sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Espírito natalício



Este mês de Dezembro não me iluminou com o espírito natalício. Não me apetece perdoar, não tenho vontade de sorrir  e sei que este será o pior  Natal de toda a minha vida ( embora tenha dificuldade em encontrar algum Natal com boas recordações, desde os meus 19 anos)
Ao perceber  que o Portugal de Abril morreu e a escumalha venceu a batalha, com a conivência  passiva  de um povo mesquinho, reles e cobarde, perdi a paciência para ser comedido nas palavras, a capacidade de perdoar e de sorrir.
Perante o cenário de miséria que se adensa, para gáudio de gentalha medíocre e reles  que  apoia e se revê  orgulhosamente na escumalha que se alcandorou ao poder cavalgando a mentira e a insídia, é difícil manter a compostura.
Não é fácil reagir com sobriedade aos actos terroristas de um grupo de fanáticos que pretende destruir a classe média e dizimar os funcionários públicos e pensionistas do Estado com o sadismo próprio dos ditadores loucos. Ou aceitar com complacência que um membro do governo  confesse na Grécia  estar ao serviço da Alemanha  para trair os portugueses, perante a passividade do PR. Ou admitir como normal que a única solução para este país seja o assistencialismo, o voluntariado ou a caridadezinha, que  enriquece os Belmiros e os Alexandres,  e enche os cofres do Estado mas distribui parcas migalhas a quem tem fome.
Deixei de ter pachorra para esperar por decisões de juízes que condenam ou ilibam milhares de cidadãos a trabalhos (es) forçados, escravatura e miséria, em função de variáveis tão volúveis como  a aparentemente acidental  nomeação do  pai de um dos juízes, para ministro.
Vomito de nojo ao conhecer o teor das condolências enviadas por Cavaco à família de Mandela.  Esse ser abjecto  que – era então primeiro ministro- se colocou ao lado de Reagan e Thatcher, votando contra uma resolução da ONU que pedia a libertação de Mandela e manifestava solidariedade com o ANC, vem agora enviar uma mensagem asquerosa, onde enaltece as qualidades do defunto, que noutra época repudiou. A mensagem de Cavaco faz-me lembrar o assassino que comparece, choroso, no funeral da vítima, oferecendo os seus préstimos para ajudar a descobrir o autor do crime. Haja vergonha!
Transpiro ódio por todos os poros aos bandalhos prepotentes que, cavalgando a democracia, exercem o poder de forma tirânica, como se a democracia fosse pura e simplesmente a imposição da lei do mais votado e não um diálogo político e social permanente.
Cheguei ao momento em que deixei de acreditar na força do diálogo, na persuasão ou na boa vontade.  Já não é possível salvar o país através das palavras. Chegou a hora de agir.

AVISO: Peço desculpa por me ter ausentado sem qualquer aviso prévio,  mas há situações que não dominamos nem podemos prever. Querer, nem sempre é poder!
 Durante os próximos tempos talvez não consiga manter a assiduidade habitual mas, sempre que me seja possível, aqui estarei. 
Enquanto não retomar a normalidade, vou aproveitar  para  fazer uma introspeção profunda e tentar encontrar paz  no lugar habitual, mas agora com outros propósitos.