei por confessar o meu procedimento- que se arrastava há alguns meses - e contar a reacção do sr. Viegas naquele dia, que me deixara envergonhado e ofendido.
Para minha surpresa, em vez de receber o apoio da minha mãe, ouvi uma forte reprimenda e fui proibido de ir brincar, nessa tarde, para o jardim. Peguei nos meus carrinhos da Dinky Toys, refugiei-me na sala onde devia estudar e fazer os trabalhos de casa e, inconformado com a impossibilidade da competição diária com os meus primos, organizei corridas solitárias, à volta do tapete da sala, onde Juan Manuel Fangio ganhava sempre a Stirling Moss. Aprendi, nessa tarde, a fazer batota. Para garantir a vitória de Fangio, despistava propositadamente todos os adversários que ameaçavam impedir o sucesso do meu ídolo.
À noite, depois do jantar, o meu pai chamou-me ao seu escritório. A minha mãe tinha-lhe contado o meu pecado e tive de ouvir nova reprimenda, seguida de ameaça de medidas mais drásticas, se voltasse a visitar o sr. Viegas, para lhe pedir guloseimas. Bem insisti que nunca pedia nada, ele é que me dava, mas de nada valeu a minha argumentação.
No dia seguinte, quando cheguei à escola, os colegas com quem repartia a oferenda semanal vieram ter comigo, na expectativa de receber o seu quinhão. Contei-lhes o que se tinha passado. Tão descoroçoados quanto eu, os meus amigos fizeram uma proposta de boicote à mercearia do sr. Viegas. Ninguém mais iria lá comprar “os cromos da bola”, passaríamos a fazer a compra na recentemente aberta mercearia do sr. Óscar.
Assim foi. O Viegas perdia cinco clientes que, de uma assentada, transferiam a sua semanada para as mãos do sr. Óscar, em troca dos “cromos da bola”. Quando íamos comprar os cromos, ficávamos nas imediações da mercearia abrindo nervosamente as carteiras de cromos, na esperança de encontrar o carimbado. Depois da decepção reuníamo-nos para fazer as trocas dos repetidos, em animados leilões.
Um dia, durante uma destas operações, ouvimos algumas empregadas domésticas ( na altura chamavam-lhes criadas) conversar animadamente sobre a mercearia do sr.Óscar. Estavam encantadas com os seus dotes físicos e comparavam a sua delicadeza com a arrogância do sr. Viegas. Uma delas queixava-se que sempre que lá ia ele tentava apalpá-la, outra afirmava peremptoriamente que ele era um ladrão. Roubava no peso do fiambre e em tudo o que podia, enganava-se nas contas sempre a seu favor, mas para as patroas era só mesuras e vénias. “ E depois, no Natal, oferece-lhes sempre uma caixinha de bolachas e outra de bombons e assim as vai enganando”- alvitrou uma anafada. Outra, exaltada, garantia que tinha sido despedida por causa do sr Viegas:
“ Um dia, quando ele começou com os avanços dei-lhe uma chapada. No dia seguinte, foi dizer à minha patroa para ter cuidado comigo, porque sempre que ela estava fora de casa, eu metia um homem lá em casa. Chorei de raiva, porque a senhora não acreditou em mim e despediu-me. Estive um mês na Casa das Zitas* até encontrar outro emprego, porque a patroa nunca me passou uma carta de recomendação e dizia a toda a gente que eu era uma desavergonhada”.
 Em uníssono, lamentavam-se das patroas que não lhes davam ouvidos sobre as virtudes do sr. Óscar, encantadas que andavam com as mesuras do sr. Viegas e desconfiadas quanto às qualidades que elas exaltavam ao proprietário do novo estabelecimento.
Selámos um acordo secreto. Iríamos apoiar as criadas e convencer as nossas mães que o sr. Viegas era um ladrão e o sr. Óscar um homem muito honesto. Todos os dias encontrávamos um pretexto para convencer as nossas mães a trocar o sr. Viegas pelo sr. Óscar que, quando íamos lá comprar as cadernetas de cromos nos oferecia sempre uma guloseima.Não posso agora afiançar se a nossa estratégia deu resultado. Em relação à minha mãe, lembro-me que ela apenas trocou o sr. Viegas pelo sr. Óscar, quando eu já andava no liceu. A causa foi uma caixa de bombons estragados que ele lhe ofereceu num Natal. Anos mais tarde, quando o sr. Óscar já era o fornecedor de lá de casa, a mercearia fechou. O sr. Óscar foi preso por vender produtos adulterados!


Neste momento, muitos leitores já terão perguntado, enfadados, o que tem o título deste post a ver com  esta história. Sem mais delongas, passo a explicar.
Quando Maria Luís Albuquerque  foi ocupar o posto deixado vago por Gaspar, a comunicação social ( nomeadamente a económica) não se cansou de veicular a mensagem que o governo "vendeu" às redacções: é uma pessoa competente, justa e honesta. 
Não resistiu muito tempo a imagem construída pela imprensa. O caso dos swaps foi a primeira prova de fogo.  Marilu chumbou rotundamente, deixando perceber que é um Pinóquio de saias.
Em apenas um ano fartou-se de acumular mentiras, que a comunicação social, complacente, foi sempre desvalorizando.
Nem mesmo a biografia da ministra das finanças publicada no Expresso, que arrasa por completo a sua imagem, teve a repercussão que teria se, durante o governo de Sócrates, coisa idêntica sobre um qualquer ministro tivesse sido dada à estampa.
Além de aldrabona, Marilú revela uma frieza desumana perante as medidas de austeridade. Quando diz que  o maior corte tem sido feito pelo lado da despesa e não dos salários está a ser trapaceira. Qualquer funcionário público sabe que isso não é verdade.
Maria Luís Albuquerque é como o sr. Viegas. Lixa os trabalhadores, enquanto distribui véneas ao patronato. Nunca lhe compraria uma caderneta de cromos!
Há quem defenda que- apesar de ser loira oxigenada- é bem parecida como o sr. Óscar e até talvez  suscite muitos suspiros das sopeiras de serviço que a  apaparicam nalguns blogs, mas o mais provável é que o seu fim seja igual ao do sr. Óscar. Está a vender produtos adulterados e fora de prazo, que garante serem de óptima qualidade. Um dia vão fechar-lhe a loja. Se não for a ASAE, será a justiça popular que, a também loira de contrafacção, Paula Teixeira da Cruz parece querer implantar em Portugal.
Mas, se numa mercearia enganar o cliente é inadmissível, muito pior é na farmácia, de que Passos Coelho se proclama proprietário. Avia-nos receitas de placebos, dando garantias de acabar com a doença, mas as dores e os sintomas persistem, porque os medicamentos que nos vende apenas servem para enriquecer os laboratórios.
É urgente e encontrar uma alternativa às mercearias e farmácias geridas por gente sem  ética. Não queremos as mercearias  Marilú, nem as farmácias Coelho. E, muito menos, os hipermercados Coelho & Portas.
 Chegou a altura de voltar a dar crédito às cooperativas de consumo. Porque só essas são do Povo.


domingo, 14 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Bibó Porto (16): o filme



Esta semana deixo-vos com um pequeno documentário do Manoel de Oliveira sobre o Porto da minha infância. Simplesmente fantástico!
Ora vejam lá (aqui)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O perigo amarelo

A minha avó materna costumava dizer que o perigo para o mundo não eram os comunistas. Conta a minha mãe que, segundo a minha avó, o mundo devia estar atento, mas era ao perigo amarelo. Percebi que lembrar isso aliviava a minha mãe. Entendia ela que o perigo amarelo era a China, que ficava muito longe. Além disso, - ainda segundo a minha avó- esse perigo só viria no século XXI, pelo que a minha mãe fazia contas e dizia:
No ano 2000 já cá não estarei. Se fosse viva teria 85 anos.
Em 2014, constato que a minha mãe estava duplamente enganada. Não só está quase a fazer 100 anos, como o perigo amarelo de que a minha avó falava não era certamente a China. Era este:
Tal como a Al Qaeda, esta organização de amarelas está dividida em células. A célula portuguesa tem vários membros, sendo esta a mais perigosa, por ser oxigenada:
,

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Algarve proibe uso de burka e chador



«Faço saber que pelo regulamento policial deste Governo Civil, de 6 do corrente mes, com execução permanente, aprovado pelo governo, determino o seguinte:
Artigo 32º – É proibido nas ruas e templos de todas as povoações deste distrito o uso dos chamados rebuços ou biôcos de que as mulheres se servem escondendo o rosto.
Artigo 33º – As mulheres que, nesta cidade, forem encontradas transgredindo o disposto no precedente artigo serão, pelas vezes primeira e segunda, conduzidas ao comissário de polícia ou posto policial mais próximo, e nas outras povoações à presença das respectivas autoridades administrativas ou aonde estas designarem, a fim de serem reconhecidas; o que nunca terá lugar nas ruas ou fora dos locais determinados; e pela terceira ou mais vezes serão detidas e entregues ao poder judicial, por desobediência.
Parágrafo único – Esta última disposição será sempre aplicável a qualquer indivíduo do sexo masculino, quando for encontrado em disfarce com vestes próprias do outro sexo e como este cobrindo o rosto.
Artigo 34º – O estabelecido nos dois precedentes artigos não terá lugar para com pessoas mascaradas durante a época do Carnaval, que deverá contar-se de 20 de Janeiro ao Entrudo; subsistirão, porém, as mesmas disposições durante a referida época, em relação às pessoas que não trouxerem máscara usando biôco ou rebuço.
 Artigo 41º – O presente regulamento começa a vigorar, conforme o disposto no artigo 403º do código administrativo, três dias depois da sua publicação por editais
– Governo Civil de Faro, 28 de Setembro de 1892. – Júlio Lourenço Pinto.»

Pensando bem, não foi assim há tanto tempo. O que são 120 anos num país com quase 900 anos de História?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Saudades de 2015

Ainda faltam quase quatro meses para chegarmos a 2015, mas já começo a sentir saudades.
Ou muito me engano, ou o governo vai abrir os cordões à bolsa para tentar ganhar as eleições, aliviando-nos ligeiramente impostos e austeridade. Vai ser um ano em que muitos incautos cairão na esparrela de acreditar que "o mau tempo já lá vai e agora é sempre a crescer".
Em 2016, porém, todos iremos pagar a factura.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A ternura dos 80



Os jeans só entraram verdadeiramente na moda em Portugal, nos anos 60 do século passado. No entanto, em 1934, nos Estados Unidos eram lançadas os primeiros jeans para mulheres. Há 80 anos, portanto...
Uma "exigência" dos homens americanos, cansados de verem as mulheres assaltarem os seus armários da roupa. Sim, porque os jeans para homens, já remontam ao século XIX!
Bem, mas isso é uma longa história que poderá ler aqui.

domingo, 7 de setembro de 2014

Novo horário do CR

Muitos leitores já saberão que estou de férias. Não trouxe comigo ipad nem computador e iphone não tenho. Por isso, o horário do CR nos próximos dias será este:

Dito por outras palavras: quando houver um acesso à internet e tiver alguma coisa para comunicar.
Aproveito para agradecer a todos os leitores que me felicitaram pelos 7  anos do CR, na passada sexta-feira.

Le premier bonheur du jour

O video não é novo mas em virtude dos tempos que vivemos e porque o HenriquAmigo mo recordou, apeteceu-me partilhá-lo com os leitores do CR.
Quem ainda não conhece, recomendo que não perca!
Tenham um bom domingo!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

E vão sete!

Muitos mais do que alguma vez pensei.
A culpa é vossa, que continuam a estimular-me a andar por aqui.
Obrigado aos 725 mil visitantes que  ( afiança o sitemeter) aportaram a este Rochedo  ao longo destes anos.
Enquanto vocês quiserem e eu puder, continuarei a massacrar-vos com o meu mau feitio.
Agora, se me dão licença, vou de férias. Passarei a dar notícias.
Obrigado a todos.


Notícias do novo ciclo

É hoje notícia em todos os jornais: salários aumentam nos cargos de topo, mas diminuem na classe operária.
Muita gente ficou indignada, mas palpita-me que não faltará muito para se indignar ainda mais. Seguindo a prática dos republicanos nos EUA, não me espantará que em matéria de IRS baixe a contribuição dos mais ricos e aumente a dos trabalhadores intermédios. Para os republicanos americanos, esta prática é socialmente mais justa. Admito que  o passismo/ portismo pense de igual modo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

É o que temos...

Esta capa do i diz tudo sobre o povo que somos.
Quanto mais jovens e instruídos, mais estúpidos.
Depois de criar a justiça privada, com a multiplicação dos centros de arbitragem, Paula Teixeira da Cruz quer implantar a justiça popular.
Naquela cabecinha, há uma ideia perversa: a melhor maneira de poupar na justiça, é permitir que o povo faça justiça pelas suas próprias mãos, conhecendo tudo sobre a identidade dos pedófilos. 
Pais, escolas e juristas rejeitam a ideia, mas o povo gosta!

Paula Teixeira da Cruz é mais loira do que eu pensava!


Paula Teixeira da Cruz anda  ufana, porque "fez uma reforma que não se fazia há 200 anos". Não há entrevista em que ela não o refira, com a vaidade estampada na face.
Mesmo que seja comprovadamente uma merda e que a ministra omita que a reforma estava feita quando ela tomou posse. Só não avançou porque  ela queria que a reforma fosse sua e.
Por estes dias, a ministra  anda  ansiosa e devora todos os jornais. Não vê a hora  de ler   elogios à "reforma Teixeira da Cruz".
É esse o seu ponto G e ela anseia que alguém o descubra. Ainda ninguém o conseguiu, daí a excitação toda da drª Paula.
No entanto, senhora ministra,  devo confessar-lhe que não a imaginava tão loira!. Acreditei que  tomaria todas as cautelas, para garantir que tudo corresse bem. Mesmo tentando compreender a sua vaidade , não posso deixar de lhe dizer uma coisa:
Se eram expectáveis, o melhor teria sido tomar providências para evitar esta bagunça, não lhe parece? 

Com António Costa no Parque das Conchas


O Parque das Conchas  já foi um dos mais aprazíveis espaços de lazer de Lisboa

Assisti com alegria e prazer à recuperação das Quintas das Conchas e dos Lilazes, um enorme pulmão verde  na cidade de Lisboa.
Durante muito tempo fui utente diário daquele espaço logo pela manhã e, muitas vezes, ao final da tarde.
Hoje em dia, as visitas são cada vez mais escassas. O espaço está quase ao abandono, apesar de continuar a ser frequentado por milhares de lisboetas. O relvado está em mau estado, a  zona mais alta desmazelada, as "cascatas" secas e nos canteiros as plantas morrem (aparentemente) por falta de rega adequada.
Já elogiei diversas vezes o trabalho de António Costa na frente ribeirinha, aplaudi a sua decisão no Marquês e Av. da Liberdade, a recuperação da Mouraria e muitas outras coisas que o seu excutivo tem feito de bom por Lisboa.
Hoje, lamento, mas não posso deixar de criticar o abandono  a que parece estar votado o Parque das Conchas. Não chega fazer lá uns concertos ao final da tarde e umas sessões de cinema ao ar livre para animar a malta.. Aquele pulmão de Lisboa precisa - e merece- ser tratado com desvelo para se  manter com a vivacidade que lhe conheci depois da recuperação.
Eu sei que os lisboetas têm uma boa quota parte de responsabilidade na deterioração do Parque das Conchas, porque em nada contribuem para o manter cuidado. Bem pelo contrário. Todos os dias é possível ver actos de vandalismo, porque os lisboetas ( e os portugueses em geral) não sabem cuidar dos bens públicos. 
A água já não corre por aqui
 Não recolhem lixos que fazem durante os piqueniques;
Em vez de utilizarem a agradável zona de merendas, abancam onde lhes apraz, montam a tenda e toca a dar ao dente;
Os cães fazem as suas necessidades à vontade e poucos são os humanos que se preocupam em recolher os dejectos;
Os equipamentos infantis são utilizados às vezes por adultos , aumentando assim a sua deterioração;
Já vi uma mãezinhas a limpar o rabo de uma  criança no lago dos patos!
Eu sei que não é possível ter um fiscal em cada esquina dos espaços urbanos, mas há que fazer qualquer coisa, inclusivé aplicar multas severas, suficientemente dissuasoras, para que as pessoas se habituem a respeitar o que pertence a todos. Seis meses de fiscalização atenta e implacável, com  aplicação de multas severas, sem complacência, contribuiriam para melhorar a consciência cívica dos lisboetas. Foi assim que algumas cidades pelo mundo fora  se tornaram exemplos de limpeza e educação cívica.
Se queremos Lisboa limpa e bem cuidada, onde temos prazer de viver e orgulho em mostrar aos turistas, não vamos lá com editais. É preciso recorrer a medidas mais drásticas.


E agora qu'é qu'eu faço, patroinha?

Parece  que o caniche andou a mentir sobre a conversa que teve com Putin. Habituado a mentir aos portugueses  e aos aliados que o adoptaram e apoiam todas as golpadas, o ex-maoista mediu mal as consequências da sua mentira e agora vê-se confrontado por Putin:
- Ou dizes a verdade, ou divulgo a conversa. Tens 48 horas para te retratares
A esta hora o caniche deve estar a ganir aos joelhos de Merkel:
- E agora qu'é qu'eu faço, patroinha?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Blanca y radiante, va la novia

"Le sigue atrás um novio amante (...)"
Lembrei-me desta canção do António Prieto, a propósito desta noiva portuguesa

Haja dinheiro para pagar a água...

Esta notíca não é do século passado, mas parece. Garanto-vos, no entanto, que é da última segunda-feira.
Pelo menos para 50 aldeias algarvias Portugal está melhor. Estas idosas já têm água canalizada em casa. Entre outras coisas, já podem  tomar banho com outro conforto. Resta saber se têm dinheiro para pagar a água...

Das cassettes e das rosas


Não tencionava perder nem mais um minuto com a discussão que se trava no seio do PS.  Infelizmente nem sempre aquilo que desejamos  se cumpre e este fds fui chamado a pronunciar-me sobre o assunto.
Não acrescentei muito ao que já aqui escrevi. Na luta que se trava no seio do PS, não me interessa muito a questão dos rostos. Estou mais interessado em conhecer as diferenças políticas entre os dois candidatos. Sei que elas existem, mas nenhum deles parece estar interessado em abrir o jogo, com medo de perder votos.
As primárias do PS não correm o risco de ser uma rixa entre  facções, pela simples razão de já o serem, como é bem visível pela forma como as tropas de ambas as partes esgrimem argumentos. Ataca-se o outro candidato pela cor dos olhos, porque ressona, ou porque tem gostos gastronómicos esquisitos, mas raramente se combate uma ideia, com uma proposta alternativa. Seguro tem sido de uma baixeza a roçar a canalhice. Postura imprópria de um socialista? Mas isso já eu sabia há muito.
O PS deste Verão de 2014 é o espelho do país: desavindo, desgostoso, descrente. Temo que no Outono, após as primárias, o PS seja  um partido profundamente dividido, incapaz de colar os cacos de uma luta interna onde parece valer tudo. É isso que mais me preocupa. O país precisava de um PS forte e coeso que fizesse frente ao governo e fosse uma alternativa, não precisava de um partido em cacos, cujo líder terá como primeira  preocupação recolher os despojos e, só depois,  enfrentar o governo.
Neste fim de semana, um velho amigo comunista, daqueles empedernidos que só vêem  as coisas por um lado e a uma cor, manifestava-me indiferença pela luta no seio do PS mas, com um brilhozinho nos olhos, disse-me que ia ser o fim do PS. Depois meteu a cassette das classes trabalhadoras enganadas , que só o PCP sabe defender e manifestou, mais uma vez, a sua crença numa vitória dos comunistas a breve prazo.
Pobre coitado! Entretido  a sonhar com a grande vitória da classe operária, nem se apercebe de duas questões fundamentais: o PS é fundamental para a nossa democracia e a classe operária que tem emprego aburguesou-se, viciou-se no capitalismo popular e no consumismo desenfreado. Está-se marimbando para a política.E, pior do que tudo, vota PSD!
Irredutível, este meu velho amigo continua a acreditar que a classe operária precisa de ser reeducada para os valores do socialismo.  E que a vitória final será do povo.
Dei-lhe um abraço e despedi-me até à festa do Avante!