quarta-feira, 23 de outubro de 2013

E se a moda pega por cá?

Nós, os ricos!



O ministro do Jardim Zoológico vestiu a sua cara dos momentos solenes, arremeteu contra câmaras e microfones com o seu nariz adunco e, do alto da sua irrevogável sapiência, proclamou:
" Os pobres não se manifestam nem vão à televisão!"
Suspirei de alívio. Afinal sou rico. Raras vezes perco a oportunidade de me manifestar na companhia dos ricos como eu.  Abençoado país este, onde os ricos enchem  o Terreiro do Paço para protestar contra um governo indigno que protege os pobres e chantageia os ricos.
Pena que neste mesmo país um pobrezinho se tenha vendido, em troca de um gabinete com vista para o Jardim Zoológico. 
Pensava que Portas ainda era um tipo inteligente mas, muito provavelmente devido à convivência, virou burro de presépio  e gosta de fazer figura de urso

Notícias do novo ciclo (10)

Uma desagradável surpresa?

A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública convocou uma greve na Função Pública para o dia 8 de Novembro. 
Não restam dúvidas de que os funcionários públicos têm sobejas razões para fazer greve e protestar mas, infelizmente, temo que esta greve seja  um fracasso.
O funcionário público tem um comportamento muito peculiar. Barafusta, protesta, insulta o patrão nos corredores dos serviços e à mesa do café ou ao balcão da cantina, mas na hora de fazer greve a maioria procura justificação para não aderir.
Uma parte diz "ah e tal, eu até fazia, mas o dinheiro faz-me muita falta..." 
Este grupo de funcionários públicos não percebe que, graças a essa justificação, o seu poder de compra, nos últimos cinco anos diminuiu cerca de 25 por cento! Não ter feito greve, para não perder um dia de salário, significou perder todos os anos regalias e dinheiro. Será que perante este ataque  brutal, este grupo de funcionários públicos mudará de posição e aderirá à greve? Duvido.
Há um segundo grupo de conformados, cuja senha é " fazer greve não adianta de nada, porque eles fazem o que querem". Quando é que este grupo irá perceber que está a ver o filme ao contrário? O que na realidade se passa é que "eles" fazem o que querem porque os funcionários públicos cruzam os braços. São um caso perdido. Nunca farão greve! 
Há finalmente um terceiro grupo dos bem instalados que argumenta "não acredito em sindicatos, por isso não faço greve" ( normalmente usa o mesmo pretexto para não ir a manifestações
Este grupo é o dos não assumidos. Os  seus membros vota(ra)m sempre num dos partidos do Centrão, como agradecimento pelo emprego que  o partido lhes arranjou. A maioria também não fará greve.
Por tudo isto, temo que a greve de 8 de Novembro ( apesar de ter sido marcada para uma sexta-feira) seja feita apenas "pelos tipos do costume".  Terá impacto nos transportes,  hospitais, escolas e pouco mais.
Os tipos bem instalados em serviços de faz de conta  cuja maioria já devia ter sido extinta ( mas com os quais o governo não acaba por manifesta falta de coragem, porque  é  nesses  que está a esmagadora fatia dos funcionários públicos afectos ao Centrão e porque atraem uma parte significativa das dotações comunitárias)  não fazem greve.  Esses e os precários a recibo verde que, se fizerem greve, serão despedidos no mês seguinte...
Ao final do dia 8 de Novembro, talvez não se discutam números, mas falar-se-á, indubitavelmente, sobre  ( falta de) consciencialização e responsabilidade.

Desaparecidos

O tipo que aparece às vezes nas televisões, não é o To Zé. É um robot triste. Sem chama, sem garra, sem ideias. Quando voltaremos a ter um líder da oposição?

Jules &Jim

Truffaut não poderia faltar nesta homenagem ao cinema francês. Não só por ter sido um dos fundadores da "nouvelle vague", mas também pela influência que exerceu em grandes realizadores, com Brian di Palma ou Scorsese.
A  morte prematura ( 1984, com apenas 56 anos)  privou-nos, certamente, de mais umas duas mãos cheias de grandes filmes.
Se não me falha a memória, Jules & Jim foi o primeiro filme que vi dele, mas gravados para sempre na minha memória ficarão "Os 400 Golpes", " Beijos Roubados", "Antoine et Collete" (O Amor aos 20 Anos), " O Último Metro", "A História de Adèle", "A Noite Americana" ou "A Idade da Inocência".
Truffaut é um dos meus realizadores de culto.
Foi também colaborador ( não me recordo se também  fundador) dos "Cahiers du Cinema, uma verdadeira Bíblia do cinema nos anos 60.