domingo, 17 de agosto de 2014

Solidariedade feminina

Ontem, ao final da tarde, fui até uma esplanada na Foz para descontrair e ler um pouco. Peguei no livro que levava comigo, tentei concentrar-me na leitura, mas o volume sonoro da conversa entre duas jovens estudantes (de Direito?) ia aumentando, à medida que a conversa  sobre violência doméstica se tornava mais acalorada.  
As opiniões sobre a necessidade de uma lei pareciam inconciliáveis. Uma defendia que se trata de um caso de polícia como outro qualquer, por isso não devia ser crime público, a outra argumentava exactamente o contrário e defendia a necessidade de uma lei mais punitiva. Foi esta  quem lançou um argumento que lhe terá parecido irrefutável, para justificar a brandura das medidas previstas na legislação.
- Toda a gente sabe que ele batia na anterior mulher. É por isso que se está marimbando para que haja uma Lei que puna a sério a violência doméstica .
- O que estás  a dizer é gravísssimo! Como é que sabes que ele batia na mulher?
- Li num blog, ou no FB, já não me lembro. Achas que alguém ia escrever aquilo se não tivesse a certeza?
- Ah, bom!... mas também te digo uma coisa.  A gaja é uma vaca. Se ele lhe batia se calhar era bem merecido.

5 comentários:

  1. A solidariedade feminina é tão natural e genuína que até comove....

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  2. A solidariedade feminina é uma bosta! Para não dizer pior...

    Mas se essas duas criaturas têm essa solidariedade toda com a violência doméstica, seja porque causa for, talvez um dia a sintam na pele. E nesse dia alguma outra mulher (para já não falar em homens) há de achar que foi merecido. Não serei eu, se bem que tenha pouca paciência para gente parva... :P

    Beijocas

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  3. Tem a certeza que não estava em Macau, Carlos?
    A ouvir uma conversa entre duas senhoras membros da Associação das Senhoras Democráticas (se não fossem democráticas onde é que a coisa chegava?) acerca da harmonia familiar e de não haver necessidade de tornar a violência doméstica crime público?
    Aquele abraço, votos de boa semana!

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  4. Deus me desculpe se sou já uma respeitável " cota "....Pessoas de cultura superior a usar esse vocabulário arrepia-me ...e o tema ?....
    Bom , quando uma advogada casa com um trolha com a 4ª classe , que tipo de conversa pode haver lá por casa ?
    M.A.A.

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