sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Adio, adieu, aufwiedersehen, goodbye


Faltam 100 dias para as eleições europeias. São as mais importantes de sempre porque,  pela primeira vez,  há a sensação de que se joga o futuro da Europa e, quiçá, o fim do sonho europeu. No final de Maio, é possível que  a composição do PE  espelhe uma nova forma de sentir dos europeus, em relação à União. A esperança dará lugar ao cepticismo? A actual corja de bandidos  chefiados pela Merkel e um  paraplégico bastardo verá confirmada a sua política de destruição da Europa?
O grupo de crápulas, mentirosos, incompetentes, irmãos Metralha fascinados pelos cifrões, insensíveis com as pessoas e programados como computadores, que governam um continente que já deu bons exemplos ao mundo, terá a sua confiança renovada e carta de alforria para prosseguirem as suas políticas anti-sociais? É cedo para  dar palpites mas uma coisa é certa: se os europeus seguirem o exemplo dos portugueses e se alhearem dos destinos da Europa, será talvez um pouco pior. Assim?
 A extrema direita anti-europeia a vencer em França,  a subir vertiginosamente em Inglaterra, na Holanda, na Hungria, na  Polónia, na Grécia e na Finlândia. Eurocépticos de esquerda com subidas ligeiras  em quase todos os países.  Afundanço dos partidos do Centrão Europeu, responsáveis pelo estado caótico a que chegou a Europa.
 No final de Maio, enquanto três patetas festejam em Portugal  a saída da troika, a Europa  estará a desfazer-se, com um PE recheado de deputados que não acreditam na UE.  Uns , porque simplesmente a rejeitam, outros porque não foi este modelo europeu do salve-se quem puder que tinham em mente quando se entusiasmaram com a ideia de uma Europa unida e solidária.
No final de Maio, é possível que  os mercados e as agências de rating festejem o nascimento de uma nova Europa  e a emergência de um novo modelo de democracia.  
Retirada a maioria dos direitos sociais aos trabalhadores, engordadas as contas bancárias do capital à custa de horários de trabalho de 65 horas semanais e de 30 milhões de desempregados (De acordo com o Eursotat, cerca de 120 milhões de europeus estão em risco de desemprego.) ;
Restringida a liberdade de circulação; reduzido ao mínimo o estado social; alcançada a autonomia de alguns territórios ( Escócia, Catalunha…), aos governantes europeus que emergiram da geração dourada de 60, resta-lhes aguardar que se cumpra o seu último desígnio: uma democracia com novo rosto. Traduzida para a nomenclatura moderna destes governantes sem passado e sem futuro, democracia significa: aumento das desigualdades;  nova escravatura assente em salários de miséria, liberdade de despedimentos e excesso de oferta de mão de obra; triunfo do individualismo sobre a solidariedade; populismo; desrespeito pelas liberdades individuais; triunfo do espírito de seita acoitado na formação ministrada nas juventudes partidárias; eleições como mera formalidade para legitimar a permanência no poder de ditadores encapotados.
O modelo inspira-se em Mugabe. Depois de convocar  eleições que lhe foram desfavoráveis, recusou assumir a derrota e teve esta frase lapidar: só comigo morto é que a oposição governará.
Mas  não sejamos demasiado pessimistas. A renovação da Europa pode fazer-se a partir do caos .Não será é para a minha geração que nasceu dos despojos da guerra, foi próspera na idade adulta, mas vai envelhecer e morrer na miséria.
 Numa explicação aproximadamente edipiana, diria que é a vingança da geração que ela própria pariu e está hoje a dirigir os destinos europeus.  
A Europa - escrevo-o pela enésima vez- está a esboroar-se e começa a ser pouco respeitada no mundo inteiro. Já há muito me despedi da velha Europa solidária em que acreditei na minha juventude. Sem mágoa. Apenas com o desprezo que sinto pelos crápulas. Adeus Europa! Ao menos descansa em paz!

2 comentários:

  1. Vamos lá ver no dia 25 de Maio quem anda a misturar sprite no xarope para a tosse?

    Ach, Carlos, heute ist Valentinstag, die rote Herzen in "ematejoca azul" sind auch für Sie, Küssen und Aufwirdersehen!!!

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  2. Desencantado também eu, mas ainda não desesperado.A ver vamos.

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