quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Resumo do dia: o orçamento

Todo aquele que quebra um juramento e ameaça os cidadãos com o homem do saco, para justificar o seu erro, devia ser sodomizado e seguidamente lapidado.

Rosemary's Babies


Um pouco por toda a Europa vão-se ouvindo vozes e  assistindo a manifestações de protesto contra os imigrantes. Acusam-nos de andarem a roubar postos de trabalho.
Há alguns anos os imigrantes eram bem recebidos nos países de acolhimento, era inimaginável que o Mediterrâneo  se tonasse um cemitério  e Lampedusa  uma prisão para  africanos famintos.
Um pouco por toda a Europa, os ciganos tornam-se alvo da ira popular e a justiça  apresta-se a ser conivente.
Há alguns anos nenhum polícia ousaria roubar uma criança aos pais e acusá-los de rapto, apenas porque a criança era loira e os pais  ciganos. Ou, se acontecesse, haveria fortes consequências  para quem cometesse a leviandade. Hoje,  isso é  possível – vejam o que  aconteceu na Irlanda- a reacção popular é de indiferença e  ninguém é aparentemente responsabilizado quando se  prova que a criança é mesmo filha dos ciganos.
Nesta escalada, o próximo alvo serão os velhos. Já há sinais de intolerância aos velhos e é bom lembrar que quem desenterrou o machado de guerra em Portugal, sobre essa matéria, foi o próprio primeiro-ministro.  Hoje,  um qualquer mentecapto como Henrique Raposo ou Duarte Marques ( ex - líder da JSD) escreve nos jornais, ou toma palavra no parlamento para acusar os velhos de serem responsáveis pelo  desemprego.
Há poucos anos, os velhos ainda eram respeitados. Hoje, são apontados a dedo pelos jovens como causa de todos os males que os afectam . Esses jovens estão na comunicação social, são juízes,  estão no poder ou noutros centros de decisão. O ódio que têm aos velhos assusta-me.
Saber que são filhos e netos da minha geração, que  nunca lhes soube dizer não, os apaparicou com toda a merda consumista  e se submeteu aos seus caprichos  por medo, oportunismo, incapacidade ou sentimento de culpa, revolta-me!
Foi muito por culpa do comportamento dos adultos que chegámos aqui. Mas continuamos a não saber dizer NÃO!

Francamente, D. Alzira

Por razões profissionais sou obrigado, com mais frequência do que desejaria, a ver na TV e ouvir na rádio aqueles programa onde os cidadãos são convidados a fazer catarse. Ora criticando, ora defendendo o governo, os cidadãos expressam as suas opiniões que depois são comentadas (?) por convidados/comentadores.
Já me apercebi que há  cidadãos frequentadores de  vários desses programas. Normalmente  são reformados e/ou  desempregados. A maioria, seja formatada para a direita ou para a esquerda, fala com o à vontade de quem está à mesa do café, mas alguns não conseguem esconder a sua militância. Um dos casos mais picarescos a que assisti foi o da mãe do ministro Álvaro,  desmascarada  por um espectador, mas tantos outros poderia relatar, que daria certamente para escrever um livro. Medíocre, como tantos outros que vêem a luz do dia, sem que se perceba a razão.
Hoje vou falar-vos da D. Alzira. Doméstica ( de Gondomar, se a memória me não atraiçoa), revela-se uma feroz defensora do governo e acusa os jornalistas de estarem sempre a denegrir o governo que nos está a salvar do buraco em que Sócrates o enfiou. Numa das últimas intervenções  a que tive a oportunidade de assistir, a D.Alzira revelando um confrangedor desconhecimento da realidade, dizia que os portugueses não querem saber do défice para nada “ porque isso não lhes dá de comer”. Na sua douta opinião o que os portugueses querem é que alguém salve o país, mas os jornalistas e comentadores só estão interessados em denegrir as  boas medidas que este governo tem tomado.
D. Alzira também comentou o OE  e disse, sem papas na língua, que é o melhor que já viu desde o tempo de Salazar.
Não se julgue, porém, que a D. Alzira é exemplar único. Nos últimos tempos tenho ouvido nesses programas muita gente a seguir o mesmo tipo de raciocínio.Isso preocupa-me tanto como aqueles que afirmam, sem papas na língua, que devíamos correr com a troika já amanhã e  não lhes pagar nem mais um cêntimo, porque já nos roubaram que chegue.
A D. Alzira, porém, é especial e, por isso, lançou um desafio.
“ Os senhores jornalistas e comentadores deviam ver isto e elogiar, em vez de criticar. Se o governo corta os salários e as pensões é porque isso é preciso para salvar o país. O país é mais importante que as pessoas”. Por isso, desafiou os jornalistas e comentadores a formarem um partido, ou movimento de opinião de apoio a este governo, em vez de estarem sempre a criticá-lo.
Eu não sei em que país vive a D. Alzira, mas em Portugal não é certamente. No entanto, para nossa desgraça, parece que  vota por cá.
E mais não digo, porque às tantas ainda acabo como aqueles que se opõem ao voto universal.

Dia Mundial da Poupança

Assinala-se hoje, em todo o mundo, o Dia Mundial da Poupança. Por cá, só o governo comemora a data, porque os portugueses andam a fazer poupanças todos os dias há mais de dois anos

Cahiers du cinéma



Criada em 1951, a revista Cahiers du Cinema era uma espécie de Bíblia para quem queria estar a par das grandes novidades da Sétima Arte.
Nos anos 60, era um ícone dos cineclubistas e dos amantes de cinema em geral. Mote para tertúlias, os Cahiers du Cinema foram fundamentais na formação cinéfila de muitos jovens e adultos portugueses. Sem se deixar dominar por lobbies, ou submeter aos ditames da indústria de Hollywood, os CC continuam a ser sessenta anos depois, continua a ser uma revista de referência, o que atesta a sua qualidade e credibilidade.
No dia em que encerro o Mês da Francofonia, presto homenagem a uma revista que sempre me deu bons conselhos.