domingo, 29 de setembro de 2013

Um dia histórico mas...NÃO ME APALPEM!

Não, ainda não vou falar dos resultados das autárquicas. Antes, quero lembrar que hoje foi um dia histórico. Não me refiro, obviamente, às declarações do homem do pastel de nata que, de forma nada inocente, aproveitou a hora do almoço para ir votar. Ele tinha uma mensagem que queria todos os portugueses ouvissem: estou aqui para defender o meu governo e quero que vocês saibam!
Presidentes da República como Cavaco só ficarão na História de Portugal dos Fracos e desses não me ocupo neste dia.
Hoje foi um dia histórico porque, pela primeira vez, um português (João Sousa) venceu um torneio ATP em ténis.
Hoje foi um dia histórico porque, pela primeira vez, um ciclista português ( Rui Costa) se sagrou campeão do mundo.
Ainda sou do tempo em que as televisões em canal aberto ( nomeadamente a RTP) transmitiam na íntegra finais de torneios de ténis onde os portugueses nem sequer entravam nos qualifying.
Ainda sou do tempo em que as mesmas televisões transmitiam horas a fio o Mundial de ciclismo, onde os portugueses nem sequer nos dez primeiros lugares se classificavam.
Hoje, quando dois portugueses que suam a camisola pelo país entraram para a História, apenas tive direito a ver uns segundos das provas em que obtiveram brilhantes  vitórias.
Em compensação, as televisões encheram os noticiários, de hora a hora, com declarações de um trio de imbecis que vendeu Portugal a interesses estrangeiros: Aníbal, Pedro e Paulo desdobraram-se em declarações balofas, para vender a  banha da cobra da sua ideologia totalitária mascarada de democracia.
NÃO ME APALPEM QUE EU NÃO GOSTO, PORRA! 

Antes de fecharem as urnas...

... quero brindar com a mais importante candidata do dia, embora saiba que pessoas como ela nunca ganham eleições ( pelo menos por enquanto...)

Le premier bonheur du jour


 Hoje, em homenagem a António Ramos Rosa que nos deixou esta semana



Poema dum funcionário cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida

num quarto só

( António Ramos Rosa

Já posso deixar de reflectir?

Já passa da meia noite. Posso deixar de reflectir, ou tenho de ficar de quarentena até às 19 horas?