terça-feira, 12 de novembro de 2013

Those were the days (33)

Nha Trang (Vietname - 2006)

Telegramas de Varsóvia


Não sei qual foi o critério da ONU ao escolher Varsóvia como anfitriã  da Cimeira sobre o clima mas, desde logo, se me coloca uma questão: o país anfitrião deverá ser um dos que mais resistências vai oferecer a  um acordo que permita estancar a escalada do aquecimento global.
Quase 90% da electricidade consumida na Polónia é proveniente do carvão,  e  a localidade de Belchatow, onde existe uma jazida, é o local da Europa  que produz mais carbono para a atmosfera. 
A Polónia tem sido o país, no seio da União Europeia,  que tem oferecido mais resistência à tomada de medidas que visem reduzir, de forma permanente, a emissão de gases com efeito de estufa.
Não se espera, por isso, que Varsóvia seja mais do que uma escala técnica para a Cimeira de Paris em 2015. Nem os efeitos devastadores do tufão  Hayian- classificado como a maior catástrofe climática de sempre – que matou pelo menos 10 mil pessoas e deixou milhares de desalojados, nem o lancinante apelo e a greve de fome do representante das Filipinas parecem demover  a maioria dos delegados  presentes, em representação de 189 países.
Todos estão conscientes que as catástrofes naturais tendem a aumentar de intensidade e a ter efeitos cada vez mais devastadores, mas poucos são os que pretendem por um travão ao modelo de crescimento insano e insustentável.
Efeitos do aquecimento global em menos de 80 anos
Os  EUA continuam inflexíveis. Recusam o controlo das medidas por eles próprios definidas e rejeitam um acordo impositivo, com metas fixas.
A China é um dos países que melhor conhece os efeitos do desenvolvimento caótico dentro das suas fronteiras.  O aumento galopante de doenças respiratórias ( só em Pequim, as vítimas de cancro do pulmão aumentaram 50% na última década); o ar irrespirável em muitas cidades; a o manto de poluição que cobre umas outras quantas, impedindo o sol  de brilhar 350 dias por ano , são apenas alguns exemplos. Não suficientes, porém, para evitar uma decisão  do Comité Central do PC chinês, que vai agravar a situação. Ao permitir que seja o mercado a controlar a economia, a RPC está a dar um sinal claro de que não está disposta a fazer grandes concessões para travar a aceleração das alterações climáticas.
A UE continua mergulhada nas suas contradições e não fala a uma só voz, sendo claras as divergências entre a Grã Bretanha e a Alemanha, por exemplo, sobre as medidas a tomar e os prazos para a sua aplicação.
O único sinal positivo parece vir da América Latina. Liderados pelo Brasil, os países latino americanos  exigem medidas  que permitam estabelecer um acordo vinculativo com efeitos a partir de pelo menos 2015( o Quoto 2), rejeitando que o impasse se prolongue até 2020.
Consciente da urgência das medidas e as indecisões euro americanas e asiáticas, o Brasil avançou com uma proposta: que todos os países auscultem as suas populações – a través das organizações empresariais, sociais e laborais –  sobre as metas que devem ser  estabelecidas em Paris em 2015.

Já todos parecem ter percebido que as esperanças de consensos são ténues. Mas enquanto dentro do estádio os delegados fazem esforços por um acordo, nas ruas de Varsóvia milhares de simpatizantes da extrema direita aproveitaram as comemorações do Dia da independência para atacar a embaixada da Rússia com slogans como “Vamos bater na escumalha vermelha com a foice e o martelo” e exigir ao governo polaco a expulsão dos imigrantes.
O mundo está perigoso e não é só em termos climáticos. Lentamente, a extrema direita europeia vai afiando as suas garras e Marine Le Pen, em França, exulta com a possibilidade (cada vez mais real) de ter um resultado retumbante nas eleições europeias de Maio.

Figura de urso


Estou com Jerónimo de Sousa. Palpita-me que Seguro se prepara para dar uma mãozinha ao governo e está apenas à espera do momento mais apropriado para o fazer.
A estratégia Passos/Portas é dar corda a Seguro, proporcionando-lhe intervenções em que engrossa a voz para criticar o governo e fingir que está totalmente em desacordo com as suas medidas. 
Quando estiver com a voz afinada, a dupla aponta-lhe a faca ao pescoço e diz-lhe: ou estás connosco ou liquidamos-te, dizendo que foi a tua intransigência que nos obrigou a pedir um segundo resgate
Seguro é medroso, vaidoso e quer a todo o custo o poder. Em nome da sua glória acatará a ordem. Assina um contrato em que a coligação no poder lhe entrega o pote, com a garantia de receber o seu quinhão num futuro governo saído de eleições (provavelmente antecipadas) e sem o atacar muito na próxima campanha eleitoral.
Cavaco exultará por ter conseguido o consenso e a trupe governativa em funções começa a fazer a partilha dos despojos, reclamando para si o melhor quinhão das empresas públicas. Seguro nem pestanejará. A  coroa é, para ele, o mais importante e só com o apoio da dupla do pote  se livrará da pressão dos socráticos. 
É por isso que não diz uma palavra sobre os cortes dos salários na função pública, nem onde vai fazer cortes que compensem  as perdas dos pensionistas e funcionários públicos, nem se apoia uma taxa sobre as PPP.
Seguro também  não diz o que pensa sobre as propostas de Portas em relação ao ensino, à  saúde, ou à segurança social, nem apresenta medidas alternativas às do actual governo. Para garantir  o acesso ao pote continuará a fingir-se de morto. Não só aceitará o abraço de urso, como desempenhará, de bom grado, fazer figura de urso.
Tudo, claro, em defesa dos interesses do país e dos portugueses.

Grandes autores (24)

Pablo Neruda (1904-1973)

"Canto Geral", onde relata de forma deslumbrante a história da América Latina, é o livro que justifica a inclusão de Pablo Neruda, nascido, Eliezer Basoalto, nesta galeria