segunda-feira, 21 de abril de 2014

Para mais tarde recordar

Há dias, enquanto "televia" os três ex-Presidentes da República da democracia reunidos  numa conferência sobre os 40 anos do 25 de Abril, antevia as comemorações do cinquentenário. 
Alguém se atreverá a incluir Cavaco Silva num painel com ex-presidentes da República? Como encaixar um eunuco mental entre gente que pensa, tem ideias, sabe discuti-las e defendê-las? Como encaixar gente genuinamente democrata com uma rábula como Cavaco? Como mesclar gente que lutou contra a ditadura 
( Soares e Sampaio) com um  tipo que  confessou estar perfeitamente enquadrado com o espírito do Estado Novo? Como  conciliar gente íntegra que serviu o país com lealdade e espírito de missão (Eanes) com um tipo que se serviu do país, se banqueteou durante duas décadas à mesa do orçamento e ainda levou para casa uns trocos oferecidos por uns banqueiros vigaristas que ele promoveu a membros do governo?
 E se para tornear esta dificuldade, o Expresso de 2024 optar por convidar ex-primeiros ministros? Alguém imagina  Cavaco ( porra, o homem está em toda a parte!)Passos Coelho, Seguro, Santana Lopes ou Barroso a debater ideias? Fica apenas com  pessoas como Guterres, ou mesmo Sócrates?
Enquanto televia a conferência, a ideia que constantemente me assaltava era  que aquele momento é irrepetível. Daqui a 10 anos os ex-lideres políticos que ainda valha a pena ouvir e não tenham  uma memória deturpada do 25 de Abril, serão muito poucos. A tendência é apagar das memórias de Abril aquilo que teve de genuíno e revolucionário. Seguro, Passos Coelho, Santana Lopes, Durão Barroso ou Sócrates, nunca serão memórias fiáveis  do 25 de Abril.
Daí que seja importante- diria mesmo determinante para preservar a História- guardar os testemunhos de gente que lutou pela democracia e por um país mais justo, mais solidário e fraterno.  Confiar em gente que vendeu o país a retalho  como Coelho ou Portas, perverteu os ideias de Abril como Cavaco ou Barroso - quiçá Seguro- ou simplesmente traíram o país entregando-o a interesses estrangeiros, é perverter a História. Por isso, meus caros, esta é a última oportunidade de celebrarmos uma data redonda do 25 de Abril, preservando a memória. A partir daqui, ou o país dá uma grande volta, ou o que nos resta é ouvir as ladainhas mentirosas de um grupo de bandidos que tem como único objectivo perverter a memória e enganar a História.

9 comentários:

  1. É cómodo para mim não pensar nisso...daqui a 10 anos não sei onde estou e eles também não!
    Mas o que descreve é um facto pertinente, muito mesmo!

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  2. Na mouche, caro Carlos, já, por diversas vezes, fui assaltada pelas mesmas ideias. A História não pode esmaecer, embora saibamos que ela é cíclica...e é aqui que eu temo. Começa a banalizar-se o desabafo insidioso que, escorado na liberdade de expressão que a democracia lhe permite, se espraia por aí com o fito de cercear essa mesma liberdade. Precisamos de muitos guardiãos.

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  3. Se eu tivesse o dom da escrita como o CBO , tinha um blog para dizer o que diz...
    Daqui a 10 anos , não sei se estarei por cá , mas enquanto estiver , os cravos vermelhos estão presentes e a minha opinião digo-a mesmo que isso ofenda os ouvidos puritanos e fascistas que por aqui abundam , nem que nas minhas costas fiquem a dizer " a velha está maluca "...nunca a velha esteve tão lúcida.
    M.A.A.

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  4. Interessante como nos dias atuais não se fazem homens com a fibra de um Napoleão rs e mesmo vivendo em outro País tenho o mesmíssimo sentimento.
    Como? não há como colocá-los num mesmo patamar_ são pobres de espirito e junto a eles penso no nosso povo que além de cravar seus nomes nas urnas ainda os coloca numa popularidade estúpida.
    Pobre jovens que terão que conviver com essa mediocridade que tem sido uma constante .
    abraços Carlos e bons dias ,boa semana

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  5. Enalteçamos então os obreiros da desgraça do nosso Portugal. Começo logo por enaltecer o sábio Dr. Mário Soares relembrando a sua famosa frase:"Socialismo na gaveta". Coitados... quizeram ter o melhor de dois mundos e deu no que deu!

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