quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Este Rio não corre para o mar..



Vai por aí uma grande algazarra  (mesmo euforia) com  a putativa candidatura de Rui Rio à liderança do PSD. Lamento não acompanhar esses "sinais de esperança" que muitos vislumbram. Autoritário, convencido e  incapaz de construir consensos, Rio assemelha-se muito a Passos Coelho. Se um dia chegar à liderança do PSD e/ou do país, os portugueses vão perceber que ele e Coelho são feitos com farinha do mesmo saco. Odeiam jornalistas que não os adulem, são egocêntricos e o seu conceito de democracia limita-se a exigir que os outros respeitem as suas opiniões.
Ao contrário de Seguro ( que continua a fingir-se de morto para que ninguém descubra as suas limitações para exercer o cargo de PM), Rui Rio soltou esta semana um caudal de verborreia que inundou a comunicação social. Fez bem. Ficámos a saber, entre outras coisas, que também considera o TC um empecilho e depois, com aquele ar de puta ofendida em festa de ricaços, alertou os seus atentos ouvintes para o facto de corrermos o risco de vir a ter uma ditadura sem rosto. Ao ouvir a advertência de Rio, hesitei entre sorrir ou praguejar. Como era possível as pessoas acenarem com a cabeça, em sinal de concordância, e não perceberem que diante dos seus olhos estava o próprio ditador, disfarçado de pomba da Paz? Como é que a Associação 25 de Abril caiu na esparrela de convidar tal personagem?
Sim, Rui Rio tem razão... corremos o risco de acordar um dia destes e constatar que elegemos um ditador para PM: ele próprio!
 Seria caso para dizer " na primeira quem quer cai, na segunda só cai quem quer", não se desse o caso de o povo português gostar de ditadores. Ao contrário do que alguns pensam, o D. Sebastião com que muitos portugueses sonham é um sucessor de Salazar, não é um democrata. Os tugas gostam da chibata e não há nada a fazer.

Adenda: ouvi dizer que o moço de recados da troika vai dar uma entrevista esta noite à D. Judite e ao sr Baldaia. Espero que a D. Judite já tenha submetido as perguntas à aprovação  de Sexa e, no final da entrevista, vão todos até Massamá comer umas pataniscas cozinhadas pela Laura. Faço votos é que ninguém se esqueça de um microfone aberto,  como aconteceu quando a D. Judite entrevistou a D. Manuela.  Assim, sempre continuaremos a acreditar que se tratou de uma entrevista sem rede.
Não vou perder tempo a ver a entrevista na TVI, nem o relato na TSF. O médico proibiu-me de ver espectáculos de circo, incluindo os números de palhaços. Tanto melhor. Assim não serei obrigado a comprar outro televisor este ano. Como faço actualmente com os jogos de futebol, verei apenas o resumo alargado, em diferido. 


Tudo dentro da normalidade!

Ano passado ficámos a saber que a FIFA manipulou os resultados da votação para o melhor treinador do ano, desviando votos em Mourinho, para o candidato vencedor. 
Era apenas futebol e ninguém se importou muito...
O caso muda de figura, quando o PE adultera votações dos deputados, como aconteceu aquando da
votação do relatório da Edite Estrela sobre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
Ficámos hoje a saber que o PE adoptou as práticas da FIFA e manipulou  o sentido de voto de alguns deputados. 
Nuno Melo, o talibã de Joane, considera isso perfeitamente normal.  Nós continuamos a acreditar que vivemos em democracia e as instituições funcionam dentro da maior normalidade. O pior vai ser quando acordarmos ao som do rufar dos tambores anunciando a vitória dos ditadores.

O gesto (nem sempre) é tudo

Sedenta de dar boas notícias, a comunicação social esforçou-se (meritoriamente) por encontrar um significado de esperança no aperto de mão entre Obama e Raul Castro. 
Se é verdade que a imagem fixa pode transmitir essa ideia aos leitores, já as imagens televisivas tiram quaisquer dúvidas: foi um cumprimento meramente circunstancial e, muito provavelmente, irrepetível.
Fazer-nos acreditar que o aperto de mão pode significar o desanuviamento das relações entre os EUA e Cuba e o aliviar do embargo imposto pelos americanos ao sacrificado povo de Cuba pode ser bem intencionado, mas é apenas especulação sem fundamento. Algo a que estamos habituados  na comunicação social lusa  mas, desta vez,  com uma perspectiva positiva.
Como bem lembrava o DN, no dia seguinte, também em 2005, durante o funeral do Papa João Paulo II, um cumprimento seguido de breve troca de palavras entre o presidente israelita Moshe Katsav e o seu congénere  iraniano, Muhammad Khatani, surpreendeu o mundo e deu azo a algumas especulações positivas, que os radicais de ambos os países se apressaram a desvalorizar. Exactamente como fez Kerry, no dia seguinte ao aperto de mão entre Obama e Raul Castro, para que o mundo não tenha ilusões. O Nobel da Paz já recebeu o prémio, não precisa de gestos de aproximação pacificadores. Aconteceu apenas que Obama subiu as escadas a correr, quando lá chegou acima estendeu a mão ao primeiro que lhe apareceu. Porventura, Obama saberia que o homem que estava a cumprimentar era Raul Castro? Essa é a pergunta que se impõe. O resto é folclore... ou talvez não, a avaliar por esta outra foto muito esclarecedora que levanta outro tipo de dúvidas...