terça-feira, 8 de outubro de 2013

Belle de Jour

Catherine Deneuve


Catherine Deneuve é uma das actrizes que alcançou, sem contestação o estatuto de Diva.
Foi descoberta por Roger Vadim ( com quem viria a casar) mas, curiosamente, ligo-a mais facilmente a  Buñuel, com quem filmou "Belle de Jour", um dos filmes da minha vida, e " Paixão Mórbida".
Talvez nenhuma outra actriz  faça de forma tão perfeita a simbiose entre beleza, sensualidade, charme e classe, como Catherine Deneuve, cujo último grande sucesso terá sido "Dancing in the Dark" ( Lars von Trier).
"O Último Metro" ( François Truffaut)  e " Place Vendôme" (Nicole Garcia) - prémio melhor actriz em Veneza (1998) são os dois melhores filmes que fez com realizadores franceses.
 Ao longo da carreira recebeu dois Cesares mas- em minha opinião injustamente- nunca ganhou um Óscar.

Balanço do dia: loucuras, traições e demissões

Passagem para o abismo II



Quando andava no 3º ano do liceu (actual 7º ano), o meu professor de Geografia falou, numa aula, das vantagens que adviriam para a navegação - e para o comércio - em encontrar uma passagem navegável e comercialmente rentável que permitisse passar da Ásia à Europa através do Árctico. Não foi, porém, esta informação que despertou a nossa curiosidade. Foi o que se seguiu.
O professor Portocarrero contou, nessa aula, algumas tentativas que já tinham sido feitas para atravessar o Árctico- a maioria delas mal sucedidas- e terminou dizendo mais ou menos isto:“Felizmente, a marinha mercante não poderá utilizar essa rota. No dia em que o conseguir, todos vocês se devem preocupar, porque isso significa que os gelos do Árctico estão a derreter e a Terra corre perigo”.
Numa manhã de Setembro de 2009, mais de 40 anos depois, uma notícia lida num matutino deixou-me  preocupado: “NAVIOS JÁ PASSAM O ÁRCTICO. As alterações climáticas permitiram a dois navios alemães ligar a Ásia à Europa através do Oceano Árctico, uma rota que poupa sete mil quilómetros à viagem tradicional com passagem pelo canal do Suez”.
A  travessia  só se tornou possível devido ao degelo provocado pelo aquecimento global e despertou de imediato o apetite de  vários armadores, que  anunciaram a intenção de adoptar este trajecto.
Ontem, chegou ao porto finlandês de Pori o primeiro cargueiro a conseguir fazer a ligação marítima  comercial entre o Pacífico e o Atlântico, através do Árctico, a norte do Canadá. Está inaugurada uma nova rota comercial que irá poupar tempo (4 dias) e muitos milhares de dólares aos armadores que arrisquem fazer a travessia durante o Verão. Por agora ainda serão poucos mas estima-se que, dentro de uma década, a aceleração do degelo permita que esta rota se torne normal, diminuindo drasticamente a circulação através do canal do Panamá. 
Muitos predadores  abriram garrafas de champagne e celebraram a proeza, fazendo contas ao que isso significa em termos de lucros. Néscios, ignoram que esta rota apenas significa mais perigos para a sustentabilidade do planeta. 
Se tivessem tido aulas com o professor Portocarrero, talvez continuassem satisfeitos mas, pelo menos, estariam apreensivos.

Sic transit gloria mundi

Passo Coelho afirmou  ( hoje numa reunião de economistas)estar "certo de que o País, no seu conjunto e com todas as suas instituições, dará um exemplo à Europa e ao mundo de que se falará durante muito e muito tempo".
Percebe-se agora que o objectivo de PPC é apenas ficar na História. Ficará, certamente... o que não faltam são loucos a emoldurar a páginas dos compêndios de História. O problema é que, para o fazer,  está a destruir um povo.Não o faz por maldade, acredito... é o poder néscio da loucura que certamente o move nesta cruzada contra os portugueses.
Compreende-se, também,  por que razão Portas passou, em menos de 24 horas, de irrevogável demissionário, a  indefectível apoiante das medidas de austeridade: PPC prometeu-lhe um lugar na História, sentado a seu lado, no reino glorioso dos salvadores da Pátria. Portas, vaidoso, rejubilou,  esquecendo que a promessa foi feita por alguém com um historial  muito duvidoso...


In Vanitas veritas

No início de Agosto, o Papa Francisco apelou aos jovens para resistirem e combaterem o consumismo
 Pensei que esse pedido do Papa tivesse ampla repercussão nos media e vários comentadores e colunistas pegassem no mote para as suas colunas semanais. Tanto quanto me apercebi, ninguém considerou essa matéria importante. (Não terá sido, certamente, por estarmos na silly season, pouco propícia à discusão de assuntos sérios).
É certo que já João Paulo II fizera idêntico apelo aos jovens  em 2004 mas, gozando o Papa Francisco de uma boa imagem junto da opinião pública em geral, esperava que desta vez o pedido papal tivesse mais eco  junto  dos comentadores  cá do burgo. 
Analisando friamente esse silêncio, terei de  admitir que é normal e justificável. O pedido de Francisco e de João Paulo II é uma crítica à sociedade de consumo  que , durante décadas, incitou ao despesismo, ao desperdício, ao descartável e ao consumo do supérfluo e nos conduziu à situação actual.  Ao fazerem esse pedido/aviso ambos estavam a alertar os jovens ( mas também os adultos)  para não caírem na armadilha que lhes foi criada pelo concubinato da sociedade de consumo com o sistema financeiro: acenar com o crédito fácil para os apanhar na rede e depois  fazer deles escravos.
Ao contrário do que diz PPC, na sua suprema ignorância, o problema não foi os portugueses terem vivido durante duas décadas acima das suas possibilidades.  O problema  foi, tão somente, os governos não terem tido a coragem de dizer aos consumidores que estavam a ser enganados. ( Fizeram com os cidadãos o que muitos pais fazem  quando compram o afecto dos filhos, satisfazendo-lhes todas as exigências).
Nem tampouco a coragem de exigir recato a quem andou a publicitar crédito fácil e barato, ou a  fazer publicidade enganosa, lesando os consumidores. 
PPC teve oportunidade de fazer ambas as coisas, mas  optou por ameaçar os consumidores com reguadas- por viverem acima das suas possibilidades,como se eles fossem os culpados da crise- enquanto faz festinhas ao sector financeiro que um dia certamente não lhe faltará com um emprego bem remunerado.
Foi para este concubinato entre poder político e económico- há várias décadas reinante no mundo  global, como símbolo de progresso-   que os Papas Francisco e João Paulo II chamaram a atenção dos jovens.
A sociedade de consumo tornou-se, na era da globalização, num poderosíssimo instrumento para o triunfo da sociedade do Eu, Ldª , assente no culto do indivíduo, expresso através da fórmula " Mais vale parecê-lo do que sê-lo" . 
Obviamente que  tais avisos não agradam aos jovens, porque não percebem os meandros desta sociedade de consumo globalizada. Educados nas escolas do individualismo- muitas vezes alimentada pelos próprios pais- os jovens estão mais interessados na máxima In Vanitas veritas,  a mensagem dirigida aos jovens  por esta sociedade de consumo exaltada pelos media.  Para eles, adquirir a última novidade, ou aparecer num reality show, é muito mais importante do que discutir as questões que podem contribuir para uma sociedade melhor. 
Para eles, os adultos têm obrigação de construir  e deixar-lhes como herança, uma sociedade à medida dos seus interesses, que depois desbaratarão. Não lhes interessa pensar em construir um futuro, apenas viver o presente e esperar que a herança dos pais lhes caia no regaço.
Compreende-se... Muitas vezes foi essa a educação que receberam em casa.
O aviso do Papa Francisco tampouco  agrada aos políticos ou aos comentadores. Lídimos representantes de uma geração criada no individualismo, a palavra solidariedade é algo que lhes soa a esquerdismo ou  naïf. A única coisa que os preocupa é o bem estar e estar de bem com os interesses instalados.
Ninguém parece interessado nesta Europa em construir um mundo que privilegie os cidadãos. Estão todos preocupados em culpar a esquerda dos males do mundo, mas ninguém parece querer verdadeiramente saber  COMO e PORQUE  chegámos aqui.
 Mesmo assim, sugiro-vos que leiam alguns capítulos desta história...