sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Águas de Março ( versão 2014)

Ora ouçam esta  versão actualizada de Águas de Março" .
Tenham um excelente Fim de Semana

Era uma vez um polvo



Soube, a caminho do aeroporto, que Relvas tinha sido reabilitado por Passos Coelho. O motorista de taxi que me transportava exclamou em surdina:
- Eles protegem-se uns aos outros. É sempre a mesma coisa!
Respondi com um sorriso interior, enquanto pensava " aposto que votaste neles", ao ver escarrapachado no vidro lateral um autocolante do Correio da Manhã.
Não voltei a pensar no assunto.
As leituras fugazes da imprensa lusa deixam-me perceber que vai por aí uma grande indignação nos comentadores e  muitos congressistas recusaram dar o seu voto a Relvas. Alguns comentadores perguntam mesmo como é possível Passos Coelho ter cometido esse erro. Erro? Não perceberam nada! Leiam A Sentinela de Richard Zimmler. Está lá tudo muito bem explicadinho. Basta substituir pedofilia por corrupção.
Entretanto, em entrevista exclusiva ao CR, Relvas confessou que não estava de regresso à política. " Não quero saber de política. Tal como Cavaco, nunca fui político. Sou um homem de negócios, um empreendedor, que nunca teve a sorte de ter um amigo como o Oliveira e Costa. O meu único objectivo é criar muitas Tecnoformas, para formar pessoal especializado de heliportos, cozinheiros para submarinos e condutores de tanques de guerra.Vem aí um novo QREN e é preciso ter imaginação para aproveitar os fundos comunitários"- esclareceu Relvas, antes de partir para Copacabana, onde pretende adquirir um bronze que faça inveja às moçoilas empreendedoras que exercem a sua actividade na estrada Lisboa-Coruche.

Por que raio me fui lembrar disto?

Quando era miúdo costumava cantar esta canção ( quando não havia adultos por peto, claro...):
"A caminho da Califórnia
Vai um burro aos trambolhões
Um gatuno sem pistola 
E um cow boy sem c......" ( seria calções?)

Ontem, via Skype, ensinei às minhas netas um acrescento inventado à pressa:
Oh Susana, não sejas assim
A Maria e o Aníbal
Gostam muito de pilim(...)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Estes tipos são uns pândegos!



Pronto, já percebi! A Rússia tem de respeitar a soberania da Ucrânia, mas a UE tem todo o direito de se  ingerir na vida dos ucranianos. Estes tipos são uns pândegos

Quem ajuda esta criança?


O empurrão


Diálogo entre Schaueble e Passos Coelho

- A nossa opinião, senhor tuga, é que Portugal deve ter uma saída limpa como a Irlanda
- Pois, nós também gostávamos de uma saída limpa, mas os mercados continuam a exigir juros muito altos e isso é capaz de não ser boa ideia em tempo de campanha eleitoral.
- Bem, o problema é vosso, não é da  Alemanha, perdão, da Europa. Se não fizeram o trabalho de casa, agora amanhem-se. Esta não é a altura de pedir aos contribuintes europeus para ajudarem a pagar a vossa dívida, como certamente compreendem..
- Mas... E se nós perdermos as eleições?
- Problema vosso, meus caros. A Alemanha, desculpe, a Europa não pode estar dependente de um país periférico. A Alemanha, perdão, a Europa está primeiro...
- Vocês estão a  dizer que não nos ajudam a mascarar os números do crescimento e do sucesso?
- Esse é um problema vosso, não é um problema da  Alemanha...
- Da Europa!
- Ou isso!
- Mau! Nós só saímos com um programa cautelar!
- Só quê? Vocês saem como nós quisermos! E se não saem a bem saem a mal. Seguranças! Venham cá imediatamente! Ponham estes tipos na rua, nem que seja a pontapé! Mas quero que seja uma saída limpa, ouviram?
( Pois, eu  já tinha  avisado!)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

É óbvio que estamos melhor...

Desde o primeiro dia que Passos Coelho confessou ser objectivo do seu governo empobrecer o país. E conseguiu! Mais pobres do que nós, apenas oito países  do leste europeu. Mas será por pouco tempo, pois mais dois estão prestes a ultrapassar-nos

Por favor, tenham vergonha!

Em virtude de a minha passagem pela blogosfera nestes dias ser esporádica, agradecia aos meus leitores o favor de me informarem se naqueles blogs de apoio ao Coelho as pessoas que criticavam os negócios de Portugal com o governo totalitário da Venezuela, no tempo de Sócrates, e escreviam posts inflamados contra o ditador José Eduardo dos Santos ( alguns chegaram mesmo a reclamar o corte de relações entre Portugal e Angola)  já manifestaram a sua indignação pela admissão, na CPLP, da Guiné Equatorial.
O pais governado pelo senhor Obiang  -uma das mais antigas e torcionárias ditaduras africanas- é um paraíso para a corrupção. Deve ser por isso - e por lá se falar o mais refinado português- que messieurs Lapin et Porte votaram a favor da admissão daquele país na CPLP.
Pelo sim, pelo não, precaveram-se e exigiram que antes de ser admitida, a Guiné Equatorial acabasse com a pena de morte. Não vá o diabo tecê-las...
Chega a ser exasperante- além de vergonhosamente ridículo- ver o governo português criticar duramente a ditadura ucraniana e, no dia seguinte, votar favoravelmente a admissão no seio da CPLP de um ditador execrável.
Eu sei que estamos no Carnaval, mas mesmo assim, eu levo a mal o silêncio dos blogueiros passistas e a falta de vergonha de quem nos governa!
PS: antes que alguns venham à caixa de comentários perguntar se eu acho que a Venezuela e a Ucrânia são países democráticos, eu respondo desde já: não, não são, mas ao contrário do que acontece com a Guiné Equatorial, os líderes  destes dois países foram democraticamente eleitos. Venezuelanos e ucranianos enganaram-se? muito provavelmente... mas os portugueses também se enganaram ao eleger este governo e não  vieram para a rua armados ou a exibir  símbolos nazis, exigindo a queda deste governo. Ah, pois, é Carnaval... 

Vai servir de muito...



A UE está apostada em prosseguir políticas economicistas que protejam as gerações futuras. Vai servir de muito garantir  às gerações futuras a sustentabilidade financeira da segurança social, por exemplo, se a Europa continuar a desprezar a sustentabilidade ambiental!
Ao ignorar medidas amigas de desenvolvimento sustentável ( empresas mais limpas, ordenamento do território, preservação ambiental,combate ao desperdício, ao consumismo e à corrupção, etc) a UE está a condenar a qualidade de vida das gerações futuras.
De que vale aos jovens de hoje terem uma economia saudável e finanças estáveis, se lhes deixarmos como legado uma Europa sem qualidade de vida e um planeta irrespirável, onde as catástrofes naturais se tornarão cada vez mais frequentes e violentas?
Eu sei que o desenvolvimento da China está assente na utilização de energias sujas , como o carvão, o que em grande parte justifica o que  lá se está a passar por estes dias, mas não tendo a Europa apostado na utilização de energias limpas - por meras razões economicistas-  e continuando excessivamente dependente do petróleo, vale a pena ver as imagens dos últimos dias vindas da China,  para antecipar  a vida das gerações futuras.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Programa activo de emprego

Na ânsia de baixar artificialmente o número de desempregados, o governo multiplicou os programas de estágio. (Foi assim uma espécie de programas de formação da Tecnoforma  sem aviões). Mas pronto, até aqui tudo bem... o problema é que o governo não está a pagar aos estagiários, negando-lhes o direito a uma justa retribuição por contribuirem para baixar artificialmente os números do desemprego.

Momento de poesia ( à volta do tacho)

A história é antiga, mas  em poesia nunca tinha lido...

Era uma vez um banqueiro
À D. Isabel ligado.
Vive do nosso dinheiro,
Mas nunca está saciado.

Vai daí, foi a Belém
E pediu ao presidente
Que à sua Isabel, também,
Desse um job consistente.

E o bom do Dom Cavaco
Admitiu a senhora,
Arranjando-lhe um buraco
E o cargo de consultora.

O banqueiro é o Fernando,
Conhecido por Ulrich,
E que diz, de vez em quando,
«Quero que o povo se lixe!».

E o povo aguenta a fome?
«Ai aguenta, aguenta!».
E o que o povo não come
Enriquece-lhe a ementa.

E ela, D. Isabel,
Com Cavaco por amigo.
Não sabe da vida o fel
Nem o que é ser sem-abrigo.

Cunhas, tachos, amanhanços,
Regabofe à descarada.
É fartar, que nós, os tansos,
Somos malta bem mandada.

Mas cuidado, andam no ar
Murmúrios,   de madrugada.
E quando o povo acordar
Um banqueiro não é nada.

É só um monte de sebo,
Bolorento gabiru.
Fora do banco é um gebo,
Um rei que passeia nu.

Cavaco, Fernando Ulrich,
Bancos, Troikas, Capital.
Mas que aliança tão fixe
A destruir Portugal! 

Despacho nº.5776/2011

Nos termos artigos 3º. nº2 e 16º. nºs 1 e 2 do Decreto-Lei nº. 28-A/96, de 4 de Abril, nomeio consultora da Casa Civil Isabel Diana Bettencourt Melo de Castro Ulrich, funcionária do Partido Social Democrata, com efeito a partir desta data e em regime de requisição, fixando-lhe os abonos previstos nos nºs. 1 e 2 do artigo 20º. do referido diploma em 50% dos abonos de idêntica natureza estabelecidos para os adjuntos.

  9 de Março de 2011.--O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva





Agora é mais caro!...

Em 2013, a UE recusou apoiar a Ucrânia com 15 mil milhões de euros. A senhora Merkel até estaria disposta a puxar pelos cordões à bolsa porque estava ver o perigo russo, mas o paraplégico disse que não e agora temos a Ucrânia em polvorosa, ninguém sabendo o que poderá acontecer daqui a uns meses, depois das eleições de 25 de Maio ( dia em que também se realizam as eleições europeias na maioria dos estados membros).
Desde a secessão até uma vitória da extrema -direita tudo pode acontecer mas, para já, o governo interino vai avisando Bruxelas: não nos quiseram comprar a preço de saldo, agora vão ter de pagar mais. Se não passarem para cá 25 mil milhões, não haverá negócio.
E muito provavelmente- digo eu- Bruxelas só leva meia Ucrânia...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Stop over em Lisboa (3)



Fotos minhas

Lisboa, 23 de Fevereiro,  15 horas ( hora local)

De Kiev a Caracas fiz stop over em Lisboa.  Reinava a calmaria na cidade, no mesmo dia em que um bardamerdas qualquer dizia que os portugueses estavam pior, mas o importante era que Portugal estava melhor. Claro que quando o governo diz que Portugal está  melhor quer dizer que já descobriu o pote da corrupção e a forma de o lamber. Quer dizer que a venda do país a retalho  e a desbarato a estados estrangeiros ( este governo chama a isso privatização!!!) está a correr bem para as contas bancárias de alguns. 
Quer dizer que os portugueses podem começar a sentir as melhorias depois de  “eles” terem esvaziado o pote e estarem saciados. Quer dizer, enfim, que os portugueses estão lixados e vão ter cada vez menos segurança social, menos salários, menos educação, menos saúde, menos trabalho mas, em compensação, pagarão mais impostos. O povo português anda feliz e isso é que é importante. Mesmo que este governo dizime metade da população, haverá sempre portugueses a dizer que não havia alternativa.
É isto que faz dos portugueses um povo ímpar. Não é por ser cobarde e analfabeto. É por ter, como primeira opção de vida, ser subserviente perante o poder. O português não luta contra as injustiças, a corrupção, ou as desigualdades sociais. O português luta por ser um bocadinho beneficiado pela  corrupção, ludibriando o Estado quando não pede nem passa facturas, porque não sabe que se está a prejudicar a ele mesmo.
O português luta para nunca ser apanhado pela justiça, mas exige que a justiça seja aplicada aos outros.
O português acredita que a pobreza é uma inevitabilidade que só pode ser atenuada com a caridade.  Por isso admira a Jonet e contribui para os bancos alimentares contra a Fome ( ignorando que está a encher os bolsos aos Belmiros e Alexandres, tornando-os ainda mais ricos). 
O português ouve, num qualquer congresso partidário, o PM dizer que temos de empobrecer ainda mais e fazer mais sacrifícios e, no dia seguinte, vai trabalhar feliz e acusar de malandros os que estão a fazer greves na defesa dos seus direitos. O português é o povo ideal para os glutões europeus. E o português inculto, analfabeto  e subserviente, gosta que os glutões europeus gostem dele.


De Kiev a Caracas... ( 2)

Caracas, também é isto!

Caracas, 24 de Fevereiro, 11 horas locais


Enquanto isto se passava,  na Venezuela aumentava  a contestação  popular a Maduro. O “ditador lunático”  que não consegue fazer esquecer Chavez continua a ter muito apoio popular, porque tomou medidas para combater a especulação e proteger os mais desfavorecidos.
 Claro que os líderes europeus têm muita dificuldade em perceber o que se está a passar na Venezuela. O combate à corrupção  e à especulação não faz parte das prioridades da escumalha dirigente europeia. Pelo contrário, para essa gente, é alimentando a corrupção e favorecendo a especulação que se criam condições para combater o desemprego e se garante o estado social (da caridadezinha e do assistencialismo, claro…). Não espanta, pois, que considerem ditadores aqueles que combatem os corruptos e os especuladores.
Por agora, a Ucrânia está no centro das atenções europeias e americanas mas assim que o assunto estiver resolvido, Obama mandará acionar o processo de destruição da revolução bolivariana.  
Sim, na Venezuela há um genuíno movimento popular que pretende a queda de Maduro. Acontece é que Capriles pretende essa queda através de eleições, no final da legislatura. Ora os EUA acham que isso é muito tempo.  Especialistas em derrubar governos com adesão popular criando  manifestações espontâneas - ou alimentando as já existentes – e, sobretudo, criando mártires, inventaram um Lopez que exige o derrube imediato de Maduro e aceitou ser preso em nome da liberdade do povo venezuelano. ( Alguém já deve ter recebido ordens para começar a fazer a  estátua)
Os americanos  têm experiência em matar líderes de esquerda – que acusam de ser ditadores-  para colocar  no seu lugar ditadores a que chama democratas. Têm uma tendência obsessiva para armar grupos terroristas e um gosto inaudito por  filmes de ficção com armas de destruição maciça ( só visíveis por abortos  mentais esdrúxulos  como Durão Barroso). A Europa vai atrás. Os seus dirigentes acéfalos, apenas preocupados com as contas bancárias, engolem como verdade aquilo que os americanos lhes impinjam. 
Tentando ver o que se passa em Kiev e Caracas com distanciamento,   direi que é muito provável a queda de Maduro até ao Verão se… Putin não decidir dar um murro na mesa e ir a jogo. Teremos, assim, dois governos democraticamente eleitos derrubados pela vontade popular.  O problema é que sem o empurrãozinho da UE e dos EUA, estes movimentos populares  espontâneos que, curiosamente, saem para a rua fortemente armados,teriam sido esmagados. Como aconteceu na Grécia, por exemplo.
A seguir: STOP OVER em LISBOA

De Kiev a Caracas ( com stop over em Lisboa)- 1




Kiev, sábado, 22 de Fevereiro, 10 horas da manhã ( hora local)

Três meses depois de iniciarem a luta, os ucranianos conseguiram o seu objectivo: o derrube de um governo corrupto. Fim da história? Nem por isso...
Os ucranianos conseguiram derrubar Ianukovich mas não é certo que tenham garantido o regresso à democracia.  Na praça Maiden havia manifestantes  fortemente armados ( palpitem lá por quem...) que exibiam símbolos nazis.
A extrema-direita  é hábil a aproveitar os movimentos populares.
Ianukovich é um títere, mas é bom não esquecer  que foi democraticamente eleito pelo que, seguindo a teoria da pandilha dirigente europeia, tinha legitimidade para cumprir o seu mandato até ao fim. Só que, ao contrário das críticas que teceu às manifestações que aconteceram na Grécia, em Itália ou Espanha, a luta popular na Ucrânia  deve ser respeitada. Por isso, a UE deu um jeitinho para derrubar Ianukovich. Claro que , a Merdel, o filho da puta do paraplégico, o capacho Barroso, a cáfila que nos governa, os cãezinhos amestrados que se estão borrifando para os seus países e os seus povos, porque só têm olhos para Bruxelas e os Oli Rehn deste mundo esqueceram, muito convenientemente, que foram os responsáveis pela  situação na Ucrânia ao obrigarem Ianukovich a aproximar-se da Rússia de Putin, depois de a UE ter recusado a ajuda financeira que a Ucrânia precisava para evitar a bancarrota.
Pode ser que dentro de alguns meses esteja aqui a escrever sobre a guerra civil na Ucrânia e a divisão do país em dois. Nessa altura, os lideres europeus lamentarão a guerra, chorarão lágrimas hipócritas e a Alemanha e França aproveitarão para vender armas a uma das facções.
Era há muito perceptível que a crise ucraniana- que não começou há três meses, mas sim há anos!- poderia degenerar e tornar-se incontrolável. Os líderes europeus varreram o problema para debaixo do tapete e foram contar os tostões para Bruxelas, para saber quem é que devia a quem e como punir os devedores. 
De erro em erro, a Europa vai-se desmoronando mas esta direita que decide os seus destinos a partir de Berlim, só vai perceber os erros que cometeu quando, em Maio,  vir os resultados obtidos pela  extrema-direita nas eleições  europeias.
Temo é que, mesmo assim, não aprenda a lição!...
Próxima paragem: Caracas

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Eles falam, falam...

Manuela Ferreira Leite, Rui Rio e Pacheco Pereira são os comentadores laranja mais críticos do governo. Num país normal, seria de esperar que todos fossem ao Coliseu dos Recreios expôr as suas críticas e enfrentar o líder, mesmo sem se apresentarem como alternativa. Nenhum dele pôs lá os pés.
Esta atitude defensiva explica, em muito boa parte, a passividade de um povo. Se, quem pode fazer ouvir a sua voz, se acobarda, não é de admirar que um povo, mesmo espoliado dos seus salários, das suas pensões e em breve talvez até das suas poupanças, se refugie em lamúrias e fique, expectante, à espera de um qualquer D. Sebastião que lhe devolva a dignidade, pela qual  desistiu de lutar.

O Estaline tuga

A vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor- grunhiu o Montenegro
Espera lá... não foi o Estaline que disse " A morte resolve todos os problemas. Sem o homem não há problema"?

Selfies

Há coisas que explicam  bem o povo que  somos...
Diz-me que canal de televisão vês, dir-te-ei quem és...

Leituras da semana

O grau zero da ignomínia - Baptista Bastos
O clube dos porcos - André Macedo
Os fornicoques do FMI- Pedro Santos Guerreiro
Seguro foi aos mercados - Ana Sá Lopes

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Momento Ecstasy

Com o patrocínio do Ecstasy, o Coliseu viveu um número inédito na vida partidária portuguesa. Um coelho hipnotizador  conseguiu pôr uma sala inteira a afirmar que estamos melhor do que em 2009. Até o porquinho Paulo da Índia Rangel,  atraído pelo cheiro da bolota proveniente de Bruxelas, garante que sim senhor, estamos muito melhor.
 O melhor deste momento de hipnotismo patrocinado pelo Ecstasy foi, porém, quando  sala inteira começou a entoar um cântico de louvor ao grande líder Coelho Lambido.
O CR sabe que nem Kim Jong Un resistiu e, emocionado, enviou de imediato um convite a Passos Coelho para visitar a Coreia do Norte.
Passos Coelho respondeu, indignado:
Camarada Kim!
Muito grato pelo convite que me enviou mas, infelizmente, não posso estar presente no congesso do nosso partido irmão , enquanto o camarada KIm persistir em condenar à morte cidadãos através de métods ancestrais.
Espero que, muito e breve, a Coreia do Norte adopte o método sofisticado do PSD. Não há execuções em Portugal, camarada Kim. Eles morrem de fome, por não terem meios de subsistência. Este método, camarada, não é passível de criticas pela  comunidade internacional porque, além de não deixar vestígios, é aplicado para proteger o nosso país do Deus Mercado.
Terei muito prazer em recebê-lo ( discretamente) em Liboa para lhe mostrar como tudo funciona. Por agora apenas lhe envio o video desta reunião que o Partido teve num local com o simbólico nome de Coliseu. Os traidores foram lançados às feras e os restantes curvaram-se perante mim com a postura digna dos néscios, base de sustentação de líders como nós
Saudações, camarada
Pedro Passos Coelho

Hoje há palhaços!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Já não posso comer a Mariazinha descansado?

Hoje, para  não ser acusado pelos leitores de viver acima das minhas possibilidades,  troquei a Versailles pelo café Choupana ( só andei  mais um quarteirão).
Paguei os mesmos 70 cêntimos pelo café, mas desta vez sentei-me numa mesa, porque acabara de fazer análises e ainda estava em jejum. Voltei a ter encontros imediatos.
Estava a comer a Mariazinha ( para quem não saiba, é aquilo que está na foto) , quando se sentam na mesa do lado o meu ex- vizinho Bagão Félix e  Ribeiro e Castro.
Ontem duas mulheres do PSD, hoje dois homens do CDS.
Felizmente que amanhã é sábado e a partir de segunda-feira mudo de zona mas, por lá, as bicas são mais caras...

Não podem adiar isso por uns dias?

Esta manhã, ouvi uma senhora  na M-80 a dizer que o mundo vai acabar amanhã. Não podiam adiar isso por uns dias? É que amanhã vou fazer uma longa viagem e não me dava jeito nenhum!
Além disso, embora admita que ver o fim do mundo do ar é capaz de ser um espectáculo giro, preferia que o mundo acabasse quando eu estivesse com os pés em terra...

É isto, não é?

Os cortes nos salários e pensões são provisórios até se tornarem definitivos...
Cada vez que me lembro que um dia chamei filho da puta a um feirante que me enganou, sinto imensa vergonha. Como é que vou chamar agora à loira que me anda a gamar há mais de um ano? E ao lambidinho que me rouba há três?
Na verdade, não chamo nada, porque se eles fazem isso é porque nós deixamos. E quando assim é...

Sobre a impossibilidade das saídas limpas

O governo está desorientado. Não faço esta afirmação por todos os ministros andarem a dizer que estão a ver a luz ao fundo do túnel ( O Barroso também jurou que viu armas de destruição maciça onde elas não existiam...). 
Afirmo-o, porque percebi que vai uma grande confusão naquelas cabecinhas ocas e pouco instruídas. Então não é que eles estão a confundir o  túnel com o intestino grosso? Ora, como todos sabemos, por ali não há saídas limpas!
Foi isso que o relatório da Comissão Europeia veio dizer  mas, avisou,  não há dinheiro para o papel higiénico...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Um futuro radioso!

Esquisitices...

A troika chega hoje. Vai daí...

...lembrei-me disto!


À espera dos bárbaros

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje

Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos,
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem-se com arengas, eloquências.
.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e a gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

Konstantinos Kaváfis 

Que mais me irá acontecer?

Estou ao balcão da Versailles a tomar a bica matinal e a ler as gordas do "Público". Quando me preparo para pagar, vejo Zita Seabra à minha direita. Não há como evitar os cumprimentos de circunstância, praticamente sem trocar uma palavra.
Olho para a esquerda. Dou de caras com a Assunção Esteves. Felizmente está embrenhada na leitura e saio de fininho, sem lhe dirigir a palavra. Foi um alívio para os dois.
 Que mais me irá acontecer? Querem ver que ainda vou dar de caras com a Marilú? Mas a essa podem ter a certeza que vou falar, porque não a conheço de lado nenhum. Ai vou, vou!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Quim Barreiros em S. Bento



Palpita-me que quando Pedro Passos Coelho disse que  já não podia  comer bacalhau estava a pensar nesta canção do Quim Barreiros...
É bom lembrar que foi  próprio Coelho a dizer que é "pouco abonado"...

O menino que (não) sonhava ser bombeiro

Quando era miúdo a mãe só conseguia dar-lhe banho em sossego, depois de encher a banheira de barquinhos.
Já adolescente ficava horas mergulhado na água, a engendrar guerras com os barcos, aviões e helicópteros com que transformava a banheira num palco em três dimensões da Batalha Naval. Todos diziam que ia acabar marinheiro.
Aos 18 anos, tentou alistar-se na Marinha, mas foi chumbado. Só sublimou a frustração quando foi para ministro da defesa e pôde comprar uns submarinos.
 O vício pelos jogos de estratégia de guerra manteve-se. Arranjaram-lhe um gabinete ao pé do Jardim Zoológico para ver se ele se distraía com os animais. Deram-lhe um lugar de ministro de estado, porque pensaram ser o mais adequado ao seu perfil. Não exige muito trabalho. Basta saber intrigalhar e fazer show off, coisas em que ele também sempre foi bom desde pequenino, quando brincava com um primo aos teatrinhos e  fazia sempre de enfermeira. 
Nada feito. 
Já há muito ultrapassou os 50, mas continua com a fixação que se apoderou dele ainda menino. Adora fardas e brinquedos de guerra. Está sempre a ver-se na banheira  rodeado de belos exemplares de submarinos e contratorpedeiros, manobrados por pilotos loiros, altos e espadaúdos, mas ainda não decidiu se quer ser marinheiro ou piloto de aviões.
Em tempo: o porta aviões foi ao fundo?

Um dia em grande ( para mais tarde recordar)

Ontem foi um dia em grande para o PS!
De manhã Seguro foi a Cascais dizer aos mercados para  não se preocuparem com o que ele diz cá dentro e  estarem descansados, porque a sua discordância com Passos não é mais do que um arrufo de namorados.
À tarde assistimos a um amplexo fraternal entre António Vitorino e Vítor Gaspar, depois de o primeiro ter tecido eloquentes elogios ao ministro das finanças mais fascista desde Salazar. Este PS promete!

Traumatism(u)craniano

Já escrevi aqui o que penso sobre a luta do povo ucraniano e sobre a forma como a comunicação social tem tratado o assunto.
Por isso, hoje, apenas faço uma pergunta: os dirigentes europeus, que têm as mãos sujas de sangue, já terão percebido que cometeram (mais) um erro que pode custar muito caro a toda a Europa?
A Ucrânia está à beira de uma guerra civil mas, não tarda nada, aposto que a senhora Merkel virá lamentar os acontecimentos, apelar à calma e sugerir que se imponham sanções a Kiev
 Se as galinhas tiverem dentes, aquilo até é capaz de acabar numa democracia... mas o melhor é esperar que os Jogos Olímpcos de Sochi terminem para ver o caldinho que arranjaram.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Cuidado Casimiro, cuidado com os brincalhões...




Depois de saber que a Marilú obrigou os trabalhadores do IMTT a devolver cerca de 3 milhões de euros por terem recebido um suplemento remuneratório a que, alegadamente, não tinham direito, Passos Coelho convocou a sua ex-professora para um jantar a dois num dos mais prestigiados restaurantes de Lisboa.
Um repórter do CR soube antecipadamente do repasto e subornou um empregado para lhe arranjar uma mesa próxima do casal. Para não ser reconhecido disfarçou-se de investidor árabe e, nas calmas, ouviu a conversa:
- Parabéns, professora!- começou por dizer Passos Coelho com a voz embargada de emoção. Sinto-me orgulhoso da sua prestação e,só entre nós, confidencio-lhe que ainda estou para perceber como é que aguentei aquele totó do Gaspar durante dois anos. O homem era um panhonhas sem visão de futuro!
- Mas porque é que me estás a tratar tão cerimoniosamente, Pedro? Está à vontade, porque eu telefonei ao meu marido para saber se haveria aqui algum jornalista escondido e ele acabou de me confirmar que podíamos estar descansados, porque além de tudo ter sido tratado com o máximo sigilo, os jornais já não mandam ninguém para nos espiar. O Maduro e o Lomba controlam tudo na comunicação social e dizem aos directores dos jornais onde devem estar.
- Se tu garantes isso, então falemos à vontade. Aquela ideia de obrigar os funcionários do IMTT a devolver seis anos de remunerações foi simplesmente genial mas tu sabes como eu sou maquiavélico e, por isso, vim aqui para te fazer uma proposta. Porque não obrigar todos os funcionários públicos a devolver os aumentos que receberam nos últimos 10 anos?
- Bem, Pedro, isso não é possível...
-Não é possível porquê? Não me venhas com o TC porque essa já não pega.Sei de fonte segura que eles vão aprovar os cortes nos salários dos funcionários públicos que aprovámos ano passado...
- Não é nada disso, Pedro. O problema é que não podemos obrigar os funcionários públicos a devolverem os aumentos dos últimos 10 anos, porque desde 2004 eles só tiveram um aumento em 2009, que o Sócrates lhes cortou com juros um ano depois...
- O quê? Estás-me a dizer que os funcionários públicos não têm aumentos desde 2004?
- É verdade. Estás surpreendido?
- Sinceramente estou. E os gajos nem sequer protestam? Bem, é uma excelente informação que me estás a dar. Se perdermos as eleições em 2015, já tenho uma exigência a fazer ao Seguro. Bem, mas se não têm aumentos desde 2004, podemos optar por outra data. 
- Deixa-me cá ver quando é que eles tiveram o último aumento...
- Não te preocupes com isso. Ora pensa bem. O 25 de Abril foi ilegal, não foi?
- Mais que ilegal! Foi uma revolução de militares armados em esquerdalhos, que destruiu o país...
- Ora bem. Se o 25 de Abril foi ilegal, vamos declarar ilegais todos os aumentos dos funcionários públicos desde 1974!
- Eh pá, boa ideia, Pedro! Já agora, como antes do 25 de Abril não era obrigatório descontar para a segurança social também podemos declarar as reformas inconstitucionais e obrigar os reformados e pensionistas a devolverem o dinheiro que receberam ilegalmente!
- Boa ideia, Marilú! Bem, mas para não termos problemas com o Cavaco, abrimos uma excepção para os detentores de cargos públicos
Marilú levou o guardanapo à boca para abafar uma gargalhada e acrescentou:
- E para os familiares directos, como os nosso pais, porexemplo...
- Excelente ideia, Marilú! Assim ninguém nos pode acusar de andarmos a perseguir os velhinhos.
- E incluímos os FDP*nas isenções?
- Tenho defalar sobre isso com o Marco António Costa. Não quero que nos acusem de estarmos a proteger os nossos interesses...
- Ai, Pedro! Quando me convidaste para o governo, nunca pensei que me ia divertir tanto!
- Devias saber que eu sou um tipo divertido, Marilú. Já te esqueceste como eu era divertido nas aulas?
- Bem, Pedrito. Está na hora de regressar a casa. Vou ter muito trabalho esta noite. Olha quem paga a conta?
Pedro Passos Coelho rindo: O Zé!
- Qual Zé?
- O contribuinte, pá! Se nós estamos aqui a tratar do futuro deles, é justo que eles paguem a conta.
- Tens toda a razão, Pedro. Olha lá e pedimos factura com o NIFpara nos habvilitarmos ao sorteio?
- Isso é melhor não. Ainda pode vir aí o Cerejo descobrir que combinámos tudo num restaurante e eu já não tenho o Relvas para meter os jornalistas do "Público" na ordem...
- Mas temos o Maduro, que não lhe fica nada atrás
- Tens razão, Marilú. Com aquela cara de anjinho leva-os pela certa!

* Aviso: Lembro os leitores mais distraídos que, de acordo com o Dicionário do Rochedo ( pode ser consultado na coluna direita do blog) a sigla FDP significa Fanáticos Da Poupança

O drama é...

Brandos costumes

Em Itália, as sondagens desfavoráveis ao partido democrático, no poder, resultaram num golpe palaciano, com o PM  a ser destituído pelo seu próprio partido.
A entrada a pés juntos de Matteo Renzi sobre Letta, pode não ser um exemplo dignificante em política mas, pelo menos, permitiu clarificar posições.  
Por cá, continuamos situacionistas. Como sempre. No PS toda a gente está farta de Seguro, mas ninguém ousa avançar. Em vez de o enfrentarem, os seus adversários multiplicam-se em ameaças na comunicação social, provocando o desgaste do (fraco) líder, quiçá na esperança de que ele resigne. 
No PSD o panorama não é muito diferente. Os social democratas  que ainda existem no partido tecem severas críticas à governação, dizem que o partido foi assaltado por um grupo de rapazolas mal intencionados que o descaracterizou e eliminou a matriz social democrata, mas ninguém ousa colocar em causa a liderança de Passo Coelho, bem protegido por um bando de cretinos acéfalos, mas que souberam comprar os seus lugares no momento próprio para executar o assalto ao pote.
Em Portugal, é assim. Espera-se que o líder sofra uma derrota clamorosa e se demita, para depois avançar com uma corte de apoiantes fiéis, venerandos e obrigados, dando início a um novo ciclo que não é mais do que a repetição do anterior. Ninguém enfrenta o líder, ou ousa tentar derrubá-lo. 
Em Portugal não faltam apenas políticos. Falta gente com coragem, capaz de arriscar para defender os interesses do país. É tudo planeado ao milímetro, com o rigor de uma calculadora. 
É também  por isso, que a democracia começa a estar desacreditada...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Perguntas pertinentes

No sábado, no "Público" Pacheco Pereira fazia 20 perguntas sobre o "milagre económicos"que eu também gostava de ver respondidas.  (pode ler aqui)
Sabendo que nem a ministra das finanças, nem nenhum membro do governo, responderá a tão incómodas perguntas, resta-nos a esperança de a comunicação social - preguiçosa  e engajada com o poder vigente - fazer por uma vez o seu trabalho de casa e esclarecer os portugueses que estão a ser aldrabados por uma trupe de ilusionistas- vigaristas sustentados por nós, para nos empobrecerem.

Momentos de ternura

Chega a ser comovente ver a forma como alguns comentadores afectos ao governo  defendem Seguro dos "ataques" de que ( segundo eles) está a ser alvo internamente.
Cereja no topo do bolo é ver Passos de Coelho a pedir de forma tão cordata a Seguro para se aliar a ele na destruição do país. Seguro, obviamente, continua calado. Por ele ia a correr para os braços de Coelho selar a reconciliação mas, claro,  primeiro é preciso tentar ganhar as eleições europeias para se manter à tona até às legislativas e depois, sim, comunicar ao país que, em defesa do interesse nacional, o casamento será consumado.
 Paulo Portas está preparado para ser encornado, ou aceita um papel passivo num eventual "mènage à trois"?

Procura-se psiquiatra...


A fixação destes gajos em Sócrates é algo que só a psicanálise pode explicar.
Eu até percebo que gente como Nuno Melo, que anda há anos a mascarar-se de homem, tenha ódio a Sócrates.
Mais difícil de explicar é a razão de os deputados europeus  do PSD e do CDS- que passam mais tempo a fazer comentário político em canais de televisão portugueses, do que a trabalhar em Bruxelas-  se mascararem de portugueses.

Caramelos Vaquinha (9)

Assunção Esteves


Lamento muito, cara Assunção,mas depois de ver os  denodados esforços que fizeste para me contrariar, acabei por te incluir nesta colecção pouco prestigiada
Sempre te disse para não abusares dos cogumelos mágicos, mas esqueci-me de te avisar que não devias misturar o xarope para a tosse com  Sprite. Agora é tarde,  não há nada a fazer.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ensaio sobre a surdez

Chamar os bois pelos nomes

Imagine a seguinte situação:
Uma empresa ( uma companhia de seguros, por exemplo)  envia-lhe  uma carta a dizer que vai aumentar o prémio do seguro. embora contrariado, o leitor aceita. Dois meses depois, a mesma empresa comunica-lhe que, depois de ter aumentado o prémio, vai reduzir a qualidade dos seus serviços.
Como reage o leitor? O mais provável é que comece por lhes chamar vigaristas e, de seguida, talvez apresente uma reclamação na DECO. Talvez chegue mesmo a apresentar queixa em tribunal.
Imagine agora que, embora sentindo-se vigarizado, não tem possibilidade de recorrer a uma entidade mediadora, nem a um tribunal, porque o juiz é um eunuco mental.
O que vai  chamar a quem faz isto?

Quem avisa, amigo é...

Capa do JN de 14/02/ 2014

Ó Hugo! Toma lá e embrulha...

Se o Hugo um dia emigrar para o Canadá, vai ter um sério problema

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Olha que coincidência...

Tão felizes que eles foram...

Este ano, o Dia dos Namorados assinala-se de forma diferente aqui no CR.  Recordando alguns casais que já foram felizes, mas agora andam desavindos:
Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas;
António Capucho e o PSD;
Paulo Portas e Catherine Deneuve  a troika;
Pires de Lima e a coerência;
Seguro e a estratégia política;
Rui Tavares e o Bloco de Esquerda;
Mota Soares e a Vespa;
 Manuel Clemente e a seriedade;
João César das Neves e a inteligência;
Cavaco e os portugueses;
O PCP e a URSS;
O PS e a oposição;
O CDS e a democracia cristã;
O PSD e a social democracia;
O BE e a unidade da esquerda;
O governo e a vergonha na cara

Ia acrescentar "este governo e a verdade", mas lembrei-me que esses dois nunca se deram bem...
Tenham um excelente Dia dos Namorados.

Eu conheço uns tipos ainda piores, pá!

António Salvador, presidente do SC Braga diz que viu em Vila do Conde  uns senhores de amarelo, apito na boca e pau na mão que não foram profissionais e roubaram o SC de Braga ontem à noite.
Pois, meu caro António Salvador, tenho a dizer-lhe que você ainda não viu nada! Conheço uns tipos muito piores. São uns senhores de  azul, com um pin na lapela e a mão no pote, que se passeiam de carro preto. Embora  não sejam profissionais do gamanço, andam há três anos a roubar os portugueses com um pau na mão que não está  a mexer no pote.
Quer dizer... parece que  há uns quantos que têm pau, mas não usam, porque preferem os paus dos outros.


Adio, adieu, aufwiedersehen, goodbye


Faltam 100 dias para as eleições europeias. São as mais importantes de sempre porque,  pela primeira vez,  há a sensação de que se joga o futuro da Europa e, quiçá, o fim do sonho europeu. No final de Maio, é possível que  a composição do PE  espelhe uma nova forma de sentir dos europeus, em relação à União. A esperança dará lugar ao cepticismo? A actual corja de bandidos  chefiados pela Merkel e um  paraplégico bastardo verá confirmada a sua política de destruição da Europa?
O grupo de crápulas, mentirosos, incompetentes, irmãos Metralha fascinados pelos cifrões, insensíveis com as pessoas e programados como computadores, que governam um continente que já deu bons exemplos ao mundo, terá a sua confiança renovada e carta de alforria para prosseguirem as suas políticas anti-sociais? É cedo para  dar palpites mas uma coisa é certa: se os europeus seguirem o exemplo dos portugueses e se alhearem dos destinos da Europa, será talvez um pouco pior. Assim?
 A extrema direita anti-europeia a vencer em França,  a subir vertiginosamente em Inglaterra, na Holanda, na Hungria, na  Polónia, na Grécia e na Finlândia. Eurocépticos de esquerda com subidas ligeiras  em quase todos os países.  Afundanço dos partidos do Centrão Europeu, responsáveis pelo estado caótico a que chegou a Europa.
 No final de Maio, enquanto três patetas festejam em Portugal  a saída da troika, a Europa  estará a desfazer-se, com um PE recheado de deputados que não acreditam na UE.  Uns , porque simplesmente a rejeitam, outros porque não foi este modelo europeu do salve-se quem puder que tinham em mente quando se entusiasmaram com a ideia de uma Europa unida e solidária.
No final de Maio, é possível que  os mercados e as agências de rating festejem o nascimento de uma nova Europa  e a emergência de um novo modelo de democracia.  
Retirada a maioria dos direitos sociais aos trabalhadores, engordadas as contas bancárias do capital à custa de horários de trabalho de 65 horas semanais e de 30 milhões de desempregados (De acordo com o Eursotat, cerca de 120 milhões de europeus estão em risco de desemprego.) ;
Restringida a liberdade de circulação; reduzido ao mínimo o estado social; alcançada a autonomia de alguns territórios ( Escócia, Catalunha…), aos governantes europeus que emergiram da geração dourada de 60, resta-lhes aguardar que se cumpra o seu último desígnio: uma democracia com novo rosto. Traduzida para a nomenclatura moderna destes governantes sem passado e sem futuro, democracia significa: aumento das desigualdades;  nova escravatura assente em salários de miséria, liberdade de despedimentos e excesso de oferta de mão de obra; triunfo do individualismo sobre a solidariedade; populismo; desrespeito pelas liberdades individuais; triunfo do espírito de seita acoitado na formação ministrada nas juventudes partidárias; eleições como mera formalidade para legitimar a permanência no poder de ditadores encapotados.
O modelo inspira-se em Mugabe. Depois de convocar  eleições que lhe foram desfavoráveis, recusou assumir a derrota e teve esta frase lapidar: só comigo morto é que a oposição governará.
Mas  não sejamos demasiado pessimistas. A renovação da Europa pode fazer-se a partir do caos .Não será é para a minha geração que nasceu dos despojos da guerra, foi próspera na idade adulta, mas vai envelhecer e morrer na miséria.
 Numa explicação aproximadamente edipiana, diria que é a vingança da geração que ela própria pariu e está hoje a dirigir os destinos europeus.  
A Europa - escrevo-o pela enésima vez- está a esboroar-se e começa a ser pouco respeitada no mundo inteiro. Já há muito me despedi da velha Europa solidária em que acreditei na minha juventude. Sem mágoa. Apenas com o desprezo que sinto pelos crápulas. Adeus Europa! Ao menos descansa em paz!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Será que o governo segue o exemplo?

O nosso primeiro agradeceu à troika a ajuda que deu ao governo para empobrecer os portugueses. Já sabíamos que PPC é um traidor, mas escusava de ser tão descarado!
 Já agora uma perguntinha:
Uma vez que Passos Coelho acha que os portugueses já não vivem acima das suas possibilidades, terá chegado a hora de o governo seguir o exemplo dos portugueses e deixar de ser esbanjador? Poderia começar por colocar um açaime ao Portas, para que o ministro de estado do Jardim Zoológico seja mais contido nas suas despesas, pois anda a gastar demasiado dinheiro em submarinos.

Bota gasolina nessa merda, porra!

O Moedinhas nomeou para o seu gabinete um tipo de nome Labareda. É aproveitar e regar o gabinete do Moedas com gasolina, para ver se o Conselho de Ministros pega fogo!

Amordacem-me, vá... mas lembrem-se: este país é mesmo para jovens



Aviso:Este post pode ferir pessoas sensíveis  que apostam na omnisciência da juventude e no desaparecimento dos velhos, para resolver os problemas do país.

Quero começar por esclarecer que, em minha opinião,os mais atingidos pelo desemprego não são os jovens. Esses podem emigrar, tornar-se empreendedores, aproveitar os fundos comunitários, os programas Erasmus, as licenciaturas fast food e tudo quanto os pais nunca tiveram oportunidade de usufruir para serem trabalhadores mais preparados e com outra visão do mundo.  E também podem continuar a cravar os pais e avós, porque a complacência deles é ilimitada.
Já em relação àqueles que ficaram desempregados depois dos 45 anos, basta ver as filas às portas dos centros de emprego para perceber que a sua vida não se afigura nada fácil. A maioria das pessoas com mais de 45 anos não teve a parafernália de oportunidades  da actual geração e por isso não está tão bem preparada para enfrentar uma situação de desemprego. A maioria, aliás, nunca mais arranjará emprego porque,  hoje em dia, aos 45 anos, uma pessoa já é considerada demasiado velha. Também não pode beneficiar de programas de incentivo ao empreendedorismo, porque esses destinam-se exclusivamente aos jovens.
Por outro lado, o  governo olha para os desempregados  entre os 45 e os 65,  como calaceiros inúteis que não querem trabalhar. Cidadão com mais de 65 é visto por este governo como um chulo que vive à conta do Estado. Pior ainda: os nossos governantes não têm qualquer pejo em afirmar que os velhos andam a roubar os jovens. (Um PM que diz isto, ou  passou a vida a roubar, ou não conheceu a mãe). 
Um desempregado aos 45 anos tem muito mais probabilidades de vir a ser desempregado o resto da vida, do que um jovem de 25. É por isso que, insisto, me preocupam muito mais os desempregados de longa duração, do que o desemprego jovem.
Há um outro pormenor a que não tem sido dada nenhuma atenção, mas merece especial relevância. Dentro de alguns anos as sociedades ocidentais vão ter que se adaptar a uma nova realidade socio-laboral. Nessa altura os horários serão reduzidos, o descanso semanal alargado, talvez haja mais dias de férias e será dado privilégio à sociedade do lazer.
Claro que essa mudança estrutural irá obrigar a um novo padrão de comportamentos e a uma redução de salários. As pessoas aprenderão a viver com menos dinheiro, mas terão mais tempo para ler, ir ao cinema ( sem sair de casa) conviver e discutir. 
Nessa altura, um qualquer partido político dirá que caiu a última conquista da burguesia: o direito ao trabalho 
Mas, até lá, serão os velhos e a meia idade a suportar os vícios dos jovens.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Uma bela descoberta

Não tenho navegado muito pela blogosfera, por isso, há muito tempo que não descobria novos blogs. Ontem descobri um que vale a pena.  Sigam o meu conselho, porque há Buracos na Estrada onde vale a pena cair. 

Confessem lá...

 Se os boletins de voto viessem com as fotografias dos membros do governo, vocês tinham votado no PSD? Não teriam  alertado a mesa para uma troca dos boletins de voto, pela lista de candidatos a um ....

... pois,é  isso mesmo  a que me refiro...

Girls! Girls! Girls!

O estudo da Universidade de Aveiro veio confirmar aquilo que uma pessoa minimamente atenta já sabe há muito tempo. A única novidade é que neste governo os jobs são , maioritariamente, para as girls. Lê-se o Diário da República e quase todos os dias há  palettes de gajas a ocupar lugares de chefia na Administração Pública. No entanto - importa dizê-lo-  há muita girl  afecta ao PS  nomeada por este governo para  lugares de chefia. Conheço algumas. Venerandas e obrigadas, fazem as delícias das tutelas, pelo seu espírito de missão: abnegadas e obedientes. 

Governo recua e reforma volta a ser aos 65 anos!

Recebido por mail

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A idiotice é contagiosa...

Confirmada que está a concretização destas idiotices, António  José Seguro não quis ficar atrás e avançou com uma idiotice complementar.
Deve ser o Bloco Central a funcionar...

O suave milagre

Ainda atordoado com a euforia reinante entre a ladroagem que nos rouba, tortura e impõe sevícias, fui recuperar aos meus arquivos este artigo de Concha Caballero, publicado em Junho no El País*


"Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.
Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objetivos foram claros e contundentes.Retroceder 30 anos em direitos e em salários.
Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o fator determinante do produto; quando tiverem feito ajoelhar todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, então a crise terá terminado.


Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convencerem que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, então terá acabado a crise.


Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (exceto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenham destruído todas as pontes de solidariedade. Então anunciarão que a crise terminou.
Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.
Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.
Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.
Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: Um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e“voila”: a sua obra estará concluída.
Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição."

(***) -Concha Caballero é licenciada em Filologia  e professora de literatura num instituto público.


Caramelos Vaquinha(8)



Desde que regressei à zona de conforto, todos os dias vejo  Marco António Costa a proferir dislates na televisão. O último foi este:  recusa do PS em comentar sinais positivos, é antipatriótica.
Pronto, Marco António, seja feita a tua vontade. Depois de teres integrado a Caderneta de Cromos, com o nº 43, acabas de ser admitido na galeria dos Caramelos Vaquinha. Mas tens de esclarecer uma coisa aos leitores do CR: quais sinais positivos? Os que vão na tua cabecinha de pistachio ou estes? ou talvez  estes?
Vá lá Marco António, despacha-te a dar a resposta, ou ainda deixas de ser Vaquinha.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

1001 maneiras de martelar números



A razão porque destaco a capa do JN, não é a  manchete com a notícia de que o governo aldrabou as contas.  Não me parece muito chamativa. Já se tornou demasiado notório que notícia será no dia em que se comprovar que, pela primeira vez, um membro do governo disse a verdade.
A notícia que verdadeiramente me chamou a atenção nesta capa do JN vem a amarelo. Porquê? Porque é mais uma prova da forma como o governo martela os números do desemprego

Fait divers? Olhem que não, olhem que não!




Genericamente concordo com o Pedro e a Teresa. Acontece, no entanto, que não se pode reduzir a questão dos  Miró a um fait divers , ou a estratégia para distrair papalvos. Com efeito,  subjaz ao caso da venda dos Miró um caso de ilegalidade grave praticada por um membro do governo, que autorizou ( ou pelo menos fechou os olhos) a saída ilegal dos quadros.  Não se pode escamotear, neste caso, a responsabilidade política ( eventualmente até criminal) de um membro do governo. É certo que, habilmente, a direita  desviou a discussão sobre os Miró para um certo pedantismo cultural, omitindo por completo a vertente da ilegalidade. A direita é useira e vezeira nessa estratégia e- reconheça-se- tem obtido  frutos, como  demonstra o facto de hoje estar instalada no poder em toda a Europa, com os resultados catastróficos que já se conhecem, mas que ainda estão longe de estar esgotados.
Não percamos no entanto de vista o essencial, que Ricardo Araújo Pereira resumiu ( mais ou menos) assim: este governo começou por roubar os portugueses; agora passou ao contrabando. De que estão os portugueses à espera para reagir? Que os nosso governantes comecem a traficar droga?
O mesmo se aplica em relação às praxes. Correram rios de tinta, escreveram-se dislates , promoveram-se debates, fez-se investigação jornalística, levantaram-se suspeitas sobre o desastre do Meco.  Dali a centrar a discussão sobre as praxes e a necessidade (ou não) de as proibir ou regulamentar, foi um instantinho. 
Ora, em minha opinião,  independentemente de saber  se o acidente do Meco ocorreu na sequência de práticas relacionadas com a praxe, o que importa saber é se houve crime ou não. É por aí que a discussão se deve iniciar e só depois  estabelecer uma relação entre a praxe e as práticas criminosas que eventualmente lhe possam estar associadas.
Tal como os Miró, a discussão sobre as praxes também me parece ser bastante útil, porque revela o tipo de jovens que estão a ser formados nas Universidades e até que ponto as práticas praxistas são integradoras e aceites por uma maioria, como nos têm  querido fazer crer. Acontece é que, mais uma vez, a discussão assentou sobre a árvore, perdendo-se a noção da floresta. 
O que é preocupante, quando se discutem temas  que atravessam horizontalmente a sociedade portuguesa, é a superficialidade e o engajamento que domina as discussões. Para já não falar da efemeridade… Assim que outro tema “palpitante” salta para as primeiras páginas, ou abre telejornais, logo o tema precedente deixa de ser discutido. A efemeridade da discussão não é um problema recente. Surgiu com a sociedade de consumo mediática que  começou a coarctar  a nossa liberdade, quando condicionou a agenda dos consumidores e se especializou na padronização dos  seus comportamentos.
Paradoxalmente, a sociedade da hiperescolha (onde a liberdade individual foi erigida a mandante dos mercados, condicionando as leis da oferta e da procura), transformou-se numa sociedade mimetizada, onde o comportamento dos indivíduos  é determinado pelos media, pela publicidade e pelas centrais de comunicação. Estas, por sua vez, resultam de uma interacção entre os media e o poder político.
Tudo isto é sabido e, por isso mesmo, é que não me parece despiciendo discutir temas determinados pela agenda mediática das centrais de intoxicação.  Bem pelo contrário. O importante é que saibamos fazer essa discussão libertando-nos da caixa, pensando livremente. Quando pensamos, ficamos um bocadinho melhores... por isso devíamos exigir aos nossos governantes e partidos da oposição que  fomentassem a reflexão, antes de agirem ou de falarem. Coisa difícil, pois pelo menos no Centrão essa prática de reflectir sobre as coisa, fora da caixa da política,  caiu em desuso!



Com jeito vai, camaradas (2)

Mais uma vitória da extrema - direita na Europa. 
Por mera coincidência, claro, foi nos cantões de língua alemã que o sim à restrição obteve vitórias expressivas.

Regabofe é (15)

Passos contrata empresa por 25 mil euros para atender telefones em S. Bento
Ainda sou do tempo em que este bitrolitus mentosssaurus dizia que ia acabar com o regabofe e com as gorduras do Estado! PQP.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O erro de tradução que desacredita o Financial Times

Há tempos, um artigo do Financial Times  acusava os portugueses de serem fascinados pela Bimby. Se bem me lembro, no artigo até se afirmava que Portugal era o país com mais Bimbys per capita.
Na altura não dei muita importância ao assunto, mas uma visita ao Twitter permitiu-me concluir que afinal tinha havido um erro de tradução que induziu os leitores em erro.
Com efeito, o autor do artigo escreveu que Portugal é o país com mais bimbos/as por metro quadrado. Ora assim as coisas já batem certo. Vou escrever para o FT a esclarecer o assunto e envio esta prova documental irrefutável:
Imagem do FB

Não vale a pena correr riscos desnecessários...

É isto, não é?

O presidente do Sporting acusa um jogador do Marítimo de ter provocado propositadamente um penalty contra a própria equipa aos 94 minutos de jogo, com  o intuito de prejudicar o Sporting e beneficiar o FC do Porto.
Já vi teorias mais estúpidas, mas vinda de quem vem, esta assenta-lhe como uma luva.
Mas há mais... a  Liga "defende" que o árbitro marcou um penalty contra o Marítimo, depois de ter ouvido o apito final em Penafiel e não pede a sua irradiação?
O texto da decisão do Comissão de Inquéritos da Liga consegue acusar o FC do Porto de dolo por diversas vezes, mas sem  nunca apresentar uma prova concreta desse dolo. 
Não seria grave se o texto não revelasse um espírito persecutório deprimente- mas também preocupante-  prática que não se circunscreve ao desporto.
Finalmente: que confiança merece um presidente da Liga que fica com o dinheiro entregue pelos clubes para pagar a inscrição de jogadores? 
Nada disto seria grave, se não fosse revelador da indigência jurídica, moral e ética que por aí reina e  não se circunscreve ( infelizmente) ao desporto. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Inclemências

Em 2009 manifestei assim a minha discordância com a atribuição do prémio Fernando Pessoa a D. Manuel Clemente. Ontem, em entrevista à TVI,o agora cardeal patriarca deu mais algumas razões para as minhas críticas.
Devo dizer que não fiquei minimamente surpreendido com a sua  afirmação de que os direitos das minorias devem ser referendados. Segue a sua lógica de pensamento. Pensei escrever sobre o asunto mas, depois de ler este post da Fernanda, que mais teria eu a dizer? Resta-me aplaudi-la

Meia desfeita

Depois de ter obrigado os portugueses a aderir às meias doses, para não viverem acima das suas possibilidades, o  governo ( pela brilhante cabeça de Crato) inventou as meias licenciaturas.
Azar do Crato... os politécnicos recusam-se a leccionar os cursos inventados pela sumidade e assim fica fortemente ameaçada a concretização desta meia ideia do meio ministro.

Isso não é justo, pá!

Um tipo foi condenado a dois anos de prisão por auxílio a imigração ilegal
O Xavier deu cobertura à emigração ilegal de 85 Mirós  e nem sequer teve uma advertência?
Isso não é justo, pá!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Late night wander (104)

Ingenuidade é acreditar que Portugal não recorrerá a um programa cautelar no pós troika, por vontade própria. A menos de um mês das eleições europeias, qual o governo europeu que quer dizer aos seus eleitores que têm de continuar a contribuir para apoiar Portugal?

A isto chama-se queimar dinheiro

As campanhas anti-tabágicas têm custado muito dinheiro aos portugueses e permitido detectar fundamentalistas estrábicos a quem só falta pedir a condenação à morte dos fumadores.
Estou à vontade nesta matéria. Já fui fumador compulsivo. Hoje sou um fumador ocasional, mas não deixei de fumar por causa de nenhuma campanha antitabágica. Fi-lo, quando percebi que fumar tinha deixado de ser um prazer e passado a provocar-me mal estar. Como diria o Variações, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga. Foi isso que aconteceu comigo.
Sempre respeitei os não fumadores e me abstive de fumar na sua presença, mas não acredito em campanhas anti tabágicas fundamentalistas, que apontam o fumador como uma pessoa que deve ser expurgada da sociedade. Considero a proibição absoluta de fumar em bares uma medida perfeitamente idiota, só ultrapassada pela proposta recentemente apresentada de não se poder fumar, nem na rua, num raio de 50 metros em volta desses estabelecimentos. São medidas demasiado cretinas para serem levadas a sério.
Tenho sido muito criticado por dizer que as campanhas anti tabágicas são um desperdício de dinheiro. Ora um estudo hoje divulgado, parece dar-me razão: nos últimos cinco anos o número de mulheres fumadoras quase duplicou. 
Se acrescentarmos a este, um outro estudo divulgado ano passado que concluiu ter aumentado o consumo de tabaco entre os jovens, e um outro feito por uma associação de consumidores belga, em vários países europeus, cujos resultados apontam no mesmo sentido, é legítimo concluir  que as campanhas anti- tabágicas são inúteis, porque não atingem o alvo pretendido: dissuadir os jovens.
Com o país a atravessar uma crise financeira, talvez não fosse má ideia suspender campanhas cujos efeitos são praticamente nulos, como  parece ser o caso da  campanha fundamentalista anti- tabágica.  Não só se poupava dinheiro na campanha, como também nas pensões  pagas pelo Estado, pois um reformado fumador  passa-se  para o outro lado mais rapidamente, aliviando assim o défice.

Humor negro?

Da definição de roubo

Os grupos parlamentares que suportam os indigentes mentais do governo, indignaram-se porque o PCP apresentou uma proposta conducente à reposição dos feriados "roubados".  Os deputados consideram que eliminar feriados, aumentar  horários de trabalho, diminuir os dias de férias, cortar salários e pensões não é  roubo. Dizem que se trata de interesse nacional!!!
Deve ser também por causa desse interesse nacional que o governo continua a injectar dinheiro no BPN e a perdoar dívidas a algumas empresas, entre as quais se encontra o caso bizarro de uma pertencente a Luís Filipe Vieira  cuja dívida de 19 milhões foi assumida pela Parvalorem que, por sua vez, recebeu  dinheiro do Estado para pagar a dívida.
A noção de roubo desta gente que se instalou na manjedoura do poder é muito sui generis:
Se  um  tipo assaltar um supermercado ou um banco é roubo. 
No entanto, se os ladrões forem  Oliveira e Costa, Dias Loureiro  ou qualquer outro elemento da pandilha de Cavaco, já não se trata de roubo. E se for, deixa-se prescrever para não causar problemas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ora vamos lá ver se nos entendemos...

Depois de escrever isto, devo um esclarecimento aos leitores.
Para ser sincero,  preocupa-me  bastante mais a privatização da EDP, da REN ou da EGF, do que a venda dos Miró.
É que água e electricidade são serviços públicos essenciais que não aceito, em circunstância alguma, ver nas mãos de outros países. 
A venda ao melhor preço destes serviços de interesse estratégico para qualquer país, demonstra que quem nos governa é ignorante e não enxerga as consequências que daí poderão advir  num futuro próximo. 
A venda dos Miró  demonstra que quem nos governa é inculto e mais burro que um cepo; vender ao desbarato ( há uns anos as obras estavam avaliadas em 80 milhões e o governo esperava obter agora apenas 35...) significa que quem nos governa também sabe governar-se.
A venda dos Miró ter mobilizado as pessoas , não me surpreende... o que me intriga é não ter havido reacção idêntica em relação à privatização de interesses estratégicos para o país...
E chega de Miró. Ponto.

A arte é uma coisa subjectiva... pois... e coiso e tal...


A propósito da discussão sobre os quadros do Miró, lembrei-me de uma cena passada há uns anos na ARCO em Madrid. Fui procurar no You tube e encontrei.
A caixa de comentários é vossa...

Última hora: as praxes na Universidade de Verão da JSD!



Fonte normalmente bem informada, confidenciou-me que a praxe é uma prática comum na JSD desde longa data.Se durante muito tempo o objectivo dos jotinhas laranjas era incutir nos neófitos hábitos de cleptomania e fomentar o desprezo pela Lei ( constata-se o sucesso desta praxe quando olhamos para os membros do governo), nos últimos tempos  têm-se dedicado a actividades mais radicais, como obrigar os praxados a dispensar alguns órgãos. Hugo Soares, por exemplo, dispensou o cérebro e agora faz aquelas figuras tristes sempre que abre a boca...