quarta-feira, 30 de abril de 2014

OK, meu general!

Não vai pelo cú, vai pelas calças..

Acabo de ouvir a loira e o tísico da Vespa. Agora utilizam uma nova táctica para aldrabar os portugueses. Por um lado anunciam reduções dos cortes, mas por outro aumentam impostos  (IVA e TSU)
Mas não é tudo...as anunciadas reposições de cortes nos salários dos funcionários público, a 20% ao ano, só é válida para 2015 (ano de eleições). Nos anos seguintes a redução irá variar de acordo com o que o governo quiser...
Quanto aos reformados ( actuais e futuros) as medidas anunciadas são suficientemente confusas para baralhar, criando a ilusão de que há um desagravamento. O que se sabe é que a CES muda de nome e, aparentemente, sofre uma redução.
As privatizações dos transportes avançam ainda este ano ( para que haja alguma folga orçamental em ano de eleições) e nos próximos anos os preços dos passes sociais vão, obviamente, disparar.
Falta conhecer os cortes na saúde e na educação mas, sobre isso, nem uma palavra.
Esta malta  faz tudo para ganhar as eleições e, aposto, vai enganar muito parvo que só olha para o seu bolso, mas esquece isto.
Last, but not the least, o governo  procura enganar o Tribunal Constitucional com promessas de reposição dos cortes mas percebe-se que, a partir de 2016, elas podem não acontecer.

Do trapézio para o carrossel

Que este governo era um circo, já todos sabíamos. A novidade é que agora é também uma feira, com carrossel  montado na praça da demagogia. Como se pode ler na imprensa:
"Governo vai aumentar preços do gás em 2014, para os descer em 2015"
"Governo corta salários e pensões em 2014, para poder anunciar aumentos em 2015"

A Valsinha das Medalhas



Cavaco Silva, apostado em manter o protagonismo depois de abandonar Belém em 2016. e decidiu fazer um casting para actor de telenovelas. Aproveitando o facto de ter demasiadas medalhas em stock , resolveu investir no papel de Zé das Medalhas e vai condecorar hoje mais sete amigos. Entre os nomes dos condecorados destaca-se esta ilustre personagem que chamou chulos aos pais que andam a viver à custa dos filhos.
Quando chegará a vez de Oliveira e Costa?

terça-feira, 29 de abril de 2014

No Dia Mundial da Dança, assisti a um baile na Arena

Como costuma dizer o nosso amigo Rogério o futebol é a coisa mais importante entre as coisas sem importância ( não será bem assim, mas anda perto...) mas, de vez em quando, gosto de escrever sobre as alegrias que o pontapé na bola me dá. 
Hoje foi um desses dias. Deu-me um gozo muito particular ver o Real Madrid dar baile ao Bayern Munique. Não porque goste do Real ( sou Barça desde pequenino), mas porque a sobranceria dos alemães, que davam a presença  na final de Lisboa como garantida, já me estava a causar engulhos. Ir à Luz e ter de levar com a Merkel nas trombas não seria nada agradável. Muito menos, se tivessem o desplante de voltar a ganhar a final!
Hoje, Ronaldo e Cª   humilharam os alemães e deram-se ao luxo de passar 45 minutos a treinar no campo do adversário. Não fora isso e o Bayern, em vez de levar 4, teria levado 6 como o Schalke, a quem o Real também ensabooou o juízo nesta Liga dos Campeões, ainda antes de ter eliminado outra equipa alemã: o Borussia Dortmund. Os calaceiros do sul fizeram o pleno, eliminando todas as equipas alemãs que lhe apareceram pela frente. Pena que o Rajoy não lhes siga o exemplo...
Agora, para que a final de Lisboa seja perfeita, falta o Chelsea eliminar amanhã o Atlético de Madrid. Espero que isso aconteça, até porque Platini também não gostaria de ver uma final da Liga dos Campeões entre duas equipas espanholas. Fico a fazer figas para que Mourinho esteja em Lisboa no banco do Chelsea e torço para que vença o Real Madrid.  
Se a final for entre madrilenos, vendo o meu bilhete por bom preço. Se querem divertir-se, vão jogar para casa deles!

Quando a morte nos dói



Não é meu hábito escrever sobre óbitos. Ao longo destes anos apenas o fiz em relação algumas pessoas que conheci de perto, ou eram meus amigos.
É o caso de hoje.
Maria Emília Reis era uma sindicalista que conheci bem e de quem me tornei amigo, desde o dia em que me ajudou a fazer uma extensa reportagem sobre Trabalho Infantil, que me valeu o prémio de jornalismo que mais fundo me calou. Foi um trabalho em que coloquei todo o meu empenhoe tive grande dificuldade para evitar transpor para o papel toda a emoção que senti durante algumas entrevistas que realizei.
Maria Emília Reis era dirigente sindical da CGTP, militante da acção católica, da LOC e da Base Fut. Najuventude pertenceu à JOC (Juventude Operária Católica). Pude testemunhar todo o seu empenho na actividade sindical e a forma cooperativa como se prontificou a fornecer-me elementos e contactos para o meu trabalho, de uma forma isenta, apenas preocupada na dignificação dos trabalhadores, na defesa dos seus direitos e na igualdade entre homens e mulheres.
Maria Emília Reis acreditava numa sociedade mais justa, onde os trabalhadores podiam atingir um progresso social, pela justa retribuição e dignificação do trabalho. Foi a essa luta que dedicou toda a sua vida.
Foi hoje a enterrar na Igreja de Santo António das Antas,mesmo ao pé da casa onde cresci e ainda hoje, apesar da minha vida de andarilho, considero a minha casa.
Obrigado por tudo, Maria Emília. RIP!

O teu relógio é uma merda, pá!

Habemus Sanctum

Foto JSF


No último domingo a Igreja elevou dois Papas à condição de santos. Sempre tive muitas reticências em relação a João Paulo II, grande amigo dos ditadores sul americanos  (com Pinochet na foto)  e um entusiasta das políticas neo-liberais cuja ideologia promoveu  pelo mundo inteiro em mascarados actos de Fé, praticados em viagens pastorais. 
Também  fiquei  perplexo  quando soube  que João Paulo II e João XXIII seriam  canonizados no mesmo dia.  Além disso,  sabendo que o processo de canonização  é habitualmente moroso, estranhei a celeridade  com que se desenrolou a  santificação do papa polaco. Teria a crise chegado ao Vaticano e obrigado Francisco a poupar uns trocos? Nada disso...
Mais atento e certeiro do que eu, José Goulão explica as razões aqui

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Uma lufada de ar fresco

Tudo indica que no dia 25 de Abril, surgiu em Portugal um jornal on line que vale a pena ser lido. Criado por jornalistas independentes, dá-nos as notícias do mundo real, que ultrapassam o crivo censório que se instalou nas redacções. 
Leiam Jornalistas Sem Fronteiras , façam o vosso juízo e dêem a vossa opinião.

Tome uma Alka Seltzer, que isso passa!




Ontem, Jerónimo de Sousa- pessoa por quem nutro grande simpatia - decidiu anunciar a boa nova aos portugueses. Quem  votar no PS pode por em risco a democracia. Esta afirmação mete-me quase tanto asco como ouvir as parvoíces de Paulo Rangel ou Passos Coelho. Mas também me surpreende, porque não compreendo as preocupações do PCP com a democracia. Se não fosse pedir muito, gostava que o camarada Jerónimo me indicasse um país comunista que seja ( ou tivesse sido) uma democracia.
Eu sei que  há, no PCP,  quem veja na Coreia do Norte uma democracia. Ou em Estaline um democrata da mais fina têmpera. Mas, apesar desses exemplos de democracia, não me parece ajuizado desprezar a democracia do PS.
Nós já sabíamos que o verdadeiro inimigo do PCP é o PS. Claro que muitos- entre os quais me incluo- têm sempre uma secreta esperança de ver o PCP  atacar o PSD e não o PS mas, à medida que os anos vão passando, vão perdendo a esperança.
Devia ter medido as suas palavras, camarada Jerónimo. Com esse aviso é capaz de ter dado muitos votos ao PS. Seguro agradece. As pessoas de esquerda, não.
Já agora, meu caro Jerónimo de Sousa,  permita-me um lamento por continuar a fingir que o PCP não é um dos culpados pela situação em que o país está. A História não se branqueia e, fazendo o rewind destes 40 anos de democracia, são muitos os  momentos em que o PCP se aliou ao PSD para atacar e / ou derrubar o PS. Como em 2011, com os resultados que agora se vêem e tanto parecem preocupar o PCP. Seguramente não tanto, como uma repetição da vitória do PSD e do CDS nas europeias ou nas legislativas de 2015.
Sabe por que razão eu admirava tanto Álvaro Cunhal, camarada Jerónimo? Porque apesar de não gostar do PS tinha  lucidez para saber onde estava o inimigo. Como em 1986, quando aconselhou o voto em Soares para impedir a vitória de Freitas e da direita.
Se Cunhal estivesse vivo, ontem ter-lhe-ia dado um  grande puxão de orelhas. Bem merecido. Porque o camarada Jerónimo confundiu democracia com azia. Tome uma Alka Seltzer, que isso passa!

E o idiota sou eu?

Quando a comunicação social andava eufórica com a Primavera Árabe e tecia loas aos movimentos cívicos que derrubavam os ditadores, escrevi que não demoraria muito tempo até o Ocidente perceber que estava a apoiar tiranos ainda piores do que os que no momento detinham o poder.
Um jornalista editor do internacional de um jornal diário, deslumbrado com a Primavera Árabe, chamou-me idiota.
Ao ler esta notícia lembrei-me dele. Não para lhe devolver o epíteto, mas para lamentar que a nossa comunicação social continue a ser tão tosca e seguidista, escolhendo para lugares onde se devia exigir qualidade, discernimento e mundividência, gente que apenas se limita a papaguear  os comunicados das agências noticiosas internacionais.  

Paradoxos da Liberdade

Quando ligamos o telemóvel somos imediatamente localizados;
Quando navegamos na Internet não só somos localizados imediatamente, como fornecemos um precioso número de dados  a quem nos quiser perscrutar a vida;
Nas redes sociais somos um alvo  fácil das entidades oficiais e para oficiais que pretendam escrutinar-nos;
Quando fazemos  pagamentos através de cartões de crédito, não só damos informações sobre a nossa localização, como sobre o padrão de vida;
Quando ligamos o GPS ( seja no automóvel, no iPad, ou no iphone)  permitimos que alguém armazene uma série de dados a nosso respeito, que poderão ser utilizados para diversos fins.
Nunca a nossa vida foi tão vasculhada e escrutinada, como neste século XXI. 
Continuamos, porém, iludidos a pensar que nunca fomos tão livres como agora.

domingo, 27 de abril de 2014

Quiz de domingo (2)

1) Em que batalha morreu o Almirante Nelson?

- Na sua última.

2)Onde foi assinada a Declaração de Independência?


- No fim da folha.

3)Estado em que corre o Rio Rave?

- No estado líquido.

4)Qual é a principal causa do divórcio?

- O casamento.


5)O que é que não se pode comer ao pequeno-almoço?

- O almoço e o jantar.

6) Com que se   parece a metade de uma maçã?

- Com a outra metade.

7)Se lançarmos uma pedra pintada de azul  ao mar Vermelho, no que é que se transforma?

- Numa pedra molhada.

8)Como é que um homem consegue estar oito dias sem dormir?

- Facilmente. Dorme de noite.


9) Se foi preciso a 8 homens, 10 horas para construir um muro, quanto tempo demorarão 4 homens a fazê-lo?

- Nenhum. O muro já tinha sido construído pelos outros.

10) Como é que se consegue deixar cair um ovo em cima de um chão de cimento sem o partir?
- De qualquer maneira. O chão de cimento dificilmente se parte.

Le premier bonheur du jour

Lembrem-se! O fascismo é como as calças à boca de sino. Portanto, vejam o video e tenham um bom domingo

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Foi bonita a festa, pá?

Estive no Largo do Carmo. Ontem à noite, esta manhã e esta tarde. Foi lá que se viveram os 40 anos de Abril, porque foi lá que estiveram pessoas. Saudosas algumas, nostálgicas outras, vibrantes e esperançosas umas poucas.,
 Do que se passou na AR soube pela TV. Não me pareceu que ali se comemorasse a democracia. Para além do discurso do fulano que se sentia integrado no Estado Novo para quem todos olham com a mesma complacência ou irritação com que invectivam o emplastro, cada um dos oradores mandou uns bitaites, perante o ar grave de um operador de submarinos, uma mulher de vermelho que parecia ter acabado de sair do cabaré da coxa e um coelho de cravo ao peito.
Diz-me alguém que por obrigação profissional lá esteve, que os discursos de Mariana Mortágua e Assunção Esteves foram bons mas, sendo uma mulher a dizer-mo, não sei se estará a ser isenta.
Sei- e também não estarei a ser isento- que ao fazer o balanço do dia constato que a rua não se revê no poder confecionado em corredores de intrigas. Se isso é bom ou mau, o futuro próximo o revelará. Tenha a gaivota ainda asas para voar...
Ah, é verdade, o fogo de artifício no Terreiro do Paço, às duas da manhã, também foi bonito, mas é capaz de me ter reavivado a síndrome gripal, porque estava um frio do caraças e estou a sentir uns arrepios...

Desculpem-me se estou a estragar a festa mas...

... ver Passos Coelho de cravo vermelho fez-me lembrar o gajo que bate na mulher e depois se insurge contra a violência doméstica;
ouvir o pm falar de festejos que cheiram a bafio lembra-me os PIDES  que no dia 26 de Abril andavam pelas ruas a festejar a revolução;
ouvir um imbecil a lançar avisos ao governo, depois de apoiar todas as medidas de destruição por ele tomadas, cheira-me a hipocrisia e mete-me nojo;
ver entre a assistência presidente da CE, um ex maoista que no 25 de Abril apoiava os crimes de Pol Pot, deixa-me vermelho de raiva.

40 anos depois...

... lembrei-me disto.

 "Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas… O tempo passa… e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!"

Bob Marley


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Em Abril perguntas mil (2)

Se os portugueses fossem obrigados a fazer uma reflexão consistente sobre o seu comportamento cívico nos últimos, vá lá, 30 anos, chegariam à conclusão que  foram merecedores do 25 de Abril?

Cheira-me a esturro...

Ontem, na AR, Passos Coelho mandou uma alfinetada ao Portas, por causa dos submarinos
Hoje, a PGR emite um comunicado a informar que Paulo Portas foi ouvido como testemunha no âmbito do processo dos submarinos.
Estes dois factos em dias sucessivos já eram suficientes para torcer o nariz mas, enquanto especulava sobre o assunto veio-me à memória a pergunta de José Gomes Ferreira na entrevista a PPC sobre a saúde da coligação, a que o pm reagiu, amarrando Portas com alguma sobranceria. Parece-me óbvio, agora, que a pergunta foi encomendada.
Estranho é que Portas - nos últimos dias tem aparecido aos jornalistas com o cenho cerrado-  permaneça mudo e quedo. Embora tenha mandado avançar Pires de Lima e Cristas com duras críticas à Marilú, por causa da taxa sobre os produtos prejudiciais à saúde, o silêncio do vice pm suscita alguma especulação. Será que anda a recolher informações sobre a Tecnoforma, para contra atacar?
Não é por nada, mas cheira-me a esturro. Quem terá deixado queimar o assado?




Esquentadores fora de prazo

Como se não bastassem todas as tropelias dos últimos anos, a malta do governo agora quer vender-nos esquentadores fora de prazo

Não quero outro 25 de Abril

Basta que me devolvam aquele que me roubaram

Os rios correm para o mar!

Escolhe o teu rio e desagua, hoje à noite, no Largo do Carmo.
Concentrações em vários pontos da cidade e concelhos limítrofes. Podes ser a gota de água
Mais informações aqui

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Garoto de programa

Este tipo é um programa! Depois de os asfixiar até quase à morte, quer deixá-los respirar para poderem votar nele
Mas isso foi de manhã. À tarde, depois de bem almoçado foi à AR, riu-se muito com as perguntas do PS sobre salários e reformas, mas não respondeu a uma única pergunta. Nesse momento lembrei-me logo do garoto de 2011. Em plena campanha eleitoral, garantia que não havia cortes em salários, nem pensões, nem subsídios e foi o que se viu.
O problema é que os tugas gostam de garotos de programa e acreditam nas petas todas que eles vomitam.

Troca por troca


Foto da internet

É hoje inaugurada na Praça de Londres, em Lisboa, uma nova biblioteca. Iniciativa do Movimento de Comerciantes da Avenida Guerra Junqueiro, Praça de Londres e Avenida de Roma ( que ano passado promoveu animadas iniciativas noite dentro) esta biblioteca inspira-se no conceito   book crossing. Quem quiser levar um livro deve deixar outro, promovendo assim a renovação do stock.
Instalada numa velha cabine telefónica , recuperada pela Fundação PT, a mini biblioteca lisboeta que será inaugurada às 19 horas  não é, porém,  pioneira em Portugal. 
Embora com um conceito diferente, foi inaugurada ano passado em Barcelinhos, num espaço de lazer, a primeira biblioteca instalada numa cabine telefónica.  Leia mais aqui

Em Abril perguntas mil

Foi para termos um governo submisso que se limita  a receber ordens deste palhaço GORDO oriundo de um  país onde a miséria aviltante serve de cartaz turístico, que houve um 25 de Abril?

A Censura do Livro no Estado Novo




Assinala-se hoje o Dia Mundial do Livro. Por razões já conhecidas não consegui escrever o post que desejava para assinalar a data. Recupero, por isso, o primeiro capítulo do trabalho académico que fiz sobre a "Censura do Livro no Estado Novo"


"O livro sempre foi visto com alguma desconfiança por poderes autoritários mas serviu, simultaneamente, de meio de propaganda desses poderes. Salazar, ao que consta, gostava de ler, mas foram muitos os livros cuja edição foi proibida em Portugal, por serem considerados “transmissores de ideias perigosas e nefastas, susceptíveis de corromperem a sociedade e os cidadãos”. 
Nem mesmo a literatura infantil escapou aos poderes da censura. Este excerto de uma ordem emanada pela Direcção dos serviços de Censura de Instruções sobre a literatura infantil, ilustra-o bem:
Parece desejável que as crianças portuguesas sejam cultivadas, não como cidadãos do Mundo, em preparação, mas como crianças portuguesas que mais tarde já não serão crianças, mas continuarão a ser portuguesas.”
No entanto, Salazar não menosprezava (e até incitava) a edição de livros que apregoassem as virtualidades do regime, que exaltassem a “nossa gesta”, ou os nossos “bons e brandos costumes”. Ditadores de sinal contrário tiveram atitudes idênticas ao longo da História e, só neste século, muitos foram os escritores obrigados a emigrar dos seus países para poderem divulgar as suas obras. Solnietsjine e Kundera, são apenas dois casos entre muitos que se podiam citar.
O cinema também nos deu, com Farehneit 451, uma imagem clara dos medos que os ditadores sempre tiveram dos livros e, em O Palácio dos Sonhos do escritor albanês Ismail Kandaré, ficámos também com uma visão dantesca da relação entre o Poder, a Censura e os livros.


Para exercer em plenitude a sua função, o livro precisa de sociedades democráticas. É aí que o livro se sente bem, pois só em democracia (numa perfeita e sã concorrência de títulos e autores) consegue derramar, despojado de ideias pré-concebidas, o conteúdo das suas mensagens. É em democracia que o livro se assume, sem subterfúgios, nas suas diversas - e por vezes antagónicas - vertentes: veículo de informação ou propaganda, instrumento de entretenimento e cultura, ou simplesmente objecto estético, destinado a emoldurar as prateleiras de uma estante, depositário de saberes, ou despertador de consciências.


Só que uma sociedade democrática não se mede apenas pela democracia dos poderes e das instituições, mas também pela capacidade de acesso das populações aos bens culturais (onde se inclui o livro) ou pelos hábitos de leitura, mas isso levar-me-ia por caminhos que não pretendo aqui abordar. Apenas quero deixar bem vincada a ideia de que o livro, embora movendo-se numa trajectória específica deste mundo global, tem resistido a todos os ataques, incluindo os da Censura e da PIDE. Ferozes na Metrópole, mais brandas mas igualmente tentaculares nas ex-colónias. Como adiante se verá!...
Nota adicional. quem estiver interessado em ler os excertos do trabalho que publiquei no CR, pode encontrá-los na etiqueta Rochedo das Memórias ( do post nº 98 ao 110)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Os tolinhos também se riem das desgraças



Anda o governo a proclamar aos sete ventos os seus feitos históricos;
Andam os ministros munidos do instrumento a martelar números que embelezem a realidade;
Vai um fulano à televisão armado em pm e diz a um capanga que se presta a desempenhar o papel de jornalista e entrevistador, que o seu governo foi o que mais reduziu o défice e... a realidade decide contrariá-lo 
O governo, porém, continua feliz com os números alcançados. Como os tolinhos que se riem das desgraças...

Alta Definição

As primeiras horas de gripe deixam-me num estado de letargia estúpido. Não consigo ler, não me apetece falar com ninguém, tenho dificuldade em concentrar-me. A única acção possível, enquanto me aninho debaixo dos lençóis à espera que a gripe passe,  é fazer zapping.
Foi assim que, na tarde de sábado, dei por mim a ver  o “Alta Definição”, programa de que fujo como o diabo da cruz. Só que no sábado o convidado era Otelo Saraiva de Carvalho e deixei-me ficar a ouvir os últimos minutos da entrevista.  Muito útil para alguém mais distraído que não tenha identificado estas personagens.

Bolhas de ar


Em média um homem precisa para sobreviver, em condições ditas normais, de cerca de um quilo de alimentos e mais de 1 litro de água por dia. Compreende-se, pois, que haja uma grande preocupação com a qualidade dos alimentos que ingerimos ou da água que bebemos. Mas precisamos também de 25 quilos de ar!
Todos sabemos que ninguém vive apenas de ar... no entanto, a  sua importância para a nossa sobrevivência é tão determinante, que se estivermos apenas alguns minutos sem respirar morremos, mas poderemos sobreviver alguns dias sem nos alimentarmos ou sem beber qualquer líquido.
A má qualidade do ar urbano é um dos maiores problemas que se depara aos responsáveis políticos das grandes cidades, principalmente naquelas cujo desenvolvimento tem acarretado um aumento exponencial do tráfego.
Nos últimos anos é recorrente falar das cidades chinesas como exemplos de metrópoles cujo desenvolvimento as tornou irrespiráveis. Apesar da poluição insuportável, Pequim não é a cidade com piores condições atmosféricas na China. No entanto, o facto de ser a capital tem levado as autoridades chinesas a preocuparem-se especialmente com a melhoria da qualidade do ar.
A boa notícia, neste Dia da Terra, é que uns cientistas inventaram umas bolhas que podem contribuir para atenuar um problema que afecta todo o mundo: a deterioração da qualidade do ar.
Normalmente, quando se fala de bolhas, adivinha-se logo uma crise qualquer. Neste caso, porém, é diferente. Estas bolhas podem ajudar a tornar o ar mais respirável.

Não era precisa uma sondagem...


...para chegar a esta conclusão, mas ver Cristiano Ronaldo na lista é um bocadinho deprimente.

Sem palavras






Hoje é Dia da Terra. Este ano não escrevo nenhum texto. Deixo-vos apenas este conjunto de imagens e uma pergunta: é esta a Terra que queremos deixar aos nossos filhos?

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Terra vai de Selfie?

Amanhã, 22 de Abril, assinala-se o Dia da Terra.  Como acontece todos os anos, há milhares de formas úteis que as pessoas podem escolher para assinalar a efeméride. Este ano, a NASA quis ser original e sugeriu aos cidadãos de todo o mundo que tirem uma selfie e partilhem as fotografias nas redes sociais.
Temo que haja por aí muitos ingénuos a participar no joguinho aparentemente inocente. Talvez seja, mas eu sou muito desconfiado! 
Assim, assinalarei o dia de outra forma. Menos original, mas mais pragmática.

Falou o chefe de (es)quina

Paulo Portas veio confirmar a encenação
A Marilú meteu a viola no... saco e quem vai pagar são os suspeitos do costume. Vão aumentar as deslocações a Espanha. Rajoy agradece.  Aceitam-se encomendas. As minhas cigarrilhas custam menos de metade em Espanha.

Revolta na caserna?

O soldado disciplinado rebelou-se? Não! Foi apenas uma encenação. Toda a gente- incluindo a ministra das finanças- sabe que a taxa anunciada sobre produtos nocivos para a saúde nunca será aplicada. Pires de Lima, sabendo disso, recebeu luz verde de Portas para fingir que o CDS discorda do governo e não permitirá a aplicação dessa taxa.
Se, num novo acesso de teimosia, Passos Coelho decidir mostrar que é ele quem manda no quartel e avançar mesma com a taxa sobre as batatas fritas, aperitivos, sumos ou chocolates, Pires de Lima voltará a ser um soldado disciplinado. Como aconteceu com o IRS sobre a restauração, cuja descida exigia até ao dia em que foi ocupar o lugar do Álvaro.

Para mais tarde recordar

Há dias, enquanto "televia" os três ex-Presidentes da República da democracia reunidos  numa conferência sobre os 40 anos do 25 de Abril, antevia as comemorações do cinquentenário. 
Alguém se atreverá a incluir Cavaco Silva num painel com ex-presidentes da República? Como encaixar um eunuco mental entre gente que pensa, tem ideias, sabe discuti-las e defendê-las? Como encaixar gente genuinamente democrata com uma rábula como Cavaco? Como mesclar gente que lutou contra a ditadura 
( Soares e Sampaio) com um  tipo que  confessou estar perfeitamente enquadrado com o espírito do Estado Novo? Como  conciliar gente íntegra que serviu o país com lealdade e espírito de missão (Eanes) com um tipo que se serviu do país, se banqueteou durante duas décadas à mesa do orçamento e ainda levou para casa uns trocos oferecidos por uns banqueiros vigaristas que ele promoveu a membros do governo?
 E se para tornear esta dificuldade, o Expresso de 2024 optar por convidar ex-primeiros ministros? Alguém imagina  Cavaco ( porra, o homem está em toda a parte!)Passos Coelho, Seguro, Santana Lopes ou Barroso a debater ideias? Fica apenas com  pessoas como Guterres, ou mesmo Sócrates?
Enquanto televia a conferência, a ideia que constantemente me assaltava era  que aquele momento é irrepetível. Daqui a 10 anos os ex-lideres políticos que ainda valha a pena ouvir e não tenham  uma memória deturpada do 25 de Abril, serão muito poucos. A tendência é apagar das memórias de Abril aquilo que teve de genuíno e revolucionário. Seguro, Passos Coelho, Santana Lopes, Durão Barroso ou Sócrates, nunca serão memórias fiáveis  do 25 de Abril.
Daí que seja importante- diria mesmo determinante para preservar a História- guardar os testemunhos de gente que lutou pela democracia e por um país mais justo, mais solidário e fraterno.  Confiar em gente que vendeu o país a retalho  como Coelho ou Portas, perverteu os ideias de Abril como Cavaco ou Barroso - quiçá Seguro- ou simplesmente traíram o país entregando-o a interesses estrangeiros, é perverter a História. Por isso, meus caros, esta é a última oportunidade de celebrarmos uma data redonda do 25 de Abril, preservando a memória. A partir daqui, ou o país dá uma grande volta, ou o que nos resta é ouvir as ladainhas mentirosas de um grupo de bandidos que tem como único objectivo perverter a memória e enganar a História.

domingo, 20 de abril de 2014

Limpinho, limpinho!

Apesar da gripe, não quero deixar de felicitar os meus leitores benfiquistas pela vitória na Liga. Foi justa e limpinha. Foi a vitória da melhor equipa portuguesa esta época. Nada a objectar. Digo-o com toda a sinceridade.
Compreendo bem a alegria de todos os benfiquistas. É muito especial festejar o quarto  título nos últimos  20 anos e o terceiro deste século. As coisas boas são para se saborearem!
O mesmo não podem dizer os portistas que nos 14 anos deste século, para além de duas Ligas Europeias, uma Taça Intercontinental e uma Liga dos Campeões, ainda conquistaram 9 vezes a Liga Nacional. Tudo o que é demais enjoa! ( Só digo isto, para que os benfiquistas não queiram  ganhar  muitos anos seguidos...)
Pronto, já sei que o FC do Porto ganhou sempre injustamente, ajudado pelas arbitragens, etc.etc.etc. mas não se preocupem agora em lembrar-me isso. Desfrutem mas é a vossa  saborosa vitória e- digo-o uma vez mais com sinceridade - espero estar aqui, dentro de quatro semanas,  a dar-vos os parabéns pela conquista da Liga Europa.
Força, Benfica!

Le premier boneur du jour


Na impossibilidade de visitar todos os amigos, deixo aqui os meus votos de Páscoa Feliz  e espero que gostem do video...

sábado, 19 de abril de 2014

Desculpem a curiosidade....

 Já compraram o pão de ló e as amêndoas?
Então, tenham uma Páscoa Feliz

A garrafeira ( de Páscoa)


"Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual Governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento.

Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé? É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal".



( António Lobo Antunes)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Tinham mesmo de vir estragar este momento épico?

Andava  tudo eufórico a anunciar amanhãs que cantam, porque a queda dos juros e o crescimento económico são irrevogáveis e eis senão quando a "Economist" vem refrear os ânimos e alertar os investidores que o entusiasmo é manifestamente exagerado!

Adivinhem quem ( não) vai ganhar um AUDI

Já aqui disse que desde sempre me habituei a pedir facturas e não vou aqui repetir as razões por que o faço.
Na segunda-feira fui ao portal da AT ver quantos cupões tinha para o sorteio desta noite e, (ó espanto!) não tinha nenhum.
Telefonei para o número que lá indicam e uma senhora muito simpática ficou tão confusa quanto eu. As facturas estavam lá, a senhora confirmou que estavam todas validadas, tudo regularizado, mas não me conseguiu explicar a razão de não me terem sido atribuídos os cupões para o sorteio ( seriam cerca de 80).
Incapaz de me ajudar a resolver o problema, aconselhou-me a enviar um e-mail para uma pessoa que me ajudaria a resolver o problema.
Enviei na hora. Até hoje, não obtive resposta. A que mãos terão ido parar os meus cupões? 
Não é que esteja interessado no AUDI, mas ver-me excluído sem qualquer explicação, depois de ter feito tudo direitinho, não ter quaisquer dívidas ao fisco e ser um contribuinte exemplar, isso chateia-me!  Sinto-me um totoexcluído, entre os 8 milhões de candidatos

Obrigado, senhores Vampiros!

Nesta época pascal, não podia deixar de agradecer à senhora Merkel e ao senhor Obama os esforços que têm feito para atear uma guerra na Europa. A avaliar pelos resultados que estão a obter na Ucrânia, onde o sangue já começou a jorrar, os seus esforços serão em breve coroados de sucesso.
O Alto Comissariado para os Direitos Humanos, da ONU, também deu uma boa ajuda...

O corte das gorduras

A ministra Albuquerque anunciou ao país os cortes para 2015. Embora o dissesse em tom solene, foi desde logo perceptível que estava a mentir, quando garantiu o corte de 730 milhões nos consumos intermédios do Estado.
Trata-se de uma mentira demasiado óbvia. Se fosse fácil cortar nas gorduras do estado, o governo certamente já o teria feito há muito. 
Não o fez, nem vai fazer, porque as gorduras do estado alimentam uma clientela partidária que pulula em gabinetes de advogados, economistas e ambientalistas cuja sobrevivência depende dos favores do Estado.
 Não o fez, nem vai fazer, porque nenhum governo foi ainda capaz de acabar com a corrupção moral que grassa na administração pública. 
Não o fez, nem vai fazer, porque continuam a gastar-se, todos os meses, milhares de euros em viagens inúteis de funcionários menores para paraísos distantes.
Não o fez, nem vai fazer, porque o governo não tem força (nem vontade) para enfrentar alguns grupos instalados que parasitam à volta do Estado e dele se alimentam para garantirem a sobrevivência.
Os cortes que Marilú anunciou não serão, uma vez mais, nas gorduras do Estado. São no osso. Prevêem-se, por isso, mais cortes na saúde, na educação e na segurança social. Talvez mais alguns despedimentos. Quanto ao resto, o regabofe continua.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A justiça está a funcionar

 Tempos houve em que a tradição mandava libertar um ladrão durante a Páscoa. Louve-se por isso a justiça portuguesa que decidiu recuperar essa tradição ancestral.
Se me tivessem dado a oportunidade de votar,  teria optado por libertar um pilha galinhas, mas a justiça indígena  preferiu  libertar um preso com pedigree.

Belisquem-me, porque eu não acredito que seja verdade!

Foto do "Expresso"


A gente lê e não acredita! Para Passos Coelho, mentir é tão natural como respirar!

Qual é o cúmulo da cretinice?

Afinal havia outra

Anda o Portas afogueado a convocar os partidos para discutir a reforma do Estado, vem a Marilú e diz aos jornalistas que a reforma do Estado é aquilo que ela anda a fazer . Em  poucos segundos - apenas com uma frase -Marilu desautorizou Passos Coelho e roubou o brinquedo ao Portas

António José Seguro é irresponsável!

Nos últimos dias, têm-se multiplicado os ataques ao PS, acusando o partido e os seu líder de grande irresponsabilidade e incoerência.
Fonte próxima de PPC disse mesmo ao CR: 
- É inadmissível que o PS continue a falar na necessidade de crescimento e não reconheça os esforços deste governo nessa matéria. Desde que somos governo cresceu o desemprego, cresceu a pobreza, cresceu a emigração, cresceu o número de falências e insolvências, cresceu o número de milionários, cresceu a conta bancária de muitos militantes e simpatizantes do PSD e do CDS. Que é que o PS quer? Que cresça  também a economia? Francamente! Isso é pura demagogia! O governo não pode fazer tudo ao mesmo tempo e o PS só fala do crescimento da economia, para desvalorizar as outras áreas onde houve um crescimento indiscutível que o PS não conseguirá nunca escamotear. 

Resumindo...

terça-feira, 15 de abril de 2014

SIC laranja, SIC cristal

Depois das entrevistas a Durão Barroso e Passos Coelho não me sai da cabeça a publicidade à BIC:
SIC laranja, SIC cristal, duas entrevistas à sua escolha, mas o guião é sempre o mesmo: a culpa é do Sócrates.

O brinquedo

Quem quer mandar o Portas brincar com o novo brinquedo da Majora?


Sábado à noite, enquanto passeava à beira rio iluminando a noite com a sua fosforescente dentadura, Paulo Portas escondia, atrás de um sorriso forçado, a preocupação que o atormentava. Como iria passar a semana santa sem uma viagenzinha até qualquer sítio onde pudesse aliviar a frustração de viver num país de analfabetos à beira da miséria?
Como poderia suportar abrir os jornais, ligar o televisor ou navegar na Internet e deparar com notícias provocatórias, opiniões desbragadas,  ou piadas endémicas, sobre o relógio que com tanto entusiasmo e fervor patriótico inaugurou no Inverno, para  explodir numa manhã de primavera, no dia da celebração da Independência, agendado para 18 de Maio?
Tornada pública a notícia de que a independência formal só chegaria em pleno verão e a real só daqui a uns 30 ou 40 anos, Paulo Portas não conseguia suportar a ideia de estar constantemente a ser gozado pela oposição e, pior ainda, por alguns dos seus parceiros de coligação. Na última reunião do conselho de ministros, até a Marilú cometera a ousadia de fazer uma piada um bocadinho ordinarota sobre o assunto, que mete um relógio de cuco.
 Noutros tempos,  quando era ministro dos negócios estrangeiros, preenchia os escassos dias que passava em Lisboa  com idas ao cinema ou conversas  com os amigos Pires de Lima  e Mota Soares, que o confortavam e incitavam a permanecer no governo, suportando as humilhações de Gaspar e Coelho. Mas a partir daquele fatídico dia de julho, em que anunciou a sua irrevogável demissão, Lima entrou para o governo e deixou de ter tempo para o aturar e Mota Vespa Soares andava tão assoberdado a fazer cortes aos pensionistas, que apenas lhe dizia:
"Desculpa lá, Paulo, mas o Pedro e a Marilú não me deixam um minuto livre, enquanto eu não tomar medidas que garantam que nenhum reformado sobrevive mais de  cinco anos após começar a receber a sua pensão. Mas eu estou contigo, Paulo! Até já."
Ir ao cinema sossegado para espairecer tornou-se tarefa quase impossível desde que aquele cinema esconso, num centro comercial de Alferragide, foi descoberto como seu refúgio de eleição. Em dias piores, chega a arrepender-se  de ter recuado na irrevogabilidade da sua demissão. 
Passava já da meia noite, Paulo Portas percorria pela enésima vez aquele trajecto à beira rio tão do seu agrado, quando ganhou coragem para telefonar a Passos Coelho:
- Eh pá, tens de me desenrascar! Na próxima semana tenho de ficar em Lisboa e já não suporto as piadas sobre o relógio. Tens de arranjar qualquer coisa para eu fazer e me manter distraído, sem tentações para ler jornais, ver televisão ou navegar na internet.
- Não te estou a perceber, Paulo! Andaste a chagar-me para te arranjar um gabinete ao pé do Jardim Zoológico para poderes estar em contacto com os bichinhos, porque é que não ficas lá? 
– Eh pá, nem me fales nisso! Olha que  até  os bichinhos já  me perderam o respeito.  Há dias, até um papagaio foi inconveniente comigo. Imagina que me mandou ir dar corda ao cuco, porque a troika já só ia embora em Julho e o meu relógio não tinha pilhas até lá!
- Então porque é que não ficas a ler? Se quiseres recomendo-te uns livros engraçados para te distraíres. É isso que eu faço com as miúdas cá em casa e resulta…
- Ando com problemas de concentração, Pedro! Ler já não é remédio. Precisava de uma tarefa de estadista que me desse gozo e protagonismo, percebes?
- Já sei, pá! Vais chamar os  partidos para eles dizerem o que pensam do guião
- Qual guião?
- O da reforma de estado, qual havia de ser!....
- Ah! Estás a falar daquele teste americano com espaços em branco para os partidos preencherem?
- Isso mesmo.
- Boa ideia, Pedro! Isso vai restituir-me a dimensão de estadista e fazer subir a minha autoestima. Mas para a coisa ser perfeita, posso recebê-los na AR? Sempre tem outro estatuto, não achas?
- Está à vontade, Paulo. Olha, diverte-te. Na terça feira lá nos encontramos na Gomes Teixeira para fazermos mais uns cortes. Conto com o teu apoio!
- Claro que sim, Pedro! És um compincha e um amigão. De mim podes contar com tudo, desde que cumpras a promessa de me arranjares um lugar europeu antes das legislativas. Obrigado pela tua sugestão, pá! Vou divertir-me à brava a receber os partidos e depois a ouvir as declarações deles e as interpretações dos comentadores. Vai ser uma semana em cheio. Olha lá, não posso delegar na Cristas o meu voto no conselho de ministros?
- A gente depois fala nisso. Agora deixa-me ir dormir. Um bom domingo de trabalho para ti.
Quando Passos finalmente despachou Portas, a Laura perguntou:
Que é que o gajo queria a esta hora da noite?
Sempre a mesma coisa… já sabes como é o Paulo! Queria um brinquedo novo mas, como a vida não está para submarinos, arranjei-lhe um brinquedo virtual.
E qual foi o brinquedo que lhe deste?
A reforma do estado.

O moço de fretes

Marilu anunciou há minutos um novo pacote de austeridade que, para não variar, incide sobre os funcionários públicos, embora a ministra das finanças o negue. Despedir funcionários ou enviá-los para a mobilidade especial e pagar-lhes apenas 60% do salário é, na opinião da oxigenada ministra, uma medida que se insere no âmbito da reforma do estado. Cortar despesas na saúde, educação ou segurança social, idem.
Para que as medidas anunciadas sejam melhor percebidas pelos portugueses, Pinto Balsemão convidou Passos Coelho para uma entrevista esta noite na SIC. Desta vez, o moço de fretes é  José Gomes Ferreira, jornalista económico com atributos reconhecidos pelo governo.
Apesar de ser previsível a ladainha de Coelho, acompanhada à viola pelo ajudante Ferreira, não sabemos ainda qual o conjunto de mentiras que os dois prepararam em conjunto, para permitir um brilharete de PPC, ora sublinhado por Ferreira com aplausos, ora com disfarçadas críticas, para enganar o pagode.
Convido-vos, pois, a participar num TotoMentiras na caixa de comentários. O leitor que acerte em maior número de mentirolas do coelho pinóquio não terá direito a um Audi. 


Quem diz a verdade não merece castigo

O PSD está indignado porque os partidos da oposição chamaram mentiroso a Pedro Passos Coelho. Diz Matos Correia que não é bonito chamar mentirosos aos outros
Lá bonito não é mas, se não gostam, porque é que se põem a jeito? Em vez de criticar os outros, o que o PSD devia exigir ao pm era que deixasse de mentir. Desde pequenino que me ensinaram que "quem diz a verdade não merece castigo" e os partidos da oposição apenas disseram uma verdade. Alguém tem dúvidas que PPC é um aldrabão de alto coturno?

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O meu pedido de desculpas aos leitores

Peço desculpa aos leitores por não ter informado que este post não é da minha autoria. Embora os visitantes mais assíduos do CR saibam que a etiqueta EMILIOS significa que recebi o texto por mail, esqueci-me de pôr o texto entre aspas.
Não sei quem o escreveu, por isso não posso pedir desculpa ao autor.Sei que a maioria dos leitores compreende. Só lamento que o maior crítico deste meu lapso, o tenha feito sob anonimato.

Jangada de Pedra

Hoje, quando  cheguei a Lisboa e vi o dia cinzento e manhoso, tive vontade de regressar imediatamente ao Porto. É que nos quatro dias em que lá estive, não só o sol brilhava intensamente, dispensando os agasalhos, como o céu estava de um azul tão  límpido, que até cheguei a pensar que o Verão já tinha chegado.
Longe parecem ir os tempos em que a norte o tempo  e os dias eram mais cinzentos, mais chuvosos e mais frios do que em Lisboa. Será  que se está a cumprir a Jangada de Pedra de Saramago?

Sem vergonha na cara!

O Correio da Manha dá hoje, como exclusiva, uma notícia que eu já divulgara no CR em 2010: Durão Barroso ( como muitos advogados com banca montada por esse país fora e outros ilustres licenciados em direito), concluiu o curso com  passagens administrativas a OITO cadeiras. Era uma prática comum naqueles conturbados tempos pós 25 de Abril na faculdade de Direito. Até se podiam comprar as notas, principalmente se o comprador tivesse boas relações com o MRPP. Esta notícia sobre o jovem  maoísta Barroso  que vandalizou o carro de Soares Martinez e andou a destruir e desviar mobílias da faculdade de Direito é, por isso, irrelevante.
Não sei se alguém no CM anda a vasculhar os arquivos do CR. Sei é que, notícia mais relevante do que a do CM, mas nada surpreendente, é o verme com barbatanas - um dos grandes beneficiados com o sistema-  vir agora dizer que tem saudades do Estado Novo.

A confirmação do embuste

As notícias que ontem vieram a público sobre o novo assalto às pensões, que já estavam decididas no dia em que Marilú mandou o seu secretário de estado fazer um briefing com um grupo de jornalistas, vem confirmar  que tudo não passou de um embuste

Hoje acordei assim

A pensar que o mau humor  de Passos Coelho quando ontem foi apanhado pelos jornalistas em mais uma mentirola sobre as pensões, não se deve ao facto de ter sido apanhado a mentir ( isso é um hábito  tão enraizado, que já não sabe quando fala verdade), mas sim porque o Maduro lhe lembrou que as próximas três semanas só têm quatro dias úteis e a última até da para fazer ponte...
Além disso- desaforo máximo- muitos portugueses até vão aproveitar para tirar uns dias de férias, o que Passos considera uma afronta inadmissível.

domingo, 13 de abril de 2014

Quiz de domingo

Proposta para um serão de domingo

1-O que é que um tubarão diz para o outro?
-Tubaralhas-me!

2- O que é que uma impressora diz para a outra?
- Aquela folha é tua ou é impressão minha?

3-O que diz  a massa para o queijo?
- Que maçada!
O que responde  o queijo?
- E eu ralado!

4-O que é que um tomate diz para o outro?
- Tomatas-me

5-Sabem quando é que os americanos comeram carne pela primeira vez?
- Foi quando lá chegou o Cristovão co-lombo


 6-Dois pacotes de leite atravessaram a rua e foram atropelados. Um morreu, o outro não, porquê?
- Porque um deles era Longa Vida.

7-Porque é que o elefante não pega fogo?
- Porque ele já é cinza.

 8-O que é que a galinha vai fazer à igreja na véspera de Natal?
- Assistir à Missa do Galo.

9-Como é que as enzimas se reproduzem?
- Fica uma enzima da outra.

10-Por que canta o galo de olhos fechados?
- Porque  já sabe a letra de cor.

11-O Batman pegou no seu bat-sapato social e no seu bat-blazer. Onde foi ele?
- A um Bat-zado.

12-Como se faz uma omeleta de chocolate?
- Com ovos da Páscoa!

13-Por que é que na Argentina as Vacas vivem a olhar para o céu?
- Porque há 'Boi nos Ares'!

14-Para que servem óculos verdes?
- Para ver de perto.

15-P'ra que servem óculos vermelhos?
- Para ver melhor.

16- Qual é a melhor  piada do fotógrafo?
- A que ainda não foi revelada.

 17-Como se diz top-less em chinês?
- Xen-chu-tian.

18- Qual é a diferença entre uma lagoa e uma padaria?
- Na lagoa há sapinho, e na padaria 'assa pão'

19-O que é que um cromossoma diz pró outro?
- Cromossomos bonitos!

E finalmente!
20-No hospital, diz o médico:
- O senhor é o dador de sangue?
- Não, eu sou o da dor de cabeça!

Le premier bonheur du jour

Querem experimentar? Mas cuidado...

sábado, 12 de abril de 2014

Poema do cortador



Chamo-me Passos Coelho

Cortador de profissão
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão
Corto subsídios, reformas
Corto na Saúde e na Educação
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição
Corto ao escorreito e ao torto
Fecho Repartições, Tribunais
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais
Corto ao público e ao privado
Aos independentes e liberais
Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais
Corto regalias, corto segurança
Corto direitos conquistados
Corto expectativas, esperança
Dias Santos e feriados
Corto ao polícia, ao bombeiro
Ao professor, ao soldado
Corto ao médico, ao enfermeiro
Corto ao desempregado
No corte sou viciado
A cortar sou campeão
Mas na gordura do Estado
Descansem, não corto, não.
Eu só corto
a Bem da Nação

Futurista? Talvez não...



 “A Nova Era Digital”, de Eric Schmidt e Jared Cohen, Publicações Dom Quixote, 2013, é um trabalho que alguns críticos têm classificado como futurista.  Será. Discordo, porém, dos autores quando restringem o fenómeno  ao mundo digital.
Logo nas primeiras linhas, percebemos que  os autores  conhecem mal a Europa e nunca estiveram em Portugal. Ora leiam:  

“A internet é a maior experiência histórica do âmbito da anarquia. A cada minuto, centenas de milhões de pessoas criam e consomem uma quantidade incalculável de conteúdo digital no mundo online que não conhece, verdadeiramente, os limites das leis humanas. Esta nova capacidade de livre expressão e livre-trânsito de informação deu origem à rica paisagem virtual que hoje conhecemos. Considere o número de websites que alguma vez visitou, os emails todos que já enviou e todos os artigos que já leu online, todos os factos de que soube e todas as ficções que encontrou e descartou. Considere todas as relações estabelecidas, todas as viagens planeadas, todos os trabalhos que encontrou e todos os sonhos nascidos, alimentados e concretizados através desta plataforma. Considere também o que a ausência de controlo hierárquico permite: as vigarices online, as campanhas de intimidação, os websites de grupos de ódio e os chat-rooms de terroristas. É assim a internet: o maior espaço sem lei do mundo”.

Nota pessoal: o maior será, mas dificilmente será tão sofisticado como este espaço à beira mar plantado.


O Herdeiro

Depois do beija mão a Cavaco,  foi  a Bruxelas oscular o cherne. O tipo tem pinta para ser o sucessor de Coelho. A boa imprensa ajuda e  Prosápia   e  uma boa lista de contactos com vigaristas  são meio caminho andado para o sucesso!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

E eu tenho a certeza...

Só contaram p'ra você!

"Encontro em vós valores que eu próprio me tenho empenhado em difundir em Portugal: desde logo o espírito positivo, o espírito construtivo, a visão global do mundo, não recear a concorrência, apostar na inovação, não recear o mundo global, vontade de vencer, determinação, energia e projectar essa imagem para a sociedade"...
Cavaco, durante uma cerimónia qualquer  na Global  Shapers

Eles divertem-se...


Enquanto`o comboio avança para Norte,  termino a leitura de "Os Memoráveis", de Lídia Jorge.
Fico a reflectir um pouco sobre o que acabo de ler e  dou por mim a imaginar o gozo que esta manhã deve ter sido o conselho de ministros, com  todos a celebrarem a estratégia de Maduro para desviar as atenções do essencial do pós troika. 
O governo conseguiu pôr o país inteiro ( leia-se: comentadores, parceiros sociais e comunicação social) a discutir o salário mínimo,. Uma medida que, obviamente, o governo só permitirá que avance se receber em contrapartida a garantia de que os trabalhadores prescindem de mais alguns dos seus já poucos direitos.
 Golpe de mestre, há que reconhecê-lo!

O que nos distingue dos europeus?

É que por cá, um político do Centrão pode ser aldrabão, ladrão, bater na mulher, fugir aos impostos, comprar cursos, fazer negócios  com as empresas que tutela,  ter casa em Lisboa mas dizer que vive na província para receber o subsídio de deslocação, mentir em tribunal ou numa comissão parlamentar, que o seu futuro está sempre assegurado: uma vez apanhado, passa por um período de abstinência e volta à casa de partida. Só sai de jogo quando já tem os bolsos bem cheios.
Já na Alemanha, os ministros que falsificaram actos académicos, demitiram-se ou foram demitidos. E em Inglaterra, quando são apanhados a meter a mão na massa, o povo reage e obriga-os a demitir-se
Há quem diga que cada povo tem o governo que merece. Se calhar, pela nossa inércia, falta de educação cívica e consciencialização política, merecemos o governo que temos. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O circo continua.

Felizmente, ainda temos liberdade de expressão!

PSD e CDS vetam discurso de militares de Abril no Parlamento
Já nem vale a pena perguntar por onde anda a canalha que no tempo de Sócrates se rebelou contra a claustrofobia democrática. Estão todos a banquetear-se no pote.

Couves de Bruxelas

Na sexta-feira, Durão Barroso vem a Lisboa participar numa conferência e traz consigo 6 comissários 6. Podia ser uma tourada, mas não é. O toureiro chinoca, contratado por uma empresária alemã, é de contrafacção e os ajudas  meras figuras decorativas que só lá estão para dizer Amen.
Vai ser uma festa entre amigos, onde quem não tiver convite não entra.O presidente da Comissão Europeia vem a Lisboa dar mais uma prova da democracia no Velho Continente. Vem para aplaudir o governo, falar para as televisões e por uma mordaça na oposição.
O defunto de Belém, que jurou ser o presidente de todos os portugueses, foi convidado para abrilhantar a festa e aceitou com muito orgulho. Aproveitará a ocasião para dizer um conjunto de  imbecilidades que a comunicação social reproduzirá até à exaustão e os comentadores amestrados enaltecerão com  o habitual desvelo.
Estrelinha que os guie!

Depois admiram-se que os turistas prefiram o Brasil!

Então não é que o Paraíso existe?



Montenegro, Nuno Melo, Rangel, Coelho e não tardará muito também Paulo Portas, continuam a insistir que estamos muito melhor do que em 2011. Mas não só... garantem que o futuro radioso que nos conduzirá ao Paraíso está ali ao virar da esquina, se os portugueses confiarem neles. 
Este grupo de impostores que nos roubaram e querem continuar a roubar até terem a garantia de que a Europa dos trastes os recompensará com altos cargos internacionais, insiste na mentira porque sabe que os portugueses, cada vez mais desinteressados da política, não querem saber de notícias para nada. Cinco minutos de Telejornal por dia e é um pau, porque para saber más notícias mais vale viver na ignorância. E assim lá vai o portuga, cantando e rindo. Para não se chatear, em dia de eleições vai para a praia, ou votar outra vez nos mesmos, porque pensar dá um trabalho do caraças e trocar o clube partidário onde sempre se votou, é tão indigno como mudar de clube da bola.
O tuga faz como a avestruz. Esconde a cabeça na areia e espera que o tempo passe. Por isso é que lhe passa ao lado a notícia de que nos próximos cinco anos continuaremos  no top dos países com maior taxa de desemprego.
Também por estarmos muito melhor do que em 2011 e o futuro ser de esperança, é que o FMI prevê que  em 2019 - no que concerne a riqueza média por habitante- seremos ultrapassados não só pelos europeus Estónia e Lituânia, mas também por outros colossos do desenvolvimento como o Gabão e Timor Leste.
É este o Paraíso que a escumalha nos promete. E, a avaliar pelas sondagens, os portugueses gostam. Tenham bom proveito!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Está bem visto, sim senhor!

Ó sr. Aníbal, venha cá! Tenho aqui um recadinho para si...

Alexandra Lucas Coelho recebeu ontem o prémio literário  da APE, pelo romance "E a Noite Roda". Tal como acontecera aquando da entrega dos prémios Gazeta de Jornalismo 2013, Cavaco Silva não esteve presente. Foi a primeira vez, desde 1987, que um PR  se escusou a estar presente na entrega dos prémios gazeta, os mais prestigiados atribuídos em Portugal. Toda a gente percebeu que a recusa se deveu ao facto de o premiado ser António José Cerejo, um dos ódios de estimação de Cavaco.
Ontem, para a entrega do prémio APE a Alexandra Lucas Coelho, o presidente Aníbal mandou um amanuense qualquer representá-lo. 
No momento de discursar, Alexandra Lucas Coelho  foi frontal,  como sempre a conheci  e, sem papas na lingua, disse coisas como estas:

"Este prémio é tradicionalmente entregue pelo Presidente da República, cargo agora ocupado por um político, Cavaco Silva, que há 30 anos representa tudo o que associo mais ao salazarismo do que ao 25 de Abril, a começar por essa vil tristeza dos obedientes que dentro de si recalcam um império perdido.
E fogem ao cara-cara, mantêm-se pela calada. Nada estranho, pois, que este presidente se faça representar na entrega de um prémio literário. Este mundo não é do seu reino. Estamos no mesmo país, mas o meu país não é o seu país. No país que tenho na cabeça não se anda com a cabeça entre as orelhas, “e cá vamos indo, se deus quiser”.
(…)
Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do governo do seu partido. É do arquitecto Álvaro Siza, do cientista Sobrinho Simões, do ensaísta Eugénio Lisboa, de todas as vozes que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do pesadelo que o governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que há a sensação de viver de novo em ditadura, Sobrinho Simões dizendo que este governo rebentou com tudo o que fora construído na investigação, Eugénio Lisboa, aos 82 anos, falando da “total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página”.
Este país é dos bolseiros da FCT que viram tudo interrompido; dos milhões de desempregados ou trabalhadores precários; dos novos emigrantes que vi chegarem ao Brasil, a mais bem formada geração de sempre, para darem tudo a outro país; dos muitos leitores que me foram escrevendo nestes três anos e meio de Brasil a perguntar que conselhos podia eu dar ao filho, à filha, ao amigo, que pensavam emigrar.
(…)
Os actuais governantes podem achar que o trabalho deles não é ouvir isto, mas o trabalho deles não é outro se não ouvir isto. Foi para ouvir isto, o que as pessoas têm a dizer, que foram eleitos, embora não por mim. Cargo público não é prémio, é compromisso.

Texto integral aqui

Este post é para ti, Nuno!




Estamos mesmo muito melhor do que em 2011, não é verdade, Nuno Melo? Olha que até o teu amigo dos "pintelhos" se queixa, homem!  E com toda a razão, diga-se! 35 mil€  mensais não é vencimento que se pague a um homem que iluminou Ali Babá no caminho para o pote.

O(s) preço(s) do silêncio

A polémica à volta da entrevista de Ricardo Costa  a Durão Barroso já fede. O importante para mim, como jornalista, não é saber se Durão Barroso mentiu, se a entrevista foi encomendada a Balsemão a troco de alguma coisa ( sobre isso não restam grandes dúvidas) ou tentar adivinhar o que é que o presidente da CE sabe sobre o BPN.
O importante é saber por que razão Ricardo Costa, quando Durão Barroso lamentou não ter sido questionado  sobre o BPN, tenha acedido a fazer a pergunta mas, perante a resposta ( cujo interesse  qualquer jornalista imediatamente perceberia), não tenha feito a pergunta que se impunha:
- E o que é que o senhor sabia sobre o caso BPN, que o levou a convocar  três vezes Vítor Constâncio  para falar sobre o assunto?
Ricardo Costa é um jornalista competente. Se não fez a pergunta, não foi por estar distraído. Nem por falta de tempo Será que o guião da entrevista foi previamente combinado, e o impedia de a fazer ?  Se assim foi, é mau, mas sempre é melhor do que se a explicação para o silêncio de Ricardo Costa  estiver no facto de andar a dormir bem acompanhado

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Resumo do dia: houve política, hoje!

Sócrates foi grosso para JRS.  O jornalista escritor ficou ofendido, mas quem anda à chuva molha-se. Sócrates não percebeu que caiu numa emboscada de que também saiu perdedor.Quem ganhou foi a RTP.As audiências subiram em flecha.
Nuno Melo diz que estamos melhor do que em 2011. Fiquei sem saber se foi golpe de sol, ou se emborcou whiskey a mais.
Durão Barroso, depois da entrevista encomendada a Balsemão em que tentou limpar o passado como se não fosse co-responsável pelo estado a que chegámos, assume-se como corta fitas e, no dia 11, inicia um périplo de inaugurações em Portugal!Não há lata suficiente para este gajo.
Depois destas declarações ao CM, Mário Crespo vai mandar fazer uma t-shirt nova. Já terá percebido que depois de fazer o trabalhinho sujo, deixou de interessar ao PSD?
Mas, calma ai... também houve política. Marisa Matias explicou como se faz

Day off

Hoje o dia está demasiado bonito para perder tempo com a escumalha. Deixei-me ficar pelo Rochedo a desfrutar esta brisa marítima, na companhia de boas leituras, mas longe de jornais e quaisquer outras fontes informativas. Se o Coelho disser alguma verdade, o Portas for alvo de um atentado numa feira, ou Cavaco se  transformar subitamente numa pessoa séria, agradeço que me avisem. 
Agradecido.

Memories



Comemora-se hoje o Dia Nacional dos Moinhos. Quando era miúdo tinha um enorme fascínio por moinhos, fossem eles de vento ou de maré. Sempre que passava por algum, deixava a imaginação voar lá para dentro e sonhava em transformá-lo em habitação. Estive quase a concretizar o sonho no final dos anos 70 mas, quando um casal amigo comprou um e o transformou no seu ninho de fim de semana, percebi que o melhor seria mesmo poder frequentar os moinhos dos outros.
Nessa altura também já perdera o misticismo pelos moleiros que pensava serem trabalhadores braçais de vida dura, que nunca abandonava o moinho. Conhecera alguém que tinha uma dúzia de moinhos e pedi-lhe para falar com um moleiro. O pedido foi satisfeito mas quando cheguei à fala com o moleiro tive uma enorme decepção. Afinal ele não vivia no moinho. Nem sequer lá trabalhava. A conversa no entanto foi útil, porque desfez alguns mitos que eu construíra desde miúdo.
Aquele moleiro com quem conversei ao longo de umas horas num café em Ribamar explicou-me que a sua função era supervisionar os moinhos do proprietário, contratando gente para lá trabalhar e garantindo que quem lá trabalhava cumpria com afinco a tarefa de manejar os engenhos. Fiquei a saber que as coisas se passavam assim há muitas gerações e que o moinho era apenas mais um lugar onde a exploração do trabalho era feita em cadeia, sendo o elo mais fraco o “bandeja”, um trabalhador rural vindo do interior do país em demanda de melhores condições de vida.
Desde então perdi parte do fascínio pelos moinhos, mas ainda guardo na memória a recordação daquele seu rumorejar tão típico, que faz parte dos sons oníricos da minha infância.

Num futuro próximo, estes serão os únicos moinhos que as crianças conhecerão. Pergunto-me se vão despertar os mesmo sonhos e devaneios das crianças do meu tempo. Uma coisa tenho a certeza. Nenhuma criança sonhará em viver num destes moinhos, nem se deixará iludir pela figura mítica do moleiro. Ou estarei enganado?
Nota informativa: Reedição de post publicado em 7de Abril de 2010