terça-feira, 26 de agosto de 2014

Enfim, boas notícias? (1)



Nos últimos meses as más notícias quer a nível internacional , quer internamente, têm sido tão más, que uma notícia onde se descortine uma réstea de esperança é recebida com suspiros de alívio. Foi o que aconteceu ontem, com duas notícias que, embora não nos afectem directamente, terão influência no nosso futuro.
A primeira  veio da Alemanha e permite vislumbrar uma solução pacífica para a Ucrânia. Sigmar Gabriel -  social democrata parceiro de Merkel no governo alemão-  deu uma entrevista ao "Die Welt am Sonntag", em que defende que só uma maior autonomia para as zonas do leste da Ucrânia de maioria pró russa, conducente a uma federalização do país, poderá trazer a paz de volta à região. 
O mais curioso é que Merkel- que foi no sábado a Kiev levar um cheque de 500 milhões, cuja provisão tem como exigência que uma parte seja gasta em material de guerra ( comprado à Alemanha, obviamente)-  corroborou ontem a opinião de Sigmar Gabriel, aceitando-a como uma via possível para a paz. Claro que esta mudança de posição da Alemanha, no mesmo dia em que Obama ameaçava Moscovo com mais sanções, se deve ao facto de o governo alemão já ter percebido que o efeito "boomerang" das sanções aplicadas pela UE atingirá em cheio a Alemanha. 
Por isso, antes de mais, interpreto as declarações de Gabriel e de Merkel como um aviso a Obama. Descodificando: a UE não aplicará mais sanções à Rússia e fará os possíveis para aliviar rapidamente as já aplicadas. É que, além dos prejuízos já sentidos, vem aí o Inverno e nunca se sabe o que Putin poderá decidir em relação ao fecho da torneira de gás. 
Não há razão para entrar em grande euforia, mas o facto de a Alemanha ter aberto uma porta para a solução da crise ucraniana ( que a própria Alemanha criou- convém não esquecer...) é uma  notícia que acalenta alguma esperança no desanuviar de um conflito que pode incendiar a Europa.
( Continua)

5 comentários:

  1. Não vejo que a situação seja desagravável a curto prazo. Espero e desejo não ter razão.

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  2. Só vendo para crer, Carlos.
    De palavras estou farto.

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  3. «o facto de a Alemanha ter aberto uma porta para a solução da crise ucraniana ( que a própria Alemanha criou- convém não esquecer...»

    Carlos desculpe lá, mas não percebi o que quis dizer com isto.
    Ou será que afinal os insurgentes pró-russos são apoiados pela Alemanha?

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    1. Não, Paulo! A Alemanha apoiou um governo de extrema direita eleito por braço no ar na praça Maidan. Lembra-se?

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    2. Lembro-me dos início de tudo na Praça Maidan, mas parece-me duvidoso dizer que esse governo era de extrema-direita, (isso é o que diz a população russófila da Ucrânia), quanto muito seria anti-russo.
      Mas também não foi só a a Alemanha que o apoiou, foi a toda a União europeia e os EUA.
      Mas mesmo assim, nunca ninguém pensou que em resposta a isso, a Rússia fosse anexar a Crimeia ( que até terá direito a isso, já 3/4 da sua população é russa) e sobretudo trazer a instabilidade ao Leste da Ucrânia com o apoio não declarado aos insurgentes pró-russos.

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