quinta-feira, 5 de junho de 2014

A confiança dos portugueses

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Ambiente.
É, por isso, o momento oportuno para lembrar um estudo das Selecções do Reader’s Digest sobre as marcas de confiança que denota o analfabetismo dos portugueses quanto ao impacto ambiental das suas escolhas. 
À guisa de exemplo: 63% dos portugueses escolheram a Mc Donalds como a marca de confiança na área da restauração.  Ou seja: quase 2 em cada 3 portugueses elegem a Mc Donalds como a empresa do ramo mais respeitadora das normas ambientais.
Convinha que alguém lhes explicasse  que a comida “chatarra” (lixo), nome que os hispânicos dão à fastfood , não é só prejudicial à saúde, aumentando os riscos de obesidade doentia, como também é responsável pela degradação de recursos naturais.
A população de bois, vacas, vitelos e carneiros ocupava, há uma década, 24% das terras cultiváveis, exercendo uma forte pressão sobre os recursos naturais. Florestas tropicais da América Central foram transformadas em pastos para animais que são, maioritariamente, consumidos pelos países do hemisfério Norte.
Para além da desflorestação, há ainda que contar com a erosão e desertificação resultantes das culturas intensivas de pastagens e cereais. E se tivermos em consideração que, para produzir 1 quilo de carne de vaca são precisos 20 quilos de cereais, cerca de 20 mil litros de água e a energia equivalente a cinco litros de petróleo, ficamos a perceber melhor que os hamburguers são um excelente negócio para quem os vende, mas péssimo para a Natureza.
Poderia abordar ainda o sofrimento dos animais, os perigos para a saúde humana resultante da ingestão de antibióticos com que muitos animais são engordados, etc...mas não quero ser acusado de fundamentalista.
Assim, lembro apenas que, de acordo com dados divulgados há tempos pela Consumers International, se cada americano reduzisse em 10 por cento o consumo de carne, seriam economizados cereais suficientes para alimentar anualmente 60 milhões de pessoas que sofrem com a fome...
E a verdade é que as consequências para a saúde do consumo excessivo de "fast food" - símbolo da cultura moderna que não inclui apenas os hamburguers- tem sido alvo de avisos de organizações credíveis como a OMS.
Os portugueses precisavam de mais informação sobre as questões ambientais. O governo até tem um ministro do ambiente com sensibilidade para esta temática. Mas que se pode esperar de um governo, cujo primeiro ministro foi director de uma empresa multada inúmeras vezes por crimes ambientais?

2 comentários:

  1. Não fazia ideia que essa percentagem de portugueses tinha dado tão estapafúrdia resposta.
    Lembra-se do que dizia o Jô Soares num dos vários bonecos que criou - você num quer que eu volte!!
    Apetece-me dizer o mesmo.

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