sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Je vous salue, Godard!



Jean Luc Godard não foi o fundador da nouvelle vague, mas é um dos seus nomes de referência. " O Acossado"  foi o seu primeiro filme, que logo despertou a atenção da crítica, mas com  "Alphaville",  "Week-End" , " Duas ou três coisas que sei sobre ela" e "Pierrot le Fou"  entrou para a galeria dos grandes nomes do cinema. 
Em Maio de 68 conhece Cohn Bendit  e os seus filmes, a partir daí, ganham uma nova versatilidade temática.
Polémico e provocador, a sua  irreverência em "Je vous salue, Marie" provocou enorme polémica e deixou as beatas portuguesas em transe e desceu na bolsa de cotações dos portugueses
Vencedor de Ursos de Ouro e Prata em Berlim e de um Leão de Ouro em Veneza, os seus filmes nunca foram distinguidos com Césares nem Óscares. Terá sido, porém, dos raros realizadores a receber dois Cesares e um Óscar Honorários.

Paris em Lisboa



Na Avenida Duque de Ávila está  patente ao público, até ao próximo domingo,  uma exposição fotográfica de Paris. Ou melhor. Do Paris moderno e sustentável que se preocupa com os cidadãos e com o ambiente.
Nos últimos tempos, as mudanças têm sido profundas mas, apesar de ir lá todos os anos, não me tinha ainda apercebido de uma grande parte delas.
Enquanto via as fotografias e constatava  que, paulatinamente, Paris vai roubando espaço aos carros para o devolver aos cidadãos, lembrei-me das dificuldades que António Costa tem sentido para fazer algo semelhante em Lisboa.
Não sei se houve uma reacção muito adversa dos parisienses às transformações na cidade, que tornam a vida dos automobilistas cada dia mais difícil, mas lembrei-me do burburinho levantado em Lisboa pelas alterações na Rotunda, especialmente por uma direita retrógrada, conservadora e autista, que continua a imaginar uma cidade feita para os carros.
Pouco lhes importa que as alterações ao trânsito no centro da cidade tenham  por objectivo melhorar a vida dos lisboetas e evitar uma pesada multa por infracção das normas comunitárias de meio ambiente urbano.  Os lisboetas gostam de ir às compras de carrinho, jantar fora ou tomar um copo montados nas  suas  vaidades e ir trabalhar apoiados no comodismo.
Os lisboetas têm de perceber que as cidades modernas são feitas para peões e não para automóveis. Só assim se preserva a qualidade de vida de quem as habita. Não perceber isso é ficar cristalizado no tempo.
Fazia  bem aos lisboetas irem ver a exposição na Duque d’Ávila!
E se é um apaixonado por Paris, não lhe faltam por estes dias oportunidades de observar algumas das afinidades entre Lisboa e a bela capital francesa, visitando esta outra exposição.

Os indignados


Muitos dos que criticam Mário Soares  estiveram  ao seu lado na Fonte Luminosa em 1975. Já esqueceram  que, sem ele , “ os comunas tinham tomado conta do país”- como então dizia toda a direita que pediu protecção a Soares “ para combater os comunistas”.
Esses que hoje criticam Soares  e pedem nas televisões que a sua opinião seja censurada, comportam-se como os actuais governantes. Receberam dos pais, combatentes  em África,  um país democrático e em desenvolvimento  mas, assim que se apanharam com a herança, trataram imediatamente de a delapidar.  
A falta de  memória cultiva a ingratidão e faz medrar no ser humano comportamentos irracionais. 
É o caso, por exemplo, de Helena Sacadura Cabral. Insulta Mário Soares- como há dias também já ridicularizara Seguro-  acusa-o de estar senil e não ter dignidade, por ter dito umas verdades numa entrevista.
A D. Helena   tem todo o direito de criticar e insultar. Não tem é moral, porque tem telhados de vidro!  É seu filho um dos homens  mais indignos, amorais, aldrabões  e intelectualmente desonestos da  cena  política portuguesa nas últimas décadas.  Como mãe, tinha a obrigação de estar calada. Ou então pedir desculpa aos portugueses por ter parido tal figura!
Não percebo a razão de tanta gente escandalizada com a entrevista de Mário Soares. É crime perguntar por que razão Cavaco não foi julgado? Um homem que violou várias vezes a Constituição, cometeu perjúrio, convidou para o seu governo uma trupe de bandidos e ladrões que formaram um banco que levou o país à ruína e lhe encheu os bolsos com lucros relâmpago em acções, está acima de qualquer suspeita, só porque é PR? 
É ofensa dizer que  há delinquentes no governo?  Embora  haja pelo menos um caso visível a olho nu, estou certo  que se os membros do governo fossem sujeitos a rigorosos  exames médicos, haveria algumas surpresas.
Não haja ilusões. Mário Soares está a ser atacado pela direita trauliteira que tem agora como ídolo Marine Le Pen. Por isso pede o  silenciamento de Soares. 
Lendo  Fernando Dacosta  percebe-se ainda melhor porquê.

Há dramas familiares que me comovem!

Só esta manhã pude ver a entrevista de Marilú à SIC.  Sou uma pessoa sensível. Comovi –me. No momento em que ela, comungando as mesmas preocupações de Cavaco,  confessou viver em dificuldades, senti o coração estilhaçar-se  e uma lágrima furtiva correu-me pela face.
Senti também alguma revolta pela  falta de sensibilidade  de Gomes Ferreira perante o caso dramático de Marilú. Tivesse ele a sensibilidade e o sentido de oportunidade do nosso PM e teria reagido como ele no talk show da RTP, quando foi interpelado por uma professora desempregada e com dois filhos:
- A senhora ministra é mãe solteira?
Já não há jornalistas como dantes

Desperdícios

No Dia Mundial da Alimentação, o CRIOC  divulgou um estudo sobre o desperdício alimentar nos supermercados.
Chamo a vossa atenção não só para o estudo, mas também para as sugestões e recomendações aos governos aí feitas. 
Assinalar o DMA e ignorar o desperdício alimentar, é hipocrisia.