segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Gendarme de Saint Tropez


Normalmente ligado à figura do Gendarme de Saint Tropez, Louis de Funès é, acima de tudo, uma figura incontornável da comédia francesa.
 Nos anos 60, um filme de Louis de Funès- a solo ou na companhia de Bourvil- era um sucesso de bilheteira assegurado. A eles estou a dever muitas gargalhadas em animadas tardes de sábado.

As burricadas do dia

Há gente que é paga pelos jornais para escrever aberrações ou insisitir em mentiras, até que a opinião pública as assimile como se fossem verdades.
No primeiro caso está Camilo Lourenço. Hoje, mais uma vez, demonstra que não só escreve aberrações como, ele próprio é uma aberração.
No segundo está Henrique Raposo. Perito em escrever mentiras, como se fossem verdades absolutas. Como acontece hoje no Expresso, onde continua a vender aos leitores que o TC proibiu os despedimentos na função pública
Não sei se é má fé ou burrice mas, sendo ambas as características inerentes à maioria dos membros do governo, um dia destes Passos ainda os convida para animar o elenco.

Vamos negociar, sr. Pedro?

Senhor Pedro Passos Coelho:


Ouvi dizer que anda preocupado com as pensões dos velhos, porque lhe andam a estragar as contas do orçamento.
Venho dizer-lhe que estou disposto a contribuir para o aliviar desse fardo, desde que  aceite negociar a dívida que tem comigo.  Não levará a mal que traga algumas testemunhas para a mesa das negociações, mas já  percebi que o senhor  não respeita a palavra dada, pelo que é melhor ter testemunhas, na eventualidade de chegarmos a um acordo e o senhor depois roer a corda. 
Permita-me que seja franco. Ao senhor eu não comprava nem um alfinete porque, além de  não ser de boas contas, gosta de brincar e divertir-se com o dinheiro dos outros. 
Ao que consta, não foi um defeito que adquiriu depois de chegar a S. Bento. Quando estava na Tecnoforma- empresa que curiosamente faliu logo que o senhor chegou ao governo- já utilizava os fundos europeus para fazer formação de pessoas, cuja existência foi concebida por si em parceria com o Relvas. De qualquer modo esse dinheiro não era meu por isso, quem se sentir lesado que se queixe...
A questão muda de figura quando o senhor começa a brincar com o meu dinheiro e o pretende utilizar  para fins mais ou menos obscuros. Eu explico melhor, para o caso de não estar a perceber.
Durante 40 anos confiei ao Estado parte do meu vencimento ( mesmo quando não vivia em Portugal) com a promessa de que me seria devolvido 36 anos depois em suaves prestações mensais.  Um ano antes dessa data, o seu antecessor ( José Sócrates) disse-me que não me poderia entregar o dinheiro logo e propôs uma renegociação da dívida. Fazia a entrega imediata do dinheiro, mas com uma penalização de 4% ao mês, ou então eu trabalhava mais uns anitos e recebia tudo por inteiro. Torci o nariz, mas aceitei trabalhar mais dois anos.  Fiz mal!
O senhor correu com o Sócrates, prometendo que não cortava nem um cêntimo nas pensões, porque isso era roubo e, assim que  se  apanhou a lamber o pote,  avisou-me que só pagaria a dívida ao fim de 40 anos.
Esse prazo expira em Fevereiro mas, entretanto, o senhor  voltou com a palavra atrás e disse-me que também não pagava ao fim de 40 anos de trabalho, mas só quando eu fizer 66 anos- ou seja, daqui a mais três anos. Pior ainda... avisou-me que nessa data me iria cortar 10% do dinheiro que eu confiei ao Estado de boa fé. Fiz as contas e percebi que, mais uma vez, o senhor me estava a tentar enganar com o conto do vigário, porque  esse corte , afinal, é superior a 15%.
Confesso que nesse dia me fartei de insultar a sua mãezinha, coitada, que não tem culpa nenhuma de ter parido um traste. Como fica demonstrado já a seguir...
Não satisfeito com a vigarice, mandou alguns dos seus capangas avisar os jovens do meu país que, sendo eu velho, estava a roubar o que lhes pertencia. Passei-me! Tive  mesmo vontade de lhe ir aos fagotes, mas o senhor anda sempre rodeado de seguranças, capangas e jagunços e cortei-me, confesso. Quem pagou as favas? Outra vez a sua mãezinha!
Entretanto, há dias, recebi a notícia de que o senhor vai utilizar o dinheiro que eu confiei ao Estado para pagar o resgate de uma dívida  cujos principais responsáveis são banqueiros e empresários, entre os quais se encontram os seus amigos Oliveira e Costa, Dias Loureiro e outros vigaristas maltrapilhos que Vocelência cumula de gentilezas.
Voltei a passar-me e decidi fazer-lhe uma proposta. De boa fé. Não quero que me pague nenhuma pensão. O senhor devolve-me de uma assentada o dinheiro todo que lhe entreguei durante 40 anos ( valores corrigidos de acordo com a inflacção), eu vou à minha vida e o senhor fica por cá a brincar com o guito dos portugueses que vão na sua conversa. Isto é uma proposta de uma pessoa de bem, não lhe parece?
Permito-me desde já avisá-lo que sou um bocado amalucado e, perdido por 10, perdido por 100. Um dia, numa manif, li um cartaz  onde se perguntava: "Que serás capaz de fazer, quando nada tiveres a perder?"  Quero só dizer-lhe que já sei do que sou capaz!  

Nota final:
Sinto-me mais seguro se confiar o meu dinheiro a um banco ou a uma companhia de seguros, porque se eles não cumprirem, tenho Fundos de Garantia que me compensem e/ou a possibilidade de recorrer aos Tribunais, para que me devolvam o que me roubaram.
Consigo, sr Pedro, é tudo muito mais perigoso, porque o senhor é, simultaneamente, polícia, ladrão e  juiz. 


A crise política regressa no próximo Verão?

Quem anda a dizer que Coelho pode bater com a porta se o Tribunal Constitucional chumbar algumas das medidas de austeridade do OE 2014, ou não conhece o PM, ou está a exercer pressão sobre o TC, ou a tentar intimidar os portugueses.
Parece-me um cenário muito pouco provável.
No entanto, lá para o Verão, o cenário de demissão do governo parece-me mais plausivel Não por vontade de Cavaco, mas sim por estratégia do governo.
Se não tiver uma derrota esmagadora nas europeias e evitar um segundo resgate, PPC será tentado a criar uma crise política. Demite-se para provocar eleições antecipadas, aproveitando o clima de optimismo que não deixará de se instalar entre os portugueses, aliviados com a saída da troika e crentes de que a austeridade terminou. (O Verão é sempre propício a devaneios)
Durante a campanha eleitoral, PPC e PP tentarão criar nos eleitores a ideia de que se o PS for governo vai estragar o que eles fizeram e Portugal terá de pedir novo resgate. Este argumento só produzirá efeito se for utilizado logo após a saída da troika. Em 2015, já os portugueses terão percebido que o fim do programa de assistência nada mudou nas suas vidas e que o governo continua com austeridade severa e a destruir o país, alegando a necessidade de consolidar as contas. 
O Verão de 2014 será, por isso, o momento ideal para provocar eleições. O governo poderá  alegar que a nova fase do país justifica que o OE 2015 seja legitimado pelo voto popular. Lá virá, uma vez mais, a história do novo ciclo, blá, blá blá...


A mim não me enganas tu!

Paulo Portas, com aquela esperteza saloia dos vendedores de  banha da cobra, veio anunciar ao país que só haverá cortes nas pensões de sobrevivência quando o valor acumulado for superior a dois mil euros.
O malabarista do Eduardo VII pensa que somos todos parvos? Lá porque a medida só se aplica acima daquele valor, deixa de ser roubo? 
Ladeado por uma  das  loiras do regime e pelo ministro da Vespa, Portas tentou passar a ideia de que quem rouba um tostão é ladrão, mas quem rouba um milhão é  espertalhão. Entrementes, desviou as atenções de todas as outras medidas que o governo esteve a cozinhar durante todo o dia de domingo e vão atingir a classe média e os mais desfavorecidos. E nem uma palavra nos cortes dos funcionários públicos que ganhem mais de 600 e tal euros.
Não há dúvida que Coelho fez uma boa escolha ao trocar Gaspar por Portas. Este tem muito mais jeito para a dissimulação e a mentira