quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Diário de um idiota (2)

Helder Rosalino (Sec Estado Adm Pública)


O governo está empenhado  em criar condições para diminuir drasticamente o desemprego jovem. Nessa medida, empurra os funcionários públicos mais jovens para as rescisões amigáveis, mas  veda-as aos que tenham mais de 59 anos. Será porque são mais produtivos, ou porque se podem mandar mais facilmente para o caixote do lixo da mobilidade especial, que fica mais barato?
Tem lógica… eu é que sou idiota!

Os embusteiros dos números

Andam por aí uns comentadores a esgrimir, como prova da recuperação do país, o facto de estar  a diminuir   o número de insolvências e a aumentar o número de criação de empresas. Alguns comentadores  afiançam mesmo que  em média, estão a ser criadas duas empresas por cada uma em processo de insolvência  e/ou falência.
Não é preciso ser economista para perceber a falácia que este juízo esconde.  Cingindo-me ao factor emprego, lembro que para manter a estabilidade dos números  de desemprego,  a relação de 1 para 2 implicaria, no mínimo, que por cada empresa de 100 trabalhadores que encerre, seriam constituídas 2 que criassem, cada uma, 50 postos de trabalho. Ora, como é facilmente perceptível através de uma análise da tipologia das empresas que encerram e as que são criadas, essa proporção está muito longe de ser alcançada. A maioria das empresas criadas são micro-empresas que  empregam entre 2 a 10 trabalhadores. 
Os comentadeiros ao serviço do governo também não se preocupam em saber a dimensão económica das empresas, nem muito menos o seu ramo de actividade. A maioria são empresas de serviços  com pouco capital e geram pouco valor acrescentado à economia.
Estes comentadeiros gostam é de números, mas não lhes interessa saber o seu significado. São embusteiros ao serviço de Sua Majestade.

Por cá, o governo também antecipou o Natal

Anda por aí toda a gente a rir, porque Nicolas Maduro decidiu antecipar o Natal e obrigar as lojas a vender os produtos a preços baixos, mas esquecem-se que por cá também já estamos em plena quadra natalícia.
Não o digo porque os centros comerciais estão todos engalanados com iluminações natalícias. Refiro-me a coisas mais palpáveis.
Ainda há dias vi o Pai Natal na televisão. Também se chama Maduro, como o venezuelano, e trouxe-nos a Boa Nova: o pior já passou! 
Dias depois veio o chefinho Portas confirmar: estamos a caminho do sucesso e o Machete este ano vai ser o Burro do Presépio!
Outra prova de que também por aqui se antecipou o Natal, é que em vez de fazer como o Maduro venezuelano e obrigar os supermercados a baixar os preços, o nosso Coelho preferiu descer os salários dos funcionários públicos e cortar nas reformas dos pensionistas, antes de ir  com o Pai Natal ao circo.
Não sou parvo e não me vou deixar enganar pela Estrela que eles me puseram no caminho, para me desviar do caminho de Belém. Quero lá chegar, tirar das palhinhas  o trapaceiro que anda a fazer-se passar por Menino Jesus  e a dizer que nasceu para nos salvar e depois afifar-lhe duas chapadas!


Buraco Negro


O relatório do FMI vem confirmar aquilo de que já suspeitávamos. Estamos enfiados num buraco negro de que não conseguiremos sair nas próximas décadas.
O FMI não se limita a dizer que o regresso aos mercados é muito difícil.Duvida da possibilidade de baixar o IRS nos próximos tempos; exige a redução dos salários no sector privado;  considera como dado adquirido que os cortes salariais dos funcionários e das pensões são permanentes; lamenta que o TC seja um obstáculo; avisa que não quer crises políticas; também não quer que os trabalhadores recorram a tribunais se forem despedidos sem justa causa (ainda alguém acredita que vivemos numa democracia e num  esatdo de direito?)Informa-nos que o governo se comprometeu a apresentar, até final do ano, um relatório sobre flexibilidade salarial.
Que o governo anda a mentir aos portugueses, quando anuncia milagres económicos, o fim da crise e o regresso aos mercados.
 Ficamos agora a saber, pela reacção do governo ( diz estar disposto a fazer tudo o que a troika quiser) que a escumalha, enquanto lambe as beiçolas e abana a cauda, vai congeminando com os nossos credores medidas que nos empobreçam ainda mais. Não há um único Homem neste governo, que defenda o país e o povo da política ensandecida dos troikanos? São todos uns traidores?  Abrem as pernas e baixam as calças perante as exigências da troika e convidam-nos a servirem-se à vontade?
Que os troikanos são uma corja de  chulos e nos tratem como escravos, não me espanta. Que tenham o apoio dos energúmenos que nos governam é, no mínimo, chocante.
E o que faz o Okupa de Belém? Assobia para o lado, como se não fosse nada com ele. Com a chegada do Inverno, põe  a mantinha em cima dos joelhos e toma uns chazinhos com a rapaziada. 
Os portugueses? Que é que eu tenho a ver com isso? Desenrasquem-se, porque com a reforma que recebo não tenho tempo, nem paciência, para me preocupar com isso.

Those were the days (34)

Pipa (Brasil)