sexta-feira, 28 de março de 2014

Maduro e Lomba voltaram a falhar, ou a história de um briefing que correu mal

Anda por aí um grande alarido sobre o DEO ( documento de  estratégia orçamental) e os futuros cortes nas reformas e salários da função pública.
Nas jornadas parlamentares do PSD, o Pedro diz que ainda não sabe qual a dimensão dos cortes e logo a seguir vem o Montenegro garantir na AR que não haverá mais cortes. Perante a contradição, a comunicação social foi a Washington saber a opinião da Marilú que com um longo bocejo explicou que a sua opinião sobre o assunto era NIM.
Depois, sem informar Passos, telefonou ao seu secretário de estado e pediu-lhe que mandasse um assessor de imprensa falar com alguns jornalistas e dissesse, pedindo reserva de identidade, algumas coisas sobre a proposta que o governo andava a estudar em relação aos cortes definitivos de salários e pensões. 
Ontem, saíram notícias contraditórias na imprensa, especialmente na económica, onde os dois jornais divergiam quanto ao modelo a aplicar. Um  dizia que era roubo por esticão, outro que era homejacking.
Perante estas contradições, é natural que as pessoas pensem que os jornalistas se deitaram a adivinhar, efeito que era o pretendido pela Marilu. Faz tudo parte de uma estratégia do governo que põe os seus assessores a dar notícias diferentes e contraditórias para diferentes jornais e depois fica à espera das reacções dos comentadores e das redes sociais. 
A técnica não é nova. Conheci em tempos uma assessora de imprensa que se rebolava de gozo com esta prática maquiavélica que aplicava aos seus ex-camaradas jornalistas.
Não acredito que os jornais que dão estas notícias, baseadas em fontes de gabinetes, não saibam da marosca. Alimentam-na, porque lhes convém. Para eles também é uma jogada estratégica, com dupla intencionalidade. Por um lado, enquanto a polémica dura, são mais lidos e linkados nas redes sociais; por outro, mantêm a ponte com os gabinetes.
 Neste caso  houve, no entanto, alguma coisa que correu mal.
 Marilú tencionava, assim que chegasse a Lisboa, por a sua assessoria de imprensa a desmentir as notícias dadas pelos jornais que tivessem sido contactados pelo secretário de estado. Só que  Marilú esqueceu-se de avisar o secretário de estado que só deveria convocar a Lusa, os jornais económicos e um diário de referência. Como foram convocados  bastantes mais, a estratégia da contra-informação~ficou desde logo comprometida.
Para tornar a situação ainda mais difícil, o secretário de estado da administração pública não foi criado nas jotinhas. Trabalha há muitos anos na função pública, não está entrosado com as manobras de gabinetes e tem dado provas de competência. Daí que tenha aberto o jogo todo e sido honesto
Honestidade e  sinceridade são vocábulos que não ligam com a maioria dos membros deste governo. Nomeadamente para Passos, Marilú e Portas, essas palavras não fazem parte do seu dicionário. Só são usadas por parvos que não frequentaram as escolas de insídia das Jotas.
 Ao ser  "ingénuo" ((Portas confunde honestidade com  ingenuidade, mas já sabemos que é bastante confuso em matéria linguística), o secretário de estado  queimou a carta da contra informação. Nem Maduro e Lomba ( os mentores desta nova estratégia dos briefings restritos à porta fechada) puderam evitar esta trapalhada. Mais uma vez falharam a estratégia, sendo por isso provável, que regressem às manobras de contra informação a partir dos gabinetes, usando os laços privilegiados entre alguns assessores de imprensa e a comunicação social.
Pode não ter sido exactamente assim, mas andou lá muito perto...

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