quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Diário de um idiota (6)




Bruno Carvalho foi almoçar a Braga e, em circunstâncias que não consegui ainda apurar ( terá sido no final da refeição?)   disse " quando quiserem começar a resolver os problemas de Portugal é fácil: tiramos o vermelho da bandeira e é tudo nosso"
Eu sei que não passou de uma "boutade´, de imediato desvalorizada por alguns sportinguistas ilustres. como Vasco Lourenço ou o embaixador Seixas da Costa,  mas se a frase tivesse sido proferida pelo presidente do Rio Ave, ou do Vitória de Setúbal, a indignação teria sido imediata e, muito provavelmente, alguns dos que agora tentam desculpar Bruno de Carvalho, já estariam a pedir  severa punição pela ofensa à bandeira nacional.
Lamento, mas as declarações de BC não têm qualquer lógica, por isso, hoje o idiota é mesmo ele.

O regabofe das reformas

Estou farto de ouvir os argumentos do governo sobre a necessidade de fazer a convergência das pensões entre público e privado. 
Sou dos que  concorda com a convergência, mas não que ela se faça à bruta e, ainda por cima, ludibriando as expectativas de gente já reformada. Muitos aceitaram reformar-se antecipadamente  mediante a garantia de que lhe seriam pagos complementos de reforma, mas o governo que se proclama defensor da equidade decidiu roubar-lhos.
O mesmo governo que  não tem  coragem, nem ética, para  terminar com gritantes casos de iniquidade na atribuição de pensões de reforma que chegam a roçar a indignidade. Não me refiro apenas  a casos como  Mira Amaral ( para dar só um exemplo) com reforma superior a 15 mil euros e apenas um ano de descontos, ou outros, como Jardim, que asseguraram  reformas milionárias (transmissíveis aos descendentes!!!) que ultrapassam os 150 mil € mensais e   incluem avião particular e segurança  privada.
Refiro-me a casos mais comezinhos que, à luz da situação actual, justificavam mais atenção, antes de o governo optar pelos cortes cegos e sem  outro critério que não seja o de roubar o mais possível, ao maior número de pessoas.
Quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva permitiu  aos funcionários públicos ( não sei se também aos trabalhadores do sector privado)  acrescentarem até cinco anos à sua actividade profissional, desde que declarassem ter trabalhado durante esse tempo, no sector privado, sem fazer descontos. Feita a declaração,  e assumido o pagamento dos descontos em prestações mensais, esse tempo passava a contar para a reforma.
Não vivia em Portugal na altura, mas afiançaram-me que o processo era extremamente simples. Bastava alguém apresentar-se nos serviços da Segurança Social com uma testemunha que confirmasse a veracidade das declarações prestadas. Depois, passava a descontar no seu vencimento uma percentagem para pagamento desses anos. Conheço casos de pessoas que, sem nunca o terem feito, declararam  ter começado a dar explicações aos 16 anos...
Garantem-me que nessa época era comum as pessoas perguntarem umas às outras”Então quantos anos compraste?”
Graças a este processo, houve muita gente que conseguiu reformar-se com 50 e poucos anos e partir para uma nova vida, com uma reforma no bolso por inteiro. Não sei se ainda com Cavaco, mas seguramente com António Guterres, outra medida veio facilitar o processo de reformas dos funcionários públicos e torná-las mais atractivas. Quem, nos últimos 3 anos antes da reforma, ocupasse, por exemplo, um lugar no Conselho de Administração de uma empresa pública, ou certos cargos de chefia, na Administração Pública, poderia reformar-se praticamente com a totalidade do vencimento auferido nesses três anos, graças a uma fórmula adoptada para as reformas, que privilegiava os últimos anos de carreira. Também os notários podiam reformar-se com o valor obtido no último mês de actividade, engordando assim substancialmente a sua reforma.
Foi assim em anos de “vacas gordas”. Manuela Ferreira Leite acabou com estas prebendas e congelou os salários. Mas repor a situação normal já não era suficiente para assegurar as reformas e pensões dos portugueses. Por isso Sócrates teve de cortar a direito, alargando progressivamente a idade da reforma para os 65 anos e aumentando o número de anos de trabalho.
Ninguém nos governos responsáveis por este regabofe foi responsabilizado por tomar medidas que puseram em risco a sobrevivência das pensões das gerações futuras. Hoje, a idade da reforma é cada vez mais alargada e as retribuições são cada vez mais pequenas.
As desigualdades são gritantes. Enquanto alguns funcionários públicos se reformaram com pouco mais de 50 anos de idade e 35 anos de serviço, recebendo a reforma por inteiro,a maioria assinou contrato com o Estado na expectativa de se reformar ao fim daquele tempo mas vai ser obrigado a trabalhar 40 anos, e mais, para receber reformas mexerucas.
Entretanto, há cerca de dois anos, foram descobertos dois funcionários da segurança social que arranjavam esquemas que permitiam aumentar os anos de exercício de actividade profissional, garantindo uma reforma mais temperana e rentável. Cobravam até 500€ por ano “acrescentado” fraudulentamente. Não sei o que lhes terá acontecido
.E ainda há quem diga que somos todos iguais...

Fala quem sabe...

"Quando o povo tem fome tem direito a roubar"
Veja quem disse, seguindo o link

Grandes autores (30)


Alberto Moravia ( 1907-1990)

Em dois registos diversos, dois livros de Moravia que me fascinaram: "Uma Ideia da Índia" ( que escreveu depois de uma viagem que lá fez  na companhia de Pasolini) e " Os Indiferentes"

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