sábado, 12 de abril de 2014

Futurista? Talvez não...



 “A Nova Era Digital”, de Eric Schmidt e Jared Cohen, Publicações Dom Quixote, 2013, é um trabalho que alguns críticos têm classificado como futurista.  Será. Discordo, porém, dos autores quando restringem o fenómeno  ao mundo digital.
Logo nas primeiras linhas, percebemos que  os autores  conhecem mal a Europa e nunca estiveram em Portugal. Ora leiam:  

“A internet é a maior experiência histórica do âmbito da anarquia. A cada minuto, centenas de milhões de pessoas criam e consomem uma quantidade incalculável de conteúdo digital no mundo online que não conhece, verdadeiramente, os limites das leis humanas. Esta nova capacidade de livre expressão e livre-trânsito de informação deu origem à rica paisagem virtual que hoje conhecemos. Considere o número de websites que alguma vez visitou, os emails todos que já enviou e todos os artigos que já leu online, todos os factos de que soube e todas as ficções que encontrou e descartou. Considere todas as relações estabelecidas, todas as viagens planeadas, todos os trabalhos que encontrou e todos os sonhos nascidos, alimentados e concretizados através desta plataforma. Considere também o que a ausência de controlo hierárquico permite: as vigarices online, as campanhas de intimidação, os websites de grupos de ódio e os chat-rooms de terroristas. É assim a internet: o maior espaço sem lei do mundo”.

Nota pessoal: o maior será, mas dificilmente será tão sofisticado como este espaço à beira mar plantado.


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